Mateus revela a prova definitiva do Rei - Estudo Bíblico sobre o Evangelho de Mateus


Texto básico:
Mateus 21:1-11

INTRODUÇÃO

Só começar a leitura do Evangelho de Mateus, já se vê que as Boas Novas são apresentadas em termos de um reino que surge. No primeiro capítulo, na genealogia de Jesus, a preocupação do autor já aparece: Jesus, o Filho de Davi, isto é, da linhagem real (Mt. 1:1,6).

Quando fala do seu nascimento, é o único que conta que uns magos vieram de longe para ver o Rei dos Judeus (Mt. 1:2). Tendo perguntado, em Jerusalém, pelo recém-nascido, toda ela e seu rei, Herodes, ficaram alarmados (Mt. 1:3). 

Herodes ficou tão perturbado que mandou matar todos os meninos de Belém, e seus arredores, com menos de dois anos, tendo em vista frustrar o aparecimento de um novo rei.

A ideia de Jesus como rei cresceu durante o seu ministério público, e, embora tivesse dito que o seu reino não é deste mundo (João 18:36) foi motivo de alarme para o governador Pôncio Pilatos que julgou a Jesus e o condenou sob a acusação de ter dito ser o rei dos judeus (Mt. 27:11).

Os judeus da época, pela ansiedade que tinham de se verem livres da opressão estrangeira, colocaram essa ideia de reino no âmbito puramente terreno. Prova disto é que não esconderam a pergunta que Lucas registrou: "Senhor, será este o tempo em que restaures o reino de Israel? (Mt. 1:6).

I - A EXPECTATIVA MESSIÂNICA DOS JUDEUS

Quando Israel pediu a Samuel que lhe desse um rei (I Sm. 8:5-7), Deus mandou que fosse atendida a vontade do povo, porque, segundo a Sua própria Palavra, Israel seria governado através de um rei, quando estivesse na sua própria terra (Dt. 17:15). 

Era plano de Deus, desde o começo, que seu povo fosse um reinado. "Reis procederão de ti", disse Deus a Abraão (Gn. 16:6).

Melquisedeque, rei de Salém (antigo nome de Jerusalém), que era também sacerdote, a quem Abraão deu o dízimo (Gn. 14:18-20), foi um tipo de rei que sempre esteve presente no pensamento de Israel, pois foi um perfeito tipo do rei que ele deverá esperar (Hb. 7:7-10).

Instituindo o reinado em Israel, o rei sempre ocupou o centro do cenário humano do povo. O que ele era, assim era o povo. Se era temente a Deus, próspero e abençoado, o povo tinha igual sorte. Porém, se era mau, rebelde ao Senhor, o povo só tinha castigo e tristeza.

Mesmo assim, com altos e baixos na vida dos que ocupavam o trono, Israel foi sendo preparado para aguardar a vinda de um rei especial - o Messias. Dentre todos os seus reis, Davi ficou, na consciência nacional, também no coração de Deus, como o rei-símbolo, do grande Rei prometido.

Lucas 1:32
Este será grande e será chamado Filho do Altíssimo; Deus, o Senhor, lhe dará o trono de Davi, seu pai...

II - A REALEZA DE JESUS, SEGUNDO MATEUS

João Batista anunciou a chegada de Jesus, como a chegada do reino (Mt. 3:2). O próprio Jesus começou a Sua pregação dizendo: "Arrependei-vos porque está próximo o Reino dos Céus" (Mt. 4:17). Na oração do "Pai Nosso", Jesus ensinou a pedir "venha o teu Reino" (Mt. 6:10).

Portanto, o Reino chegou ao mundo, na pessoa e obra do Senhor Jesus Cristo. Ao explicar a parábola do semeador, disse: "Porque a vós outros é dado conhecer os mistérios do Reino dos Céus" (Mt. 13:11).

As suas parábolas, quase todas, têm a introdução: "O Reino dos Céus é semelhante". A do joio (Mt. 13:24-30), a do grão de mostarda (Mt. 13:31-32), do fermento (Mt. 13:33), do tesouro escondido (Mt. 13:44), da pérola (Mt. 13:47-50), dos trabalhadores na vinha (Mt. 20:1-16), das bodas (Mt. 22:1-14), das dez virgens (Mt. 25:1-13), dos talentos (Mt. 25:14-30).

Tudo que Jesus ensinou teve relação direta com o seu reino. O famoso sermão do monte ele começa com estas palavras: "Bem-aventurados os humildes de espírito, porque deles é o Reino dos Céus" (Mt. 5:3).

Falou da condição exigida para se entrar nele: "Nem todo o que me diz: Senhor, Senhor! Entrará no Reino dos Céus, mas aquele que faz a vontade de meu Pai que está nos céus" (Mt. 7:21). Disse, também, que a entrada é pela fé, que muitos virão do Oriente e do Ocidente e entrarão no Reino dos Céus, por terem crido (Mt. 8:10-13).

A falta de fé, portanto, é o obstáculo número um para os que desejam entrar. Apontou também as riquezas terrenas como sérios obstáculos, pois quem as possui tende sempre a confiar demasiadamente nelas. "Em verdade vos digo que um rico dificilmente entrará no Reino dos Céus" (Mt. 19:23). Finalmente, falou muito sobre as renúncias necessárias aos que desejam entrar no Seu Reino.

O homem que achou o tesouro escondido, foi e vendeu tudo o que possuía para comprar aquele campo onde estava o tesouro (Mt. 13:44). Ao moço rico Jesus ordenou que abandonasse a sua maneira pessoal de buscar um lugar no Reino, e observasse a maneira de Deus, que é seguindo-a de modo desembaraçado e com coração íntegro (Mt. 19:16-22).

A Palavra de Jesus calou ainda mais fundo neste assunto: "Portanto, se a tua mão, ou o teu pé te faz tropeçar, corta-o, e lança-o fora de ti; melhor é entrar na vida manco ou aleijado, do que, tendo duas mãos ou dois pés, seres lançado no fogo eterno" (Mt. 18:8).

III - JESUS ACLAMADO REI

A leitura do texto básico da lição (Mt. 21:1-11), registro da entrada triunfal de Jesus em Jerusalém, desaponta a qualquer cristão. Parece até uma brincadeira, apesar de ter sido profetizado que seria daquele modo, pelo profeta Zacarias (Zac. 9:9). Jesus, montado num jumentinho, animal de carga, entra na cidade santa.

Aquele que tanto pregou sobre o seu reino, entra na capital do seu país de modo tão humilde ou despretensioso. Foi aclamado, é fato, com "Hosana ao Filho de Davi"!, "Hosana nas maiores alturas", a cidade ficou alvoroçada, mas não passou disto.

Ainda aconteceu pior: dias depois foi condenado à morte de cruz entre dois malfeitores, tendo sobre a sua cabeça esta acusação: "Este é Jesus, o Rei dos Judeus" (Mt. 27:33-44).

Será que toda a esperança caiu por terra? Não! É preciso que nos lembremos que Jesus era profeta, sacerdote e rei. Como profeta nos ensinou as verdades eternas; como sacerdote expiou na cruz os nossos pecados, sendo Ele mesmo a propiciação pelos nossos erros (I João 2:2).

Tendo Ele desempenhado esses dois ofícios, passou ao terceiro, logo que se assentou à direita do Pai nas alturas, tendo toda a autoridade nos céus e na terra (Mt. 28:18). 

Todos os seus inimigos, são inimigos vencidos, pelo que fez como profeta e sacerdote, agora a sua obra tem por fim colocar todos eles debaixo dos seus pés (Sl. 110:1; Hb. 1:13).

O apóstolo Paulo explica mais um pouco este assunto dizendo que, após a ressurreição dos crentes, "então virá o fim, quando Ele (Cristo) entregar o reino ao Deus e Pai, quando houver destruído todo o principado, bem como toda potestade e poder. Porque convém que Ele reine até que haja posto todos os inimigos debaixo dos seus pés" (I Cor. 15:24-25).

Feito isto, a realeza de Jesus toma a sua forma definitiva, aquela descrita no livro do Apocalipse 19:11-16, no qual Ele é o "Rei dos reis e Senhor dos senhores". 

Ela se cumprirá o cântico profético: "Levantai, ó portas, as vossas cabeças; levantai-vos, ó portas eternas, para que entre o Rei da Glória. Quem é esse Rei da Glória? O Senhor dos Exércitos, Ele é o Rei da Glória" (Sl. 24:9-10).

Autores: Rev. Filipe Dias / Rev. Oswaldo Hack


Lista de estudos da série

1. A nova aliança revelada – Estudo Bíblico sobre o Novo Testamento
2. As quatro faces do Messias – Estudo Bíblico sobre os Quatro Evangelhos
3. Mateus revela a prova definitiva do Rei – Estudo Bíblico sobre o Evangelho de Mateus
4. Mateus e o segredo da comunidade que nada pode abalar – Estudo Bíblico sobre o Evangelho de Mateus
5. Em Mateus, as palavras de Jesus que transformam tudo – Estudo Bíblico sobre o Evangelho de Mateus
6. Marcos mostra o poder que existe em servir – Estudo Bíblico sobre o Evangelho de Marcos
7. Marcos, o evangelho para quem não tem tempo a perder – Estudo Bíblico sobre o Evangelho de Marcos
8. Lucas revela o único homem que alcançou a perfeição – Estudo Bíblico sobre o Evangelho de Lucas
9. Lucas e a razão para a alegria que nunca acaba – Estudo Bíblico sobre o Evangelho de Lucas
10. Lucas revela a estratégia infalível de Deus para encontrar você – Estudo Bíblico sobre o Evangelho de Lucas
11. João prova por que Jesus é mais que um homem – Estudo Bíblico sobre o Evangelho de João
12. João revela o amor que desafia toda a lógica humana – Estudo Bíblico sobre o Evangelho de João
13. Em João, o único passo que você precisa dar para a vida eterna – Estudo Bíblico sobre o Evangelho de João

Semeando Vida

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