Sociais

A doutrina do homem (5)


Em nossas últimas reflexões, temos abordado aspectos referentes ao homem como criatura de Deus. A partir de hoje, falaremos desses mesmos aspectos vislumbrando algumas distinções estabelecidas por Deus eque são existentes entre homem e mulher.


1. Adão foi criado primeiro, depois Eva. Gênesis relata que a mulher foi criada após o homem (Gn 2.7;18-23). Isso sugere que Deus havia estabelecido Adão como líder de sua família. Essa ideia é compatível com o princípio da primogenitura, pelo qual o primogênito da família detém o direito de liderança (Gn 49.3). 

O fato de o homem ter sido criado primeiro, e, portanto, ter o papel de liderança, é exibido por Paulo em 1 Tm 2.13. Aqui, o apóstolo se baseia nesse princípio para restringir aos homens algumas tarefas de autoridade e ensino dentro das igrejas.

2. Eva foi criada como auxiliadora de Adão. A Bíblia ensina que Deus fez Eva para Adão e não o inverso (Gn 2.18). Paulo usa esse versículo para fundamentar sua compreensão sobre as diferenças entre homens e mulheres no culto (1 Co 11.9). 

Mas, como salienta Wayne Grudem, “não se deve supor aqui uma sugestão de importância menor, mas sim que existe uma diferença entre papéis desde o princípio”. Gerard Van Groningen complementa essa idéia fazendo a seguinte afirmação: “A diferença em origem, no entanto, não é para ser inferida como desigualdade [...]. O relato inicial enfatiza sua igualdade; [...] ambos foram criados à imagem de Deus”.

3. Adão deu nome a Eva. No Antigo Testamento, o direito de dar nome indicava autoridade. Foi isso que ocorreu com relação a Adão, visto que ele deu nome tanto aos animais (Gn 2.20) como a sua esposa (Gn 2,23; 3.20). 

Os nomes hebraicos designavam o caráter ou a função de uma pessoa. Foi exatamente isso que ocorreu em relação a Eva, visto que Adão, ao dar-lhe o nome, designou sua função. Da mesma forma, ao dar o nome à mulher, esse procedimento indicou sua liderança sobre ela.

Conclusão
Homem e mulher foram criados à imagem e semelhança de Deus. Embora sejam parecidos nesse aspecto, são distintos em suas funções. A compreensão dessas características, certamente, fomenta no ser humano o desejo de que se cumpram cabalmente as funções que lhes foram designadas, tanto na Criação quanto nas relações interpessoais e religiosas.

------------------------------------
Carlos Eduardo Pereira de Souza  é pastor da Igreja Presbiteriana do Brasil. Formou-se em Teologia pelo Seminário Presbiteriano do Sul em 2003 e pela Universidade Presbiteriana Mackenzie em 2012. Possui Mestrado em Divindade com concentração no Novo Testamento pelo Centro de Pós Graduação Andrew Jumper em 2013.

Google Plus