Ele é uma força ou uma pessoa? - Estudo Bíblico sobre a Pessoa do Espírito Santo

Texto Básico: João 3:8

Fazer uma declaração sobre quem é o Espírito Santo é uma tarefa muito difícil.

Quando explicou a Nicodemos sobre a necessidade de nascer de novo, Jesus afirmou que esse novo nascimento era uma obra do Espírito (Jo 3:8). A palavra vento e a palavra Espírito são exatamente a mesma na língua grega.

Jesus disse: “o vento sopra onde quer”. Quem pode controlar o vento? Também ninguém pode controlar o Espírito.

Em seguida disse: “... ouves a sua voz, mas não sabes de onde vem, nem para onde vai".

Podemos senti-lo, embora não possamos vê-lo. Todos os crentes sabem quem é o Espírito Santo. Ninguém precisa descrevê-lo para eles, até porque, ninguém conseguiria.

Todo crente sabe o que é esse maravilhoso sopro de vida e de paz que preenche a vida e eleva nosso cotidiano.

Neste estudo, analisaremos algumas características do Espírito Santo, como reveladas na Bíblia.

1 - A PERSONALIDADE DO ESPÍRITO SANTO

A Bíblia mostra que o Espírito Santo é uma pessoa. Ele tem habilidades próprias de uma personalidade. Como disse Sproul:

"... uma personalidade inclui inteligência, vontade, individualidade. Uma pessoa age por intenção. Nenhuma força abstrata pode tencionar fazer qualquer coisa. Boas ou más intenções são limitadas aos poderes de seres pessoais".

Todas essas coisas podem ser vistas nas descrições que a Bíblia faz do Espírito Santo.

A. ELE POSSUI OS ELEMENTOS ESSENCIAIS À PERSONALIDADE

  • Tem inteligência (mente, intelecto) – Is 40.13,14; Jo 14.26; 15.26; At 15.28; Rm 8.27; 1 Co 2.10-12
  • Tem vontade – Sl 106.32,33; Is 34.16; At 13.2; 16.7; 21.11; 1Co 12.11; 1Tm 4.1
  • Tem sensibilidade – Mq 2.7 – Irrita-se; Rm 15.30 – Ama; Is 63.10; Ef 4.30 – Entristece-se

B. ELE É O AUTOR DE TODA VIDA INTELECTUAL

Como já vimos, no Antigo Testamento encontramos com frequência a ação do Espírito associada à vida intelectual (Vd. Jó 32.8; 35.10,11/Gn 2.7; Êx 31.2-6; 35.31-35; Nm 11.17,25-29; 27.18-21/Dt 34.9; Jz 3.10; 6.34; 11.29; 13.25; 14.6; 15.14; ISm 10.6/11.6).

O Espírito é o autor de toda vida intelectual e artística; nele temos o sentido do belo e sublime como expressão da santa harmonia procedente de Deus, que é perfeitamente belo em sua santidade.

C. O ESPÍRITO É CHAMADO DE CONSOLADOR

Como o designativo “consolador” (Paraklêto) é aplicado a Cristo, indicando a sua personalidade (Jo 14.16; 1Jo 2.1), o mesmo pode ser dito em relação à pessoa do Espírito Santo.

Jesus confortou os seus discípulos, prometendo-lhes “outro consolador”, referindo-se a uma pessoa distinta dele; um consolador semelhante a ele (Jo 14.26; 15.26; 16.7). O consolador é Jesus Cristo; o Espírito é o outro, semelhante a Jesus Cristo.

O consolador é aquele que conforta, exorta, guia, instrui e defende; é um amigo que assiste a seus amigos; essas atividades são próprias de uma pessoa, não de uma mera força ou influência.

D. ATOS PESSOAIS LHE SÃO ATRIBUÍDOS

  • Trabalha: 1Co 12.11 Fala: At 13.2; Ap. 2.7
  • Regenera: Jo 3.5; Tt 3.5
  • Intercede: Rm 8.26,27
  • Testifica: Jo 15.26; At 5.32; Rm 8.16
  • Ora: Rm 8.26
  • Proíbe: At 16.7
  • Ensina: Ne 9.20; Jo 14.26; 1Co 12.3
  • Guia à Verdade: Jo 16.3
  • Decide: At 15.28
  • Consola: At 9.31
  • Glorifica a Cristo: Jo 16.14
  • Perscruta: 1 Co 2.10
  • Reprova: Jo 16.8-11
  • Chama e dirige os homens ao trabalho: Is 61.1; At 13.2-4; 16.6,7; 20.28

E. RELACIONA-SE COM OUTRAS PESSOAS

O Espírito relaciona-se com seres pessoais, não sendo confundido com ninguém, nem com o Pai, nem com o Filho.

"A própria associação do Espírito, em tal conexão, com o Pai e com o Filho, visto que se admite serem eles pessoas distintas, prova que ele é uma pessoa” (Mt 28.19; Lc 1.35; Jo 14.26; 15.26; 16.7,13,14; At 15.28; 2Co 13.13; Ef 1.3-14; 2.13-22; 2Ts 2.13,14; LPE 1.1,2; JD 20-21).

F. Peca-se contra o Espírito

O Novo Testamento nos exorta a não pecar contra o Espírito Santo (Mt 12.31); fala do perigo de resistir ao Espírito Santo (At 7.51) e do dever de não entristecê-lo (Ef 4.30). 

Como diz Sproul: "... ele nos é apresentado como uma pessoa a quem podemos agradar ou ofender, que pode amar e ser amada e com quem podemos ter comunhão pessoal”.

Todas essas coisas são próprias apenas de uma pessoa. Independentemente da interpretação que dermos a este texto (Mt 12.31,32), o fato é que a blasfêmia é um pecado cometido contra uma pessoa. 

Aqui, o Espírito é relacionado com o Filho no mesmo nível de honra e glória, destacando-se ainda, como imperdoável a blasfêmia contra o Espírito.

"A linguagem aqui usada implica que é impossível cometer um pecado contra uma deidade maior que o Espírito Santo, e que, de todos os pecados, o pecado contra ele é o maior, tanto na sua natureza, como pelas suas consequências; tudo isso implica em sua dignidade e deidade eternas”, conclui Boettner.

Portanto, o Espírito Santo não é uma força ou uma energia, mas uma pessoa.

2 – A DEIDADE DO ESPÍRITO SANTO

Muito mais do que uma força ativa, a Escritura apresenta o Espírito Santo como uma pessoa divina. Alguns textos poderão nos dar uma breve descrição do que a Escritura considera ser a deidade do Espírito Santo.

A. ELE POSSUI ATRIBUTOS DIVINOS

Já vimos o papel dele na Criação (Gn 1.2) e na Providência (Sl 104.30), e isso nos fala de sua onipotência. Também percebemos sua Onisciência, pois Isaías pergunta: "Quem guiou o Espírito do SENHOR? Ou, como seu conselheiro, o ensinou? (Is 40.13,14).

E Paulo diz que o Espírito 'a todas as coisas perscruta, até mesmo as profundezas de Deus" (1Co 2.10). Sua Onipresença pode ser vista no Salmo 139.7,8 "Para onde me ausentarei do teu Espírito? Para onde fugirei da tua face?".

O fato ainda de que o nome do Espírito Santo apareça junto com o nome do Pai e com o nome do Filho na fórmula batismal (Mt 28.19), e na bênção apostólica (2Co 13.13), demonstra a igualdade entre as três pessoas da Trindade, e nos leva a considerar a deidade do Espírito Santo.

Atos 5:3-4
"Então, disse Pedro: Ananias, por que encheu Satanás teu coração, para que mentisses ao Espírito Santo...? ... Não mentiste aos homens, mas a Deus".

Se mentir ao Espírito Santo é mentir a Deus, então, o Espírito Santo é Deus. O testemunho da Escritura sobre a deidade do Espírito é bastante grande.

3 - O ESPÍRITO SANTO E A TRINDADE

Embora haja diferentes funções entre as três pessoas, há igualdade de essência entre elas. Logo, não existe qualquer grau de subordinação e nem mesmo de honra.

O Pai não é maior em essência do que o Filho e nem o Filho maior do que o Espírito Santo. O Pai não deve ser mais adorado do que o Espírito, ou o Espírito mais que o Filho. São absolutamente iguais.

Entretanto, há características próprias em cada uma das pessoas da Trindade, as quais não encontramos nas demais.

São características únicas dessas pessoas divinas e que tem a ver com o relacionamento mantido dentro da Trindade. São elas: Paternidade, Filiação e Processão.

A paternidade é exclusiva da Primeira Pessoa da Trindade, ou seja, o Pai. A Filiação é exclusiva da Segunda Pessoa da Trindade, ou seja, o Filho. E a Processão é exclusiva da Terceira Pessoa, o Espírito Santo.

A. O ESPÍRITO PROCEDE DO PAI E DO FILHO

Assim como o Filho é eternamente “gerado” do Pai, o Espírito Santo “procede" eternamente do Pai e do Filho. Nas línguas grega e hebraica as palavras pneuma” e "ruach” aplicadas ao Espírito, derivam de raízes que significam “soprar, respirar, vento". Daí a ideia do Espírito ser soprado por Deus (Jo 20.22).

O Espírito Santo é chamado de Espírito do Pai (Mt 10.20; Lc 11.13; 1Co 6.19; 1Ts 4.8) e Espírito do Filho (Gl 4.6; Fp 1.19; 1Pe 1.11), sendo Enviado por Deus (At 5.32): Pai (Jo 14.26; Gl 4.6) e Filho (Jo 15.26).

O texto que mais especificamente trata desta relação Trinitária é o de Romanos, quando Paulo diz: "Vós ... não estais na carne, mas no Espírito, se de fato o Espírito de Deus habita em vós. E se alguém não tem o Espírito de Cristo, esse tal não é dele” (Rm 8.9).

Paulo estabelece uma relação de identificação entre o Espírito de Deus e o Espírito de Cristo, que é um e o mesmo Espírito que habita em nós e nos identifica como propriedade de Deus e de Cristo (Vd. também: 2Co 1.21,22; 5.5; Ef 1.13,14; 4.4,30).

“O mesmo Espírito é comum ao Pai e ao Filho, o qual é com eles de uma só essência e possui a mesma Deidade eterna."

A relação trinitária foi compreendida pela Igreja da seguinte forma: Quando falamos do Filho em relação ao Pai, dizemos que aquele é gerado do Pai e quando nos referimos ao Espírito, declaramos que ele é procedente do Pai e do Filho.

Esta relação ocorre eternamente, sem princípio nem fim, jamais havendo qualquer tipo de mudança na essência divina, nem qualquer tipo de subordinação ontológica, mas sim existencial (econômica).

Deste modo, a nomenclatura Pai, Filho e Espírito Santo, é apenas um designativo que implica uma correlação intertrinitária que é necessária e eterna, não uma primazia de essência, no que resultaria em diferenças de honra e glória.

Retornando à nossa linha mestra, devemos enfatizar que a relação Trinitária tem sido compreendida pela Igreja como uma procedência eterna e necessária, do Espírito da parte do Pai e do Filho.

As palavras de Agostinho (354-430 d.C.) tornaram-se basilares na compreensão Ocidental: “O Espírito Santo, conforme as Escrituras, não é somente Espírito do Pai, nem somente o Espírito do Filho, mas de ambos.”

Daí que, a Confissão de Westminster (1647), refletindo esta compreensão bíblica conforme a tradição teológica ocidental, dizer: “O Espírito Santo é eternamente procedente do Pai e do Filho” (II.3) (Jo 15.26; Gl 4.6).

Na procedência do Espírito da parte do Pai e do Filho temos uma relação trinitária ontológica e econômica; em outros termos, partindo do princípio de que a revelação de Deus alude à essência de Deus; através da manifestação da Trindade, vemos, limitadamente, aspectos da relação essencial da Trindade.

Privar-nos desta compreensão (procedência do Pai e do Filho) equivale a empobrecer a nossa compreensão de Deus conforme nos foi dado conhecer na Palavra e definitivamente em Jesus Cristo. Corremos o risco de cair parcialmente num agnosticismo teológico.

B. QUEM FAZ O QUÊ NA TRINDADE

Devemos evitar a formulação simplista de que o Pai é o responsável pela Criação e o Filho pela Redenção. Como já dissemos, todas as obras da Trindade pertencem a ela como um todo.

Horton nos lembra que “enquanto o perigo, em gerações prévias, pode ter sido a negação de qualquer significado prático do ministério do Espírito Santo, hoje devemos ter cuidado em não separar o Espírito Santo do Pai e do Filho como se ele, sozinho, fosse Deus".

Esse perigo existe hoje devido à ênfase desproporcional que as igrejas carismáticas e renovadas têm dado ao Espírito Santo.

Mas, em qual sentido podemos dizer que há diferenças no modo de agir das pessoas da Trindade? Podemos fazer a seguinte distinção didática: ao Pai pertence mais o ato de planejar, ao Filho o de mediar, e ao Espírito o de agir. Já vimos sobre o papel do Espírito na Criação.

Agora precisamos ver isso em relação ao papel do Pai e do Filho. A Bíblia diz:

Gênesis 1:1-3
"No princípio, criou Deus os céus e a terra. A terra, porém, estava sem forma e vazia; havia trevas sobre a face do abismo, e o Espírito de Deus pairava por sobre as águas. Disse Deus: Haja luz; e houve luz”.

O ato de criar é um ato do Deus Trino. As três pessoas estão presentes nesses três versículos.

O Espírito paira sobre as águas, o Pai fala, e o Filho é a Voz de Deus, ou seja, a Palavra (cf. Jo 1.1). Poderíamos dizer que o Pai planeja (1Co 8.6), o Filho é o instrumento pelo qual todas as coisas são criadas (Jo 1.3,10; Cl 1.16; Hb 1.1-3), e o Espírito Santo é o meio pelo qual as coisas são levadas à complementação (Jó 33.4).

O Espírito é o que age diretamente sobre a criatura, pairando sobre o abismo, num verbo que também é usado para descrever os movimentos da águia sobre seu ninho (Dt 32.11).

Percebemos a mesma ordem de atuação na própria redenção. O texto de 1 Pedro 1.1,2 nos ajuda a ver isso:

1 Pedro 1:1-2
"Pedro, apóstolo de Jesus Cristo, aos eleitos que são forasteiros da Dispersão no Ponto, Galácia, Capadócia, Ásia e Bitínia, eleitos, segundo a presciência de Deus Pai, em santificação do Espírito, para a obediência e a aspersão do sangue de Jesus Cristo, graça e paz vos sejam multiplicadas".

Esse texto parece sugerir que o Pai é o idealizador da redenção ainda em seus primórdios na própria eleição, enquanto que o Filho é o que possibilita a obediência a Deus através da aspersão do sangue, e o Espírito Santo por sua vez é o que santifica, ou separa para si os eleitos.

Assim, o Pai planejou a salvação (Jo 6.37,38) e escolheu os eleitos (Ef 1.3,4), o Filho executou o plano de Deus (Jo 17.4; Ef 1.7), e o Espírito confirma essa obra sobre os crentes (Ef 1.13,14).

CONCLUSÃO

A Escritura demonstra a personalidade e a deidade do Espírito Santo. Pelas suas características e por sua ação, bem como por seu relacionamento dentro e fora da Trindade, fica claro que o Espírito Santo é uma pessoa e é Deus.

Negar isso resultará em negarmos a adoração que lhe devemos. Ignorar o seu relacionamento com o Pai e com o Filho poderá levar os crentes, e tem levado, a lhe dar nos cultos e na vida um lugar que não é dele.

Que as lições aqui estudadas nos orientem na correta e piedosa relação com o Santo Espírito de Deus.

APLICAÇÃO

A personalidade do Espírito divino nos leva a ver que podemos ter um relacionamento realmente pessoal com ele. Por essa razão, esse estudo não pode ser apenas intelectual, mas prático. Deve nos levar a buscar esse relacionamento mais íntimo com o Senhor.

Autor: LEANDRO ANTÔNIO DE LIMA


Lista de estudos da série

01. Ele é uma força ou uma pessoa? – Estudo Bíblico sobre a Pessoa do Espírito Santo
02. Como o Espírito Santo agia antes de Jesus? – Estudo Bíblico sobre o Espírito Santo no Antigo Testamento
03. A promessa profética que mudou o mundo – Estudo Bíblico sobre a Promessa do Espírito Santo
04. O papel vital do Consolador na sua redenção – Estudo Bíblico sobre l Obra do Espírito Santo
05. O que realmente significa ser batizado no Espírito? – Estudo Bíblico sobre o Batismo com o Espírito Santo
06. O segredo para entender a Bíblia de verdade – Estudo Bíblico sobre o Testemunho Interno e a Iluminação do Espírito
07. Como viver transbordando do poder de Deus – Estudo Bíblico sobre a Plenitude do Espírito
08. A prova real de um caráter transformado – Estudo Bíblico sobre o Fruto do Espírito
09. Descubra as ferramentas para servir com excelência – Estudo Bíblico sobre os Dons do Espírito Santo
10. O caminho excelente que supera todos os dons – Estudo Bíblico sobre o Amor, o Dom Supremo
11. O que é o pecado imperdoável e como evitá-lo – Estudo Bíblico sobre o Pecado contra o Espírito Santo
12. 4 marcas infalíveis de uma comunidade espiritual – Estudo Bíblico sobre Evidências de uma Igreja Cheia do Espírito Santo
13. O guia prático para manter a amizade com Deus – Estudo Bíblico sobre Como Não Entristecer o Espírito Santo

Semeando Vida

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