38 anos de sofrimento acabaram em um instante - Estudo Bíblico sobre a cura do paralítico


João 5.1-16

Começou o divino Mestre o seu ministério na Galileia apresentando em Nazaré, como vimos na lição anterior, a sua plataforma ministerial. Agora vamos encontrá-lo em Jerusalém, "a cidade maravilhosa" dos judeus.

A rejeição dos nazarenos não o desanimou nem lhe esfriou o ânimo forte de mensageiro do Pai. João Batista acabava de ser aprisionado por Herodes Antipas, no castelo de Maqueros; porém, Jesus redobrou seus esforços na obra missionária de alcançar os perdidos.

Em Nazaré vemos Cristo na igreja. Em Jerusalém, igualmente. Não tinha ele vindo à bela cidade apenas para veraneio, para recreação ou repouso. Veio tomar parte na festa anual da Páscoa, que era a solenidade por excelência do calendário judaico. Cristo não perdia oportunidades.

Usava o que a Providência lhe concedia para realizar a sua nobre missão. Tinha vindo "à festa dos judeus", diz o texto (v. 1), mas sua grande alma estava sempre à procura de sofredores.

ESTUDO DA LIÇÃO

I. Jesus e o Tanque de Betesda.

Não havia nos dias de Cristo casas hospitalares como as que existem hoje, aliás como frutos salutares do Cristianismo. Havia, entretanto, algumas práticas de assistência social, muito rudimentares.

Assim, junto à "Porta das Ovelhas", no lugar onde ficava a área do templo, havia uma porta desde os dias de Neemias por onde transitavam as manadas destinadas aos sacrifícios (Ne 3.32; 12.39); e perto desse local havia um tanque chamado Betesda, uma fonte, espécie de piscina, grande, cuja água parecia possuir qualidades medicinais.

O tanque de Betesda tinha cinco pavilhões ou alpendres em que havia grande multidão de enfermos, cegos, coxos e os que tinham os membros atrofiados, privados do poder de ação. E todos esperavam que se movesse a água. Não há dúvida de que havia um movimento das águas a certas horas, conforme explicação dada no v. 4. Mas, no texto, "anjo" significa "mensageiro", pessoa ou qualquer meio usado por Deus.

Assim, diz-se no Salmo 104.4 que Deus faz os seus anjos ventos, e seus ministros labaredas de fogo. Desta forma, pode-se admitir que, no caso da fonte referida aqui, havia ação miraculosa da mão divina usando meios naturais ou usando mesmo seres celestiais para agitar, em dadas ocasiões, a água do tanque.

Os judeus atribuíam sempre a atos providenciais tudo o que não era normal e explicável pela ciência de seus dias, para o bem ou para o mal aparente. No caso, parece que havia mesmo milagre, porque o tanque só curava quando a água era agitada e só aos que aproveitassem esse movimento.

Nessa fonte se reuniam enfermos de três classes específicas de sofredores da terra: os cegos, os coxos e os paralíticos. Símbolos perfeitos dos pecadores que há no mundo: os ignorantes das verdades salvadoras e, portanto, indiferentes; os religiosos só em parte, os que têm um credo religioso falho e exterior e os pecadores completamente destituídos de piedade, sem ação espiritual alguma, paralíticos espirituais.

II. Jesus Fazendo o Bem.

Jesus não se esquecia dos sofredores, por isso foi visitar o "hospital" da cidade, foi levar conforto aos tristes e, certamente, orar com eles. Devemos imitar a nosso Mestre, porque, apesar de notável progresso que se tem feito na ciência médica e da habilidade dos médicos, todos ainda precisamos do Grande Médico, que não somente pode curar as enfermidades do corpo, mas também pode e quer curar as mais graves doenças do espírito, purificar a alma e dar paz ao coração.

No tanque teve Cristo ocasião de ministrar mais do que consolo e otimismo. Ali encontrou Ele um enfermo extremamente carente, e a ele dedicou um especial cuidado. Os outros enfermos tinham oportunidades de curar-se quando as águas se agitassem.

Mas, um havia que não tinha essa bênção; era um anônimo, um pobre isolado e paralítico que, ao que parece, ano após ano ali vivia e esperava uma cura que não o contemplava.

Ao que parece, tudo contribuía para que o tornasse pobre e abandonado. É que sua doença era fruto, provavelmente, de algum pecado pessoal (v. 14), e os judeus, sem dúvida, viam na sua doença um justo e merecido castigo, o qual não merecia compaixão, e ele não podia nem mesmo receber auxílio. Por isso, "ninguém" - parentes, amigos. Outros religiosos - "ninguém" (v. 7) se atrevia a prestar-lhe qualquer socorro quando as águas se agitavam.

O encontro de Cristo com este enfermo se constitui numa viva ilustração de como nosso Senhor olha o pecado e os que padecem suas consequências. Jesus andava de um lugar para outro "fazendo o bem".

Num dia de sábado, trouxeram-lhe todos os enfermos e possessos, e curou muitos que se achavam oprimidos de diversas doenças e expeliu muitos demônios, para se cumprir o que estava anunciado pelo profeta Isaías, que diz: "Ele mesmo tomou as nossas enfermidades e carregou com as nossa doenças." Jesus viveu cada dia praticando as bem-aventuranças e interpretando, por meio das obras de misericórdia, o amor do Pai celestial, numa linguagem que todos podiam compreender. E a cura dos corpos era sempre acompanhada da cura das almas.

A experiência de alguns séculos de obra missionária confirma a sabedoria dos métodos empregados por Cristo e seus apóstolos em tratar e curar os corpos e aplicar-lhes o remédio para a saúde do espírito.

É privilégio de um cristão saber alguma coisa do poder de Cristo. É privilégio de cada discípulo de Jesus andar de lugar em lugar fazendo o bem. Devemos imitar o Mestre, porque "somos feitura dele, criados em Jesus Cristo para boas obras, as quais Deus de antemão preparou para que andássemos nelas".

III. Jesus e Seu Método de Ação.

Voltemos agora à entrevista entre Cristo e o doente do tanque. Fazia trinta e oito anos que o pobre sofria o seu mal (v. 5). Por quanto tempo, ele estava ali a espera de cura, não se sabe. Uma coisa é certa: é que sua doença era antiga; era fruto, provavelmente, de algum erro grave cometido por ele; era humanamente irremediável.

Além disso, era um abandonado, talvez tido como "ferido de Deus" e merecedor de que padecesse. Era pobre, pois tudo o que possuía era um "leito" de gente que vivia de esmolas, um tipo de esteira ou colchão ralo e móvel, enrolado e provavelmente sujo (vv. 8-9).

Jesus o viu ali, e viu tal como estava e tal como era - "deitado", só e anônimo. E, qual habilíssimo cirurgião ou clínico que descobre imediatamente, a um relance de olhos, na sala de consultas, os casos mais urgentes e piores, Cristo viu primeiro a esse pobre. "Viu-o." É o primeiro sinal da bênção.

Quando nosso Senhor vê e contempla o padecente, é meio caminho andado. O ver de Jesus é sempre princípio de cura e salvação. E Ele vê os casos mais urgentes primeiro...

Como Jesus é sábio! Começou com singeleza e brandura a obra redentora do pobre paralítico: "Queres ficar são?" (v. 6). Por que fez Cristo esta indagação, se Ele, como Deus, sabia o que havia no homem"? (Jo 2.25).

Sim, Ele sabia, e porque sabia foi que perguntou ao doente. A indagação já era, para o pobre anônimo, um sinal de esperança. Ali estava alguém que tinha simpatia de seu estado! Sim, sem dúvida que Jesus queria despertar no enfermo atitude de confiança, de esperança, de otimismo.

Nem sempre os doentes querem ser aliviados. Os casos mais desafiadores de paralisia são aqueles em que a esperança de melhora parece perdida. A mesma coisa acontece, muitas vezes, com aqueles que são moralmente enfermos. Não querem ficar sãos. O enfermo lhe respondeu: "Senhor, não tenho ninguém que me ponha no tanque quando a água se move." A efervescência do gás curativo durava pouco tempo, de sorte que poucas pessoas podiam aproveitar o ensejo favorável. "Porque", disse o enfermo, "enquanto eu vou", ou, antes, desejo ir, "outro desce antes de mim."

Disse-lhe Jesus: "Levanta-te, toma o teu leito e anda." A ordem de Jesus despertou fé no espírito do enfermo. Dinamizou sua vontade e fez que reconhecesse Jesus como o Autor de sua cura. E sentiu em si uma cura perfeita e permanente. Sem dúvida, muitas das curas feitas no tanque eram passageiras e de curta duração. As curas feitas por Cristo são perfeitas e absolutas. Note bem a pergunta que Jesus dirigiu ao enfermo: "Queres ser curado?" Não simplesmente "aliviado", mas "CURADO".

Jesus cura os enfermos da alma, não simplesmente pelo que faz para eles, e, sim, pelo que faz nos seus corações. Com a ordem de Jesus vêm inspiração e poder para obedecer. Nisso está a diferença entre os conselhos que os homens dão e os mandatos e convites de Deus.

Bons conselhos, sem dúvida, são de muito valor. Mas o que os homens necessitam, e é o que Deus lhes dá, é de um novo coração para seguir seus conselhos. Só a religião de Cristo pode habilitar enfermos a levantar e a andar. As outras religiões dão preceitos e conselhos. Jesus não somente mostra o caminho, Ele mesmo é o caminho. Não somente dá o ideal que devemos ser, mas o caminho, o poder, a vida por que é possível realizar o ideal.

"E no mesmo instante ficou são aquele homem e tomou a sua cama e começou a andar", assim patenteando a perfeição da cura. Note que a cura do corpo foi acompanhada da cura da alma. Mais tarde Jesus notou o homem no Templo - na casa de oração. A sua natureza religiosa foi despertada pela cura do corpo.

Acontece muitas vezes que a doença é meio que Deus emprega para atrair a alma a Cristo. A doença e o perigo não existiam mais, porém a alma suspirava por Deus, como a corça suspira pelas correntes das águas. No Templo Jesus se fez conhecer ao homem e lhe disse que não pecasse mais para que não lhe sucedesse coisa pior.

A cura do corpo vale pouco se não for acompanhada da cura da alma. É tirar a dor sem remover a causa da dor. Jesus costumava fazer os seus milagres de saúde combinando a cura da alma com a do corpo.

IV. A Oposição dos Fariseus.

"E aquele dia era sábado", e, por causa disso, os fariseus e os principais do povo perseguiram a Jesus e queriam matá-lo. Mas, o resultado foi um desastre para eles. Cristo pregou-lhes um sermão de profundas advertências, e o povo cada dia o admirava mais, a ponto de querer proclamá-lo seu rei (Jo 6.15).

Convém notar que o ódio sectário leva quase sempre ao absurdo. Os fariseus não indagaram do doente, quando o viram curado, a respeito de sua cura, de seu estado anterior e de como veio a ficar bom, e, sim, sobre questões ritualísticas de pouca importância. É sempre assim. O sectarismo obscurece a razão, cega o entendimento e perverte o senso humano (vv. 9-13,16).

Autor: GALDINO MOREIRA


Lista de estudos da série

1. O nascimento que abalou a história – Estudo Bíblico sobre a natividade de Jesus
2. A infância do Rei prometido – Estudo Bíblico sobre o crescimento de Jesus
3. O manifesto do Messias em Nazaré – Estudo Bíblico sobre o início do ministério de Jesus
4. Os 12 homens que viraram o mundo de cabeça para baixo – Estudo Bíblico sobre o chamado dos discípulos
5. O primeiro sinal: Transformando água em vinho – Estudo Bíblico sobre os milagres de Jesus
6. 38 anos de sofrimento acabaram em um instante – Estudo Bíblico sobre a cura do paralítico
7. O banquete impossível no deserto – Estudo Bíblico sobre a multiplicação dos pães
8. Decodificando as histórias de Jesus – Estudo Bíblico sobre as parábolas
9. A oração que ensina a orar – Estudo Bíblico sobre o Pai Nosso
10. O código do amor: a lei resumida por Jesus – Estudo Bíblico sobre os grandes mandamentos
11. O peregrino divino: por onde Jesus andou – Estudo Bíblico sobre as viagens de Jesus
12. Mais que seguidores, amigos – Estudo Bíblico sobre os amigos de Jesus
13. A ordem que desafiou o túmulo – Estudo Bíblico sobre a ressurreição de Lázaro
14. Um vislumbre da glória celestial – Estudo Bíblico sobre a Transfiguração
15. O homem que subiu na árvore para encontrar a salvação – Estudo Bíblico sobre Zaqueu
16. Palavras de consolo antes da tempestade – Estudo Bíblico sobre o discurso de despedida
17. A oração mais poderosa da história – Estudo Bíblico sobre a oração intercessória de Jesus
18. A agonia no jardim e a entrega voluntária – Estudo Bíblico sobre o Getsêmani
19. O julgamento mais injusto da história – Estudo Bíblico sobre os julgamentos de Jesus
20. As 7 palavras que ecoam da cruz – Estudo Bíblico sobre o sacrifício de Jesus
21. Por amor, o Rei se entregou à morte – Estudo Bíblico sobre a crucificação
22. A pedra rolou: a madrugada da vitória – Estudo Bíblico sobre a ressurreição
23. Ele ressuscitou, e agora? As 3 atitudes que definem sua fé – Estudo Bíblico sobre a ressurreição de Jesus
24. Encontros com o Rei ressurreto – Estudo Bíblico sobre as aparições de Jesus
25. A grande comissão: uma ordem que ecoa até hoje – Estudo Bíblico sobre o estabelecimento da Igreja
26. O plano perfeito foi cumprido – Estudo Bíblico sobre a missão de Jesus

Semeando Vida

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