Lucas revela a estratégia infalível de Deus para encontrar você - Estudo Bíblico sobre o Evangelho de Lucas


Lucas 15

INTRODUÇÃO

O evangelista Lucas deixou claro que a presença de Jesus no mundo fazia parte do plano redentor de Deus. Encontramos nos registros e parábolas uma ênfase no amor misericordioso de Deus, que veio buscar o pecador. Jesus Cristo é o ponto de encontro entre Deus e o homem.

A iniciativa foi divina, por isso Jesus veio buscar e salvar o que se havia perdido (Lc. 19:10). A mesma ênfase encontramos no Evangelho de João ao caracterizar o imenso amor divino (João 3:16).

A iniciativa só podia partir de Deus porque não há caminho do homem para Deus, mas só de Deus para o homem (João 14:6). Deus busca o perdido para salvá-lo (Apoc. 3:20).

O texto básico de nossa lição se constitui de três parábolas. Em todas elas encontramos a firme resolução de recuperar o que se perdera. 

O âmago do Evangelho de Lucas se encontra nas três parábolas, reunidas num só capítulo. Deus se demonstra tão interessado no destino dos homens que toma providências para encontrar o perdido. O reencontro é motivo de júbilo e de grande alegria no céu.

Vamos analisar as parábolas para extrair lições para nossos dias. Elas formam uma série, em conexão, e são somente encontradas em Lucas. Foram a resposta de Jesus às observações contenciosas dos fariseus e escribas acerca do relacionamento do Mestre com publicanos e pecadores (Lc. 15:1-2).

I - BUSCANDO A OVELHA

A parábola da ovelha perdida define e caracteriza o amor divino que sai à procura do perdido. O pastor encarna o amor de Deus que não mede esforços para buscar o homem perdido e oferecer-lhe uma oportunidade.

Os comentaristas bíblicos retiram várias lições da parábola. Partindo do contexto verificamos que a parábola serviu para ensinar aos escribas e fariseus (Lc. 15:1-2), que Deus tem grande interesse pelos pecadores.

Uma ovelha perdida atrai a atenção do pastor, que deixa as demais em lugar seguro (Lc. 15:4) para dedicar-se com tenacidade na busca daquela necessitada. O interesse do pastor pela ovelha desgarrada não significa que as demais são insignificantes ou de menor valor.

As noventa e nove estavam protegidas e não necessitavam de socorro naquele momento. A expressão "deixou no deserto" (15:4) não significa abandono ou menosprezo. Seria incoerência do pastor deixar as noventa e nove entregues ao lobo e querer salvar uma só.

Jesus quis enfatizar o interesse de Deus para com o perdido, mesmo que seja uma só pessoa. Todos são iguais perante Deus (Rm. 3:23) e por isso o Plano Redentor é salvar todos.

Transferindo para o terreno prático de nossas igrejas, não seria prudente um pastor abandonar sua comunidade e gastar todo o seu tempo na recuperação de uma só ovelha. O crente desgarrado merece toda atenção e oração, porém não podemos permitir que uma só ovelha seja motivo para desagregar um rebanho.

A ovelha da parábola perdeu-se por descuido, pois, desapercebida, foi buscar pastagens distantes sem notar o perigo do distanciamento do rebanho. Ainda hoje este quadro se repete com frequência.

O crente ávido por novas experiências e atraído pelo mundo, começa a afastar-se de Deus e da Igreja. Perde a noção da distância e do perigo e cai na armadilha satânica (Ef. 6:11; I Pd. 5:8). O crente indefeso não consegue defender-se e nem sair do precipício. Deus estende a mão salvadora através de Jesus e recupera o perdido.

II - BUSCANDO A DRACMA

A dracma é uma moeda grega, de prata, equivalendo ao denário, moeda romana. Equivalia ao salário de um dia de trabalho (Mt. 20:2).

A parábola da dracma perdida contém lições semelhantes à da ovelha. Jesus usa aqui outra figura muito conhecida para mostrar o cuidado e perseverança em encontrar o objeto perdido.

A dracma não tinha vontade própria à semelhança da ovelha e do filho. A dracma foi perdida involuntariamente. A parábola não responsabiliza a mulher, mas mostra o desvelo em buscar a joia perdida.

Inconscientemente há pessoas que se perdem, qual dracma, e precisam ser procuradas e colocadas novamente no convívio das demais. A pessoa insensível (Mt. 13:14-17), sem vibração espiritual, é um terreno duro (Mt. 13:19) que não oferece oportunidade de frutificar.

O Capítulo 15 de Lucas é conhecido como o capítulo das coisas perdidas, porém a ênfase mais apropriada é "o capítulo da graça divina". Vemos o intuito de Jesus em mostrar ao povo que Deus redime o pecador em quaisquer circunstâncias. A dracma está no mesmo contexto da ovelha e do filho.

Muitas observações já foram feitas pelos comentaristas bíblicos no sentido de assinalar as lições decorrentes da comparação usada. A dracma era uma moeda que simbolizava um valor, recompensa do trabalho. Representava um dia de serviço e por isso a mulher preocupou-se ao perder uma.

Porque Jesus introduziu a figura da mulher para ilustrar o amor de Deus, deixa margens para considerações diversas. O que vemos de concreto no ensinamento de Jesus é o amor divino somado a um zelo imenso para reconquistar o pecador perdido (Rm. 5:8).

III - RECEBENDO O FILHO

Interessante notar que nas parábolas anteriores a lição básica é a busca constante até encontrar. Agora Jesus refere-se à família e diz que o pai ficou aguardando a volta do filho. O enfoque agora é diferente.

A parábola conhecida como "Filho Pródigo" deveria ser interpretada como a história do "Pai Amoroso". O filho mais jovem é apenas uma parte da parábola, pois não poderemos entendê-la sem a presença e reação do filho mais velho (Lc. 15:25-32).

A figura central é o pai, que fica vigilante e solícito, aguardando o regresso do filho aventureiro e inexperiente.

Foi nobre a atitude do filho mais jovem ao arrepender-se e resolutamente decidir voltar para o seu lar. Revela a possibilidade do ser humano reagir diante de situações adversas (Lc. 15:17-20; Sl. 42:11). A voz da consciência faz renascer a esperança e o amor vividos na infância (Prov. 22:6) e o jovem regressa esperançoso.

O homem pecador precisa passar pela experiência do autoexame espiritual para reconhecer-se derrotado pelo pecado e assim, animado pela mensagem do amor divino, voltar para Deus (Mt. 11:28-30).

A atitude do filho mais velho foi totalmente oposta à do seu irmão. Ele tinha cumprido todas as leis, considerava-se bom filho (Lc. 15:29) e sentiu-se no direito de excluir o irmão que buscava reconciliação e nova vida. A reação legalista e fria que demonstrou para com seu irmão se assemelhava à atitude dos fariseus e escribas para com os gentios, publicanos e pecadores (Lc. 15:1-2).

Jesus quis ensinar aos judeus que, mesmo não sendo transgressores das leis, mesmo aparentando piedade e submissão, diante de Deus todos são pecadores e precisam aceitar o amor do Pai (Mt. 23:1-12; Col. 2:20-23).

A atitude do pai revela o amor de Deus em toda a sua plenitude. Primeiramente o pai atende o pedido do filho e concede-lhe liberdade de escolha. Um filho resolveu sair para conhecer o mundo e as oportunidades; o outro resolveu permanecer em casa e viver com o pai. Foram opções livres e espontâneas. No início, a atitude do filho mais novo entristeceu o pai, enquanto o outro filho revelou apego ao lar e moderação.

A conclusão revela atitude firme e amorosa do pai, que constitui o foco central da ilustração. O pai recebeu o "filho que estava perdido e foi achado, estava morto e reviveu" (Lc. 15:24). Por outro lado alertou o filho descontente que ele era um privilegiado por não ter passado a amarga experiência da solidão e desespero e ainda porque tudo o que pertencia ao pai era dele (Lc 15:31).

Esta última parábola toca mais profundamente nossos corações porque reflete os problemas diários do mundo atual. Há milhares de pessoas insatisfeitas e revoltadas que deixam a comunhão com o pai e entregam-se à miséria moral e espiritual (Is. 1:2-3; Rm. 1:21-25). Outros milhares estão envolvidos com igrejas e associações religiosas mas guardam preconceitos e exigências legalistas que bloqueiam a comunhão com Deus e os irmãos na fé (III Jo. 9-10).

Jesus demonstrou que Deus é o pai amoroso que acolhe o rebelde que regressa contrito e também aconselha e alerta o crente pacato e fervoroso, para que tenha mais amor e exercite o perdão para com o próximo (Mt. 6:14-15).

CONCLUSÃO

As três parábolas em estudo serviram para revelar o propósito de Jesus em mostrar aos homens a dimensão do amor divino. A ovelha, a dracma, o filho, são facetas de uma mesma lição. 

Deus busca aqueles que não têm condições de regressar sozinhos; todavia, Ele aguarda para receber com amor aqueles que têm liberdade de decisão e escolha para optar pelo caminho da salvação. As três parábolas estão centradas no amor divino. É a mensagem bíblica resumida magistralmente por Jesus.

Autores: Rev. Filipe Dias / Rev. Oswaldo Hack


Lista de estudos da série

1. A nova aliança revelada – Estudo Bíblico sobre o Novo Testamento
2. As quatro faces do Messias – Estudo Bíblico sobre os Quatro Evangelhos
3. Mateus revela a prova definitiva do Rei – Estudo Bíblico sobre o Evangelho de Mateus
4. Mateus e o segredo da comunidade que nada pode abalar – Estudo Bíblico sobre o Evangelho de Mateus
5. Em Mateus, as palavras de Jesus que transformam tudo – Estudo Bíblico sobre o Evangelho de Mateus
6. Marcos mostra o poder que existe em servir – Estudo Bíblico sobre o Evangelho de Marcos
7. Marcos, o evangelho para quem não tem tempo a perder – Estudo Bíblico sobre o Evangelho de Marcos
8. Lucas revela o único homem que alcançou a perfeição – Estudo Bíblico sobre o Evangelho de Lucas
9. Lucas e a razão para a alegria que nunca acaba – Estudo Bíblico sobre o Evangelho de Lucas
10. Lucas revela a estratégia infalível de Deus para encontrar você – Estudo Bíblico sobre o Evangelho de Lucas
11. João prova por que Jesus é mais que um homem – Estudo Bíblico sobre o Evangelho de João
12. João revela o amor que desafia toda a lógica humana – Estudo Bíblico sobre o Evangelho de João
13. Em João, o único passo que você precisa dar para a vida eterna – Estudo Bíblico sobre o Evangelho de João

Semeando Vida

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