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Tempos difíceis - A crueldade

Charge via Rabix


Sabe, porém, isto: nos últimos dias, sobrevirão tempos difíceis, 
pois os homens serão... cruéis... - 2 Timóteo 3.1,3 

Quando Paulo escreveu a sua segunda carta ao pastor Timóteo sua situação não era fácil. Ele estava preso em um autêntico calabouço. As pessoas já não podiam vê-lo com frequência. Solidão e abandono eram sentimentos presentes.

Estava condenado à morte, tornando esta carta como um testamento final. De acordo com Eusébio, historiador da igreja, Paulo foi martirizado pelo imperador Nero, sendo violentamente degolado. Eram tempos de crueldade, onde os cristãos foram ferozmente perseguidos e assassinados.

Era o início dos últimos dias, ou seja, os dias que antecedem a Segunda Vinda de Jesus. Estamos vivendo estes dias, nos quais há vários avanços tecnológicos, mas um retrocesso assustador em relação ao altruísmo. No texto bíblico a palavra traduzida do grego como “cruéis” (anēmeros) tem o sentido de “selvagem”. Tempos de gente selvagem, sanguinária e sádica.


Observe as guerras. São a maneira cruel que alguns países conseguem lucros exorbitantes – para estes governantes a perca de vidas humanas é valor irrisório perto do ganho com o petróleo e fabricação de armas. Mas não é apenas neste contexto que ocorre crueldade. Os impostos exagerados que corroem o salário do trabalhador – com pouquíssimo retorno – e a corrupção que permite alguns nadar em milhões, não deixam de ser um tipo de crueldade (1 Reis 12.13,14).

Existe até a crueldade como entretenimento. Exemplo típico do que acontece nas touradas: violência, humilhação, sangue e morte para os animais. Também no Brasil, nos tão frequentados rodeios, os animais são espancados e torturados para parecerem selvagens; durante o “espetáculo” são usados vários acessórios para causar dor, pânico e lesões variadas, inclusive nos olhos – o peão que mais “esporear” ganha mais pontos.

E o que dizer do que acontece em boa parte dos circos? Lá os animais passam por meses de tortura e crueldade para serem devidamente condicionados. Trancados e surrados, muitas vezes deixados sobre as próprias fezes, eles são submetidos a humilhação sem limites para aprenderem “quem manda”.

Enquanto a plateia assiste feliz esses animais trabalham sob tortura e medo. Apoiar ou promover essas coisas vai contra a atitude esperada de quem teme a Deus, afinal, “o justo atenta para a vida dos seus animais, mas o coração dos perversos é cruel” – Provérbios 12.10.

No âmbito dos relacionamentos a crueldade também se manifesta. Muitas pessoas fazem de seu estilo de vida humilhar o próximo. Não exercem misericórdia, falam sem pensar, vomitam as palavras. São pessoas que se sentem bem ao ver ou causar sofrimento. Uma vez que o cristão foi chamado para ser sal e luz, deve cultivar atitudes diferentes.

A Palavra de Deus ensina que fomos criados à imagem de Deus. Não somos selvagens, ou sem consciência do certo e do errado. Somos sim, exortados a fazer o bem e seriamente advertidos contra qualquer espécie de crueldade.

Deus é o Justo Juiz. Atentemos para o nosso comportamento, pois quando obstinadamente tentamos prejudicar alguém, na verdade, prejudicamos a nós mesmos. “O homem bondoso faz bem à sua própria alma; mas o cruel faz mal a si mesmo” - Provérbios 11.17.

E nós, temos agido como? De acordo com o mundo, ou de acordo com Cristo? (João 15.12).

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Andrei de Almeida Barros é pastor da Igreja Presbiteriana do Brasil. Em 1998 trabalhou como missionário em Portugal. Formou-se em teologia pelo Seminário Presbiteriano do Sul em 2003 e ordenado pastor em 2004.
É fundador e editor do site www.semeandovida.org
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