A nova aliança revelada - Estudo Bíblico sobre o Novo Testamento


Texto básico:
Hebreus 8:6-13

INTRODUÇÃO - É extraordinário quando paramos um pouco para pensar no fato de que o livro que temos em nossas mãos - A Bíblia -, é o resultado da inspiração de Deus, dada a homens santos, para que tivéssemos o registro de toda a revelação divina.

Mas, a obra maravilhosa de Deus não para aí, dando a nós o conhecimento dos Seus atributos, Seu poder e Sua insondável misericórdia. Ela chega até nós pela iluminação que nos dá, para compreendermos o que foi escrito, com bênçãos estupendas para as nossas vidas.

Contudo, é também maravilhoso conhecer como os livros inspirados vieram se juntar uns aos outros e formar a "Biblioteca Divina", tendo sido escritos por tantas pessoas diferentes, separadas umas das outras e sob grande peregrinação. 

A formação do Velho Testamento nos admira tanto porque tudo se deu dentro de uma vocação escolhida, mas a formação do Novo Testamento é um dos maiores milagres do Cristianismo. E é sobre esta parte da Bíblia que o estudo de hoje vai falar - O Novo Testamento.

I - SIGNIFICAÇÃO DO NOME

Novo Testamento significa novo pacto ou nova aliança, por ser a parte da Bíblia que se ocupa da obra de Deus iniciada no ministério terreno de Jesus Cristo, tendo-o como centro, base e objetivo.

Romanos 11:36
Porque dEle e por meio dEle e para Ele são todas as coisas.

Este nome, Novo Testamento, flui direta e tranquilamente das palavras de Jesus, proferidas por ocasião da instituição da Santa Ceia:

Lucas 22:20
Este é o cálice da nova aliança no meu sangue derramado em favor de vós.

Por que novo? É porque Deus tinha feito uma aliança anteriormente, com o seu povo, baseada em preceitos e ordenações, tendo um santuário terreno (Heb. 9:1). Era uma aliança imperfeita porque tudo era feito pelas mãos do homem. Porém, a nova aliança é superior e contém superiores promessas (Heb. 8:6).

Contudo, é preciso que tenhamos bem distintas, em nossas mentes, estas duas coisas: "Novo Testamento", nova aliança feita através do sangue de Jesus Cristo e "Novo Testamento", livro do registro inspirado dos atos de Deus na formação dessa nova aliança. 

Esta diferença se faz necessária porque o assunto de hoje é o livro. Dizemos livro, mas são 27 livros agrupados muitos deles, em estilos e objetivos diferentes, contendo, porém, o mesmo assunto: a nova aliança.

II - CONTEÚDO

Os 27 livros do Novo Testamento podem ser estudados sob os seguintes aspectos:

1. Quanto à natureza

Mesmo versando sobre um mesmo assunto, Jesus Cristo e Seu Reino, os livros do Novo Testamento podem ser classificados em biográficos (os 4 Evangelhos), histórico (Atos dos Apóstolos), doutrinais (21 epístolas ou cartas) e profético (Apocalipse).

2. Quanto aos autores

Em última instância Deus é o autor de todos os livros do Novo Testamento como os de toda a Bíblia. Mas, o Espírito Santo usa pessoas humanas para colocarem em linguagem escrita a revelação de Deus de acordo com as características pessoais de cada uma. 

Como a luz do Sol que se filtra através das linhas de um cristal, através, também, das linhas da personalidade de Mateus, de Lucas, de João, de Pedro, de Paulo, a luz da revelação tem chegado até nós.

Mateus foi um publicano, Lucas um médico, João um pescador. Mateus e João foram discípulos de Jesus, parte do Colégio Apostólico. Marcos escreveu o que ouviu de Pedro, de quem foi companheiro. Lucas foi companheiro de Paulo, ouviu o apóstolo dos gentios pregar o Evangelho de um extremo a outro do Império Romano.

O livro de Atos dos Apóstolos é a primeira história da Igreja e foi escrito por Lucas, o médico que acompanhou, passo a passo, o desenrolar dos fatos. 

Graças a este homem de grande cultura, pesquisador incansável, escritor organizado e crente disposto a todo sacrifício e toda renúncia por causa do Evangelho, que temos dois dos mais belos livros do Novo Testamento.

Paulo, o autor de treze cartas doutrinais, foi o maior intérprete de Cristo. Foi contemporâneo do Mestre, mas só O conheceu quando Ele já estava na glória. Mas, mesmo assim, ele afirma que recebeu o Evangelho diretamente do próprio Jesus (Gal. 1:11-12). 

Quanto à carta aos Hebreus, embora muitos a atribuam a Paulo, os maiores estudiosos do assunto afirmam que só Deus sabe quem a escreveu.

Tiago é o autor de uma epístola que tem o mesmo nome do autor. Mas quem era Tiago? Houve três pessoas com esse nome: o filho de Zebedeu; o filho de Alfeu (Mt. 10:2,3) e o irmão do Senhor (Mt. 13:35). Este último é comumente conhecido como o autor dessa carta. Paulo faz menção desse Tiago, irmão do Senhor, chamando-o de apóstolo (Gl. 1:13), embora, como se sabe, não foi ele um dos doze.

João, o discípulo amado, escreveu o Evangelho que tem o seu nome, as três epístolas e o Apocalipse. Ele viveu muito tempo em Jerusalém e depois em Éfeso, com uma ligeira estada na ilha de Pátmos, onde teve as visões do Apocalipse. 

Diz a história que foi o único Apóstolo que não sofreu o martírio. Quanto à carta de Judas, é tida como de autoria de Judas, o irmão do Senhor (Mt. 13:55).

Todo o Novo Testamento foi escrito entre os anos 50 a 96 A.D.

III - A FORMAÇÃO DO CÂNON

A palavra Cânon vem do grego (Kanon) e do hebraico (qaneh) e significa cana, ou vaso de medir. Os antigos, logo no início, passaram a usar essa palavra para designar o corpo de doutrinas que formavam a regra de fé. Por fim, passou a significar o corpo de livros inspirados por Deus.

Do tempo dos apóstolos em diante começaram a aparecer muitos escritos com a pretensão de serem inspirados, buscando um lugarzinho no cânon. Foram preservados os nomes de uns 50 livros.

Vêm-nos as perguntas: Como só 27 ficaram como livros do Novo Testamento? Qual foi o critério de seleção? 

A resposta certa para estas perguntas é que o próprio Deus fez a separação. Houve um trabalho do Espírito Santo, aquele que foi mandado por Jesus para guiar a sua Igreja à verdade (João 16:13), no sentido de credenciar, perante o Seu povo, o que era inspirado, separando-o do que não merecia tal consideração.

No ano 170 A.D. já havia listas de livros canônicos. De início surgiram desencontros, mas, por fim, no início do terceiro século, já se tinha uma lista de unânime aceitação.

Foram os concílios de Hipona Régia (393) e de Cartago (397), ambos no norte da África, que registraram a lista dos 27 livros como os encontrados em nossa Bíblia. Observem que não foram esses concílios que decidiram, mas que apenas aceitaram a decisão do Espírito Santo, tomada através dos cristãos.

Algumas das obras rejeitadas e tidas como "espúrias" têm chegado até nós por estarem em alguns dos manuscritos do Novo Testamento do 4.° até o 15° século, como: "O Didaquê", "Atos de Paulo", "Apocalipse de Pedro", "Epístola de Barnabé", "Pastor de Hermas" e outras.

O mais extraordinário é que, fechada a lista, jamais foi aberta para introdução de qualquer outra obra. Deus a fechou e ela nos tem dado o suficiente para crermos em Cristo e termos a salvação.

Autores: Rev. Filipe Dias / Rev. Oswaldo Hack


Lista de estudos da série

1. A nova aliança revelada – Estudo Bíblico sobre o Novo Testamento
2. As quatro faces do Messias – Estudo Bíblico sobre os Quatro Evangelhos
3. Mateus revela a prova definitiva do Rei – Estudo Bíblico sobre o Evangelho de Mateus
4. Mateus e o segredo da comunidade que nada pode abalar – Estudo Bíblico sobre o Evangelho de Mateus
5. Em Mateus, as palavras de Jesus que transformam tudo – Estudo Bíblico sobre o Evangelho de Mateus
6. Marcos mostra o poder que existe em servir – Estudo Bíblico sobre o Evangelho de Marcos
7. Marcos, o evangelho para quem não tem tempo a perder – Estudo Bíblico sobre o Evangelho de Marcos
8. Lucas revela o único homem que alcançou a perfeição – Estudo Bíblico sobre o Evangelho de Lucas
9. Lucas e a razão para a alegria que nunca acaba – Estudo Bíblico sobre o Evangelho de Lucas
10. Lucas revela a estratégia infalível de Deus para encontrar você – Estudo Bíblico sobre o Evangelho de Lucas
11. João prova por que Jesus é mais que um homem – Estudo Bíblico sobre o Evangelho de João
12. João revela o amor que desafia toda a lógica humana – Estudo Bíblico sobre o Evangelho de João
13. Em João, o único passo que você precisa dar para a vida eterna – Estudo Bíblico sobre o Evangelho de João

Semeando Vida

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