Tempos difíceis - A Jactância

Charge via Rabix

"Sabe, porém, isto: nos últimos dias, sobrevirão tempos difíceis, pois os homens serão ... jactanciosos..." - 2 Timóteo 3.1,2

Jactância é o mesmo que vanglória e presunção. Trata-se da pessoa que busca a glória pessoal, que destaca a si mesma sempre, que usa mais o pronome “eu” do que qualquer outro. “Eu sou bom, eu fiz isso, essa é minha obra, aquilo fui eu que fiz, eu sou capaz...” - dirá o jactancioso.

O missionário Meint R. Van Den Berg foi até a África entre os Zulus e ficou surpreendido como eles falavam de si mesmos com tanto orgulho. Na Holanda, seu país natal, ele não via isso tão frequentemente. Era da cultura dos Zulus esse costume, a vanglória. 

Porém, quando ele voltou depois de alguns anos, percebeu que em seu país as pessoas também se vangloriavam mesma intensidade, só que de forma diferente. A experiência que ele passou naquele campo missionário fez com que os seus sentidos se aguçassem para tal fato.

Agora pense nos dias de hoje. Não é assim que funciona? Olhe para o mundo corporativo e empresarial, repare nos "grandes" nomes do meio e você entenderá o que é jactância. A modéstia e o anonimato não são mais interessantes para nossa cultura, para aqueles que são amantes de si mesmo. As pessoas buscam obsessivamente a fama. Até no Facebook existem comunidades dedicadas a pessoas, pequenas celebridades.

Afinal as pessoas discretas não aparecem, não têm popularidade, não são importantes – na mentalidade da sociedade. Quem realmente quiser aparecer e vencer deve se empavonar, promover a si mesmo. Tornar-se o seu próprio agente de relações públicas. Quanto mais refletores e câmeras cercarem, melhor.

Quando esse tipo de coisa começa ser um estilo de vida da sociedade, esses são tempos perigosos, tempos difíceis, afirma o apóstolo Paulo. Pois quem ama a si mesmo e a seus interesses não terá suficiente amor para com o próximo, a não ser que haja um interesse de se ganhar algo.

A Bíblia nos exorta a fugirmos desse tipo de comportamento e cultivar a modéstia, na nossa vida e nos relacionamentos. A humildade sempre nos coloca no nosso lugar. Em relação às pessoas ela beneficia os relacionamentos, facilita o perdão, diminui a competitividade, faz do mundo um lugar menos hostil. Em relação a Deus, a humildade nos leva ao arrependimento, ao serviço e abre as portas para que a Graça seja derramada.

"Semelhantemente vós, os mais moços, sede sujeitos aos mais velhos. E cingi-vos todos de humildade uns para com os outros, porque Deus resiste aos soberbos, mas dá graça aos humildes" - 1 Pedro 5.5
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Andrei de Almeida Barros é pastor da Igreja Presbiteriana do Brasil. Em 1998 trabalhou como missionário em Portugal. Formou-se em teologia pelo Seminário Presbiteriano do Sul em 2003 e ordenado pastor em 2004.
É fundador e editor do site www.semeandovida.org
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