Marcos 15.22-41
O Calvário, ou Gólgota, em hebraico, era e é uma elevação ao norte, fora das muralhas de Jerusalém, cujo contorno se assemelha a uma caveira humana.
Os vários textos que constituem a lição frisam os incidentes mais salientes da morte de Cristo, especialmente suas últimas palavras no alto do madeiro. Foram sete, representando as mais profundas doutrinas do cristianismo. O maior púlpito de Cristo foi o Calvário e o seu maior sermão foram as "Sete Palavras Eternas".
Os elementos que precipitaram a condenação de Cristo à cruz, foram:
- a) Traição odiosa
- b) Perjúrio e falso testemunho
- c) Precipitação do processo
- d) Desprezo de Herodes
- e) Covardia do juiz Pilatos.
Incidentes principais da crucificação: A sentença; a procissão popular, conduzindo o réu a sua cruz, em caminho do Gólgota; a crucificação, de modo ferino e cruel; a assistência - os soldados, os chefes religiosos, o povo, todos a espiar, gozando o "espetáculo"; a agonia cruciante do sentenciado; os discípulos estavam de longe, e apenas João, o Apóstolo, e algumas senhoras, inclusive a mãe de Jesus, tinham a coragem de ficar junto da cruz.
O horário do ocorrido foi de 9 da manhã às 15 horas, tendo havido entre o meio-dia e 15 horas espessas trevas.
Como de costume, havia ao topo da cruz, o título identificador do réu e o motivo de sua condenação: "Jesus, o Nazareno, Rei dos Judeus." Estava o título em três idiomas: em hebraico (representando a religião), em grego (representando a cultura humana) e em latim (representando o poder terreno).
O réu foi alvo de motejos, gritos, escárnios e insultos. Os soldados divertiam-se ao pé da cruz, fazendo jogo sobre as vestes do condenado e desprezando sua agonia.
ESTUDO DA LIÇÃO
A primeira palavra foi: "Pai, perdoa-lhes..." Foi a palavra do Advogado divino que pede o perdão imerecido por seus clientes, pelos quais ele mesmo pagava tudo.
A segunda, foi: "Hoje estarás comigo no Paraíso...", em resposta à oração do malfeitor arrependido. Foi a palavra do Rei, concedendo promoção ao súdito penitente.
A terceira, foi: "Mulher, eis aí teu filho..." Foi a palavra do Amigo, evidenciando ternura e solidariedade.
A quarta, foi: "Deus meu, Deus meu, por que me desamparaste?..." Foi a palavra do Sacerdote, expiando os pecados do mundo.
A quinta, foi: "Tenho sede..." Foi a palavra do Homem perfeito, sofrendo o sofrimento dos homens.
A sexta, foi: "Tudo está consumado!..." Foi a Palavra do Deus vencedor, realizando a Redenção.
A sétima, foi: "Pai, em tuas mãos entrego o meu espírito..." Foi a palavra do Filho divino, repousando após a luta ganha.
Note que Jesus começou as suas palavras com a palavra Pai e fechou-as com este mesmo Nome amorável. Das sete palavras, apenas uma teria uma necessidade pessoal do Padecente. Foi a quinta. Todas as mais visaram outros, por quem Cristo ansiava felicidade.
Sete doutrinas maravilhosas enfeixou Cristo nas sete palavras, pela ordem em que as pronunciou.
- A doutrina do perdão
- A doutrina da vida futura
- A doutrina da dignidade do lar
- A doutrina da expiação
- A doutrina da dignidade do corpo
- A doutrina da salvação completa
- A doutrina da Trindade eterna
CONSIDERAÇÕES
I. "Pai, perdoa-lhes..."
Que edificante foi a ação de Jesus, orando pelos que o crucificavam! Na verdade, os que perseguem a causa de Cristo não sabem o que fazem, pois se o soubessem não fariam tal. É certo também que há alguns tão maus que, dominados por Satanás, fazem sua obra má com os olhos abertos, sabendo que estão contra o bem; cremos que estes são poucos.
A maioria persegue a causa porque não conhece o valor do Evangelho. Devemos orar por eles e viver agora de tal modo que se convençam de que somos de Deus. Vendo a conduta de Cristo na cruz, o capitão romano disse: "Na verdade este era o Filho de Deus."
II. "Hoje estarás comigo..."
Quão gloriosa é a esperança do crente! Esta alma arrependida teve a alegria de entrar na presença de Jesus no céu.
Não sabemos qual será a grandeza da vida celestial, mas de uma coisa estamos certos: que ali estaremos na presença de Jesus e conheceremos de perto o seu amor. Estaremos em lugar inatingível à influência do pecado e dos seus resultados.
Ali não haverá nem dominará, sobre os salvos, nenhum vício; antes, todos obedecerão e servirão ao Senhor Jesus. A certeza destas bênçãos futuras é por si só gloriosa.
O ladrão arrependido teve o gozo desta visão. Não era dúvida nem esperança, mas uma declaração franca de Jesus: "Hoje estarás comigo." Hoje está em nossas mãos, se quisermos, possuir esta mesma certeza de salvação pessoal.
III. "Mulher, eis aí teu filho..."
Que linda lição de amor filial! Há muitas aparências de amor filial e que não passam de costume. Quão verdadeiro era o amor filial de Jesus que, apesar de estar sofrendo na cruz, não se esqueceu de sua mãe nem de suas necessidades. Ela precisava de quem tomasse a responsabilidade de sua vida e a consolasse, o que fez João, o discípulo amado.
IV. "Eloí, Eloí, lamá sabactâni?"
Se julgarmos que Jesus só sofreu fisicamente, teremos perdido grande parte da verdade. Não foi dor de cabeça que arrancou dos seus lábios estas palavras: "Deus meu, Deus meu, por que me desamparaste?" O Pai, na verdade, o desamparou, deixando-o sofrer só.
Na hora principal, quando mais do que nunca ele precisava do conforto e auxílio do Pai, este voltou-lhe o rosto. Deus o mandou ao mundo. Ele rogou-lhe que, se fosse possível, fizesse-o escapar da cruz.
O Pai mostrou-lhe que era impossível, e aqui está completando a sua missão, pela morte de cruz.
E foi nesta hora cruciante, quando bebeu do cálice que era nosso, para dele nos livrar, quando sentiu o peso dos pecados de todo o mundo e o seu corpo sofria na cruz, que ele olhou para o Pai esperando uma expressão de amor e simpatia, mas o Pai virou o rosto, deixando-o sofrer sozinho!
Como se justifica este procedimento do Pai? Assim: "Deus amou o mundo de tal maneira que lhe deu seu Filho unigênito". Ele ou nós - eis a questão; e por este meio Deus nos salvou.
V. "Tenho sede..."
Devemos reconhecer que Jesus sofreu todas as necessidades que um mortal sofre. Sofreu todas as dores físicas que qualquer de nós sofre. Por ser divino não deixou de sofrer o que a sua natureza humana o obrigava a padecer.
VI. "Está consumado!..."
O caminho da salvação está traçado. Tudo o que Deus quis fazer já fez. A morte de Jesus abrange todos os homens. Nada mais se pode adiantar ao que já está feito. Não há outro caminho. Não há outro recurso.
Resta que o homem enverede por este caminho e prossiga firme até ao fim. Se o fizer, entrará pela porta da glória eterna. Amigo, você já está trilhando este caminho?
VII. "Pai, em tuas mãos..."
Que serenidade! A redenção foi feita, o homem foi redimido e o Filho tomou, não só o lugar dos dias passados, mas o nome que é sobre todos os nomes. Ele descansa mais uma vez no seio do Pai, e para sempre.
Esta mesma bênção teremos nós na hora da nossa morte, se vivermos na presença de Deus, como Jesus viveu.
Autor: GALDINO MOREIRA
Lista de estudos da série
1. O nascimento que abalou a história – Estudo Bíblico sobre a natividade de Jesus2. A infância do Rei prometido – Estudo Bíblico sobre o crescimento de Jesus
3. O manifesto do Messias em Nazaré – Estudo Bíblico sobre o início do ministério de Jesus
4. Os 12 homens que viraram o mundo de cabeça para baixo – Estudo Bíblico sobre o chamado dos discípulos
5. O primeiro sinal: Transformando água em vinho – Estudo Bíblico sobre os milagres de Jesus
6. 38 anos de sofrimento acabaram em um instante – Estudo Bíblico sobre a cura do paralítico
7. O banquete impossível no deserto – Estudo Bíblico sobre a multiplicação dos pães
8. Decodificando as histórias de Jesus – Estudo Bíblico sobre as parábolas
9. A oração que ensina a orar – Estudo Bíblico sobre o Pai Nosso
10. O código do amor: a lei resumida por Jesus – Estudo Bíblico sobre os grandes mandamentos
11. O peregrino divino: por onde Jesus andou – Estudo Bíblico sobre as viagens de Jesus
12. Mais que seguidores, amigos – Estudo Bíblico sobre os amigos de Jesus
13. A ordem que desafiou o túmulo – Estudo Bíblico sobre a ressurreição de Lázaro
14. Um vislumbre da glória celestial – Estudo Bíblico sobre a Transfiguração
15. O homem que subiu na árvore para encontrar a salvação – Estudo Bíblico sobre Zaqueu
16. Palavras de consolo antes da tempestade – Estudo Bíblico sobre o discurso de despedida
17. A oração mais poderosa da história – Estudo Bíblico sobre a oração intercessória de Jesus
18. A agonia no jardim e a entrega voluntária – Estudo Bíblico sobre o Getsêmani
19. O julgamento mais injusto da história – Estudo Bíblico sobre os julgamentos de Jesus
20. As 7 palavras que ecoam da cruz – Estudo Bíblico sobre o sacrifício de Jesus
21. Por amor, o Rei se entregou à morte – Estudo Bíblico sobre a crucificação
22. A pedra rolou: a madrugada da vitória – Estudo Bíblico sobre a ressurreição
23. Ele ressuscitou, e agora? As 3 atitudes que definem sua fé – Estudo Bíblico sobre a ressurreição de Jesus
24. Encontros com o Rei ressurreto – Estudo Bíblico sobre as aparições de Jesus
25. A grande comissão: uma ordem que ecoa até hoje – Estudo Bíblico sobre o estabelecimento da Igreja
26. O plano perfeito foi cumprido – Estudo Bíblico sobre a missão de Jesus
