João 15:9-17; 21:15-17
INTRODUÇÃO
O Evangelho de João apresenta Jesus Cristo como a manifestação do grandioso amor de Deus, o texto do pensamento da semana (3:16) revela o sentido do amor divino.
A preocupação do apóstolo foi registrar aspectos da vida de Jesus que revelasse o Seu imenso amor, indiferente de contrariedades... "tendo amado os Seus que estavam no mundo, amou-os até ao fim" (Jo. 13:1).
O Evangelho começa interpretando o nascimento de Jesus como uma manifestação do amor divino (1:14).
A conclusão do Evangelho também revela o imenso amor de Jesus que oferece ao apóstolo Pedro uma oportunidade de reconciliação. O encontro emocionante do apóstolo entristecido pela queda e a pergunta cheia de compaixão que brotava dos lábios de Jesus: "Simão, filho de João, amas-me mais do que estes?" (Jo. 21:15).
O evangelista João conseguiu interpretar o alvo supremo do amor de Deus que, revelado em Cristo, vai ao encontro do pecador para restaurá-lo e oferecer-lhe a comunhão plena com o Pai Celestial.
O estudo de hoje será desenvolvido dentro dos tópicos e subtópicos seguintes:
I - AMOR DIVINO REVELADO POR CRISTO
Verificamos que o objetivo de João é o mesmo dos outros evangelistas. Revelar o amor divino foi a missão principal de Jesus na face da Terra. Para o apóstolo João o amor divino tem características próprias:
1. Busca o bem do ser amado (Jo. 3:16)
Muitos comentaristas consideram este texto o resumo de toda a Bíblia. Desde a criação do mundo, Deus busca o bem do homem e oferece-lhe uma vida abundante. Jesus manifestou este propósito em todas as suas atitudes e ensinamentos. O mandamento específico foi amar (Jo. 15:12).
2. A fonte é divina (Jo. 15:9)
O amor revelado em Cristo não foi uma atitude compassiva e de complacência. O amor não depende da bondade humana mas a sua origem é divina (I Jo. 4:7). Amar como Deus amou "de tal maneira" (3:16) e amar como Jesus amou, "isto é o meu sangue derramado para remissão dos pecados" (Mt. 26:28). O único modelo de amor é o próprio Deus.
3. Atitude sacrificial (Jo. 15:13)
Jesus revelou amor total ao colocar a Sua vida como preço do resgate da humanidade. O amor não mede esforço e nem estabelece preço para redimir o bem amado (Jo. 10:11-13).
O sacrifício de Jesus se concretizou quando Ele assumiu a forma humana (Fil. 2:6-8) com o objetivo de resgatar o pecador. O amor é capaz de descer e assumir o lugar do outro para poder ajudá-lo e transportá-lo para uma nova situação. Amor não é ter pena de alguém, mas é fazer algo que lhe dê condições de vida.
4. Comportamento inalterável (Jo. 13:1b)
O amor de Deus sempre foi o mesmo para com o povo de Israel a despeito da ingratidão e rebeldia (Is. 46:3-4). Jesus revelou o mesmo amor inalterável porque amou os seus discípulos "até o fim".
Porque Cristo não muda e "é sempre o mesmo, ontem, hoje e eternamente" (Hb. 13:8), o cristão deve confiar nesse amor e ser fiel em todas as situações (Rm. 8:35-39). A fidelidade do crente a Cristo não pode depender do pastor ou líderes da comunidade. O amor não é circunstancial, porém profundo, duradouro e inalterável (I Cor. 13:4-8a).
II - O IMPERATIVO DO AMOR FRATERNO
O nosso amor e fidelidade a Cristo tem consequências imediatas em nossas vidas, pois o mandamento se resume em "amar a Deus sobre todas as coisas e o próximo como a nós mesmos".
1. Mandamento de Cristo (Jo. 15:12,17)
Diversas vezes Jesus alertou os seus discípulos que o amor era a manifestação da obediência e da fé. O mandamento do amor estava sempre nos lábios de Jesus (Mt. 5:43-48; 7:12). A parábola do bom samaritano traduz o significado do amor ao próximo (Lc. 10:25-37), pois as palavras conclusivas de Jesus foram "vai e procede tu de igual modo" (V. 37b). Quando o cristão é instruído e incentivado a amar o seu próximo, se constitui uma ordem divina.
2. Padrão divino (Jo. 15:12b)
Quando Jesus desafiou os seus discípulos a uma vida cheia de amor, Ele estabeleceu as condições básicas. O cristão não deve amar como quer, como acha melhor, ou da maneira mais simpática ou altruísta (Mt. 6:46). O modelo do amor está em Cristo, e de maneira clara "assim como Eu vos amei". Jesus não imaginou situações de amor, mas antes de tudo viveu o amor e mostrou como é possível amar e cumprir a vontade divina (Mt. 22:34-40).
A lição do amor fraterno, segundo o padrão divino, precisa ser vivida em nossas igrejas. Amar não por simpatia ou parentesco, mas amar pela fé. Aceitar o próximo, por quem Cristo morreu, com a alegria espiritual (Lc. 15:7). Os partidarismos e individualismos atrapalham a comunhão espiritual de todos (Filp. 2:3-5).
3. Prova do discipulado (Jo. 13:15)
Jesus condiciona o discipulado à obediência e submissão (Mc. 8:34-38). O discípulo não deve seguir o Mestre constrangido como se fosse uma imposição. Jesus disse "se alguém quiser" é um ato de fé e amor. Discipulado não é coragem e resolução impulsiva, mas antes de tudo amor a Cristo, como Ele nos amou.
O apóstolo João entendia o discipulado como sendo uma vida de amor ao próximo, pois "aquele que não ama, não conhece a Deus" (I Jo. 4:8). É impossível amar a Deus e desprezar o semelhante (I Jo. 4:20-21). Aqui está a incoerência e o formalismo de muitos que são zelosos frequentadores de templo, porém não conseguem amar a própria família e os irmãos espirituais.
A maior prova de discipulado foi experimentada pelo apóstolo Pedro. Ele demonstrou muita coragem e entusiasmo quando Jesus correspondeu às expectativas de um líder messiânico, mas ficou abalado e negou o Mestre quando entendeu que a cruz era o caminho do amor. João conclui o seu Evangelho com o quadro feliz e emocionante da recuperação de Pedro, ao aprender com Jesus que amar é deixar Deus traçar o caminho e dizer "seja feita a tua vontade, Senhor".
III - AS EXCELÊNCIAS DO AMOR A CRISTO
O amor revelado por Jesus Cristo inspira atitudes nobres e concretas na vida do cristão. Analisemos algumas delas.
1. Obediência e serviço (Jo. 14:15; 15:10; 21:15-17)
Jesus deixou claro em Seus ensinamentos que o amor precisa ser concreto, isto é, visível. A maior prova de amor de um discípulo seria obedecer aos seus mandamentos (Jo. 14:15). Amar é comprometer-se com a pessoa amada e fazer um pacto com ela. Não é possível amar a Deus sem o cumprimento dos mandamentos divinos. A religião se torna superficial e inconcebível (Is. 29:13; Mt. 15:7-9) quando não fazemos aquilo que aceitamos ser correto e verdadeiro.
A obediência tem como consequência o serviço (Jo. 21:15-17). Quem aceita o desafio precisa colocar-se à disposição do Senhor (Is. 6:8-13). Os servos de Deus precisam ter esta visão espiritual do significado do amor para terem forças para obedecer e cumprir a missão. O serviço cristão precisa ser espontâneo e deve ser feito com alegria e louvor.
2. Prioridade espiritual
O amor a Cristo deve ocupar o primeiro lugar no coração do cristão. Não é possível amar duas pessoas ao mesmo tempo, com a mesma intensidade e fidelidade (Mt. 6:24). Eis o problema sério que causa a infidelidade conjugal na vida familiar. Amor supremo e total só pode existir para com Deus.
Jesus exige prioridade espiritual para quem quer ser seu discípulo (Mt. 10:37). Nem mesmo a família pode ocupar o lugar de Cristo em nossa vida. Nenhuma justificativa familiar ou pessoal é aceitável para negligenciar o chamado divino. Quem ama deixa tudo para viver com Jesus (Lc. 9:57-62).
Hoje em dia muitos crentes estão invertendo o mandamento de Jesus (Mt. 6:33), por isso a vida não tem sido abençoada e nem feliz.
3. Amor e comunhão com o Pai
Uma das bênçãos decorrentes de nosso amor a Deus é a comunhão plena e real que podemos desfrutar (Jo. 14:21). O Senhor se torna o nosso amigo inseparável e nosso sustentáculo (Mt. 28:20b).
A certeza do amor divino torna a vida do cristão uma realização completa. Hoje a crise atual é a sensação de solidão e desamparo. Mas o cristão pode superar esta crise e testemunhar o amor de Deus em sua vida (Jo. 16:27). A certeza de um amor eterno e salvador enche a vida de coragem e confiança (Rm. 8:31).
Como podemos experimentar esta comunhão tão maravilhosa? Jesus mostra como o cristão alcança a bênção da vida plena e feliz ao instruir seus discípulos (Jo. 15:5,7,10). Quem confiar no amor de Cristo, através da obediência, será enriquecido espiritualmente, pois as promessas divinas não falham.
CONCLUSÃO
Abordamos nesta lição o significado do amor divino revelado por Cristo. Graças a esse amor, hoje existe a Igreja Cristã. O mundo pode viver esperançoso e certo de que, apesar das guerras, violências e corrupção, Deus continua amando e convidando a humanidade para uma nova vida.
O amor de Deus é tão maravilhoso e contagiante que nos impele a amar o nosso semelhante para que ele também seja atingido pelo Evangelho e experimente a nova vida. Os discípulos devem amar segundo os padrões estabelecidos pelo Mestre.
O amor de Deus frutificando em nossas vidas produz uma experiência cheia de paz e felicidade. É a nova vida, "as coisas velhas passaram, tudo se fez novo" (II Cor. 5:17).
Autores: Rev. Filipe Dias / Rev. Oswaldo Hack
Lista de estudos da série
1. A nova aliança revelada – Estudo Bíblico sobre o Novo Testamento2. As quatro faces do Messias – Estudo Bíblico sobre os Quatro Evangelhos
3. Mateus revela a prova definitiva do Rei – Estudo Bíblico sobre o Evangelho de Mateus
4. Mateus e o segredo da comunidade que nada pode abalar – Estudo Bíblico sobre o Evangelho de Mateus
5. Em Mateus, as palavras de Jesus que transformam tudo – Estudo Bíblico sobre o Evangelho de Mateus
6. Marcos mostra o poder que existe em servir – Estudo Bíblico sobre o Evangelho de Marcos
7. Marcos, o evangelho para quem não tem tempo a perder – Estudo Bíblico sobre o Evangelho de Marcos
8. Lucas revela o único homem que alcançou a perfeição – Estudo Bíblico sobre o Evangelho de Lucas
9. Lucas e a razão para a alegria que nunca acaba – Estudo Bíblico sobre o Evangelho de Lucas
10. Lucas revela a estratégia infalível de Deus para encontrar você – Estudo Bíblico sobre o Evangelho de Lucas
11. João prova por que Jesus é mais que um homem – Estudo Bíblico sobre o Evangelho de João
12. João revela o amor que desafia toda a lógica humana – Estudo Bíblico sobre o Evangelho de João
13. Em João, o único passo que você precisa dar para a vida eterna – Estudo Bíblico sobre o Evangelho de João
