2 Coríntios 5.1-8; Apocalipse 21.1-8
Este estudo bíblico, o último deste trimestre, nos coloca diante de uma das mais belas doutrinas do cristianismo: a que trata da vida futura. Em todas as épocas e entre todos os povos - mesmo entre as tribos mais afastadas das civilizações - a crença na vida futura é fato inegável.
Tanto no velho Egito como na índia milenar, entre os esquimós do Norte longínquo como entre as tribos da Terra do Fogo, encontramos viva a operante crença na imortalidade ou na vida futura, pois esta crença é inata, é instintiva no homem.
1 - CONSIDERAÇÕES PRELIMINARES
a) Quem lê Eclesiastes 3.16-22, fica com a impressão de que não há diferença entre os homens e os animais, porque "como morre um, assim morre o outro, todos têm o mesmo fôlego de vida, e nenhuma vantagem tem o homem sobre os animais".
À primeira vista, parece que o autor do Livro de Eclesiastes, sem maiores dificuldades, conclui pela completa identidade entre o homem e os outros animais. Entretanto, somos levados a perguntar: Será esta, de fato, a sua conclusão?
Observando tudo o que sucede debaixo do céu (Ec 1.13), e atentando somente para as coisas que acontecem debaixo do sol (Ec 1.14), parece que ele tem razão. A outra pergunta que se impõe agora, é a seguinte: Será que a vida do homem se resume a tudo o que sucede debaixo do sol?
b) O Livro de Eclesiastes registra uma série de experiências desoladoras que o Sábio teve, enquanto se limitou a buscar, debaixo do sol, isto é, sobre a terra e nos valores da terra, a satisfação para as suas mais profundas aspirações e necessidades espirituais.
Tudo lhe pareceu vaidade e aflição de espírito! No entanto, quando olhou acima do sol, quando buscou a Deus, então percebeu o erro em que laborara, e concluiu o registro de suas experiências com estas palavras sublimes: "De tudo o que se tem ouvido, a suma é: Teme a Deus, e guarda os seus mandamentos; porque isto é o dever de todo homem. Porque Deus há de trazer a juízo todas as obras até as que estão escondidas, quer sejam boas, quer sejam más" (Ec 12.13,14).
c) Para que temer a Deus, se na morte o homem se extingue e acaba como os animais? Se a conclusão final do Sábio - a respeito de tudo o que se tem ouvido - é a de que o homem deve temer a Deus e guardar os seus mandamentos, segue-se que ele não o considera semelhante aos outros animais.
Só há uma razão para o homem temer a Deus: é o ter de ser ele julgado por Deus! A experiência mostra ao Sábio que, neste mundo, nem sempre o homem paga pelas suas injustiças e, portanto, se há justiça, ela deve manifestar-se na vida futura.
Aí, o juízo de Deus se exercerá sobre todas as obras do homem, inclusive sobre aquelas que estão escondidas aos nossos olhos.
Só a crença na sobrevivência do homem após a morte pode explicar a conclusão final do autor do Livro de Eclesiastes. Na realidade, pois, ele não coloca o homem no mesmo nível dos animais.
2 - A VIDA FUTURA NO ANTIGO TESTAMENTO
a) No livro de Jó, nos Salmos e nos Profetas há referências à crença na vida futura ou na imortalidade. Registrando um fato-símbolo, o livro de Jó ilustra, de modo vívido, a crença na imortalidade e a correspondente realidade da vida futura.
Jó 19.25-27
"Porque eu sei que o meu Redentor vive, e por fim se levantará sobre a terra. Depois, revestido este meu corpo da minha pele, em minha carne verei a Deus. Vê-lo-ei por mim mesmo, os meus olhos o verão, e não outros"
Depois de ter sido arrastado à mais profunda miséria - pois perdeu todos os seus bens, os filhos e a saúde - Jó, em meio a dores e sofrimentos indescritíveis, abre a sua boca e entoa o cântico de fé que acabamos de transcrever!
b) "Mudou o Senhor a sorte de Jó, quando este orava pelos seus amigos; e deu-lhes o dobro de tudo quanto antes possuía" (Jó 42.10).
Ainda nesta vida, Jó sentiu, Jó experimentou as bênçãos do Redentor em quem confiara, pois foi levantado da miséria em que se achava, e provou de novo a plenitude da bênção que perdera!
Jó, que confiava em Deus e esperava nele, sabia que, mesmo do pó, isto é, mesmo depois de destruída a sua carne, ele veria a Deus com os seus próprios olhos, com os olhos do seu ser sobrevivente. Isaías diz que a sepultura não pode louvar a Deus nem a morte pode glorificá-lo, mas os vivos, estes sim o louvarão! Veja-se Is 28.18,19.
c) No Antigo Testamento, a ideia de imortalidade ou vida futura está indissoluvelmente associada à relação que o homem, como criatura, tem com Deus, o Criador.
Criado à imagem e semelhança de Deus, o homem pode conhecê-lo e pode entrar em comunhão com Ele, e esta comunhão que começa aqui, se prolonga através de toda a eternidade. Enoque e Elias (Gn 5.24 e 2 Rs 2.11,12, respectivamente), receberam a bênção da incorrupção, pois não provaram a morte nem seus efeitos.
Na cena da transfiguração Elias aparece falando com Jesus, provando, portanto - bem como Moisés - estar vivo e no gozo de plena consciência, não obstante ter desaparecido deste mundo há muitos séculos. Vejam-se Sl 49.15 e 73.24. Como imagem de Deus, o homem é personalidade que não pode extinguir-se (Gn 1.27), pois ele foi criado para a imortalidade (Gn 2.17 e 3.22). Veja-se Ap 2.7.
3 - A VIDA FUTURA EM O NOVO TESTAMENTO
a) Em o Novo Testamento, a ideia da imortalidade se torna patente e concreta em Jesus Cristo.
Segundo Pedro, Deus, de acordo com a Sua "muita misericórdia, nos regenerou para uma viva esperança mediante a ressurreição de Jesus Cristo dentre os mortos" (1 Pe 1-3), e, segundo Paulo, Jesus Cristo destruiu a morte e trouxe à luz a vida e a imortalidade (2 Tm 1.10).
A ressurreição de Cristo constitui a garantia da realidade da vida futura. Esta é a razão por que Paulo, segundo o primeiro texto básico deste estudo bíblico, sabe que se a nossa casa terrestre, isto é, se este corpo se desfizer, temos da parte de Deus um edifício, casa não feita por mãos, casa eterna nos céus. Leia-se Jo 14.1-3
b) Para o apóstolo, o morrer não significa ser despido da vida, como parece, mas é o meio pelo qual somos absorvidos pela vida.
Para nos dar a garantia deste fato ou desta realidade transcendente, Paulo declara que Deus nos preparou para isto e nos deu o penhor do Espírito.
Tão certo está o apóstolo a respeito da vida futura, que chega a afirmar: "Entretanto, estamos em plena confiança, preferindo deixar o corpo e habitar com o Senhor".
Estas palavras nos dão a medida da certeza de Paulo quanto à vida futura, pois ele sabe, pela fé, que logo após a morte estará com o Senhor, na posse do pleno gozo e no gozo da plena consciência.
c) A passagem de Apocalipse, que também figura como texto básico de nosso estudo, nos mostra que, no além túmulo, a vida com Cristo não conhecerá lágrima, nem morte, nem pranto, nem dor.
É vida de gozo, de paz e de alegria. Entretanto, o crente, para gozar destas bênçãos, não precisa aguardar a morte e a vida que se lhe segue, pois a graça de Deus, já nesta vida, faz dele nova criatura.
O crente é renascido e não deve conformar-se com este mundo (Rm 12.2), mas deve despojar-se do homem velho que se corrompe, e renovar-se (Ef 4.22,23), pois ele já se despiu do velho homem e se renovou para o conhecimento daquele que o criou (Cl 3.10).
Não é lógico - e muito menos bíblico - que o homem interior, que se renovou pelo Espírito de Deus, deixe de existir após a morte. Que sentido teriam, para ele, a santificação e o desejo de aperfeiçoar-se espiritualmente? Veja-se 1 Co 15.19.
CONCLUSÃO
Devemos dar graças a Deus por ter Ele revelado, na sua Santa Palavra, as verdades que se relacionam com a vida futura e com a imortalidade. Sem esta revelação, ficaríamos tateando apenas nas nossas experiências limitadas, e a nossa certeza, então, seria muito relativa.
Agora, não. Agora temos a certeza que Cristo nos dá não só com o Seu ensino, mas, sobretudo, com a Sua vitória sobre a morte pela ressurreição. Sejamos, pois, fiéis até à morte, e receberemos a coroa da vida!
Lista de estudos da série
01. O segredo para confiar plenamente no cuidado de Deus – Estudo Bíblico sobre Deus Pai02. A verdade oculta sobre o mal que bloqueia suas orações – Estudo Bíblico sobre o Pecado
03. O único caminho infalível para alcançar a paz com Deus – Estudo Bíblico sobre Jesus Cristo
04. Como ser guiado pelo poder sobrenatural do Consolador – Estudo Bíblico sobre o Espírito Santo
05. A chave secreta para um novo recomeço com Deus – Estudo Bíblico sobre Arrependimento e Fé
06. O método simples para se tornar um cristão maduro e forte – Estudo Bíblico sobre Crescimento Espiritual
07. Encontre o seu propósito e se sinta útil em sua igreja – Estudo Bíblico sobre Serviço Cristão
08. Como descobrir e usar seu talento especial no Reino – Estudo Bíblico sobre Dons Espirituais
09. O significado profundo que poucos entendem sobre Batismo e Ceia – Estudo Bíblico sobre Batismo e Ceia
10. Por que a Bíblia ainda é o livro mais poderoso do mundo – Estudo Bíblico sobre as Santas Escrituras
11. O mistério da promessa antiga que mudou a história humana – Estudo Bíblico sobre o Natal
12. O que acontece de verdade no momento depois da morte – Estudo Bíblico sobre a Vida Futura
