A promessa profética que mudou o mundo - Estudo Bíblico sobre a Promessa do Espírito Santo

Texto Básico: João 14:16,17

A vinda de Jesus foi a entrada definitiva de Deus neste mundo e na vida dos homens. Enquanto ele esteve aqui, seus discípulos e as multidões puderam vê-lo, ouvi-lo e até tocá-lo.

Mas Jesus sempre soube que sua vida seria bastante breve.

Quando se aproximava o momento de partir deste mundo, sabendo que os sacerdotes conspiravam contra ele, e até mesmo sabendo que um dos seus discípulos o trairia, Jesus fez questão de falar palavras de despedida e de consolo para seus queridos discípulos: “não se turbe o vosso coração; credes em Deus, crede também em mim” (Jo 14.1).

Sabendo da absoluta necessidade de sua partida, mas não querendo deixar seus discípulos abandonados, Jesus lhes disse:

João 14:16-18
"Eu rogarei ao Pai, e ele vos dará outro Consolador, a fim de que esteja para sempre convosco, o Espírito da verdade, que o mundo não pode receber, porque não no vê, nem o conhece; vós o conheceis, porque ele habita convosco e estará em vós. Não vos deixarei órfãos, voltarei para vós outros”.

Naquele momento, Jesus lhes prometeu o Espírito Santo. Porém, essa promessa já havia sido feita por Deus muito tempo antes.

1 - A PROMESSA PROFÉTICA

Há muito tempo Deus vinha anunciando por meio dos profetas a chegada de uma era muitas vezes identificada com o derramamento do Espírito Santo.

Apesar do Espírito Santo já estar em atividade durante todo o período do Antigo Testamento, como disse Stott, “mesmo assim, alguns profetas predisseram que, nos dias do Messias, Deus concederia uma difusão liberal do Espírito Santo, nova e diferente, bem como acessível a todos".

Isaías profetizou sobre um tempo de muita destruição para o povo de Israel. Ele falou em palácios abandonados, cidades desertas, torres destruídas (Is 32.14), mas, na esperança profética, isso duraria “... até que se derrame sobre nós o Espírito lá do alto; então, o deserto se tornará em pomar, e o pomar será tido por bosque" (Is 32.15).

Esse derramar do Espírito passou a ser uma das grandes expectativas escatológicas do povo de Deus. Isaías fala ainda: "... derramarei água sobre o sedento e torrentes sobre a terra seca; derramarei o meu Espírito sobre a tua posteridade e a minha bênção, sobre os teus descendentes” (Is 44.3).

Ezequiel foi ainda mais específico sobre esse derramamento:

Ezequiel 36:27
"... aspergirei água pura sobre vós, e ficareis purificados; de todas as vossas imundícias e de todos os vossos ídolos vos purificarei. Dar-vos-ei coração novo e porei dentro de vós espírito novo; tirarei de vós o coração de pedra e vos darei coração de carne. Porei dentro de vós o meu Espírito e farei que andeis nos meus estatutos, guardeis os meus juízos e os observeis".

E Joel fala da amplitude desse derramamento:

Joel 2:28-29
"... derramarei o meu Espírito sobre toda a carne; vossos filhos e vossas filhas profetizarão, vossos velhos sonharão, e vossos jovens terão visões; até sobre os servos e sobre as servas derramarei o meu Espírito naqueles dias”.

Toda essa expectativa sobre o derramamento do Espírito vinculada também ao perdão dos pecados pode ser vista nas palavras de João Batista no início de seu ministério: “Eu vos tenho batizado com água; ele, porém, vos batizará com o Espírito Santo” (Mc 1.8).

João Batista anunciou que a profecia do Antigo Testamento sobre o derramar do Espírito Santo logo se cumpriria na pessoa que ele estava anunciando, o Senhor Jesus Cristo.

E o próprio Senhor, após a sua ressurreição, disse aos apóstolos: “Eis que envio sobre vós a promessa de meu Pai; permanecei, pois, na cidade, até que do alto sejais revestidos de poder” (Lc 24.49).

Bruner enfatiza a importância de Jerusalém nesse ponto:

"para receberem o Espírito Santo, os apóstolos são ordenados a não se ausentarem de Jerusalém. Jerusalém, no conceito de Lucas, será o local do penúltimo evento da história da salvação antes do último evento: a volta de Cristo".

Por isso, no dia do Pentecostes, Pedro claramente entendeu que a promessa havia se cumprido. Percebemos isso por suas palavras: "... o que ocorre é o que foi dito por intermédio do profeta Joel: E acontecerá nos últimos dias, diz o Senhor, que derramarei do meu Espírito sobre toda a carne” (At 2.16,17).

Sobre essa base, ele teve a coragem de proclamar à multidão que o ouvia:

Atos 2:38-39
"Arrependei-vos, e cada um de vós seja batizado em nome de Jesus Cristo para remissão dos vossos pecados, e recebereis o dom do Espírito Santo. Pois para vós outros é a promessa, para vossos filhos e para todos os que ainda estão longe, isto é, para quantos o Senhor, nosso Deus, chamar”.

O perdão dos pecados e o dom do Espírito eram uma promessa de Deus que havia acabado de se cumprir naquele dia.

A última expressão de Pedro dizendo que a promessa era para todos os que “Deus chamar", aponta para o aspecto universal da promessa do Espírito.

Joel já havia dito que o derramamento seria sobre todo tipo de pessoas, incluindo jovens, velhos, homens e mulheres, servos e servas (Jl 2.29).

Independente de idade, sexo, raça e classe social, o dom incluía todos os que se arrependessem e cressem.

Percebemos, portanto, que desde o Antigo Testamento, sempre houve uma promessa divina de enviar o Espírito Santo a fim de iniciar uma nova era, a Era do Espírito.

O Espírito viria habitar de forma mais plena e universal o povo de Deus, englobando pessoas de todas as tribos, raças, línguas e nações.

O momento quando aquela promessa fosse cumprida seria um momento único na história da salvação. Mas, para que o Espírito fosse enviado, antes Jesus precisaria realizar a sua obra.

2 – O OUTRO CONSOLADOR

Voltemos agora para as palavras de Jesus sobre a vinda do Consolador: “eu rogarei ao Pai, e ele vos dará outro Consolador”. Devemos notar a expressão “outro". Quando nos referimos a alguma coisa como “outra, em geral é porque já havia uma antes.

Jesus foi o grande consolador. A palavra grega para consolador é parakletos, e significa literalmente "aquele que está ao lado de”. Mas, agora, ele precisava partir, e não poderia mais permanecer ao lado de seus discípulos.

Entretanto, não deixaria seus discípulos órfãos, pois mandaria um dom extremamente necessário para a vida deles: o Espírito Santo. O Espírito Santo viria para ocupar o lugar deixado por ele.

A partir daquele momento Jesus seria o consolador (parakletos) no céu (1Jo 2.1), intercedendo por seus discípulos lá, enquanto que o Espírito seria o consolador (parakletos) na terra, também intercedendo e cuidando dos discípulos (Rm 8.26).

A. A VINDA DO CONSOLADOR

Por várias vezes Jesus advertiu seus discípulos de que precisava partir. Um dos motivos principais é que somente após sua partida poderia enviar o outro Consolador. Em João 7.38,39 Jesus diz:

João 7:38-39
"... quem crer em mim, como diz a Escritura, do seu interior fluirão rios de água viva. Isto ele disse com respeito ao Espírito que haviam de receber os que nele cressem; pois o Espírito até esse momento não fora dado, porque Jesus não havia ainda sido glorificado".

Enquanto Jesus não fosse glorificado, o Espírito Santo não poderia ser enviado. Por isso Jesus disse aos discípulos “... eu vos digo a verdade: convém-vos que eu vá, porque, se eu não for, o Consolador não virá para vós outros; se, porém, eu for, eu vo-lo enviarei" (Jo 16.7).

Era necessário que Cristo subisse aos céus e se assentasse à direita do trono de Deus, e assim glorificado, enviasse o Espírito Santo aos discípulos.

B. O TESTEMUNHO DO ESPÍRITO SANTO

Era muitíssimo necessário que o Espírito viesse. Ele teria a função de substituir Jesus durante a ausência dele. Mas além de substituir, ele teria outras funções, como lembrar os discípulos das coisas que Jesus havia dito (Jo 14.26).

Também fazia parte de sua obra convencer o mundo do pecado da justiça e do juízo (Jo 18.8). Jesus disse que o Espírito Santo viria também para guiar os discípulos a toda a verdade (Jo 16.13).

Certamente a obra dele não seria independente, mas sua função era glorificar o próprio Jesus, exaltando sua pessoa, seu poder e sua obra (Jo 16.14). Esse é um ponto de máxima importância. É comum, nos dias atuais, as pessoas enfatizarem mais a pessoa e a obra do Espírito Santo do que a do Pai e do Filho.

É verdade que, o Espírito Santo não foi considerado como devia ao longo da história da Igreja. Porém, é um erro querer enfatizar a obra do Espírito acima da obra de Jesus. A função do Espírito seria exatamente a de testemunhar de Jesus: “ele me glorificará, porque há de receber do que é meu e vo-lo há de anunciar” (Jo 16.14).

Como escreveu Lloyd-Jones, "... esta é uma das coisas mais espantosas e extraordinárias acerca da doutrina bíblica sobre o Espírito Santo. Ele parece esquivar-se e ocultar-se. Ele está sempre, por assim dizer, focalizando o Filho”.

De fato, a obra do Espírito Santo não é glorificar a si mesmo. Ele é como um holofote, sua função é iluminar algo que não ele próprio. Ele quer glorificar o Senhor Jesus, e nos dar conhecimento dele e de seu amor por nós.

Por essa razão, Lloyd-Jones está certo em afirmar que podemos saber o quanto temos do Espírito de acordo com o quanto consideramos o Senhor Jesus.

Jesus disse que o Espírito Santo seria enviado para estar sempre com os discípulos, ou seja, eles não poderiam viver sem o Espírito.

Isso nos fala da importância do Espírito Santo para a vida do crente. Não dá para conceber um crente sem o Espírito Santo, pois ele é absolutamente vital para que o crente conheça Jesus e receba a salvação.

Um crente sem o Espírito Santo em hipótese alguma é um crente verdadeiro, pois a presença do Espírito Santo na vida dos discípulos seria a garantia de que os discípulos de fato pertenciam a Jesus (Cf. Rm 8.9, Ef 1.13,14).

2 - O SIGNIFICADO DA VINDA DO ESPÍRITO SANTO

Como já vimos, o Espírito Santo já habitava com os crentes antes do Pentecostes, porém, ele seria dado de forma mais plena. Veja que Jesus diz que os discípulos já conheciam o Espírito Santo, enquanto que o mundo ainda não o conhecia (v. 17), o que é mais uma prova de que eles já possuíam a pessoa e obra do Espírito Santo.

Mas, já vimos que somente após a partida de Jesus é que o outro Consolador viria para guiar os discípulos a toda a verdade.

No Pentecostes, os discípulos receberam o Espírito do Cristo glorificado, e assim foram batizados no corpo de Cristo, ou seja, na Igreja. A vinda do Espírito Santo no dia do Pentecostes foi a instituição da Igreja no Novo Testamento.

Isso não quer dizer que não havia crentes antes. Mesmo os apóstolos já eram crentes, porém, eram crentes segundo o padrão do Antigo Testamento. Mas no dia do Pentecostes receberam a promessa do Espírito Santo que veio formar o corpo de Cristo (Igreja) e se tornaram crentes do Novo Testamento.

Geralmente se resume a diferença entre ser “crente do Antigo Testamento” e “crente do Novo Testamento”, pela expectativa em relação à vinda de Jesus.

Os crentes do Antigo olhavam para o futuro, para quando o Messias viria, enquanto isso ofereciam sacrifícios pelos pecados. Os crentes do Novo Testamento olham para trás, para o Messias que já veio, e seus pecados são perdoados no sacrifício definitivo de Cristo.

Os apóstolos passaram pelas duas experiências. Foram crentes do Antigo Testamento, e depois passaram a ser crentes do Novo Testamento. Pedro testemunhou que eles haviam crido no dia do Pentecostes (At 11.15-18).

Para que o derramamento do Espírito acontecesse, Jesus precisava ser exaltado através da Ascensão. Foi na Ascensão, quando se assentou à destra de Deus que Cristo recebeu o título de “Cabeça da Igreja” (Ef 1.20-23).

Então, somente após sua Ascensão ele pôde mandar o Espírito Santo para ligar os membros a fim de formar um só corpo.

Alguém dirá: Mas, então, não havia igreja no Antigo Testamento? Certamente que sim, porém não nos mesmos termos do Novo Testamento.

No dia do Pentecostes aconteceu algo novo que jamais havia acontecido antes. Nesse dia a unidade foi estabelecida. Podemos ver o Pentecostes como uma espécie de Babel invertida.

A igreja composta de todas as nações se reuniu num único corpo. Foi por isso que o dom de línguas foi concedido.

As línguas de todos os povos foram unidas no dia do Pentecostes simbolizando a unidade da igreja em todas as nações, e não mais apenas dentro dos limites de Israel.

As línguas haviam sido divididas por ocasião da torre de Babel, mas no Pentecostes foram reunidas demonstrando a unidade do povo de Deus.

CONCLUSÃO

O Espírito Santo é o substituto de Jesus, enviado para consolar os discípulos e também para completar a obra de Jesus na vida deles até o dia em que Jesus voltar para buscá-los.

O Espírito Santo foi derramado para cumprir a promessa de Jesus e dos profetas, entretanto, isso não quer dizer que não tinha sido dado antes, mas que no Pentecostes aconteceu algo novo e tremendo, a unidade da Igreja foi estabelecida, e os discípulos foram capacitados para desempenhar a obra da pregação do Evangelho.

APLICAÇÃO

Como é maravilhoso saber que temos este outro Consolador habitando dentro de nós. Temos um parakletos no céu e outro na terra! E através dele podemos ter a certeza de que Jesus será glorificado nas nossas vidas.

Como você tem reagido à ação do Espírito?

Autor: LEANDRO ANTÔNIO DE LIMA


Lista de estudos da série

01. Ele é uma força ou uma pessoa? – Estudo Bíblico sobre a Pessoa do Espírito Santo
02. Como o Espírito Santo agia antes de Jesus? – Estudo Bíblico sobre o Espírito Santo no Antigo Testamento
03. A promessa profética que mudou o mundo – Estudo Bíblico sobre a Promessa do Espírito Santo
04. O papel vital do Consolador na sua redenção – Estudo Bíblico sobre l Obra do Espírito Santo
05. O que realmente significa ser batizado no Espírito? – Estudo Bíblico sobre o Batismo com o Espírito Santo
06. O segredo para entender a Bíblia de verdade – Estudo Bíblico sobre o Testemunho Interno e a Iluminação do Espírito
07. Como viver transbordando do poder de Deus – Estudo Bíblico sobre a Plenitude do Espírito
08. A prova real de um caráter transformado – Estudo Bíblico sobre o Fruto do Espírito
09. Descubra as ferramentas para servir com excelência – Estudo Bíblico sobre os Dons do Espírito Santo
10. O caminho excelente que supera todos os dons – Estudo Bíblico sobre o Amor, o Dom Supremo
11. O que é o pecado imperdoável e como evitá-lo – Estudo Bíblico sobre o Pecado contra o Espírito Santo
12. 4 marcas infalíveis de uma comunidade espiritual – Estudo Bíblico sobre Evidências de uma Igreja Cheia do Espírito Santo
13. O guia prático para manter a amizade com Deus – Estudo Bíblico sobre Como Não Entristecer o Espírito Santo

Semeando Vida

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