Marcos 1.21-34
Este estudo tem dupla finalidade.
Uma é oferecer consolo aos que estejam passando por aflições; a outra é fazer um chamamento de alerta àqueles que não estão enfrentando sofrimentos e pesares maiores e, por isso mesmo, estão acomodados numa posição de indiferença face aos apelos do Evangelho para a salvação pela fé em Cristo ou para consagração e serviço cristão.
Cristo, que curou os enfermos durante o Seu ministério público na terra, é o mesmo hoje como ontem, e para sempre (Hb 13.8). Ele pode curar o enfermo ou dar ânimo aos sofredores.
Cristo, que expulsou demônios em Cafarnaum e noutros lugares da Palestina "nos dias da sua carne" (Hb 5.7) é o único que pode expulsar definitivamente Satanás do trono do coração dos homens, transformando os filhos das trevas em filhos da luz, os filhos do mundo em filhos de Deus (Jo 1.12; 8.12).
Os fatos descritos no texto básico deram-se na cidade de Cafarnaum, junto ao mar da Galileia. Era cidade populosa e de não pequena importância, uma vez que sediava uma coletoria e um posto militar dos romanos (Mt 8.5,9; 9.9).
Jesus passou a residir em Cafarnaum (Mt 4.13) no segundo ano de Seu ministério público (ano 28). Nesse período Ele se tornou conhecido e popular.
Convido o leitor e a leitora a acompanharem este estudo com espírito de oração e a mente, e o coração abertos para as livres e benfazejas operações do "Espírito de Cristo" (Rm 8.9).
1. UM COSTUME DE JESUS
(Mc 1.21,22)
Depois de percorrer vários lugares da orla marítima, ocasião em que convocou para que O seguissem Simão e André, Tiago e João (Mc 1.16-20), Jesus e os Seus discípulos entraram em Cafarnaum. No primeiro dia de sábado, já foi "ensinar na sinagoga" - instituição que servia de lugar de culto, escola e tribunal.
Lucas, descrevendo a pregação que Jesus fez na sinagoga de Nazaré, registra que era costume de Jesus ir à sinagoga no dia de sábado (Lc 4.16).
É importante salientar este fato, principalmente numa época como a nossa, em que até grupos evangélicos existem que menosprezam a frequência ao culto público.
Jesus, o Senhor de todos, não só não menosprezou a participação nos serviços religiosos do Seu tempo na terra, como formou o hábito de frequentá-los.
O costume de Jesus que estamos acentuando aqui é exatamente o oposto do costume de alguns nos dias apostólicos, mau costume condenado pela Palavra de Deus:
Hebreus 10:25
Não deixemos de congregar-nos, como é costume de alguns...
Porque Jesus tinha o costume de frequentar a sinagoga, os dirigentes davam-lhe oportunidade para ler e expor a Escritura. Foi o que fez, por exemplo, em Nazaré, quando, com base na profecia messiânica de Isaías (61.1,2), Jesus expôs o Seu programa de ação (Lc 4.16-21). Também foi o que fez em Cafarnaum, segundo a passagem que estamos estudando (Mc 1.21).
Conheci várias pessoas dispostas a dar lições sobre sermões, caráter cristão, culto e outras coisas mais da vida e missão da igreja, mas elas não participavam das reuniões e cultos. Que autoridade gente assim tem para ensinar cristianismo?
Primeiro aprendam de Jesus e adotem o seu costume de frequentar o local de culto e de estudo bíblico da sua cidade ou bairro.
2. A LUTA ENTRE CRISTO E SATANÁS
(Mc 1.23-26)
A sinagoga estava sendo utilizada para reunião religiosa. Nas reuniões feitas nos dias de sábado a ordem do culto em geral consistia de orações, leitura da lei e dos profetas e uma pregação breve. Certamente estas práticas favoreciam a formação de um ambiente impregnado de espiritualidade.
Foi num ambiente assim que se manifestou um endemoninhado. E se manifestou bradando contra Jesus: "Que temos nós contigo, Jesus Nazareno? Vieste para perder-nos? Bem sei quem és: o Santo de Deus!" (24).
Há uma tremenda contradição entre as duas perguntas, por um lado, e a exclamação, por outro. Sim, porque, se alguém reconhece que Jesus é o Santo de Deus - o Ungido, o Filho de Deus - como pode pensar que o Santo de Deus lhe faça mal?
Só sendo do diabo para pensar e dizer isso, pois só a Satanás e a seus anjos maus Jesus combate com força destruidora (veja Hb 2.14).
"Que temos nós contigo...?" - perguntam o demônio e o endemoninhado, por isso o plural. Não há ligação possível entre nós e Ti; nós somos de um espírito, Tu és de outro espírito; nós estamos de um lado, Tu estás doutro lado.
"Vieste para perder-nos?" - A presença de Jesus, Suas obras, Seus ensinos e Sua pregação contrariavam os propósitos desintegradores do diabo e suas hostes.
Jesus não aceitou a afirmação verdadeira feita pelo espírito maligno (note o singular agora: "Bem sei quem és"). Jesus e os que Lhe pertencem não podem aceitar o testemunho dos demônios (ver At 16.16-18). Por isso, Jesus ordenou ao demônio que se calasse e saísse do homem possesso, e ele, agitando a sua vítima, calou-se e saiu. "Cala-te...", ordem parecida com a que deu à tempestade no mar (Mc 4.39).
Assim como Jesus não fez concessão nenhuma ao espírito maligno, nós também não devemos fazer nenhuma concessão a Satanás, a seus anjos e aos seus métodos. Por exemplo, recorrer a práticas espíritas, a quaisquer recursos do ocultismo para obter cura ou outros favores, é fazer concessão aos demônios.
Oxalá quanto a mim e quanto a você, leitor ou leitora, os demônios se sintam como aquele mau espírito sentiu-se diante de Jesus, guardadas as proporções entre nós, pecadores salvos, e Ele, Salvador divino. Que digam eles de nós: "Não temos nada com este homem e com esta mulher. Eles só servem para perder-nos. Eles são santos e suas orações são depositadas 'sobre o altar de ouro que se acha diante do trono' de Deus." (Ap 8.3).
3. O PODER INVENCÍVEL DE DEUS
(Mc 1.27,28)
As circunstâncias ambientais (reunião religiosa na sinagoga), a maneira como se manifestou o endemoninhado e como obedeceu à voz de comando de Jesus, como também a violência com que sacudiu o homem possesso antes de sair dele - tudo concorreu para que o povo se admirasse. E a fama de Jesus se espalhou por toda a região da Galiléia.
Mas, o objetivo de Jesus não era ficar famoso. Nem mesmo era realizar obras portentosas tendo nelas um fim em si mesmas. Seus milagres tinham o propósito de mostrar que Ele era o enviado do Pai, o Redentor de quantos nele cressem.
Cristo tem o mesmo poder de sempre sobre os espíritos malignos. Estes podem causar danos aos homens, mas, se nos submetermos ao governo onipotente e compassivo de Jesus, Satanás e seus demônios podem ferir-nos o calcanhar, por assim dizer, mas o Senhor lhes fere a cabeça. E quantos estiverem unidos a Cristo participarão da vitória de Deus sobre Satanás (Rm 16.20).
4. JESUS REALIZA NUMEROSAS CURAS
(Mc 1.29-34)
a. A cura da sogra de Pedro (29-31). Logo que saíram do culto, foram até a casa de Simão Pedro e André. A sogra de Pedro estava doente, de cama. O médico Lucas informa que ela estava com febre muito alta (Lc 4.38). Falaram com Jesus sobre ela, diz Marcos; "rogaram-lhe por ela", especifica Lucas. Como nós também podemos e devemos interceder junto a Jesus pelos que sofrem.
Lucas registra que Jesus repreendeu a febre e esta cedeu rapidamente; e logo a enferma curada passou a servir aos que estavam na casa.
Jesus demonstrara poder sobre os espíritos, e agora demonstra poder sobre a enfermidade.
b. Muitas outras curas (32-34). A fama de Jesus já se espalhara (vers. 28). Então muitas e muitas pessoas se movimentaram para preparar os seus doentes e endemoninhados e levá-los a Jesus. À tarde, tanta gente apareceu que o evangelista diz: "Toda a cidade estava reunida à porta" (vers. 33). Jesus curou os enfermos e expulsou os demônios de todos os endemoninhados, ordenando aos demônios que se calassem a Seu respeito, como no caso da expulsão feita na sinagoga (vers. 25).
Jesus Cristo, o Filho de Deus, exerce o Seu poder invencível com toda a autoridade sobre as coisas e seres do mundo material e sobre os seres e poderes do mundo espiritual.
Os que intercederam junto a Jesus em favor da sogra de Pedro não ficaram frustrados. Como também hoje não ficam frustrados os que com fé e submissão buscam o socorro de Jesus para si e para outros.
Ainda quando exija de nós o martírio, como exigiu de Pedro (Jo 21.18,19), contamos com a Sua consoladora presença.
Ele é o nosso bom pastor quando refrigera a nossa alma e faz transbordar o nosso cálice, como também quando nos acompanha através do vale da sombra da morte (Sl 23.3,4,5).
Quantos se voltam a Jesus em busca de socorro oportuno têm a consoladora experiência de usufruir do Seu ilimitado poder envolto em compaixão.
CONCLUSÃO
O precursor de Jesus O apresentara como o Messias, o Cordeiro de Deus que tira o pecado do mundo (Mc 1.7,8; Jo 1.29).
O Pai celeste confirmou a mensagem do precursor em voz audível a todos os presentes ao ato de batismo de Jesus, declarando que Jesus era o Seu Filho amado (Mc 1.11).
Os espíritos malignos queriam ficar gritando que Jesus era o Santo de Deus (Mc 1.24,34).
As obras e palavras poderosas de Jesus testemunhavam em favor da tese dominante do Evangelho Segundo Marcos: "... evangelho de Jesus Cristo, Filho de Deus" (Mc 1.1).
Todas estas coisas só podem levar os corações sinceros - como espero que seja o seu, leitor ou leitora - a confiar completamente no poder infinito e no amor compassivo do Senhor Jesus.
Autor Original: Erasmo Braga (1928)Adaptação: Odayr Olivetti (1985)
Lista de estudos da série
1. A voz que clamou no deserto e mudou tudo2. O dia em que Jesus declarou guerra contra a doença e o mal
3. O segredo para quebrar barreiras e alcançar o perdão
4. Por que Jesus quebrou as regras para nos dar vida nova
5. O poder irresistível que atraiu multidões desesperadas
6. Como lidar com a rejeição até mesmo de quem você ama
7. A semente invisível que pode transformar o mundo inteiro
8. O poder absoluto que acalma tempestades e expulsa legiões
9. A fé que interrompeu Jesus e o milagre que venceu a morte
10. Os 12 homens comuns escolhidos para uma missão impossível
11. Como cinco pães e dois peixes revelaram o segredo da provisão divina
12. O princípio divino que anula a religiosidade vazia
