A oração mais poderosa da história - Estudo Bíblico sobre a oração intercessória de Jesus


João 17.1-15

INTRODUÇÃO

Foi num cenáculo emprestado, em Jerusalém, às vésperas de sua crucificação, que Jesus e os doze observaram a sua última Páscoa. O Mestre designou e despediu o traidor e, depois de instituída a Ceia, cantou-se o hino de costume.

Antes, porém, de saírem para o Getsêmani, e talvez enquanto estavam em pé, Jesus pronunciou os seus discursos de despedida e ofereceu a sua grande oração intercessória por si mesmo, pelos Apóstolos e por todos os discípulos, até à sua segunda vinda (Jo 14.31).

Esta oração de Cristo é a mais profunda de todas as orações que se registram na Escritura. Jesus fala face a face e de maneira extremamente íntima com o Pai, e com tanta amizade e clareza que maravilham nossas almas.

LUZ SOBRE O TEXTO

V.1 - Pai, é chegada a hora. Essa hora foi designada nos eternos conselhos de Deus para o sacrifício e a morte de nosso Senhor Jesus Cristo. Essa hora, esperada pelos justos, chegou, enfim, e o descendente da mulher ia esmagar a cabeça da serpente (cf. Gn 3.15).

Glorifica a teu Filho... "Dá a glória a teu filho, conduzindo-o, através da morte e do sepulcro, para uma consumação gloriosa da obra que ele veio realizar, colocando-o depois à tua destra e exaltando-o sobre todo nome. Faze isto, para que ele te possa glorificar. Faze-o, para que de novo glorifique a tua santidade, a tua misericórdia e a tua fidelidade."

Estas palavras provam que, quanto à divindade, o Filho é igual ao Pai, porquanto nenhuma criatura poderia apresentar-se perante o Criador e dizer-lhe: "Glorifica-me, para que eu te glorifique."

V.3 - A vida eterna, porém, é esta... "O segredo para alguém obter a vida eterna, para ser justificado e santificado na vida atual e glorificado na vida futura, consiste nisto apenas: ter um reto conhecimento do verdadeiro Deus e de Jesus Cristo, o enviado de Deus para a salvação dos pecadores."

É mister, todavia, ter-se bem presente que o conhecimento a que nosso Senhor se referiu não é meramente intelectual; é um conhecimento que afeta o coração e transforma a vida de quem o possui.

V.4 - Eu te glorifiquei na terra... Isto é: "Glorifiquei-te durante a minha vida terrena, guardando tão perfeitamente a tua lei, que Satanás não pôde achar nenhuma culpa em mim; dando fiel testemunho da verdade, contra as falsas doutrinas dos Judeus; dando a conhecer os teus desígnios sobre os homens, de um modo até então ignorado."

Cumprindo a obra... "Cumpri a obra da redenção que me confiaste. Estou agora tão próximo da morte, que posso dizer: Terminei a minha obra com perfeição."

V.5 - E agora glorifica-me... Este versículo poderia ser explicado assim: "Pai, tendo eu terminado a minha obra aqui na terra, peço-te que me restituas ao gozo daquela glória inefável que eu, como membro da trindade, tinha contigo, antes da criação."

V.6 - Manifestei o teu nome... "Dei a conhecer o teu ser, a tua natureza e os teus atributos aos meus discípulos." A palavra nome é frequentes vezes empregada na Bíblia, neste sentido. Sl 22.22; 52.9; 119,55; Is 26.8; At 9.4; Pv 18.10. Aos homens que... me deste do mundo. Referia-se aos seus discípulos. Os crentes foram dados a Jesus Cristo, pelo Pai, de acordo com uma aliança, feita e ratificada muito tempo antes do seu nascimento; e, no devido tempo, são separados do mundo, mediante a vocação do Espírito Santo.

V. 9 - Eu rogo por eles... Nosso Senhor começou nestes termos a parte intercessória da sua oração, fazendo petições em favor de seus discípulos. É bom recordar que essas petições versaram principalmente sobre os quatro pontos: que os discípulos fossem preservados, santificados, unidos e levados à glória. Impossível é desejar-se para os crentes coisa mais importante.

V.10 - Neles sou glorificado. Isto é: "Fui glorificado neles por meio da sua fé, da sua obediência e do seu amor, quando a maior parte dos judeus me aborrecia e me repelia."

V.11 - Guarda-os no teu nome, que me deste... É a primeira petição que o Senhor fez pelos seus discípulos, rogando que fossem preservados do mal, da apostasia, das falsas doutrinas, de serem vencidos pela tentação e abatidos pela perseguição, e, numa palavra, de todos os ataques e ardis de Satanás. No teu nome. Parece significar: nos teus próprios atributos, tais como o teu amor, o teu poder e a tua sabedoria.

Para que sejam um, assim como nós. O principal objetivo, mediante o qual nosso Senhor quer que os seus discípulos sejam preservados do mal, é a sua união, ou melhor, a sua unidade. "Guarda-os, para que sejam de um mesmo parecer e tenham idênticos sentimentos: para que lutem, como um só, contra adversários comuns e por fins também comuns; para que não sejam separados, enfraquecidos, nem paralisados por divergências e contendas internas."

V.12 - Guardava-os... e nenhum deles se perdeu... A palavra traduzida por guardar é distinta, no original, da palavra assim traduzida no princípio do versículo. Tomadas na sua respectiva ordem, significam: a primeira, preservar; e a outra, velar pela segurança de alguma pessoa ou de algum objeto.

A não ser o Filho da perdição. Isto é. Judas Iscariotes. É um hebraísmo muito significativo, que denota uma pessoa digna de perdição pela sua maldade. Para que se cumprisse a Escritura. Esta e outras frases semelhantes, que se acham em várias passagens, não querem dizer que Judas se perdeu para que se cumprisse a Escritura; mas a Escritura se cumpriu com a queda de Judas.

V.14 - Eu lhes dei a tua palavra. Significa: "Não é sem boas e fortes razões que peço que meus discípulos sejam preservados. Tendo-lhes eu dado o Evangelho, que aceitaram, isto lhes vale imediata perseguição e ultraje. O mundo os aborrece, desde que se tornaram meus discípulos, porque, como eu, não são do mundo, nem seguem os caminhos de mundo."

V.15 - Não rogo que os tires do mundo... É um argumento fortíssimo, ainda que indireto, contra aqueles que pretendem que o segredo da santidade esteja no afastamento do mundo e no isolamento dos mosteiros. É na luta, frente a frente com o mal, e vencendo-o, que se manifesta a mais elevada santidade; não abandonando covardemente o próprio lugar na sociedade.

ESTUDO DA LIÇÃO

Acabara Jesus de revelar-se Profeta idôneo no memorável discurso que proferiu, à ceia, na presença dos apóstolos. Mostrar-se-ia Rei, ao ressurgir, indo assentar-se com o Pai no trono de sua gloriosa mediação. Agora, porém, revelava-se o Supremo Sacerdote de seu povo, pronunciando esta oração fascinante de fé e de poder e, poucas horas mais, subindo o Calvário como oferta de sacrifício pelo pecado.

Todo o seu ministério se compôs tanto de oração como de pregação e operação de milagres. Assim começou ele declarando que chegou a sua hora. A hora do mais acerbo sofrimento, mas também da expiação graciosa e eterna. Não era, porém, uma hora inesperada. Foi claramente prevista e até planejada antes que o mundo existisse.

Jesus se eleva ao seu trono de Mediador; juntando-se na redenção da raça para a glória da Divindade, tanto nos seus atributos como nos seus empreendimentos.

Reconhecia que a única esperança de perdão que o homem podia ter estava nos seus próprios sofrimentos que se efetuariam dentro de algumas horas. Por meio do seu sangue redentor teria de abrir as portas da vida a todos os perdidos.

A vida eterna é o dom de Deus e só vem por meio de Jesus e apenas àqueles que, pelo arrependimento e fé, conhecerem a Deus em Cristo como Redentor. Jesus podia dizer agora, incluindo as poucas horas que ainda restavam por enfrentar, que havia cumprido a sua missão na terra. A tarefa que lhe entregou o Pai estava terminada. Realizou a glória do Pai.

A SANTIFICAÇÃO

Esta foi o objetivo principal da intercessão de Jesus. Fala primeiro do seu próprio trabalho na terra. É duplo este trabalho, como Ele passa em revista diante do Trono da Majestade: revelação e recepção. Manifestou fielmente aos homens o nome de Deus como o divino Pai, que enviou o seu Filho ao mundo a fim de salvar os homens dos seus pecados, e por meio da sua palavra iluminá-los no caminho do dever.

Ainda mais, o propósito da revelação em Cristo foi conquistar a aceitação dos homens. Recebendo a sua palavra, não só aprenderiam a sua vontade como também o seu caráter. Contudo, só poderiam conhecer Deus como o Pai por meio de Jesus Cristo, o Filho. Quando esse conhecimento lhes veio por meio da Pessoa de Cristo e da Palavra de Deus, eles creram na palavra e aceitaram a Pessoa como o Senhor das suas vidas.

Nesta nova relação entre Ele e a raça humana, Jesus não ora pelo mundo impenitente, pois os homens precisam aceitá-lo como Salvador antes de poderem receber os benefícios da sua intercessão como Mediador. Mas aqueles seguidores seus que o Pai lhe deu e que o glorificavam com a sua fé e fidelidade, não quis Ele deixar neste mundo hostil sem pedir ao Pai que os tomasse sob sua proteção. Pede Jesus que sejam guardados em perfeita segurança e que sua união uns com os outros seja estimulada pela união dele com o Pai.

O MEDIADOR

1) O Mediador enviado. "Jesus Cristo, a quem enviaste" (v. 3). Deus estava profundamente interessado nos homens. Enviou seu único Filho como Salvador deles. O sacrifício foi infinito, mas misericordiosíssimo. E não há outro nome abaixo do céu em quem possamos ser salvos (At 4.12).

2) O Mediador glorificante. "Pai, é chegada a hora... para que teu Filho te glorifique" (v.1). Jesus estava pronto para a cruz com as suas dores e sua glória. Ele sabia muito bem que aquela seria a cruz da expiação. Nela Ele fez concreta a salvação para o mundo. Suportou-a espontaneamente, não fazendo caso da vergonha que teria que suportar. Glorificou o Pai no seu sacrifício como fez em todo o seu serviço.

3) O Mediador glorificado. "Glorifica a teu Filho... glorifica-me tu, ó Pai, junto de ti mesmo" (vv. 1,5). Não foi respondida esta oração? Pense no Calvário. Contemple Jesus hoje à mão direita de Deus Pai. Contemple as miríades de discípulos fiéis que glorificam o seu Senhor ressuscitado e dominador. Ele é o Rei dos reis e o Senhor dos senhores.

4) O Mediador poderoso. "Autoridade sobre toda a carne... todas as minhas cousas são tuas, e as tuas cousas são minhas" (vv. 2,10). Compare essas palavras com o que disse Jesus na montanha da Galileia, quanto à sua autoridade na terra e no céu, no momento em que entregou a Grande Comissão. Olhe por detrás do véu, que ele mesmo rasgou, a união de Pai e Filho em poder e posse tanto em caráter como em glória. Em suas mãos está o cetro. A coroa, em sua cabeça.

5) O Mediador redimindo. "A fim de que ele conceda a vida eterna a todos os que lhe deste" (v. 2). A graça de Deus vem a todos os homens, se não em efeito, pelo menos em oferta. O sacrifício de Cristo é suficiente para a salvação de todos os homens, mas eficiente somente na salvação daqueles que creem. Estes são os que o Pai dá ao Filho e a quem o Filho dá a vida eterna (Jo 6.37-44).

6) O Mediador revelando. "Manifestei o teu nome aos homens" (v. 6). A maior revelação é a de Deus mesmo. E ninguém poderia revelar Deus ao homem senão o Filho de Deus, que se tornou homem para salvar os homens da sua condenação eterna.

7) O Mediador recebido. "Eles as receberam... e creram" (v. 8). Receba a palavra de Deus em seu coração abençoado pelo Espírito, e você crerá não somente na Palavra, mas também naquele que a deu. Cristo é o centro das Escrituras. A fé salvadora em Cristo é o primeiro passo para a fé e o entendimento da Bíblia como a Palavra de Deus.

8) O Mediador intercedendo. "Não rogo pelo mundo, mas por aqueles que me deste..." (v. 9). Eles precisavam da sua oração. Mas hoje precisamos mais ainda da sua intercessão. Felizmente fomos incluídos na sua grande oração sacerdotal.

9) O Mediador guardando. "Guardava-os em teu nome... Tenho guardado" (v. 12). Jesus é o bom Pastor que cuidava do pequenino rebanho que se reuniu ao redor dele. Ele declarou que jamais haviam de perecer e que ninguém os poderia tirar da sua mão. Eram guardados pelo poder de Deus. E o são hoje, também, todos os seus discípulos. "Quem nos poderá separar do amor de Deus?" (Rm 8.35).

10) O Mediador recompensando. "Para que eles tenham a minha alegria completa em si mesmos" (v. 13). A alegria de Jesus é a maior alegria que há no Mundo. É a alegria verdadeira. Felizes os que a receberem, dele, como dom de sua graça.

Autor: GALDINO MOREIRA


Lista de estudos da série

1. O nascimento que abalou a história – Estudo Bíblico sobre a natividade de Jesus
2. A infância do Rei prometido – Estudo Bíblico sobre o crescimento de Jesus
3. O manifesto do Messias em Nazaré – Estudo Bíblico sobre o início do ministério de Jesus
4. Os 12 homens que viraram o mundo de cabeça para baixo – Estudo Bíblico sobre o chamado dos discípulos
5. O primeiro sinal: Transformando água em vinho – Estudo Bíblico sobre os milagres de Jesus
6. 38 anos de sofrimento acabaram em um instante – Estudo Bíblico sobre a cura do paralítico
7. O banquete impossível no deserto – Estudo Bíblico sobre a multiplicação dos pães
8. Decodificando as histórias de Jesus – Estudo Bíblico sobre as parábolas
9. A oração que ensina a orar – Estudo Bíblico sobre o Pai Nosso
10. O código do amor: a lei resumida por Jesus – Estudo Bíblico sobre os grandes mandamentos
11. O peregrino divino: por onde Jesus andou – Estudo Bíblico sobre as viagens de Jesus
12. Mais que seguidores, amigos – Estudo Bíblico sobre os amigos de Jesus
13. A ordem que desafiou o túmulo – Estudo Bíblico sobre a ressurreição de Lázaro
14. Um vislumbre da glória celestial – Estudo Bíblico sobre a Transfiguração
15. O homem que subiu na árvore para encontrar a salvação – Estudo Bíblico sobre Zaqueu
16. Palavras de consolo antes da tempestade – Estudo Bíblico sobre o discurso de despedida
17. A oração mais poderosa da história – Estudo Bíblico sobre a oração intercessória de Jesus
18. A agonia no jardim e a entrega voluntária – Estudo Bíblico sobre o Getsêmani
19. O julgamento mais injusto da história – Estudo Bíblico sobre os julgamentos de Jesus
20. As 7 palavras que ecoam da cruz – Estudo Bíblico sobre o sacrifício de Jesus
21. Por amor, o Rei se entregou à morte – Estudo Bíblico sobre a crucificação
22. A pedra rolou: a madrugada da vitória – Estudo Bíblico sobre a ressurreição
23. Ele ressuscitou, e agora? As 3 atitudes que definem sua fé – Estudo Bíblico sobre a ressurreição de Jesus
24. Encontros com o Rei ressurreto – Estudo Bíblico sobre as aparições de Jesus
25. A grande comissão: uma ordem que ecoa até hoje – Estudo Bíblico sobre o estabelecimento da Igreja
26. O plano perfeito foi cumprido – Estudo Bíblico sobre a missão de Jesus

Semeando Vida

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