O papel vital do Consolador na sua redenção - Estudo Bíblico sobre a Obra do Espírito Santo

Textos Básicos: Lucas 4:1-21; Atos 1:6-8

O Espírito Santo é responsável por uma vasta obra. Desde o início até à consumação de todas as coisas, o Espírito Santo agiu e agirá para cumprir o soberano propósito de Deus.

Já vimos sua atuação na criação, na revelação e na capacitação das pessoas no Antigo Testamento. Agora veremos um pouco mais de sua obra.

Porém, diversas coisas certamente ficarão de fora, pois, não teríamos condições, nem espaço para registrar toda a obra do Espírito Santo. Trataremos aqui sobre o Espírito Santo em relação a Cristo, nos crentes e no Reino de Deus.

1 - A OBRA DO ESPÍRITO NA VIDA E MINISTÉRIO DE CRISTO

O ministério do Espírito só pode ser compreendido e avaliado de modo correto dentro da perspectiva cristocêntrica; um enfoque sem esta consideração consiste num esquecimento do Espírito por maior que seja o nosso desejo de “reabilitá-lo” à igreja.

Compreendendo adequadamente quem é Cristo e o seu ministério, a igreja está honrando o Espírito, porque esse conhecimento só pode ser alcançado por obra de Deus (Mt 11.27; 16.17) e é o Espírito de Deus quem nos conduz à verdadeira compreensão de Cristo. A confissão do Cristo por parte da Igreja, é, de certa forma, a glória do Espírito (Jo 14.26; 15.26; 16.13-15 / 1Co 12.3).

Uma das principais obras do Espírito Santo está vinculada à pessoa de Cristo. Em todo o ministério de Jesus, o Espírito Santo teve participação. Isaías profetizou que o Espírito repousaria sobre o Messias dando-lhe sabedoria, força e conhecimento em seu ministério (Is 42.1; 11.2,3).

O Espírito Santo não veio sobre Jesus a fim de capacitá-lo para a obra porque Jesus não tivesse poder em si mesmo. Certamente ele tinha, porém, a atuação do Espírito Santo em Cristo aponta para a unidade da Trindade.

A. O NASCIMENTO VIRGINAL

O nascimento virginal de Jesus foi operado pelo Espírito Santo (Lc 1.35) e lhe conferiu a condição de ser livre do pecado original que todos os humanos herdam. Sua pessoa divina sempre existiu, mas sua natureza humana se originou no ventre da virgem Maria.

O Espírito "formou o corpo e dotou a alma humana de Cristo com todas as qualificações para sua obra."

O Logos eterno tomou uma natureza humana naturalmente incapaz de qualquer ação santa sem o poder do Espírito Santo; daí a necessidade da ação santificadora e preservadora do Espírito.

Na encarnação, o Espírito preservou a Jesus Cristo da mancha do pecado original que é a herança de todo ser humano, fazendo com que ele tivesse uma natureza imaculada. 

Se assim não fosse, Cristo não poderia se oferecer pelo seu povo, apresentando um perfeito sacrifício vicário, sem mácula e de valor eterno (2Co 5.21; Hb 7.26,27; 1Pe 1.18-21; 3.18).

B. NO BATISMO

No batismo não houve qualquer mudança metafísica no ser de Cristo, nem ele passou a ter uma relação nova com o Pai, entretanto, nesse ato histórico, vemos a manifestação da Trindade num só propósito: a salvação do seu povo.

Como sacerdotes (Êx 28.41) e reis (2Sm 2.4), o Messias foi ungido pelo Espírito para poder realizar sua obra (Mt 3.16, Lc 4.18).

Cristo foi ungido desde toda a eternidade; há referências no Antigo Testamento que falam da sua habitação do Espírito, indicando dessa forma, a sua unção, a sua capacitação eterna para o cumprimento da sua obra (Is 11.2; 42.1; 61.1).

Todavia, historicamente, ele foi ungido por ocasião da sua geração e santificação em Maria (Lc 1.35) e, também, no batismo (Mt 3.16; Mc 1.10; Lc 3.22; Jo 1.32; 3.34; At 10.38).

O Cristo esteve eternamente capacitado para ser o Salvador dos eleitos; e agora, encarnado, recebe essa confirmação do Pai e do Espírito: a salvação é obra da Trindade; por isso, as três pessoas estão empenhadas na execução do pacto salvador.

C. NA SUA TENTAÇÃO (LC 4.1,14)

O Espírito guiou [“impeliu” (Mc 1.12)] Jesus ao deserto e permaneceu com ele ali (Lc 4.1,2).

Jesus foi tentado desde a sua chegada. A tentação fez parte do seu amadurecimento para o ministério que o Pai lhe confiara.

A tentação é muito penosa, contudo, quando a vencemos, convictos da sustentação de Deus (1Co 10.13), podemos perceber o quão amadurecedora ela pode ser para a nossa vida espiritual.

O primeiro Adão sucumbiu a tentação; Jesus Cristo, o último Adão, deve ser tentado para poder levar sobre si o pecado dos eleitos.

Se Cristo não vencesse o tentador, jamais poderia ser o Salvador daqueles que estavam sob o domínio de Satanás.

É relevante observar, que o seu ministério público teve início após esse episódio, começando com um sermão (Lc 4.16-21 /Is 61.1,2).

D. NO SEU CONFRONTO COM SATANÁS

Jesus realizou milagres no poder do Espírito. O Reino de Deus é o Reino de Cristo - o governo triunfante de Cristo sobre todas as coisas, visíveis e invisíveis — e, esse Reino se faz presente por meio da obra de Cristo, libertando os homens do domínio de Satanás e dos poderes do mal, desmantelando a cidadela do inimigo (Mt 12.28,29).

O pavor dos demônios diante de Cristo aponta para a chegada poderosa e vitoriosa do Reino (Mt 8.29).

E. NA SUA OBRA SACRIFICIAL

A obra sacrificial de Cristo foi cumprida de forma completa e com o sentimento adequado pela operação do Espírito (Hb 9.14).

Em total harmonia com o Espírito, Cristo ofereceu-se a si mesmo, tendo plena consciência das implicações dessa oferta: a dor, a vergonha, a humilhação, o peso da ira de Deus, o abandono.

Cristo sofreu como homem, no entanto, a fim de que sua morte pudesse efetuar nossa salvação, sua eficácia fluiu do poder do Espírito.

O sacrifício que produziu a expiação eterna foi muito mais que uma obra meramente humana.

No entanto, em todo o seu sofrimento, ele pôde usufruir do consolo do Espírito que sempre estivera plenamente nele.

O Espírito que esteve em Cristo durante todo o seu ministério terreno, o capacitou a apresentar-se voluntariamente (Gl 1.4/Jo 10.11,15,17,18) como sacerdote e vítima: o ofertante e a oferta - para resgatar os seus (Hb 9.23-28).

F. NA SUA RESSURREIÇÃO

O Novo Testamento declara que a ressurreição de Cristo foi obra do Pai (Gl 1.1; Ef 1.17-20), do Filho (Jo 2.18-22; 10.17,18) e do Espírito Santo (1Pe 3.18/ Rm 8.11).

O mesmo Espírito que gerou em Maria a Pessoa Divino-Humana de Cristo, acompanhando-o e fortalecendo em todo o seu ministério, agiu decisivamente em sua ressurreição, a qual assinala a vitória de Deus sobre o pecado, a morte e Satanás.

O Espírito que atuou em Cristo no seu estado de humilhação é o mesmo na sua exaltação.

Concluindo esta divisão, observamos que o Ministério de Cristo foi marcado pela plenitude do Espírito (Jo 3.34 / Lc 4.14).

2 - A OBRA DO ESPÍrito NOS CRENTES

Da mesma forma que o Espírito agiu na vida de Cristo, ele age na vida dos crentes. Como diz Hoekema, “todos os maiores elementos no processo de salvação são atribuídos à autoria do Espírito Santo”.

Ele é o grande despenseiro das bênçãos conquistadas por Cristo. Podemos vê-lo agindo na regeneração, na conversão, na santificação, na adoção, na segurança da salvação e intercedendo por nós.

A. REGENERAÇÃO

Regenerar significa gerar de novo. O Espírito Santo é o autor desse ato. Em Tito 3.5 encontramos a seguinte declaração: “ele nos salvou mediante o lavar regenerador e renovador do Espírito Santo”.

B. FAZ-NOS RECONHECER E CONFESSAR O SENHORIO DE CRISTO

Somente pelo Espírito (1Co 12.3) podemos de fato reconhecer e confessar a Cristo como Senhor, vivendo de forma coerente com essa confissão (Mt 22.43; 1Co 12.3/Rm 10.9,10).

C. JUSTIFICAÇÃO

O Espírito aplica em nós a justiça de Cristo (1Co 1.30; 6.11); por isso, somos declarados justos diante de Deus.

"Deus, desde toda a eternidade, decretou justificar todos os eleitos; e Cristo, no cumprimento do tempo, morreu pelos pecados deles e ressuscitou para a justificação deles; contudo, eles não são justificados até que o Espírito Santo, no tempo próprio e de fato, comunica-lhes Cristo” (Rm 3.4; 4.25; Tt 3.6,7/lCo 6.11).

D. CONVERSÃO

A conversão - a resposta do homem à regeneração operada dentro dele - também é obra do Espírito Santo. Geralmente vemos a conversão como consistindo de arrependimento e fé. Ambos aspectos são descritos na Bíblia como obra do Espírito Santo (Cf. At 11.15,19; 1Co 12.3).

E. SANTIFICAÇÃO

O Espírito Santo vem habitar o crente na conversão e o santifica ao longo da vida cristã: ".... Deus vos escolheu desde o princípio para a salvação, pela santificação do Espírito e fé na verdade. (Cf. 1Ts 2.13; Rm 15.16; 1Pe 1.2).

F. INTERCESSÃO

Uma das obras mais importantes que o Espírito realiza pelos crentes é a de interceder por eles (Rm 8.26,27).

"Não sabendo nós o que havemos de pedir, como convém, o Espírito nos assiste em nossa fraqueza, habilitando-nos a saber por quem, pelo quê, e como devemos orar; operando e despertando em nossos corações (embora não em todas as pessoas, nem em todos os tempos, na mesma medida) aquelas apreensões, afetos e graças que são necessários para o bom cumprimento do dever."

Ele funciona como um intérprete entre nós e Deus, traduzindo nossas orações. Ao fazer isso, intercede por nós, buscando o melhor para nossa vida.

G. ADOÇÃO

Não sabemos se Deus nos faz seus filhos primeiro e depois nos dá o seu Espírito ou se ele nos dá o Espírito e depois nos faz filhos, “não importa como você encara a questão: o resultado é o mesmo.

Todos os que têm o Espírito de Deus são filhos de Deus, e todos os que são filhos de Deus têm o Espírito de Deus”. O Espírito nos concede a bênção da adoção.

H. SEGURANÇA DA SALVAÇÃO

A segurança da salvação do crente é totalmente condicionada ao Espírito Santo:

Efésios 1:13-14
"em quem também vós, depois que ouvistes a palavra da verdade, o evangelho da vossa salvação, tendo nele também crido, fostes selados com o Santo Espírito da promessa; o qual é o penhor da nossa herança, ao resgate da sua propriedade, em louvor da sua glória".

As expressões “selo” e “penhor” indicam a marca de segurança que o Espírito Santo significa na vida dos crentes.

Ele é o selo, ou seja, a marca de propriedade, o invólucro inviolável que garante a integridade do crente, e, ao mesmo tempo, é o penhor, o pagamento antecipado que garante que o Senhor adquiriu o crente como propriedade sua e que virá no futuro resgatá-lo em caráter definitivo: “... não entristeçais o Espírito de Deus, no qual fostes selados para o dia da redenção” (Ef 4.30).

3 - A OBRA DO ESPÍRITO SANTO NO REINO

Até o Pentecostes, os discípulos esperavam que ele libertasse a nação e a estabelecesse como um reino próspero sobre todos os reinos da terra. Essas esperanças se acabaram com a morte de Jesus, entretanto, se reacenderam com a ressurreição: “Senhor, será este o tempo em que restaures o reino a Israel?” (At 1.6).

Jesus respondeu que a eles não seria dado conhecer tempos (cronos) e épocas (kairós) que o Senhor havia reservado exclusivamente para ele, mas, prometeu mandar o Espírito Santo que faria deles testemunhas cheias de poder em todo o mundo.

Ele capacitaria a Igreja a desempenhar seu papel no mundo. A Igreja seria o instrumento para o estabelecimento do Reino de Deus. Porém, seria um reino diferente.

A. FONTE DE PODER

Aproximava-se o instante da partida de Jesus e ele tinha planos grandiosos para seus discípulos. Mas eles precisavam entender o caráter do Reino de Deus que se manifestava naquele momento. Em várias ocasiões, quando interrogado, Jesus explicou que o Reino de Deus já estava no meio do povo.

Ele se fazia presente na pessoa, na obra e no ensino do Messias. Dessa forma o reino poderia estar dentro de cada um (Lc 17.21).

A expansão do reino espiritual era assunto para aquele momento. Os discípulos seriam responsáveis por essa tarefa e, para garantir que ela teria êxito, lhes seria mandado o Espírito Santo como fonte de poder.

Entre os benefícios poderosos que o Espírito Santo concederia àqueles homens estavam entendimento, ousadia e resultados.

Com novo entendimento escreveram mais tarde cartas que foram e continuam sendo o fundamento teológico da Igreja.

Com ousadia falaram sobre Jesus, a ponto de não temerem mais os castigos, as afrontas, ou a própria morte (Cf. Jo 20.19; At 2.14-36; 4.1-22; 5-17-42).

E o Espírito Santo autenticou a obra deles conferindo resultados. Até o dia do Pentecostes 120 pessoas se denominavam discípulos.

Naquele mesmo dia foram acrescentadas mais três mil (At 2.41). E pouco tempo depois o número subiu para cinco mil (At 4.4).

B. FONTE DE TESTEMUNHO

Jesus disse que a vinda do Espírito Santo faria dos discípulos suas testemunhas. Em primeiro lugar, uma testemunha é alguém que esteve presente e pode verificar a exatidão de certos acontecimentos.

Os discípulos possuíam essa característica. Em segundo lugar uma testemunha é alguém que comunica o que viu. Quem viu, mas não se manifesta não é uma testemunha verdadeira.

Porém, em terceiro lugar, e talvez seja a maior característica da testemunha, ela sustenta seu testemunho até o fim. A própria palavra “testemunho” na língua grega é martyres, donde vem o significado moderno de mártir.

O mártir está disposto a morrer por aquilo que diz. Nada menos do que isso pode ser chamado de testemunha, e somente a presença do Espírito Santo poderia habilitar os amedrontados discípulos a se tornarem valorosos mártires (testemunhas) do Senhor Jesus.

O livro de Atos se constitui no maior relato da glorificação de Cristo pelo Espírito: A expansão missionária e a edificação dos crentes.

Quando cristãos sinceros pregavam o Evangelho e pessoas eram transformadas pelo seu poder, sendo conduzidos a uma vida santa, Cristo estava sendo glorificado.

CONCLUSÃO

O Espírito Santo não só capacitou a Jesus para seu ministério, como realiza a obra de Deus na vida do crente, e impulsiona o Reino de Deus. Sua obra é imensamente vasta e preciosa.

Devemos, assim, aprender a perceber mais essa obra dele no mundo e, em nossa própria vida.

Identificar essa atuação deve nos levar a adorar a Deus, e a experimentar mais da graça dele. Acima de tudo, provar dessa fonte de poder e de testemunho.

APLICAÇÃO

Se Deus nos tem dado o Espírito Santo, devemos usá-lo para testemunhar a respeito de Cristo e da salvação. Deus não nos deu o Espírito para ele ficar inativo em nós. Ele nos deu o Espírito para nos capacitar para a obra. Então, mãos à obra.

Autor: LEANDRO ANTÔNIO DE LIMA


Lista de estudos da série

01. Ele é uma força ou uma pessoa? – Estudo Bíblico sobre a Pessoa do Espírito Santo
02. Como o Espírito Santo agia antes de Jesus? – Estudo Bíblico sobre o Espírito Santo no Antigo Testamento
03. A promessa profética que mudou o mundo – Estudo Bíblico sobre a Promessa do Espírito Santo
04. O papel vital do Consolador na sua redenção – Estudo Bíblico sobre l Obra do Espírito Santo
05. O que realmente significa ser batizado no Espírito? – Estudo Bíblico sobre o Batismo com o Espírito Santo
06. O segredo para entender a Bíblia de verdade – Estudo Bíblico sobre o Testemunho Interno e a Iluminação do Espírito
07. Como viver transbordando do poder de Deus – Estudo Bíblico sobre a Plenitude do Espírito
08. A prova real de um caráter transformado – Estudo Bíblico sobre o Fruto do Espírito
09. Descubra as ferramentas para servir com excelência – Estudo Bíblico sobre os Dons do Espírito Santo
10. O caminho excelente que supera todos os dons – Estudo Bíblico sobre o Amor, o Dom Supremo
11. O que é o pecado imperdoável e como evitá-lo – Estudo Bíblico sobre o Pecado contra o Espírito Santo
12. 4 marcas infalíveis de uma comunidade espiritual – Estudo Bíblico sobre Evidências de uma Igreja Cheia do Espírito Santo
13. O guia prático para manter a amizade com Deus – Estudo Bíblico sobre Como Não Entristecer o Espírito Santo

Semeando Vida

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