O substituto improvável: por que a morte dele garantiu sua vida - Estudo Bíblico sobre Jesus e Barrabás


Texto básico: Marcos 15.1-15

A temática da vida por meio da morte está presente em toda a Escritura Sagrada. Tal assunto é visto com muita frequência e constância na evolução da História da Salvação.

A ideia de que só a morte ou o derramamento da vida (=sangue) pode cancelar (=perdoar) os pecados, é a verdade central de toda a Bíblia.

Vemos todo o aparato cerimonial do sacrifício de animais no Antigo Testamento, deixando claro o fato de que o homem só pode alcançar o perdão aos olhos de Deus se alguém (sem mancha ou mácula) morrer em seu lugar.

Deus deixa muito claro essa questão quando diz: “A alma que pecar esta morrerá” (Ez 18.20e Dt24.16), e“... sem derramamento de sangue não há remissão.” (Hb 9.22).

Ninguém pode comparecer diante de Deus sem que esteja escudado no fato de que alguém (puro e imaculado) morreu em seu lugar, satisfazendo todas as demandas da justiça de Deus.

Existem alguns pontos de real interesse na vida de Barrabás que conforme o texto que temos, o colocam na posição de ilustrar a situação de alguém que está diante do tribunal de Deus. Aprendemos aqui que a vida só existe através da morte.

1 - ESTADO DE BARRABÁS

O estado (nesta acepção) significa a minha posição diante da lei. Sendo assim podemos asseverar que o estado de Barrabás se resumia em dois aspectos:

a) Criminoso

O depoimento do evangelista é muito claro ao afirmar que Barrabás estava envolvido em um homicídio (v.7). Não se pode dizer que ele tenha matado alguém por ação direta, mas a acusação de sedição e crime de morte pesava sobre seus ombros.

A exemplo de Barrabás somos também criminosos (pecadores) diante de Deus, mesmo que não tenhamos perpetrado crime do mesmo padrão que o executado por Barrabás.

Nossos pecados (ou crimes) estão diante do Senhor, sendo este a quebra de seus Mandamentos.

Quando Jesus arguiu a turba ensandecida e ávida de sangue o fez da seguinte forma: "Quem dentre vós não tiver pecados, seja o que primeiro atire pedras” (Jo 8.7). O resultado foi que todos abandonaram o local sem apedrejar a mulher. Todos eram igualmente criminosos, pecadores.

b) Condenado

Ele não apenas cometera um crime, mas já estava sentenciado como culpado, e sua pena era a morte. Afirmamos que Barrabás receberia a pena máxima, pois seu crime era de cunho político-ideológico, já que pelos caminhos do Evangelho de Marcos se tratava de um motim popular, uma insurreição. Barrabás era um zelote que desejava ver a libertação política de seu povo e não se constrangia em usar métodos violentos.

Para crime desse tipo, Roma reservava a pena capital: morte de cruz. Aquele homem era terrorista e subversivo, e, para Roma, estava destinado a ter o mesmo fim de milhares de correligionários seus.

Do mesmo modo, o homem que diante de Deus é pecador (criminoso) tem decretada sobre si a sentença de morte, pois "o salário do pecado é a morte” (Rm 6.23). O pecado é o elemento gerador da condenação do ser humano à morte; é o juízo de Deus sobre todos os homens (Rm 5.18 a).

2 - CONDIÇÃO DE BARRABÁS

O estado é a posição de alguém diante da lei; a condição é o modo como se vive dentro de determinado estado. Assim, o estado de Barrabás era de condenado, mas qual sua condição de vida?

a) Prisioneiro

Cometera um crime e estava preso aguardando a hora da execução de sua sentença. Seu crime havia determinado seu encarceramento; tornou-o escravo de seu próprio delito. A Bíblia nos ensina que o homem criminoso (=pecador) é escravo e prisioneiro devido a tais delitos e pecados. Jesus afirma categoricamente: "... o que comete pecado é escravo do pecado” (Jo 8.34).

Desse modo faz com que o homem se defronte com esta triste realidade: ser escravo e servo de seus próprios pecados.

b) Abandonado

Barrabás estava sozinho e entregue à sua própria sorte naquela situação. Quem se atreveria a defendê-lo?

Tal atitude poderia representar sério risco, pois despertaria suspeitas de conivência ou participação em suas atividades terroristas e subversivas.

Angustiado, isolado, abandonado e desesperançado, esta era a condição de Barrabás dentro deste seu triste estado de condenação. Nada mais a fazer, nada mais a esperar a não ser a chegada dos guardas para o cumprimento da ordem de execução.

Também o homem pecador está nestas mesmas condições: só, aflito, abandonado, desesperançado. Não há, para o homem pecador sem Cristo, outra realidade senão o enfrentar a morte.

Ninguém há que possa socorrê-lo diante do Tribunal de Deus, perante o qual foi sentenciado. Pobre homem sem Cristo: pecador, condenado, prisioneiro, abandonado.

3 - A SALVAÇÃO DE BARRABÁS

Criminoso, condenado, prisioneiro, abandonado. Mas seria este seu fim?

Não haveria alguma coisa que pudesse mudar essa realidade tão aflitiva e terrível? Tentemos visualizar os momentos de libertação de Barrabás, quando é retirado do cárcere romano e declarado livre.

Os soldados romanos abrem a parta da cela com rudeza militar, olham diretamente para ele, caminham em sua direção e lhe desatam as algemas, dizendo-lhe que estava livre e poderia sair livre e vivo.

Que notícia, que surpresa, que maravilha! Apenas sair, ir embora e nada mais. Ele não sabia por que tudo isso estava acontecendo.

Qual o motivo de sua soltura e libertação? Haveria alguma trama envolta naquilo tudo para torturá-lo psicologicamente e matá-lo como fugitivo ou talvez para levá-lo a denunciar todos os de seu bando? Porém, só mais tarde Barrabás soube que saíra da prisão e tivera sua vida preservada pelo fato de Cristo Jesus ter morrido em seu lugar.

Não há nenhum registro de encontro entre Cristo e Barrabás antes ou depois dessa ocasião, dando chance a que se imaginasse um arranjo ou acordo prévio para beneficiar Barrabás. Ele alcançou vida pelo fato de ter sido substituído por Cristo.

Esse paralelo se dá também conosco: só posso ter vida se Cristo morrer em meu lugar. Só posso experimentar liberdade do cativeiro do pecado e da sentença de morte, se deixar Cristo assumir a minha morte. Só há vida quando entendemos que ele morreu em nosso lugar e nos apropriamos dessa verdade espiritual morrendo com Ele.

Só há vida pelo morrer de Cristo em nosso lugar e pelo nosso morrer com Ele para a ressurreição. Só mediante essa identificação podemos ter salvação e vida eterna.

Qualquer outro dispositivo que se queira usar com tentativa de fazer brotar a vida na experiência do ser humano é nula, tendo como resultado a permanência na morte.

Em Romanos 5.6 a 8 Paulo deixa clara esta verdade quando afirma que é pela inclusão na morte de Cristo que recebemos vida, e reforça este ponto em II Coríntios 5.15,16, de tal forma que não basta apenas saber que Cristo morreu em meu lugar; é preciso que Ele tome o meu lugar e que eu seja incluído nele (pela fé), a fim de com Ele ressuscitar.

Quanto a você, já foi incluído na morte de Cristo recebendo libertação, ressurreição e vida?

CONCLUSÃO

Todo o gênero humano é como Barrabás, condenado à morte e prisioneiro de seu crime. Não é diferente com você que está lendo estas linhas. Se Barrabás pôde viver e sair livre daquela prisão em que estava, foi pelo fato de Cristo ter tomado o lugar que era daquele criminoso.

Com você também é assim. Ou Cristo assume o seu lugar (pela fé você aceita isto) e morre a sua morte, ou você continuará escravo de seu pecado até receber a execução de sua sentença: morte eterna.

Creia em Cristo, aceite-o como seu único e suficiente salvador, seja incluído em sua morte, para que possa usufruir da plenitude de sua Vida.

Autor: PAULO AUDEBERT DELAGE


Lista de estudos da série

1. A voz que preparou o Rei – Estudo Bíblico sobre João Batista em Marcos
2. O segredo para vencer no deserto – Estudo Bíblico sobre a Tentação de Cristo
3. O poder de Deus nos pequenos detalhes – Estudo Bíblico sobre a Cura da Sogra de Pedro
4. O toque que quebra todas as barreiras – Estudo Bíblico sobre a Cura do Leproso
5. O guia infalível para a batalha espiritual – Estudo Bíblico sobre Suplantar o Valente
6. Do caos à paz: O passo a passo da libertação – Estudo Bíblico sobre o Endemoniado Gadareno
7. Encontrando esperança quando tudo desmorona – Estudo Bíblico sobre a Filha de Jairo
8. O toque de fé que libera o milagre – Estudo Bíblico sobre a Mulher do Fluxo de Sangue
9. As 3 responsabilidades que todo discípulo precisa saber – Estudo Bíblico sobre a Multiplicação dos Pães
10. 5 Lições de vida com quem o mundo despreza – Estudo Bíblico sobre o Cego Bartimeu
11. Só folhas? O aviso de Jesus que você não pode ignorar – Estudo Bíblico sobre a Figueira que Secou
12. Dono, trabalhadores e herdeiro: Qual seu papel nesta história? – Estudo Bíblico sobre a Parábola dos Lavradores Maus
13. O substituto improvável: por que a morte dele garantiu sua vida – Estudo Bíblico sobre Jesus e Barrabás

Semeando Vida

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