Salmos 19.7-14; 2 Timóteo 3.14-17
O único livro religioso com válidas pretensões de inspiração por Deus e que, segundo as evidências internas e externas, de fato, o é - é a Bíblia Sagrada.
Daí a sua singularidade como única regra de fé e prática, pelo menos para os cristãos evangélicos, destinada a revelar aos homens o caráter do Deus verdadeiro, e, também, a mostrar-lhes o caminho pelo qual eles podem encontrar a salvação, que esse mesmo Deus, segundo as Escrituras, providenciou-lhes em Cristo.
Nós os evangélicos, acatamos os ensinos da chamada tradição da igreja - isto é, os ensinos e opiniões dos Pais da Igreja Grega e Latina - somente quando tais ensinos e opiniões se harmonizam com as verdades reveladas por Deus e registradas nas Santas Escrituras. Do contrário, nós os rejeitamos.
1 - AS ESCRITURAS COMO REGRA ESCRITA
a) Dirigindo-se aos escribas e fariseus, Jesus lhes disse claramente: "Em vão me adoram, ensinando doutrinas que são preceitos de homens. Negligenciando o mandamento de Deus, guardais a tradição dos homens" (Mc 7.7,8).
A posição de algumas tradições cristãs, em relação à tradição, é a de que esta e as Escrituras Sagradas constituem a regra de fé. Essas vertentes dependem da tradição para "justificar" vários dos seus ensinos e práticas, incluindo até mesmo dogmas específicos.
Frequentemente, a tradição não só ensina coisas que não estão na Bíblia (o que, de si mesmo, não seria crime algum), mas - e é isto que nos leva a rejeitá-la - ensina coisas que são condenadas pela Bíblia, explícita ou implicitamente.
Se as duas autoridades - a Bíblia e a tradição - são contraditórias, segue-se que uma exclui a outra e ambas, portanto, não podem ser consideradas como procedentes da mesma fonte infalível, que é Deus.
b) Na sua linguagem antropomórfica ou, seja, na sua maneira de atribuir a Deus modo de agir humano, a Bíblia nos diz: "E tendo acabado de falar com ele no monte Sinai, deu a Moisés as duas tábuas do testemunho, tábuas de pedra, escritas pelo dedo de Deus" (Êx 31.18). É claro que não se pode entender isto literalmente!
O Senhor não consentiu que o Decálogo ou os Dez Mandamentos fossem transmitidos oralmente de geração em geração, mas deu-os escritos ao povo, para evitar que fossem truncados ou por deficiência de memória de quem os transmitisse ou, o que seria muito mais grave, por infidelidade de quem fosse encarregado de ensiná-los. Moisés escreveu tudo o que o Senhor lhe ordenou (Êx 24.4,7; Dt 31.9; Dt 31.24-26).
A transação descrita em Josué 8.30-35 faz pressupor a existência de grande livro (= material escrito), elaborado por Moisés. Salomão devia atentar para a Lei de Moisés, conforme está escrito (1 Rs 2.3).
Vejam-se ainda os seguintes textos: 2 Rs 22.8 e 2 Cr 34.14. O Livro da Lei mencionado na passagem de Reis, é o Livro da Lei do Senhor, dada por intermédio de Moisés, referido na passagem de Crônicas.
c) Para falar na sinagoga, Jesus leu o que estava escrito em Isaías 61.1,2; no diálogo que manteve com o doutor da Lei (Lc 10.25-28), Jesus tomou, como base da doutrinação que aí aparece, a Lei de Moisés; na boca de Abraão, que respondia ao rico em tormentos, Jesus coloca palavras que tornam decisiva a importância da Lei, como regra escrita (Lc 16.29 31).
Para provar aos apóstolos que era o Cristo, Jesus referiu-se à Lei de Moisés, aos Profetas e aos Salmos (Lc 24.44), pois nestas três divisões das Escrituras Hebraicas havia referências ao Messias. Veja-se ainda Lc 24.27,46. Enfim, à regra escrita é que temos de recorrer em matéria de orientação religiosa, pois esta questão é decisiva para o nosso destino eterno.
O profeta Isaías pergunta: "A favor dos vivos se consultarão os mortos?" E ele mesmo responde: "A lei e ao testemunho! Se eles não falarem desta maneira, jamais verão a alva" (Is 8.19,20). Veja-se, ainda, o que Paulo diz em Romanos 15.4.
2 - AS ESCRITURAS COMO REGRA DIVINA
a) A autoridade divina das Escrituras, como inspiradas por Deus, se contrasta flagrantemente com a autoridade humana de todos os livros não inspirados, em matéria de religião.
Mesmo em relação aos chamados livros apócrifos - que algumas tradições consideram inspirados, mas aos quais falta evidência interna e externa de inspiração divina - é óbvia a sua autoria exclusivamente humana.
Na introdução, por exemplo, ao Livro de Eclesiástico (não confundir com Eclesiastes), Jesus, filho de Sirac, diz: "Eu vos exorto, pois, a vir com benevolência, e a empreender esta leitura com uma intenção particular e a perdoar-nos, se algumas vezes parecer que, ao reproduzir este retrato de soberania, somos incapazes de dar o sentido (claro) das expressões" (Eclesiástico, Bíblia, Vol. III, Trad. do Pe. Matos Soares).
Os homens que, de fato, foram instrumentos de Deus na composição das Escrituras Canônicas, jamais pediram desculpas dessa natureza a quem quer que fosse!
b) A autoridade da Escritura Sagrada, para ser reconhecida e obedecida, não depende do testemunho de qualquer homem ou igreja. Vejam-se os textos de 2 Tm 3.16; 1 Jo 5.9; 1 Ts 2.13. Deus mesmo, pelo Seu Espírito Santo, se encarrega de provar a eficácia das Escrituras como Palavra Inspirada.
Um dos textos básicos deste estudo bíblico nos fala dos efeitos da leitura da Palavra de Deus, na vida dos que se dispõem a observar-lhe os ensinos: restaura a alma e dá sabedoria aos símplices; alegra o coração e ilumina os olhos; permanece para sempre, é verdadeira e justa; é mais desejável do que o ouro e mais doce do que o mel. Por isso, sem dúvida, ela é lâmpada para os nossos pés e luz para o nosso caminho (Sl 119-105).
A esta Palavra Divina, completa e suficiente para nos conduzir em tudo aquilo que se refere à nossa redenção, santificação e conhecimento de Deus, o Senhor concedeu caráter exclusivo e infalível, iluminando os que a leem com humildade e desejo de conhecer os caminhos da fé.
c) Aplicada à vida prática, o seu efeito é patente e objetivo. Daí a razão das palavras de Paulo a Timóteo, palavras que figuram no outro texto básico de nosso estudo. A Bíblia, como regra divina, infalível e suficiente, ensina, repreende e corrige para educar na justiça.
Por ela o homem se habilita para toda boa obra. Que livro, no mundo, pode ser comparado às Escrituras Sagradas? Outros livros sagrados de diversas religiões do mundo, embora possam brilhar como expressões avançadas da filosofia humana, não se comparam com os lampejos de sabedoria divina, vivos e permanentes nas páginas das Santas Escrituras.
3 - AS ESCRITURAS COMO REGRA ÚNICA DE FÉ E PRÁTICA
a) Escrevendo aos Gálatas, Paulo declara: "Mas, ainda que nós, ou mesmo um anjo vindo do céu vos pregue evangelho que vá além do que temos pregado, seja anátema" (Gl 1.8).
Proibindo, com severas penas, que se tire ou acrescente qualquer coisa da Palavra de Deus, o Apocalipse (22.18,19) encerra definitivamente, para esta dispensação, o ciclo da revelação de Deus.
Embora a proibição a que aludimos se refira, especialmente, ao Livro de Apocalipse, ela, sem dúvida, se estende a toda a Bíblia, pois a revelação de Deus não está contida apenas em Apocalipse, mas, evidentemente, em toda a Bíblia.
Qualquer outro ensino, pois, venha de onde vier ou venha de quem vier, no que respeita à verdade da fé e da salvação, deve ser rejeitado pelo cristão verdadeiro, visto que tal ensino, segundo Paulo, é "anátema".
b) Quando, por exemplo, certas correntes espiritualistas se nos apresentam como forma nova e atual de revelação - sem nos referirmos às fraudes sobejamente comprovadas em muitas de suas práticas - convém indagar que é que os espíritos (!) têm ensinado de novo, que possa ser acrescentado ao Evangelho, como seu complemento.
Muitos dos ensinos obtidos nessas sessões, quando não são flagrantemente contrários ao Evangelho, estão muito aquém dele! Logo, a chamada revelação dos espíritos carece de sentido. A Bíblia, quando refere práticas que se assemelham a isso, o faz para condená-las. Vejam-se: Dt 18.9-14; Lv 20.27. Em 1 Sm 28.8-25, descreve-se, ao que parece, uma sessão de consulta aos mortos.
Porém, o que aí se passa, deve ser considerado à luz dos vs. 3 e 9 do mesmo capítulo. Nestes dois versículos se diz que Saul tinha desterrado do seu reino a todos os adivinhos e encantadores. Quando?
Na época em que era obediente a Deus. Agora, segundo 1 Sm 28, depois que abandonou a Deus, busca auxílio daqueles cuja vida e obra o Senhor condena!
c) Em matéria de autoridade religiosa a Bíblia é única, pois só ela contém a revelação de Deus, do Seu amor, da natureza do pecado, da redenção que Deus mesmo providenciou em Cristo, Seu Filho eterno, e contém, finalmente, a revelação da vida futura, doutrina que nos enche de esperança e nos mostra, de maneira inequívoca, que as nossas mais profundas aspirações de natureza espiritual e moral, têm, na eternidade, junto a Deus, a mais plena satisfação.
Veja-se, para exemplo, Ap. 21.
CONCLUSÃO
A vida cristã deve, pois, ser dirigida pelas luzes que nos veem das Escrituras Sagradas. Tudo aquilo que, em matéria de religião, se ensina fora da Bíblia, deve ser aferido e julgado por ela.
Podemos ensinar e receber doutrinas que não estejam na Bíblia (pois fora da Bíblia há muita coisa boa e verdadeira), mas não podemos receber nem ensinar, sem incorrermos nas penas registradas em Apocalipse, doutrinas que sejam explícita ou implicitamente contrárias às Escrituras Sagradas.
Lista de estudos da série
01. O segredo para confiar plenamente no cuidado de Deus – Estudo Bíblico sobre Deus Pai02. A verdade oculta sobre o mal que bloqueia suas orações – Estudo Bíblico sobre o Pecado
03. O único caminho infalível para alcançar a paz com Deus – Estudo Bíblico sobre Jesus Cristo
04. Como ser guiado pelo poder sobrenatural do Consolador – Estudo Bíblico sobre o Espírito Santo
05. A chave secreta para um novo recomeço com Deus – Estudo Bíblico sobre Arrependimento e Fé
06. O método simples para se tornar um cristão maduro e forte – Estudo Bíblico sobre Crescimento Espiritual
07. Encontre o seu propósito e se sinta útil em sua igreja – Estudo Bíblico sobre Serviço Cristão
08. Como descobrir e usar seu talento especial no Reino – Estudo Bíblico sobre Dons Espirituais
09. O significado profundo que poucos entendem sobre Batismo e Ceia – Estudo Bíblico sobre Batismo e Ceia
10. Por que a Bíblia ainda é o livro mais poderoso do mundo – Estudo Bíblico sobre as Santas Escrituras
11. O mistério da promessa antiga que mudou a história humana – Estudo Bíblico sobre o Natal
12. O que acontece de verdade no momento depois da morte – Estudo Bíblico sobre a Vida Futura
