Marcos 6:30-44
INTRODUÇÃO
No Evangelho de Marcos não encontramos longos trechos de ensinos como há em Mateus (sermão do monte) e João (Capítulos de 14-17). Ele se ocupa mais com aquilo que Jesus fez em seu ministério público.
Este Evangelho é marcantemente a história de ação divina em favor do mundo perdido. Portanto, Marcos frisa as atividades de Jesus antes que seus sermões e ensinamentos. Apenas uma pequena parte das parábolas e um sermão longo aparecem em seus registros. Mas, todas as atividades de Jesus nele aparecem. Pelo menos dezenove milagres são especificamente mencionados.
O motivo de ter essa característica talvez seja por ter ele procurado escrever para os romanos. Como sabemos disto? Os estudiosos apontam as seguintes razões:
- Dá explicações de costumes judaicos, que seriam desnecessários para os judeus (Mc. 7:3-4; 14:12; 15:42).
- Dá a tradução das palavras aramaicas usadas entre os judeus (Mc. 3:17 - Boanerges; 5:41 - Talita cumi; 7:11 - Corbã; 14:36 - Aba; 15:22 - Gólgota; 15:34 - Eloí, Eloí, lama sabactâni).
- Cita as moedas que a viúva pôs no gazofilácio, e deu o correspondente em moeda romana (Mc. 12:42).
- Usa mais palavras latinas (romanas) do que outros como speculator (guarda pessoal); praetorium (palácio do governador) e centurião (oficial do exército).
- Ele escreveu, segundo a tradição antiga, em Roma, e, de modo breve e objetivo, conforme o gosto romano.
I - DESTAQUES DO TEXTO BÁSICO (Mc. 6:30-44):
1. E lhe relataram tudo quanto haviam feito e ensinado
Jesus tinha enviado os seus discípulos, para executarem tarefas do Reino. "Então, saindo eles, pregavam ao povo que se arrependesse..." (Mc. 6:12). Jesus não chamou a ninguém para ficar ocioso, mas para uma vida de propósito e serviço.
2. Vinde repousar um pouco... num lugar deserto
O fato de ter Jesus convidado os seus discípulos para que repousassem um pouco, não foi um convite à ociosidade. Quem trabalha precisa periodicamente de descanso. Eles iam e vinham de tal modo que não tinham tempo nem para comer. Deus quer que trabalhemos, mas de modo saudável e inteligente para que sejamos mais eficientes.
3. Viu Jesus uma grande multidão e compadeceu-se deles
Jesus havia proposto um momento de descanso, mas a multidão os seguia. Então, compadecido deles, pôs de lado a canseira, passou a lhes ensinar as verdades eternas, pois viu que estavam como ovelhas sem pastor. Às vezes, a obra exige real sacrifício e, quem faz o trabalho do Senhor, precisa estar disposto a isto.
4. Despede-os para que... comprem para si o que comer
O que os discípulos sugeriram foi algo prudente, sem dúvida nenhuma. Era bem mais fácil cada um procurar resolver o seu próprio problema de alimentação. A argumentação que usaram era convincente: "É deserto este lugar, e já avançada a hora". Mas, é nos lugares desertos e nos avançados da hora que Jesus tem tido as melhores oportunidades de mostrar o Seu poder.
5. Dai-lhes vós de comer
Talvez esta tenha sido a ordem mais inesperada que Jesus dera aos seus discípulos. Muita gente, lugar deserto, hora avançada e sem dinheiro para comprar o pão. Mas se Ele deu esta ordem é porque havia um meio de ser ela cumprida.
6. Cinco pães e dois peixes
"Quantos pães tendes? perguntou-lhes Jesus. Tendo eles verificado, responderam: "cinco pães e dois peixes". Para eles aquilo não era nada, mas, para Jesus, era o suficiente. Deus sempre exige muito pouco de nós para a solução dos nossos problemas.
Para a solução do maior problema do homem, que é o da salvação, Ele exige apenas a fé em Seu Filho. Com apenas cinco pães e dois peixes, uma grande multidão se fartou e ainda sobraram doze cestos.
II - O VERDADEIRO CRENTE ESTÁ SEMPRE EM AÇÃO
Ação de que modo? Vejamos!
1. Ação na fé
Quando falamos em ação pensamos logo em mãos trabalhando, pés andando, etc. Mas o crente age também, talvez até muito mais, com a sua fé. É um modo subjetivo de agir, porém, segundo Jesus, esta ação é tão poderosa que tem capacidade até de remover montes (Mt. 17:20). Crendo, é o modo mais extraordinário de ação, porque Deus age em favor daquele que crê. "Tudo é possível ao que crê" (Mc. 9:23).
2. Ação na oração
Orar pode parecer algo estático, mas não é. O próprio Jesus falou da oração como algo bem objetivo e dinâmico. "Pedi" - ação dos lábios, ou da boca, "batei" - ação das mãos, e "buscai" - ação dos pés (Mt. 7:7-8). Quem ora está agindo com todo o seu ser diante de Deus. É uma batalha como a que Jacó travou com o anjo do Senhor no vale de Jaboque (Gn. 32:22-32).
3. Ação na santificação
Como a planta que luta contra todas as intempéries, a fim de crescer e frutificar, o crente, assim que se converte, tem pela frente um processo que exige, também, muita dedicação - a santificação. É dever do crente buscar uma vida santa para que seja um instrumento que Deus use no serviço do Seu Reino. "Esta é a vontade de Deus, a vossa santificação".
4. Ação na pregação do Evangelho
Na parábola dos trabalhadores na vinha (Mt. 20:1-11), Jesus mostrou que na Sua vinha as pessoas são chamadas para trabalhar. O cristão tem a nobre missão de compartilhar o Evangelho. Jesus deixou bem claro quando disse: "Ide, fazei discípulos de todas as nações" (Mt. 28:19).
III - EVANGELHO É AÇÃO
Nos Evangelhos, Jesus não é apresentado de forma passiva ou apenas contemplativa, mas sempre em ação. Sempre Ele está indo a algum lugar, ao contato com alguém, à realização de alguma obra. Indo ao monte para orar (Mt. 14:23), indo para as bandas de Cesareia de Filipe (Mt. 16:13), indo ao templo (Mc. 11:15), entrando em Jericó (Lc. 19:1).
As pessoas com as quais ilustra as atividades do Seu Reino são: o pescador que labuta com a sua rede em mar profundo, o semeador que lança sua semente em terreno fértil, o ceifeiro que tem que apresentar o seu serviço para que o produto do seu campo não se perca, o viandante que procura caminhar ligeiro para que as trevas não o apanhem no caminho, o construtor que precisa escolher bem o terreno onde fazer a sua casa.
IV - DEUS PRECISA DE VOCÊ
"Porque de Deus somos cooperadores" (I Cor. 3:9). Muitas pessoas estão julgando que suas vidas nada valem. Como se enganam! A Bíblia diz que somos cooperadores de Deus e Ele conta conosco. Deus provê a semente, mas usa o ser humano para plantá-la no terreno, cuidar dela e, por fim, colher os frutos.
Deus cura as feridas, mas usa pessoas para pôr o remédio e enfaixá-las. Deus cuida do necessitado, mas precisa do ser humano como meio de levar-lhe o socorro. Deus salva o pecador, pelo sangue que Cristo derramou na cruz, mas conta com você para pregar a mensagem que leva o pecador ao arrependimento e à fé em Jesus.
Autores: Rev. Filipe Dias / Rev. Oswaldo Hack
Lista de estudos da série
1. A nova aliança revelada – Estudo Bíblico sobre o Novo Testamento2. As quatro faces do Messias – Estudo Bíblico sobre os Quatro Evangelhos
3. Mateus revela a prova definitiva do Rei – Estudo Bíblico sobre o Evangelho de Mateus
4. Mateus e o segredo da comunidade que nada pode abalar – Estudo Bíblico sobre o Evangelho de Mateus
5. Em Mateus, as palavras de Jesus que transformam tudo – Estudo Bíblico sobre o Evangelho de Mateus
6. Marcos mostra o poder que existe em servir – Estudo Bíblico sobre o Evangelho de Marcos
7. Marcos, o evangelho para quem não tem tempo a perder – Estudo Bíblico sobre o Evangelho de Marcos
8. Lucas revela o único homem que alcançou a perfeição – Estudo Bíblico sobre o Evangelho de Lucas
9. Lucas e a razão para a alegria que nunca acaba – Estudo Bíblico sobre o Evangelho de Lucas
10. Lucas revela a estratégia infalível de Deus para encontrar você – Estudo Bíblico sobre o Evangelho de Lucas
11. João prova por que Jesus é mais que um homem – Estudo Bíblico sobre o Evangelho de João
12. João revela o amor que desafia toda a lógica humana – Estudo Bíblico sobre o Evangelho de João
13. Em João, o único passo que você precisa dar para a vida eterna – Estudo Bíblico sobre o Evangelho de João
