Texto básico: Mateus 16:18-20; 18:15-20
INTRODUÇÃO
A palavra igreja (EKKLESIA) significa assembleia; mas no novo Testamento tem uma conotação especial: grupos de crentes em Jesus Cristo. Nos Evangelhos foi só Mateus quem a registrou como tendo sido usada por Jesus Cristo. Mas nos demais livros ela é usada com muita frequência, mais de 40 vezes.
Significou, em alguns casos, "grupos de crentes" de um lugar como Antioquia (At. 13:1), Éfeso (Apoc. 2:1) e outros. Porém, na maioria dos textos, significou o povo de Deus, corpo místico do Senhor Jesus quer no seu todo, quer em suas partes.
O fato de Mateus ter empregado essa palavra em dois textos do seu Evangelho (Mat. 16:18 e 18:17), deve ter razões especiais.
Sendo ele judeu e tendo por objetivo comunicar o Evangelho ao seu povo, a palavra "igreja" deve ter chamado, sobremaneira, a sua atenção, por ser algo que nada tinha a ver com a comunidade judaica, a nação israelita. Igreja é uma reunião de pessoas, sem qualquer preocupação racial, tendo como elo de ligação a pessoa de Jesus Cristo.
Para se pertencer ao povo de Israel é preciso nascer de pais israelitas, mas para se pertencer à Igreja só é exigido o nascimento espiritual dado pelo Espírito. Não importa de que raça humana seja, pois Cristo é tudo em todos (Col. 3:11).
I - O FUNDADOR DA IGREJA
A igreja não foi fundada por João Calvino ou Lutero, como alguns podem equivocadamente supor. Foi fundada por Jesus Cristo. Tudo que ela tem: ensino, poder, estrutura e participantes, têm sido dados por Ele e pelo Seu Santo Espírito.
Pode-se dizer que ela começou a existir desde o momento em que Jesus chamou os primeiros discípulos, lá junto ao mar da Galiléia, dizendo-lhes: "Vinde após mim e eu vos farei pescadores de homens" (Mt. 4:18-22).
Após estes, chamou outros, formando o primeiro núcleo da igreja com doze membros, os doze apóstolos. O apóstolo Paulo chama esse grupo de apóstolos, bem como os profetas do antigo Testamento, de fundamento sobre o qual a igreja foi edificada, sendo Cristo a pedra angular (Ef. 2:19-22).
A este grupo foram-se juntando homens e mulheres, ao longo do ministério público de Jesus. Paulo diz que, após a ressurreição (talvez no dia da ascensão) Jesus foi visto por mais de quinhentos irmãos de uma só vez (I Cor. 15:6). Este registro mostra que a igreja era uma comunidade bem grande quando o Mestre voltou à Sua Glória.
O livro de Atos refere-se duas vezes à quantidade de crentes, usando números. Uma, ao se referir ao resultado do sermão de Pedro no dia de Pentecoste: "Havendo um acréscimo naquele dia de quase três mil pessoas" (At. 2:41); outra, quando dá uma estatística total dos crentes (At. 4:4), "subindo o número de homens a quase cinco mil".
O fato importante é que a igreja começou ali, sob a atuação do Senhor Jesus e, depois, tendo sido confiada ao Seu Espírito, cresceu, se espalhou e chegou até nós.
II - O FUNDAMENTO DA IGREJA
"Respondendo Simão Pedro, disse: Tu és o Cristo, o Filho do Deus vivo". "Então Jesus lhe afirmou: Também eu te digo que tu és Pedro, e sobre esta pedra edificarei a minha igreja..." (Mt. 16:16-18).
Entre os católicos romanos há três correntes de pensamento com respeito a "esta pedra", fundamento da igreja. Para uns a pedra é Pedro (o 1.° papa segundo eles). Para outros, o fundamento é a afirmação de Pedro "Tu és o Cristo, o Filho do Deus vivo". O terceiro grupo sustenta que a pedra é Cristo.
E nós evangélicos? Embora existam, entre nós, aqueles que sustentam que Jesus, no texto acima, se referiu à afirmação de Pedro, estudando-se o assunto à luz de outras porções do Novo Testamento, não há nenhuma dúvida de que o fundamento da igreja é Cristo.
"Porque ninguém pode lançar outro fundamento, além do que foi posto, o qual é Jesus Cristo" (I Cor. 3:11). "Chegando-vos para ele, pedra que vive, rejeitada, sim, pelos homens, mas para com Deus eleita e preciosa" (I Ped. 2:4).
Só Jesus, a rocha dos séculos, pode ser o fundamento firme para a igreja. Jamais dariam para ela esta segurança a pessoa do homem mortal ou suas palavras, por mais sábias que sejam.
III - A EDIFICAÇÃO DA IGREJA
A ideia de um edifício desponta de modo bem claro, nas palavras de Jesus, quando se refere à formação da igreja: "... edificarei a minha igreja". Edificar é assentar os tijolos, erguer as paredes, enfim fazer o edifício.
A igreja é o imenso edifício que Jesus vem construindo através dos séculos, em meio a contratempos e vendavais. Cada pessoa que se converte pela pregação do Evangelho, significa um tijolinho a mais no grande edifício de Deus.
"E as portas do hades não prevalecerão contra ela..." A palavra "hades" significa o lugar dos mortos. Como a morte foi o último inimigo que Jesus teve que vencer, e o venceu com a sua ressurreição (I Cor. 15:26, 56, 57), ela continuaria sendo um terrível adversário da igreja.
O medo de ser tragado pela morte, nos tempos de perseguição, sempre foi uma dura ameaça. As portas do Hades, por muitos séculos, devoraram a vida de mártires aos milhares, mas a igreja sempre permaneceu vitoriosa.
Muitos teólogos também interpretam a expressão "portas do inferno" como forças do mal, baseados no que Paulo diz na carta aos Efésios: "porque a nossa luta não é contra o sangue e a carne, e sim, contra os principados e potestades, contra os dominadores deste mundo tenebroso, contra as forças espirituais do mal nas regiões celestiais" (Ef. 6:12).
Mas analisando as cartas do Apocalipse (Capítulos 2 e 3), podemos ver que essas duas interpretações se harmonizam pelo fato de que Satanás está por trás de todos os tipos de arremetidas contra a igreja. Mas a garantia é esta: "as portas do inferno não prevalecerão contra ela..."
IV - A AUTORIDADE DA IGREJA
"Dar-te-ei as chaves do reino dos céus: o que ligares na terra, terá sido ligado nos céus; e o que desligares na terra, terá sido desligado nos céus" (Mt. 16:19).
Temos que observar aqui o seguinte: Não podemos entender, literalmente, que Jesus tenha dado a um homem, falho e mortal, a posição de Juiz em assunto da salvação. Nem Pedro, nem ninguém, senão Deus, pode ocupar este lugar.
O que a igreja entende é que Jesus estava dando ao que ministra em Seu nome, apenas o poder declarativo. Jesus mandou batizar os que se tornaram seus discípulos (Mt. 28:19). Batizar é colocar o convertido dentro da comunidade cristã.
E quem é que deve fazer isto? É claro que é o pastor, a pessoa separada para este mister, consagrada ao serviço de Deus.
E, de que modo o faz? É declarando aquele que se apresenta arrependido dos seus pecados e disposto a seguir a Cristo, membro da igreja e do Reino de Deus.
Por outro lado, quando alguém deixa de ser digno do nome de cristão, o mesmo pastor o declara desarrolado. O pastor faz apenas o ato exterior, porque o interior, no coração, definitivo e eterno, só Deus pode fazer.
Como Pedro, no dia de Pentecoste foi o instrumento (chave) para abrir as portas do reino dos céus para quase três mil pessoas e fê-las por meio da fé.
Ligadas ao Reino, na terra e no céu, assim faz todo aquele que prega a Palavra de Cristo aos corações - abre as portas e liga as vidas ao Reino dos céus. Nós somos apenas cooperadores de Deus, nada mais. A obra é Ele quem faz por Seu Santo Espírito (I Cor. 3:9).
Autores: Rev. Filipe Dias / Rev. Oswaldo Hack
Lista de estudos da série
1. A nova aliança revelada – Estudo Bíblico sobre o Novo Testamento2. As quatro faces do Messias – Estudo Bíblico sobre os Quatro Evangelhos
3. Mateus revela a prova definitiva do Rei – Estudo Bíblico sobre o Evangelho de Mateus
4. Mateus e o segredo da comunidade que nada pode abalar – Estudo Bíblico sobre o Evangelho de Mateus
5. Em Mateus, as palavras de Jesus que transformam tudo – Estudo Bíblico sobre o Evangelho de Mateus
6. Marcos mostra o poder que existe em servir – Estudo Bíblico sobre o Evangelho de Marcos
7. Marcos, o evangelho para quem não tem tempo a perder – Estudo Bíblico sobre o Evangelho de Marcos
8. Lucas revela o único homem que alcançou a perfeição – Estudo Bíblico sobre o Evangelho de Lucas
9. Lucas e a razão para a alegria que nunca acaba – Estudo Bíblico sobre o Evangelho de Lucas
10. Lucas revela a estratégia infalível de Deus para encontrar você – Estudo Bíblico sobre o Evangelho de Lucas
11. João prova por que Jesus é mais que um homem – Estudo Bíblico sobre o Evangelho de João
12. João revela o amor que desafia toda a lógica humana – Estudo Bíblico sobre o Evangelho de João
13. Em João, o único passo que você precisa dar para a vida eterna – Estudo Bíblico sobre o Evangelho de João
