Só folhas? O aviso de Jesus que você não pode ignorar - Estudo Bíblico sobre a Figueira que Secou


Texto básico: Marcos 11.12-14 e 20,21

Alguns, a partir de uma perspectiva de defesa da natureza, podem questionar a atitude de Jesus ao 'penalizar' tão severamente aquela figueira. Não podemos ficar presos a algo tão diminuto em relação às verdades tão maravilhosas e sublimes que temos nessa passagem.

Poderíamos chamá-la de "parábola viva", já que o Senhor poderia ter apenas contado uma história com uma ocorrência semelhante a essa. Alega-se que Jesus usou (nesse caso) seu poder em benefício próprio ao agir desta maneira contra a figueira.

Mas isso não procede, já que Jesus não foi beneficiado em nada com tal ocorrência. Caso Ele houvesse feito a árvore eclodir em frutos, a alegação de uso de poder em benefício próprio procederia.

Seu propósito em acercar-se da figueira era colher frutos, mas só havia folhas. Só folhas seria o suficiente? Só folhas dá satisfação às demandas do Mestre? Só folhas; que miséria! Analisemos alguns fatos relativos a isso.

1 - A INUTILIDADE FUNCIONAL GERA SUPRESSÃO

Quando se planta uma árvore frutífera o propósito primeiro é obter sombra ou frutos? Não se planta figueira esperando obter sombra ou folhas para chá, mas frutos.

Este é um postulado com o qual temos convivido há muito tempo: inutilidade (=não funcionalidade) do órgão gera sua supressão.

Isto pode parecer agressivo, duro e traumático devido à nossa postura acomodatícia da "infrutuosidade". fomos estabelecidos (plantados) por Deus com este propósito de vida bem definido: frutificarmos.

Em Lucas 13.6-9 vemos a figura de uma figueira que não estava cumprindo sua função, cujo destino seria a "supressão” se não começasse a produzir frutos, pois estava esgotando o terreno onde estava plantada, trazendo prejuízos ao dono da terra.

Vemos, no Livro de Ester, esta colocação por parte de Mordecai (4.13-14) ao advertir Ester sobre o fato de ter sido colocada ali com um propósito (=função) definido, e caso não o executasse, seria removida.

Realize a função (=o trabalho) para a qual Deus o (a) tem chamado, pois caso não o faça, Ele irá removê-lo e estabelecerá outro que realize tal função.

2 - A APARÊNCIA (=AUSÊNCIA DE FRUTO) GERA CONDENAÇÃO

Tanto em Lucas 13 quanto nessa passagem fica claro o fato de que Jesus não está interessado no verdor das folhas (=aparência), e, sim, na existência de frutos. Gostamos de citar Efésios 2.8,9 como sustentação da salvação pela graça à parte das obras; mas não temos a mesma frequência em citar o verso 10 que nos fala sobre termos sido "criados em Cristo Jesus para as boas obras...".

Não há contradição entre Paulo e Tiago em suas cartas, mas há oposição frontal entre Tiago e aqueles que se assentam nos bancos de nossos templos e não frutificam em coisa alguma. Sim, Tiago se opõe a esses que imaginam ter fé, mas que a inexistência de obras (=frutos) de vida cristã nega a presença da fé.

Em João 15, o critério para a permanência é o fruto (=dar fruto), pois caso não exista esse elemento, corta-se o ramo, lançando-o fora para ser queimado. Isto não é brincadeira de criança; é Palavra de Deus com peso de eternidade. Não basta folha, muita folha; é preciso fruto.

Há muitas comunidades nossas que estão "folhudas”, com excepcional verdor de folhas: chás, almoços, comemorações, festividades, piquenique, viagens, plenárias etc., mas cujos frutos não enchem um cestinho. São como os judeus dos dias de Cristo; verdor em sua folhagem, mas sem fruto de glorificação a Deus.

Paulo afirma que se Deus cortou a oliveira verdadeira e enxertou em sua raiz o zambujeiro, o que não fará com os ramos que não são naturais, mas enxertados, que não derem o devido fruto? Leia Romanos 11.20 e 21.

Deus não procura em nós folhas, mas os frutos (Mt 21.34). A sustentação da aparência é a dissimulação da decadência e isso Deus não suporta. Frutos e não folhas.

3 - O TEMPO DE FRUTIFICAR DEVE SER CONTÍNUO

Há um elemento neste episódio que tem levado muitos a imaginar Jesus agindo de forma injusta e impiedosa, pois foi procurar fruto em uma época que não era de fruto (v. 13).

De fato é estranhável tal ocorrência, e poderíamos especular sobre uma série de coisas relativas a ela. No entanto, é necessário observar que Jesus foi até à figueira movido pela possibilidade de haver frutos nela, visto que sua folhagem era verde e viçosa.

Embora não fosse época regular de figos, a realidade dos temporões não estava excluída e a aparência da árvore os sugeria. Há um paralelo entre o ocorrido com a figueira e Israel no sentido da não existência de frutos.

Jesus quer nos ensinar algo fundamental ao amaldiçoar a figueira que se secou: no Reino de Deus frutificação é de efeito contínuo. Ele pode vir a nós a qualquer instante para buscar fruto e nós temos que tê-los para lhos apresentar.

Jesus amaldiçoou a figueira por não ter frutos (mesmo em época que não seria de frutos regulares), o que nos mostra não haver lugar para nossa alegação de que não há fruto por não ser tempo próprio. Não pode haver intermitência de frutos em nosso viver cristão.

O cristão não é árvore que dê fruto esporadicamente. Se o Senhor chegasse agora e procurasse fruto em você, qual seria sua resposta?

4 - O FRUTO DE ONTEM NÃO JUSTIFICA O “SÓ FOLHA” DE HOJE

A figueira secou até à raiz, - que tragédia!

Em muitas pessoas encontramos a ideia de que as nossas realizações no passado são suficientes, e que no presente já não há mais necessidade de continuar frutificando, podendo viver dos “dividendos" dos frutos de outrora. São como álbum de fotografias antigas.

Vivem tão somente das recordações. Vivem da época dourada de suas vidas cristãs quando os frutos plenificam seus ramos. Mas agora se alimentam dessas lembranças e querem continuar pensando que os frutos de tempos passados podem justificar a inexistência dos frutos no dia de hoje. A carreira cristã é de frutificação até ao último instante.

A vida cristã é de frutificação; é produtiva até ao momento em que abandonamos esta existência e entramos na glória eterna com Deus. O salmista nos fala disso no Salmo 92: "Na velhice ainda darão frutos, serão cheios de seiva e de verdor”.

Jesus não indagou por quanto tempo a figueira dera fruto, nem quanto fruto havia produzido na última temporada. Ele desejou colher os frutos naquele determinado momento. Jesus não está interessado em quanto fruto você produziu no passado, mas interessa-lhe o fato de que você continue frutificando hoje, agora, sempre.

Qual o segredo de que fala o salmista através do qual mesmo na velhice se pode produzir fruto? Ele diz claramente que se deve ao fato de estar-se "plantado na casa do Senhor".

CONCLUSÃO

Há comunidades inteiras que se fossem examinadas pelo Mestre só teriam folhas a apresentar. Há milhares dos que se chamam cristãos que só têm folhas em seu viver. Deus produz fruto é cortado e lançado fora para ser queimado".

Chega de viver de recordações apenas, esteja plantado na casa do Senhor e verá que os frutos continuarão existindo. Quando Jesus voltar não procurará folhas, e, sim, frutos. Como está a árvore de sua vida?

Autor: PAULO AUDEBERT DELAGE


Lista de estudos da série

1. A voz que preparou o Rei – Estudo Bíblico sobre João Batista em Marcos
2. O segredo para vencer no deserto – Estudo Bíblico sobre a Tentação de Cristo
3. O poder de Deus nos pequenos detalhes – Estudo Bíblico sobre a Cura da Sogra de Pedro
4. O toque que quebra todas as barreiras – Estudo Bíblico sobre a Cura do Leproso
5. O guia infalível para a batalha espiritual – Estudo Bíblico sobre Suplantar o Valente
6. Do caos à paz: O passo a passo da libertação – Estudo Bíblico sobre o Endemoniado Gadareno
7. Encontrando esperança quando tudo desmorona – Estudo Bíblico sobre a Filha de Jairo
8. O toque de fé que libera o milagre – Estudo Bíblico sobre a Mulher do Fluxo de Sangue
9. As 3 responsabilidades que todo discípulo precisa saber – Estudo Bíblico sobre a Multiplicação dos Pães
10. 5 Lições de vida com quem o mundo despreza – Estudo Bíblico sobre o Cego Bartimeu
11. Só folhas? O aviso de Jesus que você não pode ignorar – Estudo Bíblico sobre a Figueira que Secou
12. Dono, trabalhadores e herdeiro: Qual seu papel nesta história? – Estudo Bíblico sobre a Parábola dos Lavradores Maus
13. O substituto improvável: por que a morte dele garantiu sua vida – Estudo Bíblico sobre Jesus e Barrabás

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