O único caminho infalível para alcançar a paz com Deus - Estudo Bíblico sobre Jesus Cristo


Lucas 15.1-7; Rm 6-11

A lição de hoje, por tratar de assunto muito batido, poderá parecer a muitas pessoas lição sem importância. Convém, no entanto, que o aluno esteja advertido de que o fato de ser assunto batido nem sempre significa que é assunto sabido.

A Pessoa de Cristo, como Salvador da raça, está indissoluvelmente ligada à obra da expiação e esta, ao que se pode inferir do que se vê e ouve, é muito mal conhecida pela maioria dos cristãos.

O assunto é vasto, rico e de suprema importância para nós. Estudemos esta lição, e leiamos as passagens bíblicas indicadas no corpo do comentário.

1 - OS OFÍCIOS DE CRISTO

a) Na Sua Pessoa, na Sua Vida e na Sua Obra, Jesus Cristo preencheu, satisfatoriamente, os ofícios de profeta, sacerdote e rei. Dizemos satisfatoriamente - e o fazemos à luz da Revelação de Deus - porque em nenhum destes ofícios Cristo deixou de ser perfeito e completo.

Tudo indica que o Profeta prometido em Dt 18.15 e descrito no Livro de Isaías, caps. 40 a 66 é o Messias, o Ungido de Deus. No Evangelho de Lucas, 4.16-21, lendo Isaías 61.1,2, Jesus, depois de terminada a leitura, disse: "Hoje se cumpriu a Escritura que acabais de ouvir".

No cap. 49.1-7 do seu livro, Isaías fala do sucesso total do Servo do Senhor, dizendo: "Os reis o verão, e os príncipes se levantarão; e eles te adorarão por amor do Senhor, que é fiel, e do Santo de Israel, que te escolheu".

b) A autoridade de que Jesus se revestiu, procedia da Sua natureza divino-humana, pois Ele conhecia a Deus como jamais alguém O conheceu. Vejam-se os seguintes textos: Mt 11.17; Jo 1.18 e 16.15.

Falando com autoridade, Jesus "ensinou, como nenhum outro, o fundamento da religião, os fatos sobre os quais ela se baseia, a essência do serviço divino, a natureza do pecado, a graça de Deus, os meios da expiação, as leis de Deus e o estado futuro". Exercendo o ofício de sacerdote, Cristo foi, ao mesmo tempo, mediador e vítima.

Todo o ritual de sacrifício da Antiga Dispensação, não obstante ser imperfeito como era, tipificava o sacrifício perfeito e completo que Cristo haveria de fazer, quando se oferecesse a Deus pelos pecados do mundo. 

O Autor da Carta aos Hebreus, 9.12, nos diz, categoricamente, que Cristo "entrou no Santo dos Santos, uma vez por todas, tendo obtido eterna redenção".

c) Sendo sacerdote e vítima perfeita, Jesus pôde realizar sacrifício perfeito e completo. Assim, por Sua morte expiatória, Cristo se tornou o Único Mediador entre Deus e os homens (1 Tm 2.5), o Mediador de superior aliança (Hb 8.6), o Mediador da nova aliança (Hb 9.15; 12.24).

Tudo o que o homem, agora, possa fazer para se colocar como mediador entre Deus e os homens, além de estar usurpando o direito exclusivo de Cristo, estará sendo esforço inútil, porque sem sentido e destituído de qualquer valor real.

Quando o véu do templo se rasgou do alto a baixo (Mt 27.51), caiu a parede que separava o homem de Deus e o sistema sacerdotal - na religião revelada - perdeu a razão de ser. 

Cristo abriu o caminho do homem para Deus, fazendo-se, Ele mesmo, por Seus próprios merecimentos eternos e exclusivos, o Mediador de todos os que buscam a Deus.

2 - JESUS TINHA CONSCIÊNCIA DE SUA MISSÃO SALVADORA

a) Para responder às censuras que Lhe faziam os escribas e os fariseus, pelo fato de receber pecadores, andar e comer com eles, Jesus contou três parábolas: a da Ovelha Perdida, a da Dracma Perdida e a do Filho Pródigo. 

Em cada uma delas Jesus retrata uma situação humana diferente, mas, nas três Ele focaliza a profundidade e a espontaneidade do amor de Deus, em favor dos pecadores. Os ensinos de Jesus estão intimamente ligados à ideia de sacrifício.

Em Mateus 16.24,25, a vida cristã, sua plenitude e valor, estão associados à cruz; a restauração do homem à sua comunhão com Deus está ligada à ideia de padecimento (Mt 16.11-22); em Mateus 18.11, Jesus declara que o Filho do homem "veio salvar o que estava perdido"; em Mateus 20.28, Jesus afirma que o "Filho do homem não veio para ser servido, mas para servir e dar a sua vida em resgate de muitos". Vejam-se, ainda, as seguintes passagens: Lc 22.27; 1 Tm 2.6; Tt 2.14 e 1 Pe 1.19.

b) A morte expiatória de Cristo, pois, tendo sido predeterminada por Deus (2 Tm 1.9 e Ap 13.8), fazia parte do plano divino para a redenção dos homens. 

Os evangelhos nos dizem que os inimigos de Jesus, várias vezes, esboçaram o desejo de prendê-lo e matá-lo, e que só não o fizeram, porque ainda não era chegada a sua hora (Jo 2.4; 7.6; 7.30; 8.20; 12.23 e 17.1).

Infere-se destas e de outras passagens paralelas que a prisão e a morte de Jesus deviam ocorrer em tempo próprio - nem antes nem depois. Quem, pois, impediu que os inimigos de Jesus lançassem mão dele, quando ainda não era tempo? 

Por outro lado, quem permitiu que O prendessem e matassem quando chegou a ocasião aprazada? Falando da morte de Jesus, Pedro diz: "Sendo este entregue pelo determinado desígnio e presciência de Deus, vós o matastes, crucificando-o por mão iníquas".

c) Assim, em Cristo, Deus providenciou a Pessoa e o Meio pelos quais o homem pudesse ver restabelecida a sua comunhão com Ele.

Segundo este ensino, portanto, o homem não se salva pelas boas obras, como ensinam sistemas baseados em obras, mas se salva pela graça de Deus, por meio da fé em Cristo. 

A importância das boas obras, na vida cristã - e elas têm muita importância - pesa como prova da nossa santificação e não como causa da nossa salvação.

Para Deus, as obras que têm valor são as que produzimos como frutos da nossa fé, como prova de nossa gratidão pela salvação que Ele nos deu em Cristo. Fora disto, as boas obras em nada contribuem para a nossa salvação. Poderão, é verdade, fazer o nosso cartaz diante dos homens, mas não nos habilitam para a salvação.

3 - A OBRA DE EXPIAÇÃO

a) Em sua Segunda Carta aos Coríntios, 5.19, Paulo faz esta declaração confortadora: "... Deus estava em Cristo reconciliando consigo o mundo, não lhes imputando os seus pecados". A ideia de reconciliação com Deus se encontra, praticamente, em todas as religiões que têm ritual de sacrifício.

Em geral, Os sacrifícios, nas religiões pagãs, eram feitos com dois objetivos: a) aplacar a ira da divindade ofendida (forma de reconciliação); b) obter favores da divindade. 

No Antigo Testamento, como se vê nos exemplos de Abel e Caim (Gn 4.3,4), de Noé (Gn 8.20) e de Abraão (Gn 15.9-19), o sacrifício não tinha o propósito de aplacar a ira de Deus, mas, ao contrário, era ato de adoração, de louvor e de culto.

b) O desenvolvimento do sistema sacerdotal do judaísmo, porém, associou ao sacrifício a ideia de propiciação pelos pecados, não para aplacar a ira de Deus, mas, para simbolizar a confissão de pecados e o arrependimento do pecador.

Quando o sacerdote imolava a vítima, o ofertante colocava a mão sobre a cabeça do animal que ia ser sacrificado para simbolizar a transferência da sua culpa. Assim, a culpa do pecador era coberta ou encoberta pelo sangue da vítima.

A palavra hebraica kphar (= cobrir ou encobrir) sugere a idéia de fazer desaparecer a culpa e, por extensão, veio a significar reconciliar, perdoar, obter perdão. Em o Novo Testamento, em Mt 5.24, aparece a palavra grega dialláso (= reconciliação) e katalláso (= reconciliar).

c) Quando Paulo diz que Deus estava em Cristo reconciliando consigo o mundo, está dizendo que Deus mesmo, por Seu amor infinito, tomou a iniciativa de vir ao encontro do homem, criando, em Cristo como Deus-homem a possibilidade de o homem entrar de novo em comunhão com Ele.

Deus o reconcilia, isto é, Deus o cobre com a Sua graça, em Cristo, e o justifica por amor do Seu Filho. Vejam-se: Rm 5.1; Ef 2.13,16; Cl 1.20. Cobrindo-nos com o Seu amor, Cristo esconde, faz desaparecer os nossos pecados, limpa-nos diante de Deus. Cristo é Salvador porque demonstrou eficazmente que pode salvar os que, por Ele, se chegam a Deus e a nenhum deles lança fora (Jo 6.37,45; Mt 10.28,29; 2 Tm 2.19; 1 Jo 2.19).

A redenção que, desde agora, experimentamos, está posta nestes termos pelo Apóstolo Paulo: "Se alguém está em Cristo, é nova criatura: as cousas antigas já passaram; eis que se fizeram novas" (2 Co 5.17).

CONCLUSÃO

Porfiemos por estar em Cristo, porque aquele que "crê no Filho tem a vida eterna; o que, todavia, se mantém rebelde contra o Filho não verá a vida, mas sobre ele permanece a ira de Deus" (Jo 3.36).

Quem está em Cristo, está na igreja; porém, nem sempre quem está na igreja, está em Cristo. Podemos afirmar com certeza absoluta: "Ubi Christus, ibi salus" ("Onde está Cristo, aí está a Salvação").


Lista de estudos da série

01. O segredo para confiar plenamente no cuidado de Deus – Estudo Bíblico sobre Deus Pai
02. A verdade oculta sobre o mal que bloqueia suas orações – Estudo Bíblico sobre o Pecado
03. O único caminho infalível para alcançar a paz com Deus – Estudo Bíblico sobre Jesus Cristo
04. Como ser guiado pelo poder sobrenatural do Consolador – Estudo Bíblico sobre o Espírito Santo
05. A chave secreta para um novo recomeço com Deus – Estudo Bíblico sobre Arrependimento e Fé
06. O método simples para se tornar um cristão maduro e forte – Estudo Bíblico sobre Crescimento Espiritual
07. Encontre o seu propósito e se sinta útil em sua igreja – Estudo Bíblico sobre Serviço Cristão
08Como descobrir e usar seu talento especial no Reino – Estudo Bíblico sobre Dons Espirituais
09. O significado profundo que poucos entendem sobre Batismo e Ceia – Estudo Bíblico sobre Batismo e Ceia
10. Por que a Bíblia ainda é o livro mais poderoso do mundo – Estudo Bíblico sobre as Santas Escrituras
11. O mistério da promessa antiga que mudou a história humana – Estudo Bíblico sobre o Natal
12. O que acontece de verdade no momento depois da morte – Estudo Bíblico sobre a Vida Futura

Semeando Vida

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