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A doutrina do homem (2)


Na última reflexão iniciamos uma série de exposições sobre o homem. Inicialmente, respondemos às seguintes perguntas: por quais motivos Deus foi levado para criar o homem e qual foi o propósito dessa criação. Continuaremos essa abordagem, demonstrando outros elementos referentes à criação do homem.


1. O significado de imagem de Deus
A Bíblia deixa claro que o homem foi criado à imagem e semelhança de Deus. Wayne Grudem observa que “as palavras hebraicas que exprimem imagem [...] e semelhança se referem a algo similar, mas não idêntico, à coisa que representa ou de que é uma imagem. A palavra imagem também pode ser usada para exprimir algo que representa uma coisa”.

Alguns reformadores mostram que essa representatividade se caracteriza pelo fato de que o homem é um ser espiritual e racional, tem consciência moral e exerce domínio sobre a criação (Gn 1.28).

2. O efeito da queda em relação à imagem de Deus
Após a queda a imagem de Deus não foi retirada do homem. Após o dilúvio, Deus ordenou a Noé que aquele que cometesse homicídio seria punido com morte (Gn 9.6). Isso mostra que tirar a vida humana consiste em atacar a parte da criação que mais se parece com Deus. 

Tiago identifica todos os seres humanos como feitos à semelhança de Deus (Tg 3.9). Mas, embora a imagem não tenha sido retirada, ela não é como antes da queda. O intelecto do homem, as palavras, a pureza moral e o caráter foram corrompidos, de sorte que não mais representam Deus da forma como era antes.

3. Em Cristo, a imagem de Deus é recuperada gradualmente
Cristo é o meio através do qual a imagem do Senhor é restaurada no homem. Paulo afirma que o cristão tem uma nova natureza que “se refaz para o pleno conhecimento, segundo a imagem daquele que o criou” (Cl 3.10). Ele também afirma que “somos transformados, de glória em glória, na sua própria imagem” (2 Co 3.18). 

Na carta aos Romanos, o apóstolo ensina que Deus nos redimiu para que sejamos conforme à imagem de seu Filho (Rm 8.29). Grudem, a esse respeito, salienta: “Ao longo desta vida, à medida em que crescemos em maturidade cristã, aumenta a nossa semelhança a Deus.”


Conclusão. 

O homem, de fato, foi o toque final na criação. Ele é o representante de Deus na Terra, e, embora tenha pecado, essa semelhança não foi retirada, ainda que esteja corrompida. Contudo, em Cristo, Deus restaura o plano inicial de fazer do homem seu perfeito representante junto ao Planeta. Que sejamos gratos tanto pela nossa criação quanto pela redenção em Cristo.

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Carlos Eduardo Pereira de Souza  é pastor da Igreja Presbiteriana do Brasil. Formou-se em Teologia pelo Seminário Presbiteriano do Sul em 2003 e pela Universidade Presbiteriana Mackenzie em 2012. Possui Mestrado em Divindade com concentração no Novo Testamento pelo Centro de Pós Graduação Andrew Jumper em 2013.

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