João 1:1-14
INTRODUÇÃO
O evangelista João escreveu a fim de provar ser Jesus o Cristo, o Messias prometido aos judeus, e o Filho de Deus aos gentios (Jo. 20:31).
O tema principal do Evangelho é a divindade de Jesus Cristo. Aqui, mais do que em qualquer outro lugar, a Sua divina filiação é declarada.
Mostra-nos este Evangelho que a "criança de Belém" não é outra senão o "unigênito do Pai". São incontestáveis as evidências e provas apresentadas em favor da divindade de Jesus.
Em João, Jesus é mostrado habitando com Deus, antes de ser formada a criatura (Jo. 1:1-2). Ele é denominado "o unigênito do Pai" (1:14), "o Filho de Deus" (1:34).
Em nossos dias, quando é tão generalizado e amplo o desvio da verdade que reduz a imagem de Cristo a apenas um líder caritativo, amigo dos miseráveis e assistente social, esquecendo-se de que Ele é o "Filho de Deus", é necessário que se retorne à Bíblia para reafirmar a divindade do Mestre (Fil. 2:9-11).
Entre os tópicos que podemos desenvolver, à luz do texto básico, ressaltamos os seguintes:
I - A DIVINDADE ANTES DA ENCARNAÇÃO
João inicia o seu maravilhoso registro, com Jesus Cristo antes da Sua encarnação. Deus nos mandou o Seu Filho ao mundo para que se tornasse Seu Filho, pois Ele é o eterno Filho. Jesus não teve começo. Ele era o começo. Cristo era antes de todas as coisas, portanto, Jesus não é parte da criação - Ele é o Criador (Jo. 1:3; Col. 1:16; Hb. 1:2).
O evangelista João reconheceu em Jesus a Divindade, "o verbo estava com Deus e o verbo era Deus" (1:1).
Jesus é uma pessoa da Divindade que veio revelar Deus em forma humana. Assim como as palavras são a expressão do pensamento, assim Cristo exprime, manifesta e revela Deus (Hb. 1:1-4). Disse Jesus a Filipe: "Se vós me tivésseis conhecido, conheceríeis também a meu Pai... quem vê a mim, vê o Pai" (Jo. 14:7,9).
Jesus já existia antes do seu nascimento e por isso João não se preocupou em falar do fato histórico do nascimento. O Evangelho se assemelha ao livro de Gênesis, pois não discute e nem tenta provar a existência de Deus. João parte da convicção de que Jesus é o Filho de Deus que veio habitar entre nós (1:14).
Jesus (o Verbo) é o instrumento da criação, pois "todas as coisas foram feitas por Ele" (1:3); literalmente pode-se dizer que "todas as coisas foram criadas por intermédio dEle".
A origem última de tudo é o Pai, e nenhum agente intermediário teve parte no trabalho da criação, apesar da crença sustentada pelos gnósticos. Jesus não foi um intermediário na criação, mas Ele era a essência do próprio Deus; "sem Ele nada do que foi feito se fez" (1:3-4). Exclui-se a possibilidade de qualquer processo criativo à parte dEle.
O nascimento de Jesus em forma humana foi a maneira escolhida por Deus para uma maior identificação com o ser humano. Jesus viveu todo o processo do crescimento físico e respeitou as leis biológicas.
Ele não se transformou em semi-Deus, como se fosse metade Deus e metade homem. O evangelista deixa claro a sua convicção: "O verbo se fez carne e habitou entre nós" (1:14). O verbo sempre existiu.
II - A DIVINDADE NA ENCARNAÇÃO
Jesus Cristo demonstrou ser Deus em diversas circunstâncias. O evangelista João, preocupado em confirmar a divindade do Mestre, selecionou diversos fatos e textos que elucidam a questão.
Entre as muitas provas registradas vamos destacar as seguintes:
a) Testemunho dos fiéis
A presença de Jesus foi recebida com grande regozijo desde o seu nascimento (Mt. 2:2; Lc. 2:25-32). No início do seu ministério público o próprio João Batista testemunhou a respeito da divindade do seu primo Jesus (Lc. 1:36), quando o encontrou: "Este é o de quem eu disse: o que vem depois de mim tem, contudo, a primazia, porquanto já existia antes de mim" (Jo. 1:15).
Outra ocasião João Batista afirmou: "Eis o cordeiro de Deus..." (Jo. 1:29) e por ocasião do batismo de Jesus confirmou o seu testemunho: "Pois eu de fato vi e tenho testificado que Ele é o Filho de Deus" (Jo. 1:32-34).
b) Testemunho do próprio Jesus
Verificamos que Ele tinha consciência de Sua missão divina desde a adolescência (Lc. 2:49). Iniciou o Seu ministério público plenamente convicto de Seu dever e o cumprimento das profecias em Sua vida (Lc. 4:16-21).
O evangelista João registra inúmeros ensinamentos de Jesus que confirmam a Sua divindade (Jo. 4:25-56; 5:39; 6:35; 11:25-26; 13:13; 14:6; 15:5). A vida terrena de Jesus foi uma prova indiscutível da Sua missão divina. Milagres, pronunciamentos, promessas, atos de poder sobre a própria morte, tudo contribuiu para revelar a natureza de Jesus.
c) Testemunho apostólico
Os apóstolos foram testemunhas oculares dos acontecimentos e tiveram a oportunidade de presenciar o cumprimento da promessa do Espírito Santo (At. 1:8; 2:32-33).
O apóstolo João registra: "O que temos ouvido, o que temos visto com os nossos próprios olhos, o que contemplamos e as nossas mãos apalparam, com respeito ao verbo da vida..." (I Jo. 1:1). Todos os apóstolos viveram convictos e creram na divindade de Jesus. Paulo também confirmou a mesma verdade em todas as suas epístolas (Fp. 2:5-11; Col. 3:1; II Tes. 1:1-2).
Os apóstolos creram em Jesus como sendo Deus e por isso colocaram suas vidas a serviço do Mestre. Nem as perseguições religiosas intimidaram os cristãos da era apostólica. Hoje é esta mesma convicção no Cristo divino que leva as igrejas a proclamarem a mensagem de salvação nos quatro cantos da Terra.
III - OBJETIVOS DA ENCARNAÇÃO
Há uma relação importante entre as declarações dos versículos 1 e 14 (Jo. 1; 1,14). O Verbo que estava no princípio com Deus, tornou-se homem. O Verbo que estava com Deus tabernaculou com os homens.
Aquele que era Deus estava cheio de Graça e de Verdade. O Verbo é identificado com o Cristo da História. A expressão "fez-se carne" (V. 14) exclui qualquer especulação da existência irreal ou fantasiosa de Jesus.
O texto bíblico registra que Jesus assumiu um corpo humano real. O evangelista iniciou a sua obra declarando ser verdadeira a presença física de Jesus. Não era uma fantasia criada pelos apóstolos e nem estaria montada para tentar divinizar Jesus.
Quando o autor diz: "Vimos a sua glória" (V. 14), está testemunhando o que ele tinha presenciado. A glória refletida na vida de Jesus era proveniente da exclusividade de sua filiação com Deus, o Pai.
A presença física de Jesus foi necessária para cumprir toda a lei (Mt. 5:16-17). Esta lei que devia ser cumprida pelo ser humano, foi, na verdade, cumprida por Jesus (Is. 53:4-5). Todas as exigências foram atendidas e a parede que separava o homem de Deus desde o jardim do Éden (Gn. 3:24), foi rompida por Jesus, que promoveu o reencontro do homem com Deus (Gal. 3:23-24).
Uma vez cumprida a lei, através de Cristo, o homem pode aproximar-se de Deus. A reconciliação é um ato de fé porque os méritos não são suficientes para justificar o homem diante de Deus (Ef. 2:8-9).
Neste sentido vemos a Encarnação como a grande oportunidade para o ser humano. É a porta aberta para o reencontro. Todavia, é bom lembrar que só Jesus pode promover esta reconciliação, pois só Ele foi o sumo-sacerdote suficiente (Hb. 4:14-16). Quando expirou na cruz Ele pôde dizer: "Tudo está consumado" e "o véu do templo rasgou-se de alto a baixo" (Jo. 19:28; Mt. 27:51).
A Encarnação revelou o grande amor de Deus em conceder nova oportunidade para o ser humano, para uma reconciliação (Jo. 3:16). A Encarnação mostra que é possível viver em comunhão com Deus, pois Cristo é exemplo vivo e deixou o convite a todos: "Quem quiser vir... siga-me". O Evangelho não é uma utopia ou sonho, mas é algo bem concreto para quem crê e se torna filho de Deus (Jo. 1:12).
CONCLUSÃO
O evangelista João conseguiu atingir o seu objetivo (Jo. 20:31), pois deixou para o Cristianismo uma obra extraordinária. O propósito em apresentar Jesus como o Filho de Deus foi amplamente satisfeito, pois o seu Evangelho tem grande profundidade espiritual. Não há dogmas ou mistérios, mas fatos e testemunhas oculares.
A Igreja Cristã em nossos dias precisa ter a visão precisa e firme do apóstolo João, que não se intimidou diante do poderio político e nem diante da terrível perseguição religiosa.
A divindade de Jesus Cristo precisa ser proclamada, pois aí está a mola propulsora da vida cristã. A divindade de Jesus o torna diferente dos ídolos e merecedor do nosso culto e louvor.
Autores: Rev. Filipe Dias / Rev. Oswaldo Hack
Lista de estudos da série
1. A nova aliança revelada – Estudo Bíblico sobre o Novo Testamento2. As quatro faces do Messias – Estudo Bíblico sobre os Quatro Evangelhos
3. Mateus revela a prova definitiva do Rei – Estudo Bíblico sobre o Evangelho de Mateus
4. Mateus e o segredo da comunidade que nada pode abalar – Estudo Bíblico sobre o Evangelho de Mateus
5. Em Mateus, as palavras de Jesus que transformam tudo – Estudo Bíblico sobre o Evangelho de Mateus
6. Marcos mostra o poder que existe em servir – Estudo Bíblico sobre o Evangelho de Marcos
7. Marcos, o evangelho para quem não tem tempo a perder – Estudo Bíblico sobre o Evangelho de Marcos
8. Lucas revela o único homem que alcançou a perfeição – Estudo Bíblico sobre o Evangelho de Lucas
9. Lucas e a razão para a alegria que nunca acaba – Estudo Bíblico sobre o Evangelho de Lucas
10. Lucas revela a estratégia infalível de Deus para encontrar você – Estudo Bíblico sobre o Evangelho de Lucas
11. João prova por que Jesus é mais que um homem – Estudo Bíblico sobre o Evangelho de João
12. João revela o amor que desafia toda a lógica humana – Estudo Bíblico sobre o Evangelho de João
13. Em João, o único passo que você precisa dar para a vida eterna – Estudo Bíblico sobre o Evangelho de João
