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Tempos difíceis - Os amigos dos prazeres

Charge via Rabix


"Sabe, porém, isto: nos últimos dias, sobrevirão tempos difíceis, pois os homens serão... mais amigos dos prazeres que amigos de Deus..." - 2 Timóteo 3.1,2,4

Na vida humana aprendemos bem cedo a diferenciar o prazer do desprazer. Qualquer criança recém-nascida precisa de conforto, carinho e alimento. Um bebê não vai chorar ou reclamar se estiver tudo bem nesses aspectos. No entanto, logo ele percebe que a vida não é feita só de prazer. 

Existe a dor – a cólica, o frio, a fome. Ao se tornar adulta, a criança enfrenta outras realidades como o desgosto da separação, da frustração, os obstáculos, etc. E assim criamos um padrão de vida no qual evitamos o que nos traz dor e procuramos o que nos dá satisfação e prazer.

Afinal, em um mundo cheio de dor, o que há de errado em buscar o prazer? A capacidade de se deleitar em diversas áreas da vida foi dada pelo próprio Deus. Temos prazer em várias coisas: ao ver uma bela paisagem, ao desfrutar um delicioso almoço, ao assistir um filme, ler um livro, descansar, na amizade, no casamento etc.


Não é errado buscar prazer e uma vida confortável. O cristianismo não se opõe a isso. Porém é necessário ter em mente que o prazer quando completamente desprendido dos limites traz um grande prejuízo físico, psicológico, emocional e espiritual. Ou seja, nem tudo que nos dá prazer é necessariamente bom.

Um exemplo: as pessoas que usam drogas relatam um prazer inicial, no entanto sabemos o fim daqueles que não se libertam dos seus caminhos. 

A Bíblia mostra que o prazer descontrolado e sem limites pode levar a pobreza (Provérbios 21.17), traz uma segurança falsa (Isaías 47.8,9), gera esterilidade espiritual (Lucas 8.14), produz presunção (Lucas 12.19), traz desejo incessante (2 Pedro 2.13,14) e a consequência mais drástica é a morte espiritual (1 Timóteo 5.6). O cristão, especialmente o jovem (2 Timóteo 2.22), deve sempre viver com critérios e limites.

Quando então que o prazer é errado e deve ser evitado?

• Quando vai contra a ética do Reino de Deus estabelecida na sua Palavra, a Bíblia;
• Quando prejudica nossa vida ou a do próximo;
• Quando tira tempo produtivo;
• Quando atrapalha o relacionamento com Deus;
• Quando ocupa um lugar maior que Deus na minha vida.

Nossa sociedade tem se tornado especialista em entretenimento e prazer. Porém, para o cristão, seu principal prazer deve ser encontrado no relacionamento com Deus (Isaías 58.2), na sua Palavra (Salmo 1.2), no culto (Salmo 122.1), na adoração (Salmo 113.6), no testemunho (Salmo 108.3), no serviço (Salmo 100.2), na sabedoria de Deus (Provérbios 18.2), na dedicação de sua juventude a Deus (Eclesiastes 12.1), até mesmo no sofrimento por pregar e viver o evangelho (2 Coríntios 12.10), na comunhão com outros irmãos (Salmo 133.1), na vontade de Deus (Romanos 12.2) e finalmente em Jesus (João 14.6) - há ainda muitas outras referências bíblicas.

Atualmente existem pessoas que fazem de tudo para ter uma vida confortável, submetendo-se a diversos sacrifícios. Mas e em relação à obra de Deus? Verifique se nas igrejas estão sobrando ou faltando líderes; a quantidade de pessoas nas reuniões de orações; se os jovens crentes conseguem abrir um livro da Bíblia que não seja os Salmos – e então você verá qual tem sido a fonte de prazer desta geração de cristãos.

Como diz o apóstolo Paulo, são tempos difíceis. Tempos nos quais até mesmo dentro das igrejas, há gente mais amiga dos prazeres do que de Deus.

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Andrei de Almeida Barros é pastor da Igreja Presbiteriana do Brasil. Em 1998 trabalhou como missionário em Portugal. Formou-se em teologia pelo Seminário Presbiteriano do Sul em 2003 e ordenado pastor em 2004.
É fundador e editor do site www.semeandovida.org
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