Texto Básico: Efésios 5:18-21
A Plenitude do Espírito Santo é a vida idealizada por Deus para todos os crentes. É o segredo do sucesso espiritual e a garantia da felicidade e da realização de cada pessoa.
Quando criou o ser humano à sua imagem, Deus estabeleceu um relacionamento íntimo com ele. Esse relacionamento se quebrou por causa do pecado.
Em Jesus Cristo o ser humano é restaurado ao relacionamento pessoal com Deus no nível mais elevado: passa a ser habitação do Espírito.
Assim, podemos desfrutar do maior benefício imaginável. Sem essa plenitude, somos muito pouco diferentes da maioria das pessoas. A plenitude nos torna realmente diferentes.
1 - UMA OBRA CONTÍNUA
Como diz Stott,
"... quando falamos do batismo do Espírito estamos nos referindo a uma concessão definitiva; quando falamos da plenitude do Espírito estamos reconhecendo que é preciso apropriar-se contínua e crescentemente deste dom".
Portanto, reconhecer que o batismo é uma experiência da qual não participamos não faz de nós pessoas inativas. Temos a responsabilidade da plenitude do Espírito.
Porém, devemos entender bem: em lugar algum a Bíblia nos manda buscar o batismo com o Espírito, pois, todos o recebemos quando cremos. Porém, a Bíblia nos manda buscar a plenitude, o enchimento do Espírito.
Isso nos leva ao entendimento de que é bem possível alguém ter sido batizado com o Espírito, mas se esvaziar desse Espírito e precisar ser enchido novamente. Não significa que ele será batizado outra vez, pois o batismo é único, porém, ele será enchido novamente, pois a plenitude é algo a ser buscado sempre.
No dia do Pentecostes (At 2) os discípulos receberam o batismo e a plenitude do Espírito. O batismo nunca mais se repetiu, mas a plenitude sim. Em Atos 4, a Igreja enfrentou a primeira perseguição.
Os sacerdotes prenderam os apóstolos e os lançaram na prisão. Após interrogá-los, exigiram que não falassem mais no nome de Jesus e lhes fizeram ameaças (At 4:1-3, 18, 21).
Quando foram soltos, os crentes se reuniram e começaram a orar:
Atos 4:29-30
"Senhor, olha para as suas ameaças e concede aos teus servos que anunciem com toda a intrepidez a tua palavra, enquanto estendes a mão para fazer curas, sinais e prodígios por intermédio do nome do teu santo Servo Jesus".
Lucas relata a resposta de Deus àquela oração: “Tendo eles orado, tremeu o lugar onde estavam reunidos; todos ficaram cheios do Espírito Santo e, com intrepidez, anunciavam a palavra de Deus" (At 4:31).
Eles já haviam sido batizados com o Espírito, mas precisaram de um novo enchimento do Espírito para continuar a obra de Deus.
2 - ENCHEI-VOS DO ESPÍRITO
Em Efésios 5:18 Paulo diz: não vos embriagueis com vinho, no qual há dissolução, mas enchei-vos do Espírito". A primeira coisa que notamos no texto é a expressão: “enchei-vos".
O verbo está no modo imperativo, o que significa que é uma ordem a ser obedecida. Devemos considerar essa ordem tão importante quanto as outras que a Bíblia nos dá, como, por exemplo, não matar, ou pregar o Evangelho.
Temos a obrigação e a responsabilidade de sermos cheios do Espírito.
O verbo está no tempo presente, expressando uma experiência que se renova num processo permanente, contínuo, pelo qual vamos, cada vez mais, sendo dominados por ele, passando a ter a nossa mente, o nosso coração e a nossa vontade - o ser integral - submetidos ao Espírito.
Por isso, podemos interpretar o texto de Efésios 5:18, como que Paulo dizendo: “Sede constantemente, momento após momento, controlados pelo Espírito".
Outro aspecto importante é que o verbo está no plural, o que indica que a ordem é direcionada a todos os crentes, assim, todos os crentes têm a obrigação de serem cheios do Espírito Santo. Além disso, o verbo está na voz passiva, o que demonstra que a ação de encher é do Espírito e não nossa.
Uma boa tradução poderia ser “deixai o Espírito vos encher". Mas isso não significa que sejamos passivos. Como veremos abaixo, alguém fica cheio bebendo.
Paulo faz um contraste entre a embriaguez - que gera a dissolução de todos os bons costumes, devassidão e libertinagem - e o enchimento do Espírito.
Portanto, em vez de procurar a excitação desenfreada da bebida, ou a embriaguez como recurso para fugir de seus problemas pelo entorpecimento de suas mentes, devem os crentes buscar o discernimento do Espírito para compreender a vontade de Deus (Ef 5:17).
O enchimento do Espírito produz consciência, não a perda do controle por meio da ênfase na emoção em detrimento da razão. Para que o contraste ficasse bem claro, Paulo não usa para o enchimento do Espírito o verbo “embriagar”. Antes, nos fala de um enchimento consciente e santamente voluntário.
A expressão do Espírito conduz-nos a emoções santas; a emoção mundana limita toda a sua vida ao corpo, substituindo a alegria do Espírito pela intoxicação alcoólica. O cristão, ao contrário, busca o sentido da plenitude da sua existência, na plenitude do Espírito. "O Espírito Santo opera diferentemente. Não exige uma mente vazia; ao contrário, enche e controla a mente. Traz ordem e profundidade ao conhecimento, às afeições e às emoções. (...) O álcool é destruidor dos sentidos, mas o Espírito Santo é construtivo."
O álcool leva a perda do controle, e faz com que sejam tomadas atitudes impróprias, já o Espírito nos dá autocontrole, bom senso, e faz com que nossas atitudes sejam responsáveis.
3 - QUEM TEM SEDE, VENHA
Jesus fez uso de um ritual da Festa dos Tabernáculos para ilustrar algo de imenso valor. Um sacerdote saía com uma procissão e buscava num jarro de ouro um pouco de água da piscina de Siloé.
Aquela água seria derramada no altar e, provavelmente, simbolizasse o próprio derramamento futuro do Espírito Santo que Ezequiel e os profetas haviam anunciado (Is 44.3; Ez 39.29; Jl 2.28).
Jesus, então, levantou-se e falou de uma água melhor, o Espírito Santo (Jo 7.37-39). Ele já havia oferecido essa água à mulher samaritana no poço de Jacó (Jo 4.10-15). Jesus nos explica aqui como esse Espírito pode ser conseguido - bebendo: “Quem tem sede venha a mim e beba".
O método divino pelo qual podemos ser enchidos do Espírito Santo é o mais simples de todos. Basta ter sede, ir a Jesus e beber. Isso pode ser feito a qualquer momento, em qualquer lugar, e em qualquer situação.
4 - A NECESSIDADE DO ENCHIMENTO
Quais são os benefícios de sermos cheios do Espírito? Basicamente são duas razões: ele nos dá maturidade e nos capacita para o serviço.
A. MATURIDADE
Quando nascemos de novo passamos a ser “crianças” ou mesmo “bebês” em Cristo. Precisamos crescer. Esse crescimento vem pelo enchimento do Espírito Santo.
Certa ocasião Paulo teve que dizer aos Coríntios: “Eu ... não vos pude falar como a espirituais, e sim como a carnais, como a crianças em Cristo" (1Co 3:1).
Paulo havia detectado uma série de problemas na Igreja de Corinto: divisões, orgulho espiritual, fornicação e uso impróprio dos dons espirituais.
O enchimento do Espírito nos faz espirituais, ou seja, maduros na fé. A falta desse enchimento nos torna débeis, e presa fácil do mundo, da nossa própria natureza pecaminosa e do diabo.
B. SERVIÇO
Desde o Antigo Testamento, o Espírito capacitava pessoas para funções especiais na obra de Deus. João Batista foi cheio do Espírito Santo desde o ventre materno para ser o precursor de Cristo (Lc 1:15-17).
Os diáconos escolhidos em Atos 6, para servir as mesas, também eram cheios do Espírito Santo (At 6:3-5). Barnabé era homem cheio do Espírito Santo (At 11:24). Paulo não poderia ser diferente.
Somos informados de que, quando ficou cheio do Espírito, ele imediatamente começou a pregar que Jesus era o Filho de Deus (At 9:17,20). E houve momentos em que os crentes foram novamente enchidos, de acordo com a necessidade da ocasião.
A Igreja ficou cheia do Espírito após as ameaças e, então, com mais intrepidez anunciou o Evangelho (At 4:31,32). Pedro estava cheio do Espírito Santo quando encarou o Sinédrio que o julgava (At 4:8). Estevão também, no momento em que foi martirizado (At 7:55).
E Paulo, quando repreendeu o mágico Elimas, estava novamente cheio do Espírito (At 13:9).
Tudo isso nos aponta para a necessidade da plenitude do Espírito Santo para realizar o serviço na obra de Deus, e nos lembra que o sucesso nessa obra não é “por força, nem por poder, mas pelo meu Espírito” (Zc 4:6).
É impossível realizar a obra de Deus sem esse enchimento do Espírito. Mas, a grande notícia é que podemos ser enchidos a qualquer momento. Quem tem sede, beba.
5 - MANTENDO A PLENITUDE
Para sermos cheios do Espírito devemos ir a Jesus e beber. Mas, quando estamos esvaziados, há dificuldades em ir a Jesus, porque a nossa carne fará de tudo para impedir. O segredo é evitar o esvaziamento.
A Bíblia nos aponta algumas condições que devem ser observadas a fim de que possamos manter essa plenitude.
A. NÃO ENTRISTECER O ESPÍRITO
Em Efésios 4:30, Paulo diz: “... não entristeçais o Espírito de Deus". O que devemos pensar nesse momento é que o Espírito se entristece quando estamos cedendo ao pecado.
No contexto, Paulo está falando sobre abandonar a mentira (4:25), refrear a ira (4:26), não dar lugar ao diabo (4:27), trabalhar e socorrer os necessitados, em vez de furtar (4:28), evitar palavras torpes (4:29), bem como amargura, cólera, ira, gritaria, blasfêmias e malícia (4:31).
O pecado entristece o Espírito que está dentro de nós, e isso certamente faz com que percamos a plenitude.
B. NÃO APAGAR O ESPÍRITO
Somos exortados a “não apagar o Espírito” (1Ts 5:19). O contexto indica que Paulo está falando sobre o ministério (5:12,13).
Ele fala sobre a necessidade de ajudarmos uns aos outros (5:14,15), de estarmos sempre alegres na obra de Deus (5:16), de orarmos sempre e sermos agradecidos a Deus por tudo (5:17,18).
Fala de não desprezarmos as profecias, mas as julgarmos, com o critério da Palavra de Deus, abstendo-nos do mal, qualquer que seja a sua aparência (5:20,21).
Portanto, apagar o Espírito é deixar de fazer essas coisas. É não dar a devida importância à obra dele. É esfriar na prática das virtudes cristãs, da oração e da Palavra de Deus.
C. ANDAR NO ESPÍRITO
Às vezes pensamos que é preciso lutar contra a carne para vencer o pecado e as tentações.
Mas essa luta não é nossa (Gl 5:16). Essa é a luta do Espírito contra a carne: “... a carne milita contra o Espírito, e o Espírito, contra a carne, porque são opostos entre si; para que não façais o que, porventura, seja do vosso querer” (Gl 5:17).
A luta já é bastante real. Não somos chamados para entrar nela, somos chamados para "andar no Espírito” e ele fará o resto. O fruto do Espírito, que é consequência da plenitude do Espírito, acontecerá naturalmente em nós. Tão natural quando um fruto pode ser.
6 - AS CONSEQUÊNCIAS DA PLENITUDE
Devemos pensar ainda nas consequências de uma vida cheia do Espírito Santo. Poderíamos resumir dizendo que será uma vida de obediência ao Senhor. Mas há alguns elementos que podem se destacados.
A. BÊNÇÃOS NO RELACIONAMENTO
Após proibir a embriaguez e ordenar a plenitude do Espírito, Paulo listou quatro consequências desse enchimento. Ele fala de bênçãos espirituais desenvolvidas no relacionamento com os outros irmãos (Ef 5:19-21).
1. A primeira consequência é a de estar “falando entre vós com salmos".
Isso nos aponta para a comunhão. Pessoas cheias do Espírito “falam entre si”, ou seja, mantêm um relacionamento de amor e edificação mútua. É interessante que elas não falam qualquer coisa entre si, mas “salmos”, ou seja, algo da Palavra de Deus, a fim de edificar um ao outro.
2. A segunda consequência é o louvor do Senhor:
“entoando e louvando de coração ao Senhor com hinos e cânticos espirituais”. O texto nos aponta para a sinceridade, a dedicação e o modo variado como devemos cantar ao Senhor, exaltando seu nome. Alguém cheio do Espírito gosta muito de fazer isso.
3. A terceira consequência é ser agradecido a Deus:
“dando sempre graças por tudo a nosso Deus e Pai, em nome de nosso Senhor Jesus Cristo”. Alguém cheio do Espírito Santo não vive murmurando. Ele consegue achar, mesmo nas situações ruins, motivos legítimos para agradecer ao Senhor.
4. E a última consequência é a submissão:
“sujeitando-vos uns aos outros no temor de Cristo". Exaltação própria não combina com plenitude do Espírito Santo. Já dissemos em outra lição que o Espírito não glorifica a si mesmo, mas a Jesus. Então, podemos dizer que em hipótese alguma ele glorifica aquele que está sendo enchido por ele. Para ilustrar isso, Paulo continua falando da submissão da esposa, diante do marido, dos filhos perante os pais e dos empregados perante os patrões.
B. VENCER A CARNE
Ainda há mais uma consequência, embora não estejamos esgotando o assunto, que é a de vencer a carne. Se andarmos no Espírito nunca satisfaremos os desejos da carne (Gl 5:16).
Quando estamos cheios do Espírito, o mundo não brilha tanto para nós, não nos fascina. Satanás já não é tão ameaçador, e nossa carne fica bastante enfraquecida. Ser cheio do Espírito é a garantia de uma vida cristã autêntica.
CONCLUSÃO
A plenitude do Espírito é a vida ideal do crente. Nada menos do que isso deve nos satisfazer.
Essa vida está acessível a todos os convertidos, pois Jesus continua acessível a todos dizendo: venha e beba.
Quando deixamos o pecado se avultar em nós, perdemos o que temos de mais precioso: essa comunhão com Deus mediante a plenitude do Espírito.
APLICAÇÃO
Façamos uso diligente de todos os recursos que a Palavra nos indica para sermos enchidos do Espírito Santo e para que não percamos essa plenitude. Que nosso objetivo na vida seja esse enchimento, nada menos do que isso.
Autor: LEANDRO ANTÔNIO DE LIMA
Lista de estudos da série
01. Ele é uma força ou uma pessoa? – Estudo Bíblico sobre a Pessoa do Espírito Santo02. Como o Espírito Santo agia antes de Jesus? – Estudo Bíblico sobre o Espírito Santo no Antigo Testamento
03. A promessa profética que mudou o mundo – Estudo Bíblico sobre a Promessa do Espírito Santo
04. O papel vital do Consolador na sua redenção – Estudo Bíblico sobre l Obra do Espírito Santo
05. O que realmente significa ser batizado no Espírito? – Estudo Bíblico sobre o Batismo com o Espírito Santo
06. O segredo para entender a Bíblia de verdade – Estudo Bíblico sobre o Testemunho Interno e a Iluminação do Espírito
07. Como viver transbordando do poder de Deus – Estudo Bíblico sobre a Plenitude do Espírito
08. A prova real de um caráter transformado – Estudo Bíblico sobre o Fruto do Espírito
09. Descubra as ferramentas para servir com excelência – Estudo Bíblico sobre os Dons do Espírito Santo
10. O caminho excelente que supera todos os dons – Estudo Bíblico sobre o Amor, o Dom Supremo
11. O que é o pecado imperdoável e como evitá-lo – Estudo Bíblico sobre o Pecado contra o Espírito Santo
12. 4 marcas infalíveis de uma comunidade espiritual – Estudo Bíblico sobre Evidências de uma Igreja Cheia do Espírito Santo
13. O guia prático para manter a amizade com Deus – Estudo Bíblico sobre Como Não Entristecer o Espírito Santo
