Encontrando esperança quando tudo desmorona - Estudo Bíblico sobre a Filha de Jairo


Texto básico: Marcos 5.21-24 e 35-43

Esta é uma questão sempre difícil de ser tratada ou abordada: o sofrimento.

É comum se pensar que o que está falando ou escrevendo nunca sofreu ou não conhece quão grande e intenso é o nosso sofrer. Mas a experiência da dor, do sofrimento, da angústia e da aflição é universal.

Nosso texto fala de um momento de profunda angústia na vida de um pai que via sua filhinha sendo consumida pela enfermidade. Seu sofrimento era atroz, mas houve um momento novo, uma esperança, um alento; houve consolação.

A introdução de Cristo no contexto do sofrimento leva ao refrigério e ao bálsamo. Ainda hoje isso é verdade, quando Cristo irrompe em nossa experiência de dor, mostrando que mesmo no sofrimento pode-se experimentar consolação quando:

1 - DESFRUTAMOS DA PRESENÇA DE JESUS (v. 24)

O texto fala do convite insistente de Jairo para que Jesus o acompanhasse até sua casa para ver sua filhinha de 12 anos que estava enferma. O registro diz que “Jesus foi com ele". De fato, a presença de Jesus é real quando:

a) Clamamos por Ele

Nosso clamor a Deus é o atestado de confiança nele e a declaração de nossa impotência ante determinada situação. O clamor é expressão de aflição, e Deus não é surdo nem indiferente à aflição de nenhum de nós (Hb 4.15). Há momentos em que os laços vão apertando e quase nos levam à asfixia.

O salmista passou por isso e narra sua experiência (Sl 116.3-6) na qual descobre a companhia do Senhor quando clama pelo seu Nome, mesmo estando em aflição e angústias do inferno. Temos consolação no sofrimento por termos a Presença de Cristo quando clamamos por Ele.

b) Tudo mais desaba (v. 35)

A filha estava doente, mas ainda havia esperança. Mas, agora tudo estava acabado; só restava a tristeza e a separação. Tudo desabara, a menina morrera. Mas ainda nesta hora e, sobretudo, nesta hora, a presença de Cristo é consoladora.

Após a morte de Cristo, tudo estava acabado e arruinado para os discípulos do caminho de Emaús (Lc 24.13-35); sim, tudo desabara, só restavam ruínas.

Mas no meio dos escombros existenciais daqueles homens ergue-se a figura consoladora de Cristo que lhes fazia "arder o coração” com sua palavra vibrante, reconfortante e reestimulante.

Assim é que a presença de Cristo traz conforto, mesmo quando tudo está desmoronando.

c) Todos os demais descreem (vv. 35 e 40): A ponderação dos da casa de Jairo era de "não incomodar o Mestre", pois a menina já falecera. Os que estavam na casa riram quando lhes afirmou que a menina não morrera, mas dormia.

De fato nos vemos muitas vezes atingidos pelo sofrimento, estando cercados por incrédulos e descrentes. No entanto, mesmo nesta situação, rodeados de infiéis, a face de Cristo nos inspira confiança e firmeza.

, mesmo diante do imenso sofrimento que levou sua esposa ao desespero (Jó 2.9) e seus "amigos" a acusações injustas, se manteve firme, pois em tudo isto “não blasfemou Jó contra Deus" (Jó 1.22).

2 - OBEDECEMOS À VOZ DE JESUS (v. 36)

O drama de Jairo era terrivelmente estressante: a quem ouvir? Estava sendo bombardeado por uma série de ponderações que brotavam de dentro de si mesmo, e que também nos assaltam em horas semelhantes pelas quais passamos.

Sim, a quem ouvir?

a) A razão?

Esta voz dizia a Jairo: “Creia somente no possível”, pese bem as circunstâncias, pondere com profundidade nos fatos; a menina morreu e não há mais nada a fazer. A voz da razão quer nos induzir (neste caso) a só admitir o que é possível e nos desarma e desanima não nos deixando alçar o voo da fé.

b) A experiência?

Esta voz afirmava: “Creia só no realizado". A experiência é uma circunstância real vivida e passada pelo indivíduo, e tal realidade lhe é particular. A experiência dizia que estava encerrado, pois Jairo não conhecia ninguém que tivesse ressuscitado.

A experiência não dava sua chancela a nada parecido com a possibilidade de ressurreição - acabou! A experiência quer nos atrelar apenas àquilo que já se verificou com outro ou que tenha sido vivido por alguém. Só se deve crer no que já foi experimentado.

c) A emoção?

Esta voz insistia: “Creia só naquilo que puder sentir". Era a proposta da emoção acima da fé. Os sentidos são o referencial maior para tudo.

Todas as coisas passam a girar em torno do sentir e não do crer. Se eu não sinto, então não é verdadeiro ou não vale a pena. “Jairo, você não está sentindo que sua filha será curada, então para que continuar?".

Acaso não ouviu algo parecido em circunstância semelhante à vivida por Jairo? Ao darmos ouvidos a essa voz, sujeitamos a pessoa de Deus à instabilidade de nossos sentimentos e emoções.

d) A Cristo?

A esta voz devemos dar ouvidos e obedecer: “Não temas, crê somente”. Louvado seja o Senhor por trazer ao nosso coração este vigor, esta força, este poder para continuarmos seguindo em meio às dificuldades, perdas e ruínas, impulsionados por este "crê somente".

Não importa a circunstância, a aflição ou a luta, assuma a postura de Paulo quando diz: “Eu sei em quem tenho crido...” (II Tm 1.12). Esta é a voz que nos introduz na dimensão do céu, ela é que nos dá o revestimento de poder para triunfar sobre dor e sofrimento.

É pela fé em Cristo que alcançamos vitória (Hb 11.33,34). No sofrimento temos consolação quando damos ouvido e obedecemos à suave e doce voz de nosso Salvador.

3 - TEMOS CONSCIÊNCIA DAS RECOMPENSAS COM ELE (v. 42)

Graças à Presença de Jesus e ouvindo-lhe a voz, Jairo recebeu a recompensa da consolação. Sua filha lhe foi devolvida ressurreta, em perfeita saúde, enchendo a todos de alegria.

Mas nem sempre o desfecho de um caso de sofrimento e enfermidade é como o que tratamos aqui. Jesus nos prometeu Sua companhia constante e permanente, mas nunca nos disse que estaríamos isentos das lágrimas.

Ao contrário do que alguns têm ensinado hoje em dia, aqueles a quem Jesus ama também sofrem (Jo 11.3), mas algumas verdades aprendemos com e no sofrimento, sendo bênçãos da parte de Deus para nossa vida.

Vejamos:

a) Aproximação

O sofrimento leva o crente a uma aproximação de Deus. O estreitamento de nossa comunhão com Deus é muito maior já que nossa dependência dele aumenta.

Jó, após sua experiência, disse que passou a conhecer a Deus de um modo novo e muito mais expressivo.

O salmista chega a dizer que “foi bom” o passar por provações, lutas e sofrimentos pois fizeram com que aprendesse os caminhos do Senhor (Sl 119.71). Há um número imenso dos que se achegaram a Deus e tiveram sua vida radicalmente transformada devido a um sofrimento.

b) Solidariedade

O sofrimento quebra nosso orgulho e arrogância e nos torna solidários. Ao assistirmos às grandes catástrofes que atingem populações inteiras, vemos a solidariedade e a fraternidade se intensificarem no auxílio e socorro mútuos. É difícil para nós compreendermos o que é sofrer se nunca sofremos; é difícil avaliar a dor quando nunca a sentimos.

O próprio Senhor Jesus foi afligido e sofreu na carne para poder se solidarizar conosco e compreender o que se passa em nós ao sofrermos. Desse modo, ao sofrermos, Ele tem condições de nos assistir e consolar (Fp 2.7-8), pois aprendeu o que é sofrer. O sofrimento nos chega, muitas vezes, para que possamos auxiliar outros que sofrem também (II Co 1.4).

c) Glorificação

Os nossos sofrimentos são oportunidade para testemunho da fé cristã, levando o Nome do Senhor à glorificação (Jo 11.4).

É notória a postura do cristão e sua influência ante o sofrimento aos olhos dos incrédulos. O cristão vê como oportunidade para proclamar sua fé em Jesus a situação de dor e aflição (At 16.24,25).

São inúmeros os casos de conversões motivadas pelo testemunho cristão de alguém que estava sob o jugo da dor. O cristão recebe de Cristo a graça de não se conformar com o sofrimento, mas de transformá-lo para exultação e glorificação de seu Senhor (Jo 9.1-3 / II Co 1.8-11).

CONCLUSÃO

O sofrimento é uma experiência universal e que não poupa classes, etnias ou credos. Mas para o cristão o sofrimento pode ser usado para crescimento e aperfeiçoamento de seu viver e glorificação de Deus.

A presença de Jesus dá ao cristão o amparo e o suporte necessários para superar as crises agudas determinadas pelo sofrimento. A voz do Senhor nos conduz e conforta quando entramos no "vale da sombra da morte” dando-nos vitória sobre a dor.

Somos recompensados pelo Senhor com “peso eterno de glória" como reflexo de nossa fidelidade em testemunhar o Nome do Senhor em meio às aflições.

“...para não vos entristecerdes como os demais, que não têm esperança... Consolai-vos uns aos outros com estas palavras” (I Ts 4.13-18)

Autor: PAULO AUDEBERT DELAGE


Lista de estudos da série

1. A voz que preparou o Rei – Estudo Bíblico sobre João Batista em Marcos
2. O segredo para vencer no deserto – Estudo Bíblico sobre a Tentação de Cristo
3. O poder de Deus nos pequenos detalhes – Estudo Bíblico sobre a Cura da Sogra de Pedro
4. O toque que quebra todas as barreiras – Estudo Bíblico sobre a Cura do Leproso
5. O guia infalível para a batalha espiritual – Estudo Bíblico sobre Suplantar o Valente
6. Do caos à paz: O passo a passo da libertação – Estudo Bíblico sobre o Endemoniado Gadareno
7. Encontrando esperança quando tudo desmorona – Estudo Bíblico sobre a Filha de Jairo
8. O toque de fé que libera o milagre – Estudo Bíblico sobre a Mulher do Fluxo de Sangue
9. As 3 responsabilidades que todo discípulo precisa saber – Estudo Bíblico sobre a Multiplicação dos Pães
10. 5 Lições de vida com quem o mundo despreza – Estudo Bíblico sobre o Cego Bartimeu
11. Só folhas? O aviso de Jesus que você não pode ignorar – Estudo Bíblico sobre a Figueira que Secou
12. Dono, trabalhadores e herdeiro: Qual seu papel nesta história? – Estudo Bíblico sobre a Parábola dos Lavradores Maus
13. O substituto improvável: por que a morte dele garantiu sua vida – Estudo Bíblico sobre Jesus e Barrabás

Semeando Vida

Postar um comentário

O autor reserva o direito de publicar apenas os comentários que julgar relevantes e respeitosos.

Postagem Anterior Próxima Postagem
WhatsApp 🔒 Salvos