Texto básico: Marcos 5.25-34
Toda enfermidade é desagradável e desgastante. Algumas, entretanto, nos são bem mais aflitivas. Neste episódio narrado por Marcos encontramos uma mulher que sofria de uma hemorragia por 12 anos.
Poder-se-ia pensar que isso não era tão mal assim comparando-se (naqueles dias) com a lepra, ou com o câncer e a AIDS em nossos dias.
No entanto, uma enfermidade desta natureza por período tão longo é como uma morte lenta e penosa. A doença afetava sua portadora em dois níveis:
a) Físico - Sua saúde estava esgotada pela anemia devido à perda de sangue constante;
b) Psicológico - Devido ao fluxo sanguíneo, tal mulher era considerada constantemente imunda e impura.
O que ela tocasse seria considerado imundo, onde se assentasse se tornaria imundo; roupas, objetos, móveis, pessoas, tudo se tornava imundo ao seu toque (Lv 15.26,27).
Ela ficava fora do culto, da adoração, das comemorações, da comunhão pública com Deus. Estava fora do convívio de seus familiares que não podiam tocá-la ou acariciá-la sem se tornarem imundos.
Não havia mais convívio social, pois não queria ser vista como fator de disseminação de impureza no meio das pessoas. Ela, porém, foi restaurada completamente por Cristo. Vejamos alguns pontos de valor sublime para nós nessa passagem.
1 - IMPORTÂNCIA DA PESSOA EM RELAÇÃO À MULTIDÃO (v. 30)
É digno de nota que Jesus percebeu que alguém o tocara em meio a tantas pessoas. Os próprios discípulos estranharam o fato de que Ele se desse conta de que alguém o tocara. Vemos com isso que Jesus não está interessado apenas em grandes “massas" ou multidões, mas tem interesse particular e pessoal em cada ser humano, em cada vida.
Jesus deixa muito claro que seu relacionamento conosco chega a ser nominal, conhecendo cada um pelo próprio nome (Jo 10.2,3).
Mesmo quando há multidões, Jesus nos vê como pessoas valiosas e preciosas na expressão de nossa individualidade na qual se relaciona conosco. Você não é alguém perdido na multidão, não é um anônimo para Deus ou um sem rosto para Ele.
Ele para a fim de falar com você, de ouvir você e restaurar sua vida. Jesus não apenas falou, mas viveu esta verdade: “uma vida vale mais que o mundo todo” (Mt 17.26).
2 - A EXPRESSÃO DA NECESSIDADE EM CONTRASTE COM A CURIOSIDADE (vv. 25,28, 31)
Vemos nitidamente dois blocos de pessoas: os movidos pela curiosidade e os levados pela necessidade. Há muitos que estavam “atrás” de Jesus por mera curiosidade, desejando vê-lo realizar algum portento ou milagre (Mt 12.38).
Grande parte dos que iam após Cristo não estavam tomados de um espírito nobre com intuito de acercar-se do Mestre para adorá-lo, louvá-lo ou honrá-lo.
No entanto, o que moveu tal mulher a acercar- se do Senhor foi a necessidade premente e fustigante em sua vida. Era expressão extrema de sua necessidade, e Jesus era o seu último recurso, a sua última esperança.
Ao nos achegarmos a Deus, reconhecidos de nossa carência extrema e completa em relação à sua graça, virtude e poder, então sua misericórdia nos envolve, sua bondade nos alcança, seu amor nos restaura.
A necessidade extrema por parte do publicano (com relação à justificação diante de Deus) o levou a exclamar: "tem compaixão de mim pecador”, e o Senhor Jesus, reconhecendo este apelo como fruto da necessidade, afirma que tal homem saiu justificado daquele lugar.
3 - A GENUÍNA SOLUÇÃO EM CONTRASTE COM PALIATIVOS (νν. 34, 25,26)
Há um registro que Lucas omite por julgá-lo constrangedor em relação aos profissionais da medicina daqueles dias com quem tal mulher gastara todo o seu dinheiro sem, contudo, obter resultado positivo.
Gastou tudo, não conseguiu nada; era o "fundo do poço”. Sua vida estava se esvaindo em seu fluxo permanente e constante e nada mais podia ser feito. Até ali tudo havia sido paliativo e panaceia na tentativa de estancar tal enfermidade, de interromper o fluxo, de parar o esvaimento daquela vida.
Há os hemorrágicos morais e espirituais em nossos dias que estão se tratando com paliativos (ídolos, religiosidade, demônios, força da mente etc.), mas seus fluxos jamais são curados efetivamente.
O grande risco desses paliativos é o que se chama “mascaramento” da enfermidade. Parece que está resolvido, mas a gangrena está lá, o câncer continua corroendo, a AIDS continua consumindo aquela vida.
É provável que aquela mulher melhorasse um pouco com a medicação “mascaradora", mas sua melhora era apenas ilusão passageira. Jesus é o único remédio definitivo e eficaz para estancar a hemorragia na vida de quem quer que seja (v.29).
Não só curada, mas salva pela misericórdia de Deus, pois Jesus restaurara não apenas sua saúde (v. 29) mas todo o seu ser (v. 34).
Pare de usar os paliativos propostos pelos homens que não podem estancar a hemorragia em sua vida; vá a Cristo, entregue-se a Ele e deixe-o realizar este milagre maravilhoso em seu ser, estancando suas hemorragias e dando-lhe vida eterna.
4 - O OSTRACISMO EM CONTRASTE COM A REINTEGRAÇÃO (νν. 27, 32-34)
Quando tentamos visualizar esta cena, nos damos conta de que tal mulher acercou-se de Jesus da forma mais discreta possível, sem querer despertar a atenção das pessoas sobre si, pois isto poderia até mesmo gerar um tumulto devido à sua condição de impura. Essa era a situação de seu dia-a-dia.
Seu cotidiano nos últimos 12 anos era esgueirando-se, escondendo-se, encobrindo-se. Não é difícil de imaginar que um complexo terrível estava presente na vida daquela mulher. Tente imaginar- se no lugar dela: tudo o que você tocar ou tocar em você se tornará imundo.
Seu esposo (ou esposa) não pode ter intimidades com você sob pena de tornar-se impuro; seus filhos se tornariam imundos se acariciassem seu rosto; era uma angústia terrível. Não participava de festas, celebrações ou comemorações; era isolada em sua solidão imposta pela doença.
Mas ela tocou as orlas das vestes de Jesus, ela tocou as franjas dessa vestimenta do "Cordeiro de Deus que tira o pecado do mundo", ela tocou as bordas dos vestidos daquele que tem o poder de estancar as hemorragias de qualquer pessoa.
Jesus desejou saber quem o havia tocado de forma tão especial. Ela não poderia mais se esconder e nem necessitava mais permanecer em seu isolamento, o problema estava resolvido, estava encerrado.
A solução dada por Cristo não é paliativa, mas eficaz e definitiva. Ela estava livre de seu mal e isso não significava apenas do fluxo em si mesmo, mas de seus resultados psicológicos e sociais tão nefandos em sua vida.
Era uma nova vida a ela outorgada, reintegração total. Não era mais necessário esgueirar- se pelas vielas, não mais teria que se exilar. Voltara ao convívio, à comunhão, à vida. Jesus a restaura publicamente e a reintroduz em seu contexto de vida: “vai-te em paz".
CONCLUSÃO
Uma vida arrasada e arruinada. Haveria esperança? Sim, “se ao menos tocar a orla de seus vestidos".
Há esperança quando se busca a solução em Jesus, pois Ele tem interesse em você como pessoa, compreende sua necessidade, tem a solução definitiva para suas hemorragias que o estão fazendo definhar, Ele há de restaurar e recompor todo o seu viver.
Vá a Cristo e “toque em suas vestes” a fim de receber nele a virtude restauradora e curadora para seus males. Vá a Cristo, receba-o como Salvador e Senhor e ouça-o dizer "Vai- te em paz, a tua fé te salvou".
Autor: PAULO AUDEBERT DELAGE
Lista de estudos da série
1. A voz que preparou o Rei – Estudo Bíblico sobre João Batista em Marcos
2. O segredo para vencer no deserto – Estudo Bíblico sobre a Tentação de Cristo
3. O poder de Deus nos pequenos detalhes – Estudo Bíblico sobre a Cura da Sogra de Pedro
4. O toque que quebra todas as barreiras – Estudo Bíblico sobre a Cura do Leproso
5. O guia infalível para a batalha espiritual – Estudo Bíblico sobre Suplantar o Valente
6. Do caos à paz: O passo a passo da libertação – Estudo Bíblico sobre o Endemoniado Gadareno
7. Encontrando esperança quando tudo desmorona – Estudo Bíblico sobre a Filha de Jairo
8. O toque de fé que libera o milagre – Estudo Bíblico sobre a Mulher do Fluxo de Sangue
9. As 3 responsabilidades que todo discípulo precisa saber – Estudo Bíblico sobre a Multiplicação dos Pães
10. 5 Lições de vida com quem o mundo despreza – Estudo Bíblico sobre o Cego Bartimeu
11. Só folhas? O aviso de Jesus que você não pode ignorar – Estudo Bíblico sobre a Figueira que Secou
12. Dono, trabalhadores e herdeiro: Qual seu papel nesta história? – Estudo Bíblico sobre a Parábola dos Lavradores Maus
13. O substituto improvável: por que a morte dele garantiu sua vida – Estudo Bíblico sobre Jesus e Barrabás
