Lucas revela o único homem que alcançou a perfeição - Estudo Bíblico sobre o Evangelho de Lucas


Lucas 4:1-13

INTRODUÇÃO

O autor do terceiro Evangelho foi Lucas, o companheiro de Paulo (Atos 16:10-24; II Tim. 4:11).

Lucas apresenta Jesus como o Tipo ideal da humanidade perfeita. O autor trata da humanidade do Senhor. Revela o Salvador Jesus como homem, com toda a Sua compaixão, Seus sentimentos e crescentes poderes - um Salvador apropriado para todos.

No Evangelho de Lucas vemos o Deus da Glória descer ao nosso nível, penetrar em nossas condições e sujeitar-se às nossas circunstâncias. Devemos destacar, porém, que embora Jesus viveu com os homens, era diferente deles em essência. Havia grande diferença entre Cristo, o Filho de Deus, e nós, filhos de Deus.

A diferença básica entre Jesus e os homens está definida claramente na Bíblia. O nascimento de Jesus seria diferente; por isso o anjo anunciou a Maria: "O ente santo que há de nascer" (Luc. 1:35). Por outro lado a natureza humana caída é descrita como impura (Is. 64:6).

Há na história bíblica dois homens que são pontos de referência para todos os demais: Adão e Cristo.

O primeiro comprometeu toda a raça humana por sua desobediência; o segundo redimiu pela obediência todos os que por Ele se chegam a Deus (Rm. 5:12-21). Adão no seu estado anterior à queda era inocente. Cristo ao encarnar-se era santo, o homem perfeito, capaz de redimir a humanidade.

Abordaremos o tema de nossa lição destacando Jesus Cristo como o único Homem Perfeito.

1 - EM SUA DESCENDÊNCIA

É interessante notar que Lucas apresenta a genealogia de Jesus na época de Seu batismo, e não do nascimento (Lc. 3:23). Há diferenças notáveis entre as genealogias de Lucas e Mateus. Vamos encontrar em Mateus a genealogia do Rei - filho de Davi - através de José (Mt. 1:16). Lucas apresenta a genealogia de Jesus através da descendência de Adão (Lc. 3:38).

A visão genealógica apresentada por Lucas tem por objetivo mostrar que Jesus descende do pai da humanidade, Adão. A linha ancestral recua até Adão e é, sem dúvida, a linha de Maria, mãe de Jesus.

Observe-se que Lucas não diz ser Jesus, filho de José: "Ora, tinha Jesus cerca de trinta anos ao começar o Seu ministério: era, como se cuidava, filho de José, filho de Heli" (Lc. 3:23). A expressão "como se cuidava" podia significar "como se supunha ou se pensava".

Em Mateus 1:16, onde é registrada a genealogia de José, ele é filho de Jacó. É claro que José não podia ter dois pais. Note-se, pois, que o texto não declara ter Heli gerado a José, daí supor-se ter sido filho em virtude do nascimento, isto é, genro de Heli. Acredita-se que Heli foi o pai de Maria.

A genealogia por parte de Davi passa por Natã e não por Salomão. Este ponto é muito importante. O Messias deve ser filho e herdeiro de Davi e sua semente "segundo a carne" (Rm. 1:3). Ele deve ser literalmente descendente da carne e do sangue. Daí Maria e José serem membros da casa de Davi (Lc. 1:32).

O autor do livro de Hebreus apresenta Jesus como aquele que participou da carne e do sangue para que, por sua morte, destruísse aquele que tem o poder da morte (Hb. 2:14). Jesus se tornou semelhante aos irmãos (Hb. 2:17) e foi tentado em todas as coisas, à nossa semelhança, mas sem pecado (Hb. 4:15). Neste sentido que vemos Jesus o Filho Perfeito para sempre (Hb. 7:28).

2 - EM SUA VIDA TERRENA

Jesus se submeteu às leis biológicas, cerimoniais e civis porque viveu uma existência normal como cidadão.

Lucas procurou situar a existência de Jesus dentro da História e por isso cita as circunstâncias, lugares, reis e épocas (Lc. 1:5; 2:1-2; 3:1-2; 4:16).

O evangelista Lucas detalhou a vida de Jesus com uma grande soma de fatos que comprovaram a Sua humanidade. Desde o anúncio do nascimento até o início do ministério público, Jesus viveu e cresceu como um menino normal, "crescia o menino... e a graça de Deus estava sobre ele" (Lc. 2:40).

Aos doze anos subiu com os pais a Jerusalém para a festa da Páscoa, como fazia toda criança judia naquela idade. O menino afastou-se dos pais e trouxe preocupação para todos. Bem próprio de um menino! Mais tarde foi encontrado "no meio dos doutores, ouvindo-os e interrogando-os" (Lc. 2:46).

Porém, o evangelista registra que Jesus era cheio de sabedoria e todos se admiravam da Sua inteligência. Lado a lado com o humano, há sempre a evidência de que Ele é mais do que um mero homem. Jesus define o Seu trabalho em termos de Reino de Deus, respondendo "não sabeis que me cumpria estar na casa de meu Pai?" (Lc. 2:49). É o primeiro autotestemunho de Sua divindade.

Jesus também demonstrou ser um Homem Perfeito porque cumpriu as leis. Desde a infância, Jesus foi ensinado a obedecer às leis (Lc. 2:39; 3:21; 22:7-8). Embora tenha confrontado o legalismo religioso da época, ele não veio para abolir a Lei, mas para cumpri-la.

Mesmo instigado a rebelar-se contra o Império Romano e as injustiças da época, o Mestre ensinou a cidadania responsável dizendo "dai a César o que é de César e a Deus o que é de Deus" (Mt. 22:21). Outro episódio revelador foi o pagamento do imposto do templo (Mt. 17:24-27).

Jesus revelou-se o Homem Perfeito porque a Sua própria vida era a mensagem que ensinava. Ele ensinava com autoridade e não com autoritarismo. A mensagem não era imposta, porém vivenciada em atitudes de amor e compaixão (Mt. 7:28-29). A conduta de Jesus era sem mácula e exemplar.

Por mais que seus inimigos o caluniassem e procurassem ocasiões para denunciá-lo, jamais tiveram oportunidade. Através de Sua própria vida, o Mestre desafiava seus opositores, perguntando: "Quem dentre vós me convence de pecado?"

O cristão tem o dever moral de vivenciar a sua fé através de atitudes coerentes e dignas. Há uma missão nobre a ser cumprida (Mt. 5:16), o cristão não pode ofuscar o brilho da luz, pois esta é a razão de sua própria existência.

3 - EM SUA MISSÃO DIVINA

Jesus Cristo demonstrou a Sua condição de Homem Perfeito através do Seu ministério. No jardim do Éden, Satanás tentou e conseguiu ludibriar Adão. O homem tornou-se vulnerável à tentação e caiu na armadilha diabólica. Jesus Cristo veio como o segundo Adão, para redimir a raça humana pecadora.

O propósito da tentação (Lc. 4:1-13) não foi descobrir se Jesus cederia ou não a Satanás, e sim mostrar que Ele não poderia ceder; também serviu para revelar que nada havia nEle para o que Satanás pudesse apelar. Cristo podia ser tentado e provado e, na verdade, o foi, porém sem pecado (Hb. 2:18). A tentação sofrida por Jesus não foi demérito à Sua divindade, mas serviu para revelar a Sua perfeição.

O apóstolo Paulo ao analisar a vida de Adão faz uma comparação com Cristo, a quem ele chama "segundo Adão". A expressão apostólica "o último Adão feito espírito vivificante" (I Cor. 15:45) significa a vitória da ressurreição de Cristo. Agora a humanidade está liberta do pecado porque Jesus cumpriu a "via crucis", toda a trajetória que conduziu o pecador à salvação.

Em toda a Bíblia encontramos textos elucidativos que descrevem a missão divina de Jesus como o Homem Perfeito. Quando, pregado na cruz, o Salvador disse: "TUDO ESTÁ CONSUMADO", significava naquele momento que a redenção humana tinha sido alcançada. Nenhum homem conseguira antes dEle e não conseguirá depois, porque todos pecaram. Somente Jesus nasceu sem pecado para poder redimir os pecadores.

A Igreja Cristã precisa estar ciente e proclamar esta verdade cristalina de que Jesus é o único e suficiente Salvador. Não podemos colocar outros intermediários no relacionamento espiritual com Deus. Só Cristo, somente Cristo e apenas Cristo foi o Homem Perfeito que conquistou "toda autoridade no céu e na terra" (Mt. 28:18).

CONCLUSÃO

Verificamos que a perfeição da humanidade de Jesus tem fundamento histórico e bíblico. Jesus revelou-se Perfeito através da sua descendência. Todos os acontecimentos, através dos séculos, prepararam o nascimento de Jesus segundo o plano divino.

Também em sua vida terrena o Salvador palmilhou o caminho dos homens, "em tudo semelhante a nós", para tomar sobre si os nossos pecados e levá-los à cruz. Jesus cumpriu a lei e ainda ensinou a andar a segunda milha, e amar o próximo como a nós mesmos. Qualidades de um Homem Perfeito.

Jesus, "o novo Adão", venceu o pecado e Satanás, para reconduzir o ser humano ao paraíso, ou "canaã celestial".

Autores: Rev. Filipe Dias / Rev. Oswaldo Hack


Lista de estudos da série

1. A nova aliança revelada – Estudo Bíblico sobre o Novo Testamento
2. As quatro faces do Messias – Estudo Bíblico sobre os Quatro Evangelhos
3. Mateus revela a prova definitiva do Rei – Estudo Bíblico sobre o Evangelho de Mateus
4. Mateus e o segredo da comunidade que nada pode abalar – Estudo Bíblico sobre o Evangelho de Mateus
5. Em Mateus, as palavras de Jesus que transformam tudo – Estudo Bíblico sobre o Evangelho de Mateus
6. Marcos mostra o poder que existe em servir – Estudo Bíblico sobre o Evangelho de Marcos
7. Marcos, o evangelho para quem não tem tempo a perder – Estudo Bíblico sobre o Evangelho de Marcos
8. Lucas revela o único homem que alcançou a perfeição – Estudo Bíblico sobre o Evangelho de Lucas
9. Lucas e a razão para a alegria que nunca acaba – Estudo Bíblico sobre o Evangelho de Lucas
10. Lucas revela a estratégia infalível de Deus para encontrar você – Estudo Bíblico sobre o Evangelho de Lucas
11. João prova por que Jesus é mais que um homem – Estudo Bíblico sobre o Evangelho de João
12. João revela o amor que desafia toda a lógica humana – Estudo Bíblico sobre o Evangelho de João
13. Em João, o único passo que você precisa dar para a vida eterna – Estudo Bíblico sobre o Evangelho de João

Semeando Vida

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