A fé que interrompeu Jesus e o milagre que venceu a morte - Estudo Bíblico sobre Marcos 5


Marcos 5.21-43

É bom começar pensando no significado do ponto central. A pequenina frase descreve graficamente a união de dois tipos de coisas geralmente consideradas antagônicas, opostas: as obras e a fé. Dentro do esquema da salvação e da vida do salvo, as obras e a fé andam juntas.

Não que as obras precisam complementar a fé para a salvação. Não! A salvação é obra da graça de Deus e é recebida pela fé, independentemente das obras. Mas o salvo, cujo coração arde de fé, rejubila-se em sua confiança em seu Senhor e Salvador, é impulsionado a agir.

Existem obras da carne, nada virtuosas (Gl 5.19-21). Existem "boas obras" feitas por motivos errôneos: para obter favores, por exibição, por mera obrigação. Mas aqui estamos falando de uma força poderosa que nos impele a agir, a fazer o bem, a praticar a justiça: a fé.

Não qualquer fé, mas a fé evangélica, a fé salvadora no Senhor Jesus Cristo. E ainda mais quando lembramos que a verdadeira fé "atua pelo amor" (Gl 5.6).

Neste sentido se deve entender o ponto central, em torno do qual gira a lição de hoje: As obras da fé.

1. JESUS, O RESTAURADOR DA SAÚDE

(Mc 5.22-29)

a. Estava em curso o ano 28. Depois da dramática experiência entre os gerasenos, Jesus tornou a cruzar o lago, e logo se juntou em torno dele muita gente.

Jairo, um dos principais da sinagoga - isto é, um dos líderes religiosos de Cafarnaum, prostrou-se aos pés de Jesus. Prostrar-se quer dizer curvar-se até o chão, até ficar de rosto em terra. Esta atitude de Jairo demonstrou a consideração que ele tinha por Jesus. 

Demonstrou também humildade. Jairo rogou com insistência por uma bênção. Queria que Jesus fosse até a sua casa e impusesse as mãos sobre a filha dele, gravemente enferma.

Marcos registrou a reação de Jesus com esta frase curta e mais que suficiente: "Jesus foi com ele".

b. Até aqui nós vemos a disposição de Jesus para curar uma menina enferma. Enquanto Jesus caminhava, com a multidão a segui-lo, surgiu outra ocasião para cura milagrosa. Uma mulher que sofria de hemorragia fazia doze anos, aproximou-se de Jesus em busca de cura.

c. Notamos entre os dois casos algumas diferenças importantes:

1) Uma doente era menina de doze anos e sua enfermidade era gravíssima; a outra doente era mulher de certa idade, fazia doze anos que padecia daquele mal, mas a sua doença não era tão grave como a outra; não era mortal;

2) A primeira doente não pôde ir até onde Jesus estava, e seu pai foi interceder por ela; a mulher enferma pôde aproximar-se pessoalmente de Jesus;

3) Jairo suplicou insistentemente a Jesus que fosse ver e curar sua filha; a mulher não quis expor-se; simplesmente aproximou-se de Jesus e Lhe tocou a veste, que era uma vestimenta superior, como um manto OU túnica. Foi curada imediatamente.

d. Jairo e a mulher enferma apresentam uma semelhança mais importante do que aquelas diferenças: fé em Jesus Cristo, o que fizeram, fizeram movidos pela fé. E as duas pessoas aflitas obtiveram imediata resposta à sua fé: Jairo pediu: "Vem"; E "Jesus foi com ele". A mulher pensou: "Se eu apenas lhe tocar as vestes, ficarei curada". "Tocou-lhe a veste" e sarou na hora.

As aflições levam muitos até Jesus. E a verdade consoladora é que Jesus acolhe com amor aqueles que O buscam.

2. JESUS, O RESTAURADOR DA VIDA

(Mc 5.35-42)

a. Podemos imaginar o aumento da angústia de Jairo com a marcha lenta por causa da multidão, e o atraso ocasionado pela interrupção com a cura da mulher que sofria de hemorragia crônica.

A que grau terá chegado a dor daquele coração de pai amoroso quando chegou alguém dizendo que não adiantava nada continuar incomodando o Mestre, pois a menina tinha morrido?

b. Jesus, porém, dirigiu a Jairo palavras fortalecedoras - válidas para nós hoje: "Não temas, crê somente". O ambiente era de desesperança. Jesus não dirigiu a palavra reconfortante a todos os presentes, mas somente ao pai aflito que O buscara certo de que Ele poderia curar a filha enferma.

Agora Jesus o anima a crer que o Seu poder não se restringe a impedir a morte; Cristo é o Autor da vida (Jo 1.3,4) e o Restaurador da vida. "Eu sou a ressurreição e a vida", declarou Ele pouco antes de devolver a vida a Lázaro, falecido havia quatro dias (Jo 11.17,25,43,44). E aqui Jesus devolve a vida à menina recém-falecida.

3. JESUS, O OBJETO DA FÉ

(Mc 5.23,28,30)

a. Havia enorme multidão, mas Jairo dirige-se a Jesus e Lhe pede socorro. Sabia da gravidade da doença da filha. Conhecia a Jesus, não só por Sua fama, mas porque Jesus costumava frequentar a sinagoga, e Jairo era "chefe da sinagoga" (Lc 4.16; Mc 5.36). Para Jairo, Jesus era o último recurso, a última esperança de recuperação da filha.

b. Também para a mulher que padecia de hemorragia crônica, Jesus era a última esperança de cura. Não porque ela ia morrer por causa daquela enfermidade, mas porque estava enferma fazia doze anos e em vão procurara os médicos e gastara com eles todos os seus recursos (vers. 26). Esta mulher confiou em Jesus baseada apenas em Sua fama (vers. 27). 

Mas o importante é que ela recorreu a Jesus, sem sequer dizer qualquer palavra. Tocou na vestimenta de Jesus, certa de que isto seria suficiente para a sua cura (vers. 28). E foi curada.

c. Uma importantíssima diferença entre os operadores de curas milagrosas dos nossos dias e as curas narradas nos evangelhos é que, no caso das referidas curas atuais, a tendência é a da excessiva valorização dos líderes, em detrimento da exclusividade de Cristo como o Objeto da fé. 

Mesmo quando o líder tem o cuidado de transferir a honra a Deus, na verdade o povo confia nos poderes especiais do líder humano.

É mais importante do que talvez pareça a muitos a proclamação clara e insofismável que com autoridade divina Jesus faz: "Eu sou o caminho, e a verdade, e a vida; ninguém vem ao Pai senão por mim" (Jo 14.6).

4. O VALOR DA FÉ

(Mc 5.34)

a. Trataremos aqui da fé salvadora no Senhor Jesus Cristo. Existem vários tipos de fé, todos eles importantes; mas acima de todos eles está a fé que une o pecador a Cristo e que vai tendo como resultados as preciosas bênçãos da redenção - desde a remissão dos pecados até à glorificação eterna.

b. Muitíssimas pessoas foram beneficiadas pela ação miraculosa do Filho de Deus, mas, ao que consta, bem poucas creram nele para a salvação, o que se pode ver claramente em passagens como Mt 11.20-24; Lc 17.15-19; Jo 6.26,27.

Como no caso do ex-leproso agradecido (Lc 17.19), também no caso da mulher que padecia de hemorragia crônica as palavras de Jesus traçam uma importante distinção entre fé para obter cura e fé para a salvação. "A tua fé te salvou", disse Jesus ao leproso curado e convertido; "Filha, a tua fé te salvou", disse Jesus à mulher curada e convertida.

c. Quais serão "as obras da fé"? Longo seria classificá-las e descrevê-las. Entretanto, dentro do objetivo da presente lição, que é propor Jesus como o Objeto de fé, nas aflições, saliento estes pontos:

1º - É obra da fé confiar no poder de Jesus para curar todo tipo de doença e dor. Esta fé move o sofredor a aproximar-se de Cristo para dele obter a bênção necessitada. Também move o cristão a interceder em favor dos que sofrem e a convidar os sofredores para que busquem em Cristo socorro, amparo, cura e consolação.

2º - A mais benéfica obra da fé é crer em Jesus para a salvação e levar outras pessoas a Cristo para que nele creiam e obtenham a vida eterna. Esta obra é tão extraordinária que Jesus a identificou com "a obra de Deus". Quando Lhe perguntaram: "Que faremos para realizar as obras de Deus", Jesus respondeu: "A obra de Deus é esta, que creiais naquele que por ele foi enviado".

E pouco depois disse: "Eu sou o pão da vida; o que vem a mim, jamais terá fome; e o que crê em mim, jamais terá sede... Todo aquele que o Pai me dá, esse virá a mim; e o que vem a mim, de modo nenhum o lançarei fora" (Jo 6.28,29,35,37).

CONCLUSÃO

Na lição de hoje vimos Jesus agindo como o Restaurador da saúde e o Restaurador da vida. Vimo-lo também dando a segurança da salvação à mulher enferma por Ele curada: "Filha, a tua fé te salvou".

Vimo-lo como o Objeto da fé - para bênçãos temporais e para a bênção superlativa da salvação eterna. Vimos a importância da fé, para aproximar-nos de Cristo como o Médico dos médicos e para obter dele a segurança da vida eterna.

Uma palavra final: Na cena descrita no texto que estamos estudando há um fato que dá realce ao ponto central: As obras da fé. A certa altura, Jesus restringiu os Seus acompanhantes aos três discípulos mais achegados: Pedro, Tiago e João (vers. 37). 

Depois, na casa de Jairo, quando o choro reinante foi substituído pelo riso escarninho, Jesus mandou sair a todos e entrou no quarto onde estava a morta somente com os pais da menina e com os três discípulos mencionados acima.

Que nos ensinam essas atitudes de Jesus? Entre outras, estas verdades:

(1) Evitemos o sensacionalismo em coisas de religião.

(2) É preciso formar um ambiente favorável para os atos de fé - não com efeitos especiais de som, luz e sombra, mas com a presença de pessoas que temem a Deus e nele confiam.

O que em resumo pode-se expressar deste modo: Jesus demonstra concretamente que não há o que favorecer no sensacionalismo religioso, nem o que aproveitar das obras da incredulidade, ao passo que são do mais alto valor as obras da fé.

Autor Original: Erasmo Braga (1928)
Adaptação: Odayr Olivetti (1985)

Semeando Vida

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