O julgamento mais injusto da história - Estudo Bíblico sobre os julgamentos de Jesus


João 18.12-14,19-21,28-30,33,36,38

1. Após ao que se refere ao estudo anteior anterior, Jesus foi preso no jardim.

2. O processo perante as autoridades eclesiásticas deve ter ocorrido entre 2 e 6 horas da manhã, culminando com o júri, pelo Sinédrio. O processo perante Pilatos deve ter sido logo depois, entre 7 e 8 horas da manhã.

3. O processo perante Pilatos deve ter-se realizado provavelmente na Torre nordeste, no palácio de Herodes, que dominava boa área do templo, a que se ligava por uma ponte.

No processo contra Jesus houve seis julgamentos: três pelas autoridades eclesiásticas, mais ou menos das duas às seis da manhã, e três pelas autoridades civis, talvez entre as seis e oito da manhã da crucificação.

I. O processo perante as autoridades eclesiásticas.

1. O primeiro foi perante Anás

O primeiro foi perante Anás, antigo sumo sacerdote, com quem talvez Judas tivesse tratado o preço da traição. 

Anás interrogou Jesus acerca dos seus discípulos e da sua doutrina, esperando obter alguma acusação valiosa contra ele. Jesus respondeu que suas obras eram de todos conhecidas e que o povo estava mais em condições de dar-lhe uma resposta satisfatória. 

Nesta ocasião, um oficial que ali estava, feriu Jesus pela primeira vez durante a sua paixão. O Mestre exigiu testemunho se tinha falado mal; e explicação, se com verdade tinha falado; mas nenhuma resposta se lhe deu.

2. O segundo julgamento foi perante Caifás

O segundo julgamento foi perante Caifás, o sumo sacerdote, em uma sessão irregular do Sinédrio. Das muitas testemunhas examinadas só duas, cujos testemunhos assim mesmo eram falsos e contraditórios produziram evidência satisfatória.

Ao longo de tudo isso Jesus conservou-se calado. Caifás, finalmente, todo excitado, gritou a Jesus para que dissesse se ele era de fato o Cristo, o Filho de Deus. 

Jesus respondeu afirmativamente e com uma profecia de Juízo. Diante disso os juízes judaicos rasgaram os seus vestidos, acusando Jesus do crime de blasfêmia e votando unanimemente a sua sentença de morte.

Durante as duas horas que se passaram até o romper do dia ocorreram a negação de Pedro e a ferocidade insolente da turba sedenta de sangue que cuspiu, esbofeteou e mofou do inocente preso.

3. O terceiro julgamento foi perante o Sinédrio

O terceiro julgamento foi perante o Sinédrio em uma sessão regular realizada cerca das cinco ou seis horas, visto como só de dia podiam, legalmente, se reunir. O fim desta convocação foi formular acusações definidas contra Jesus. 

Um breve exame resultou no acordo de que Jesus era culpado do crime capital de blasfêmia. Mas nessa ocasião o Sinédrio não tinha autoridade de administrar a pena última; razão por que foi o Mestre apresentado para julgamento perante as autoridades civis.

II. O processo perante as autoridades civis.

1. Perante Pilatos.

"Era de manhã", depois da condenação formal de Jesus pelo conselho, pelo crime de blasfêmia, os príncipes dos sacerdotes, depois de consultarem os anciãos e os escribas, manietaram Jesus pela segunda vez e o levaram a Pilatos. 

Eles sabiam que Pilatos não se importaria com as suas contendas e questões religiosas. A princípio, portanto, não quiseram trazer acusação formal contra Jesus, mas pediram a Pilatos que o condenasse à morte sobre a palavra deles. Pilatos, porém, não caiu no laço tão facilmente. Insistiu em ouvir as acusações feitas contra o preso.

Os artigos das acusações eram três:

  • Sedição, pervertendo a nação, excitando o povo por seus ensinos. Havia neste artigo uma base plausível porque as doutrinas de Jesus tinham despertado mesmo sentimento de oposição aos fariseus. Mas não foi de caráter político, e não tinha nada contra o governo romano.
  • Vedando dar tributo a César. Esta acusação foi absolutamente falsa (Mt 22.16-22; 17.24-27).
  • O terceiro artigo da acusação foi que ele dizia ser Rei. Cristo com efeito declara-se rei, mas não no sentido da acusação. O império de César era sobre os corpos dos homens; o de Jesus sobre os corações.

Pilatos, ouvindo esta acusação, perguntou a Jesus: "Tu és o rei dos judeus?" Em todos os quatro Evangelhos estas são as primeiras palavras dirigidas a Jesus por Pilatos; e em todas, a palavra enfática é TU. 

É possível que tu, desprezado, desamparado por todos os teus amigos, pobre e sem poder algum, é possível que tu tenhas pretensão de rei? E Jesus, respondendo-lhe, disse: "Tu o dizes". É assim, é exatamente isso.

E os príncipes dos sacerdotes o acusavam de muitas coisas, mas a nada ele respondeu, de sorte que Pilatos ficou admirado. A decisão de Pilatos foi que não achava em Jesus crime algum; e Pilatos repetiu esse veredicto seis vezes.

2. Perante Herodes.

Os príncipes dos sacerdotes ficaram furiosos ao ouvirem a sentença de Pilatos e porfiavam cada vez mais, dizendo que Jesus tinha sublevado o povo por toda a Judéia, desde Galileia, onde começou. 

Pilatos, ouvindo falar de Galileia e sabendo que Jesus era natural daquela província, resolveu mandá-lo ao rei Herodes, e assim livrar-se da complicação. Foi este Herodes quem matou João Batista. 

Ele recebeu o preso com leviandade e fez-lhe muitas perguntas, as quais Jesus não deu resposta alguma. Então Herodes, com os soldados de seu exército, desprezou-o e fez escárnio dele e tornou a enviá-lo a Pilatos.

3. Novamente perante Pilatos.

Pilatos soltaria Jesus, se pudesse fazê-lo sem arriscar a sua posição. Por isso experimentou mais um alvitre. 

Costumavam, na ocasião da Páscoa, soltar ao povo um dos presos, qualquer que quisessem. E, quando começaram a lembrar-lhe esse costume e pedir-lhe o favor que sempre lhes fazia, o governador, esperando sair de sua dificuldade, propôs ao povo soltar Jesus, o rei dos judeus.

Mas os sacerdotes concitaram o povo a pedir o malfeitor Barrabás. E Pilatos lhes disse: Que mal tem feito este homem? Por que insistis em crucificar um homem inocente? E eles cada vez gritavam mais: "Crucifica-o".

Então Pilatos querendo satisfazer ao povo turbulento, soltou-lhes Barrabás e entregou Jesus, depois de o fazer açoitar, para ser crucificado. 

Aqui ocorreu a cerimônia de Pilatos lavar as mãos. Mas toda a água do mar não podia purificar a sina de Pilatos nem lavar a mancha desse terrível crime de entregar quem ele declarou inocente.

E quando Pilatos acabou de lavar as mãos, toda a multidão gritou dizendo: "Seja sobre nós e sobre nossos filhos o seu sangue!". E assim se fez.

Cerca de trinta anos mais tarde, naquele mesmo lugar onde Jesus foi condenado, açoitado e escarnecido, foi pronunciada a sentença de condenação contra muitos dos melhores homens de Jerusalém, e entre as 36.000 vítimas da fúria do governador romano, achavam-se não poucos dos mais nobres da terra que foram açoitados e crucificados ao pé do Pretório.

Note o fim que tiveram alguns dos autores principais do drama horrendo. Judas suicidou-se. Herodes morreu no exílio, coberto de infâmia. Anás foi arrastado pelas ruas, depois açoitado e morto. Pilatos, degradado e desterrado, teve uma morte triste; segundo a tradição, suicidou-se.

E Pilatos entregou Jesus para que o crucificassem, depois de açoitado com o azorrague romano e, pela segunda vez, escarnecido pelos soldados.

NOTAS IMPORTANTES

Erros de Pilatos

O primeiro erro conduz a outros, se não for corrigido a tempo. Assim foi com Pilatos. Ele, a princípio, mostrou-se forte, exigindo acusações definidas contra o preso Jesus, e foi firme em proferir sentença, absolvendo o suposto réu. 

Mas, ele quis agradar aos judeus e começou a discutir com eles o caso. Ora, se como juiz já chegara a uma conclusão, para que foi ainda ouvir a voz de fora, e voz suspeita? Este foi o seu primeiro erro.

O segundo erro foi tentar transferir para outrem a responsabilidade pessoal de decidir definitivamente. Mandou Jesus a Herodes, assim do pé para a mão, sem maiores formalidades. E era até inimigo político de Herodes... Mas, no caso, havia a vantagem de fugir ao dever. Mas, o preso voltou-lhe às mãos... Jesus não se contenta com o subterfúgio.

O terceiro erro foi colocar o caso já então sério, ao sabor do sentimento popular. Ainda Pilatos tentou transportar para outros a sua obrigação, propondo que o povo julgasse e fizesse escolha entre dois indigitados criminosos. 

Um, Jesus; outro, um assassino, Barrabás. Pilatos julgou que isso o retiraria do campo da luta... Mas o preso continuou em suas mãos.

O quarto erro foi propor infligir a Jesus açoites e castigos físicos e depois soltá-lo. Era inocente. Mas daria ao povo uma satisfação, ao menos, fazendo do suposto réu motivo de vingança, de ironia, de motejo, de ridículo e de diversão.

Pilatos já perdera a partida, a moral, a força, o domínio, tanto sobre si mesmo, como sobre os inimigos do "criminoso". 

E ao ouvir que soltando Cristo, seria levado a César, apelação da sentença com requisitório contra ele e sua lealdade ao imperador. Pilatos acabou entregando os pontos. Fez a farsa de lavar as mãos e manchou-se para sempre com esse lavar-se.

Pilatos foi pusilânime, medroso, covarde, interesseiro e injusto. Cometeu, com o povo judeu, o maior crime da história: - o de absolver um suposto réu, mas mandar ao patíbulo o absolvido!

Quantos Pilatos há ainda hoje...

CONCLUSÃO

Ainda que Pilatos, em sua pusilanimidade, e o povo judeu, em sua rebeldia e ódio, estivessem cumprindo o desígnio de Deus, nem por isso, estavam isentos de culpa. Mesmo assim, foram responsáveis por sua atitude e por seus atos, ao julgarem e condenarem Jesus.

Sendo julgado e condenado à morte, Jesus cumpriu o que as Escrituras já diziam a respeito dele e consumou a obra da redenção que veio realizar.

Autor: GALDINO MOREIRA


Lista de estudos da série

1. O nascimento que abalou a história – Estudo Bíblico sobre a natividade de Jesus
2. A infância do Rei prometido – Estudo Bíblico sobre o crescimento de Jesus
3. O manifesto do Messias em Nazaré – Estudo Bíblico sobre o início do ministério de Jesus
4. Os 12 homens que viraram o mundo de cabeça para baixo – Estudo Bíblico sobre o chamado dos discípulos
5. O primeiro sinal: Transformando água em vinho – Estudo Bíblico sobre os milagres de Jesus
6. 38 anos de sofrimento acabaram em um instante – Estudo Bíblico sobre a cura do paralítico
7. O banquete impossível no deserto – Estudo Bíblico sobre a multiplicação dos pães
8. Decodificando as histórias de Jesus – Estudo Bíblico sobre as parábolas
9. A oração que ensina a orar – Estudo Bíblico sobre o Pai Nosso
10. O código do amor: a lei resumida por Jesus – Estudo Bíblico sobre os grandes mandamentos
11. O peregrino divino: por onde Jesus andou – Estudo Bíblico sobre as viagens de Jesus
12. Mais que seguidores, amigos – Estudo Bíblico sobre os amigos de Jesus
13. A ordem que desafiou o túmulo – Estudo Bíblico sobre a ressurreição de Lázaro
14. Um vislumbre da glória celestial – Estudo Bíblico sobre a Transfiguração
15. O homem que subiu na árvore para encontrar a salvação – Estudo Bíblico sobre Zaqueu
16. Palavras de consolo antes da tempestade – Estudo Bíblico sobre o discurso de despedida
17. A oração mais poderosa da história – Estudo Bíblico sobre a oração intercessória de Jesus
18. A agonia no jardim e a entrega voluntária – Estudo Bíblico sobre o Getsêmani
19. O julgamento mais injusto da história – Estudo Bíblico sobre os julgamentos de Jesus
20. As 7 palavras que ecoam da cruz – Estudo Bíblico sobre o sacrifício de Jesus
21. Por amor, o Rei se entregou à morte – Estudo Bíblico sobre a crucificação
22. A pedra rolou: a madrugada da vitória – Estudo Bíblico sobre a ressurreição
23. Ele ressuscitou, e agora? As 3 atitudes que definem sua fé – Estudo Bíblico sobre a ressurreição de Jesus
24. Encontros com o Rei ressurreto – Estudo Bíblico sobre as aparições de Jesus
25. A grande comissão: uma ordem que ecoa até hoje – Estudo Bíblico sobre o estabelecimento da Igreja
26. O plano perfeito foi cumprido – Estudo Bíblico sobre a missão de Jesus

Semeando Vida

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