Lucas 2:13-14; 24:50-53
INTRODUÇÃO
Hoje vamos destacar alguns aspectos importantes do Evangelho de Lucas: alegria, louvor e glorificação de Deus. O autor começa a narrar o seu Evangelho registrando momentos de alegria que se transformaram em verdadeiro louvor.
O ambiente era de intensa alegria, lares felizes que receberiam a presença de criancinhas, segundo as promessas divinas. Vidas reconhecidas e tementes a Deus que atribuíam todos os acontecimentos à providência divina e ao plano redentor.
O Evangelho começa com alegria e cânticos (Caps. 1 e 2) e termina com "grande júbilo e louvor no templo" (Lc 24:52-53).
Em nossos dias, os cânticos registrados por Lucas compõem uma rica liturgia para as igrejas. A Igreja Cristã no período apostólico - início do Cristianismo - usou os cânticos para manifestar a alegria que representava o nascimento de João Batista e Jesus no contexto da salvação anunciada por Deus, "eis que trago novas de grande alegria..." (Lc. 2:10).
Os cânticos de louvor a Deus, por serem inspirados sob a direção do Espírito Santo, na interpretação dos eventos decisivos na história da humanidade, ministram lições profundas e de valor permanente. A presença de Deus, em Cristo, foi uma explosão de alegria espiritual. Queria que em nossos dias os cristãos possam encontrar motivos para alegria e louvor (Sl. 116:1-2; I Tes. 5:18).
Analisemos os quatro cânticos principais registrados no Evangelho de Lucas, para a nossa edificação espiritual.
I - O CÂNTICO DE MARIA (Lc 1.46-55)
As palavras de Maria expressam o estado de sua alma e revelam o plano divino no cumprimento das promessas feitas a Abraão.
O cântico foi resultado da promessa angelical que agraciava Maria como a futura mãe de um menino especial, "este será grande e será chamado Filho do Altíssimo" (Lc. 1:32). Maria surpreendeu-se com a notícia e julgou impossível (1:34), todavia o anjo a encorajou dizendo que para Deus "nada há de impossível" (1:37).
Sem entender o maravilhoso plano divino, mas crendo que a vontade de Deus é para a nossa salvação, Maria colocou-se diante do Senhor: "Que se cumpra em mim conforme a Tua Palavra" (1:38).
A beleza do cântico de Maria, conhecido como o Magnificat, está na mensagem que ele contém. Não é apenas uma peça profética e literária, mas uma exteriorização da fé singular que confia submissa e inteiramente no Senhor.
Cantar não apenas com os lábios (I Tes. 29:13), porém, cantar com a alma (Lc. 1:46), com os sentimentos mais profundos. Cantar para manifestar que a vida é um dom divino (1:48) e por isso devemos viver alegremente (I Tes. 1:16). Cantar para revelar a nossa fé interior num Deus que é poderoso e cumpridor das promessas (Lc. 1:55).
Devemos cantar como Maria, que, embora não entendendo o alcance do plano divino para a sua vida, soube aceitar e confiar.
II - O CÂNTICO DE ZACARIAS (Lc 1:68-79)
O cântico do sacerdote Zacarias também é conhecido como Benedictus. Foi um momento indizível enriquecido pela dura experiência da provação espiritual. O contexto bíblico (Lc. 1:5-23) revela o significado do nascimento de João Batista (1:13) e define a missão especial do menino (1:15-17).
A experiência do sacerdote em ficar mudo nove meses (Lc. 1:20), serviu para entender o plano divino. Foi um momento feliz e maravilhoso para Zacarias quando pronunciou o nome do seu filho e viu o cumprimento da promessa divina (Lc. 1:63-64).
Agora o sacerdote, conhecedor das Escrituras Sagradas e declamador dos salmos nas cerimônias do templo, não mais está repetindo o costumeiro e formal. As palavras brotam dos seus lábios trêmulos e jorram do coração exultante: "Bendito seja o Senhor Deus de Israel" (1:68). As promessas divinas foram cumpridas (7:72-73) e o menino João concretizava o plano divino (1:76).
Zacarias pôde perceber a profundidade da missão de João, ao profetizar que ele precederia o Messias (v. 76). A profecia de Malaquias se tornou realidade para o povo judeu (Mal. 3:17). Jesus Cristo confirmou a missão especial de João (Mt. 11:7-14).
O cântico de Zacarias revela primeiramente a gratidão a Deus em ser fiel e misericordioso para com o Seu povo. Em segundo lugar vemos a convicção inabalável do pai que entende a vocação espiritual do seu filho e o prepara para cumpri-la (Lc. 3:1-2).
Muitas vezes os pais desencorajam seus filhos, quando estes são desafiados e chamados por Deus para o ministério sagrado. A disposição para preparar os filhos para o plano de Deus exige submissão e um ato decisivo de fé e confiança na vontade divina.
III - O CÂNTICO DOS ANJOS (Lc 2:13-14)
Também se reveste de significado especial a mensagem angelical seguida do coral celestial que anunciou o nascimento de Jesus.
O acontecimento era digno de uma comemoração muito especial. Para os homens nascia uma criança pobre (Lc. 2:7) com sinais de messianidade (Mt. 2:2), que não causou impacto e teve por berço uma manjedoura. Para os anjos e a milícia celestial, o nascimento era "nova de grande alegria, pois nascia o Salvador, que é Cristo, o Senhor" (Lc. 2:10-11).
A glorificação dos anjos nos ensina a preciosa lição de que o acontecimento estava ligado intimamente com o plano divino de redenção. A Deus toda glória porque permitiu a encarnação de Seu Filho. Era a concessão divina para que os homens pudessem entender a sublimidade do amor (Jo. 3:16). Glorificar a Deus em primeiro lugar é a atitude coerente e nobre daqueles que temem o Senhor (Sal. 24:7-10; Sl. 115:1).
O cântico dos anjos está situado em duas partes simétricas e apresenta duas cenas correspondentes. Literalmente significa "glória nas alturas (céu), a Deus e sobre a terra paz entre os homens de boa vontade". A frase "homens de boa vontade" é um hebraísmo e significa homens que são os objetos da boa vontade de Deus.
Outra lição que podemos extrair do cântico angelical é que a presença de Cristo na terra foi algo tão importante e inédito que os céus estremeceram de louvor e Deus convidou os homens a receberem o Messias com alegria. A presença de Cristo é uma nova de alegria que nasce no coração humano (Lc. 4:16-21). Os apóstolos e seguidores de Jesus ficaram tão entusiasmados com a nova mensagem e com a experiência espiritual que, após a ascensão do Senhor, continuaram louvando a Deus (Lc. 24:51-53).
IV - O CÂNTICO DE SIMEÃO (Lc 2:29-32)
O cântico de Simeão está assinalado com um arrebatamento dominado e um profundo enlevo espiritual. Ele sente-se realizado espiritualmente ao tomar nos braços o menino Jesus. Para o velho Simeão, o nascimento do Messias era o cumprimento visível das profecias (Lc. 2:25-26; 30-31). O seu modo de dirigir-se a Maria mostra que ele possuía alguma compreensão do significado das profecias messiânicas quanto ao sofrimento futuro de Jesus (Lc. 2:34-35).
O cântico de Simeão também é conhecido como "Nunc dimittis", que significa "agora despede". A expressão de Simeão revelou a alegria interior e sensação de que tinha alcançado a plenitude da bênção divina.
A feliz convicção que sustenta a vida do cristão convicto em qualquer circunstância (II Tim. 4:6-8). A certeza de que a vida eterna é uma realidade faz com que o cristão exulte e alegre-se ao saber que está próximo o encontro com o Senhor.
Simeão manifestou em seu cântico a convicção de que a salvação oferecida por Deus, em Cristo, era universal: "luz para os gentios e glória para o povo de Israel" (Lc. 2:30-32). Os judeus odiavam os gentios devido ao tratamento que receberam deles quando cativos na Babilônia (Sl. 137), considerando os gentios imundos e inimigos de Deus.
O evangelista Lucas descreve Jesus derrubando as barreiras que se erguiam entre judeus e gentios, fazendo do arrependimento e da fé as únicas condições de admissão no Reino (Lc. 24:47).
Simeão entendeu que o Messias não era local, limitado a Jerusalém e ao povo judeu, mas um Cristo universal. Como Filho do homem, Cristo olha as necessidades dos gentios da mesma forma como olha para as de todos os homens (Mt. 11:28).
CONCLUSÃO
O propósito de Lucas, ao registrar os momentos importantes ligados a cânticos e glorificação, serviu para nos alertar quanto à necessidade do louvor em nossas vidas. Em nossos dias tão sofridos e atribulados precisamos reconquistar o espírito de louvor e glorificação (Sl. 147:1; 150:1-6), mesmo que as circunstâncias sejam adversas (Sl. 42; Atos 16:25).
O cântico revela nossa convicção e nossa esperança. Precisamos colocar em nossos lábios o verdadeiro louvor que edifique nossas vidas e glorifique o nome do Senhor. Precisamos evitar o comodismo de muitas igrejas em querer cantar qualquer corinho que não expressa a mensagem bíblica e as nossas doutrinas.
Notemos que os cânticos analisados hoje na lição, eles são genuinamente bíblicos, coerentes entre si e que se preocuparam exclusivamente com o louvor e a glorificação.
Irmãos, cantemos ao Senhor com dignidade, respeito e convicção bíblica. Seja coral, conjunto, canto congregacional, solo ou outra modalidade, façamos tudo com ordem e decência para a honra e glória de nosso Deus e Pai.
Autores: Rev. Filipe Dias / Rev. Oswaldo Hack
Lista de estudos da série
1. A nova aliança revelada – Estudo Bíblico sobre o Novo Testamento2. As quatro faces do Messias – Estudo Bíblico sobre os Quatro Evangelhos
3. Mateus revela a prova definitiva do Rei – Estudo Bíblico sobre o Evangelho de Mateus
4. Mateus e o segredo da comunidade que nada pode abalar – Estudo Bíblico sobre o Evangelho de Mateus
5. Em Mateus, as palavras de Jesus que transformam tudo – Estudo Bíblico sobre o Evangelho de Mateus
6. Marcos mostra o poder que existe em servir – Estudo Bíblico sobre o Evangelho de Marcos
7. Marcos, o evangelho para quem não tem tempo a perder – Estudo Bíblico sobre o Evangelho de Marcos
8. Lucas revela o único homem que alcançou a perfeição – Estudo Bíblico sobre o Evangelho de Lucas
9. Lucas e a razão para a alegria que nunca acaba – Estudo Bíblico sobre o Evangelho de Lucas
10. Lucas revela a estratégia infalível de Deus para encontrar você – Estudo Bíblico sobre o Evangelho de Lucas
11. João prova por que Jesus é mais que um homem – Estudo Bíblico sobre o Evangelho de João
12. João revela o amor que desafia toda a lógica humana – Estudo Bíblico sobre o Evangelho de João
13. Em João, o único passo que você precisa dar para a vida eterna – Estudo Bíblico sobre o Evangelho de João
