Efésios 4.7-16
Crescimento é fenômeno que caracteriza os seres vivos. Crescem as plantas e crescem os animais. Todo ser vivo cresce, todo ser vivo tem organização.
Esta pode ser simples, como a dos protozoários (= seres vivos monocelulares, isto é, constituídos de uma célula só, como a ameba, por exemplo) e pode ser muito complexa como a do homem.
No entanto, cresce a ameba e cresce o homem, atingindo, cada um, o tamanho e o amadurecimento próprios da sua espécie, segundo a sua natureza. Assim ocorre com todo ser vivo, seja ele vegetal ou animal.
O estudo de hoje, porém, focaliza o crescimento espiritual do homem, especialmente do homem que Cristo redimiu. Uma vez nascido espiritualmente, é preciso crescer, é preciso desenvolver-se.
1 - CRESCER NA GRAÇA
a) Como todo crescimento, o crescimento espiritual é lento, isto é, obedece a leis que lhe são próprias. Jesus Cristo mesmo, não obstante ser o Filho eterno de Deus, esteve sujeito à lei do crescimento, tanto no corpo como no espírito.
No Evangelho de Lucas 1.80, lemos que "o menino crescia e se fortalecia em espírito". No mesmo Evangelho, 2.40, Lucas nos informa que "crescia o menino e se fortalecia, enchendo-se de sabedoria; e a graça de Deus estava sobre ele".
Em Cristo, porém, a graça que Lhe era própria, como Filho de Deus, ia-se manifestando, ia-se tornando patente à medida que Ele ia crescendo, à medida que a plenitude de Deus se revelava nele.
b) Na Segunda Carta a Timóteo 2.1, Paulo diz ao seu filho na fé: "Tu, pois, filho meu, fortifica-te na graça que está em Cristo Jesus". Sim, a graça em que devemos crescer e pela qual devemos fortalecer o nosso caráter, está em Cristo Jesus.
É a graça suficiente, é a graça que nos basta (2 Co 12.9), pois esta graça - à qual temos acesso pela fé (Rm 5.2) - nos torna aptos para a salvação e nos ajuda não só a fazermos a vontade de Deus, mas, também, a observarmos os Seus mandamentos. É esta graça que torna diferente o salvo do não salvo e é ela também que permite, aos remidos do Senhor, compreender e amar as coisas que são de Deus (1 Co 2.14).
c) O crescimento espiritual do crente bem como o crescimento espiritual da igreja são proporcionais à intensidade e ao interesse que o crente e a igreja manifestam na busca desta graça, isto é, na busca de sua posse plena.
Se Pedro, segundo o texto central da nossa lição, nos aconselha a crescermos na graça, é porque este crescimento não só é possível como também é necessário.
Em Efésios 4.13, texto básico do estudo de hoje, o apóstolo Paulo nos dá o padrão deste crescimento, dizendo: "Até que todos cheguemos à unidade da fé e do pleno conhecimento do Filho de Deus, à perfeita varonilidade, à medida da estatura da plenitude de Cristo".
Cristo, pois, é o nosso modelo, é o alvo para a perfeição da nossa vida.
Entretanto, Cristo é modelo dinâmico, isto é, não fica entronizado no pedestal de Sua perfeição - à espera de que O alcancemos -mas, pelo Seu Espírito, movimenta-se até nós, pelo Seu poder e Sua graça, nos eleva, nos santifica e nos torna participantes da Sua natureza (Hb 12.10). Vejam-se ainda os seguintes textos: Fp 1.7; Hb 3.14; 6.4,5; 2 Pe 1.4.
2 - CRESCER NO CONHECIMENTO
a) Crescer no conhecimento de Cristo não significa saber tudo a respeito dele, pois há pessoas que são mestres nos assuntos que se referem a Cristo sem, contudo, terem o menor conhecimento de Sua pessoa, daquilo que Cristo é e significa para o homem. Para ser conhecido, Cristo precisa ser amado.
Pascal disse que as coisas humanas, para serem amadas, precisam primeiro ser conhecidas; as divinas, porém, disse ele, para serem conhecidas, primeiro precisam ser amadas. E isso que se dá com Jesus Cristo. Tentar conhecê-lo só pela inteligência é levantar barreiras intransponíveis à compreensão da Sua pessoa.
Paulo, ainda, em sua carta aos Efésios, 4.15, nos diz de que modo podemos crescer no conhecimento de Cristo. Eis as duas palavras: "Mas, seguindo a verdade em amor, cresçamos em tudo naquele que é o cabeça, Cristo".
Sem seguir a verdade em amor, não é possível crescer no conhecimento de Cristo, pois seguir a verdade sem amor é enveredar pelos caminhos da injustiça e da violência e é, portanto, desviar-se do caminho que leva ao conhecimento de Cristo.
b) Seguindo a verdade em amor, cresceremos no conhecimento de Cristo e este conhecimento, sem dúvida, nos levará à unidade da fé, de que nos fala o texto básico do estudo de hoje.
Unidade da fé não significa uniformidade de pontos de vista a respeito de Cristo nem significa que todos tenham a mesma opinião sobre a pessoa e os ensinos de Cristo.
Quando as opiniões, embora divergentes, respeitam e acatam a pessoa e a obra de Cristo, a unidade da fé subsiste, porque, na divergência de opiniões, manifesta-se a riqueza da multiforme sabedoria de Deus (Ef 3.10).
A unidade da fé desaparece quando as opiniões, deixando de divergir apenas na forma, passam a negar e a contradizer a pessoa e a obra de Cristo, nos termos em que as Santas Escrituras no-las apresentam.
Não tenhamos medo da variedade, porque ela é perfeitamente compatível com a unidade. A imensa variedade de indivíduos que compõem a raça humana, não depõe, em hipótese alguma, contra a unidade do gênero humano.
c) O nosso crescimento, no conhecimento de Cristo, não deve incompatibilizar-nos com a verdade da revelação de Deus, pois, do contrário, resultaria o absurdo de estarmos admitindo compatibilidade de natureza entre a justiça e a iniquidade e entre a luz e as trevas, compatibilidade que Paulo condena na Segunda Carta aos Coríntios, 6.14.
Há pessoas que pelo fato de aceitarem a Cristo, acham que podem desconsiderar o resto da Revelação de Deus.
O conhecimento que temos de Cristo, no entanto, deve manifestar-se objetivamente em nossos atos e pensamentos, pois não basta sabermos que Cristo salva e nos justifica diante de Deus, se continuarmos a viver e a agir como se fôssemos filhos das trevas ou da injustiça.
A nossa bem-aventurança não está apenas em sabermos as coisas que são de Cristo, mas em praticá-las (Jo 13.17 e Tg 1.25). Quanto mais conhecemos a Cristo tanto mais plena e profunda deve ser a nossa vida, tanto mais abundantes devem ser os frutos deste conhecimento que se baseia no amor que temos para com Deus.
3 - COMO SE PROCESSA ESTE CRESCIMENTO?
a) No organismo animal e vegetal, por mais simples que sejam tais organismos, o crescimento harmônico do todo está condicionado ao crescimento das células que os constituem.
No desenvolvimento da vida animal e vegetal, o alimento é fator de fundamental importância. Compare-se, por exemplo, uma criança bem nutrida com outra subalimentada. Que diferença!
Compare-se, ainda, uma planta que vive em solo fértil com outra que vive em terreno sáfaro, pobre de nutrientes. Que diferença!
O vigor do corpo, afora a herança biológica, depende quase que exclusivamente da alimentação. Na vida espiritual é a mesma coisa. Afora a herança espiritual que recebemos de Deus, pelo novo nascimento, o nosso crescimento espiritual depende do alimento que ingerimos diariamente.
b) Em sua Primeira Carta 2.2, Pedro diz: "Desejai ardentemente, como crianças recém-nascidas, o genuíno leite espiritual, para que por ele vos seja dado crescimento para salvação".
Empregando a palavra genuíno, Pedro, logicamente, admite a existência de alimento espiritual falsificado, alimento que, ao invés de nutrir o espírito, o enfraquece pela falta de propriedades nutritivas e o envenena pela ação tóxica que, em geral, o caracteriza.
Em outras palavras, há muita religião deformada que age, no espírito, como age no corpo o alimento deteriorado! Pedro insta conosco para que nos alimentemos com o genuíno leite espiritual, que desintoxica as nossas almas, fortalece os nossos corações, dando-nos energias para glorificarmos a Deus.
c) Certas formas de cristianismo - na realidade deformações do verdadeiro espírito do Evangelho - constituem para o homem constante ameaça à sua vida espiritual.
Dando a impressão de que o alimenta, de que o nutre com as formas aparatosas de culto, tais formas de religião, na realidade, ao invés de determinar o crescimento espiritual harmônico, proporcionado e progressivo, provoca o inchaço espiritual, do qual o orgulho é a forma mais comum (Cl 2.18).
O alimento que nos deve nutrir está na Palavra de Deus. O alimento dos quais nos devemos afastar são as opiniões de homens mentirosos e hipócritas (1 Tm 4.1-5), de homens desobedientes a Deus e enfatuados, traidores, atrevidos, mais amigos de prazeres do que amigos de Deus (2 Tm 3.1-9).
Para que possamos ver os benefícios de uma nutrição espiritual adequada, basta ver um crente bem alimentado espiritualmente. Os frutos do viver diário mostram a diferença entre um cristão bem alimentado espiritualmente e um cristão mal alimentado. Que diferença!
CONCLUSÃO
Se desejamos ser crentes operosos, cheios de saúde espiritual, alimentemo-nos cotidianamente de Cristo, e, assim, chegaremos a ser personalidades espiritualmente amadurecidas, aptas para a obra do Senhor.
Do contrário, não sairemos da infância espiritual e, como consequência, agiremos sempre como meninos, incapazes de realizar tarefas próprias dos que já chegaram à idade espiritual adulta.
Nossa sociedade precisa de homens e mulheres que ostentem as qualidades da personalidade de Jesus Cristo, produtos do espírito submisso ao Senhor, do espírito que não conhece temor, a não ser o temor de Deus.
Lista de estudos da série
01. O segredo para confiar plenamente no cuidado de Deus – Estudo Bíblico sobre Deus Pai02. A verdade oculta sobre o mal que bloqueia suas orações – Estudo Bíblico sobre o Pecado
03. O único caminho infalível para alcançar a paz com Deus – Estudo Bíblico sobre Jesus Cristo
04. Como ser guiado pelo poder sobrenatural do Consolador – Estudo Bíblico sobre o Espírito Santo
05. A chave secreta para um novo recomeço com Deus – Estudo Bíblico sobre Arrependimento e Fé
06. O método simples para se tornar um cristão maduro e forte – Estudo Bíblico sobre Crescimento Espiritual
07. Encontre o seu propósito e se sinta útil em sua igreja – Estudo Bíblico sobre Serviço Cristão
08. Como descobrir e usar seu talento especial no Reino – Estudo Bíblico sobre Dons Espirituais
09. O significado profundo que poucos entendem sobre Batismo e Ceia – Estudo Bíblico sobre Batismo e Ceia
10. Por que a Bíblia ainda é o livro mais poderoso do mundo – Estudo Bíblico sobre as Santas Escrituras
11. O mistério da promessa antiga que mudou a história humana – Estudo Bíblico sobre o Natal
12. O que acontece de verdade no momento depois da morte – Estudo Bíblico sobre a Vida Futura
