Joel 2.28,29; João 14.16,17; 15.26,27; 16.5-11
Sendo o Espírito Santo a terceira pessoa da Trindade, procedendo do Pai e do Filho, da mesma substância e igual em poder e glória, não só devemos crer nele, amá-lo, obedecê-lo e honrá-lo, mas, também, devemos conhecê-lo melhor do que O conhecemos, a fim de que possamos reconhecer - no indivíduo e na igreja - as atividades que realizam pela direção específica do Espírito Santo, atividades estas que constituem demonstração eficaz da conversão do homem e da fidelidade da igreja.
É o Espírito Santo que nos ensina a discernir os espíritos, isto é, que nos ensina a distinguir entre os homens que vêm a nós em nome de Deus. É Ele que estimula a nossa fé e aprofunda a nossa convicção no poder de Jesus Cristo.
1 - O ESPIRITO SANTO NA ANTIGA DISPENSAÇÃO
Pela providência divina, os judeus conseguiram conciliar muito a sua fé monoteísta, e a sua crença no Espírito Santo de Deus, como distinto do Pai. Em Gn 1.2, se declara que o "Espírito de Deus pairava por sobre as águas".
Pelo Seu poder, pela Sua energia, pela Sua atividade - e agindo no meio do caos primitivo - Ele criou e conduziu as forças cósmicas para dar forma e estrutura ao universo. A ordem e a beleza do cosmos revelam vontade e Inteligência, dois atributos de personalidade.
O Salmo 104.28-30, revelando o poder criador do Espírito de Deus, declara: "Envias o teu Espírito, eles são criados, e assim renovas a face da terra". O Salmo 139.7, falando do Espírito de Deus, no-lo apresenta como onipresente.
Textos como os de Is 48.16; 63.10; Ag 2.5 e Zc 4.6, apresentam-nos o Espírito Santo como claramente distinto de Deus Pai e, já na Antiga Dispensação, preparam a concepção trinitária da Divindade Única, elaborada e definida na era cristã.
b) A ação do Espírito, Espírito de Deus ou Espírito Santo - como é chamado nas Escrituras - se fez sentir, na Antiga Dispensação, naquelas atividades que se relacionavam com a revelação de Deus ao povo de Israel.
É assim que vemos o Espírito do Senhor capacitando Josué (Nm 27.18), dotando de poder os juízes de Israel (Jz 3.10; 6.34; 11.29), dando sabedoria aos artífices (Êx 31.2-4 e 35.31), ungindo Davi (1 Sm 16.13), e ensinando o Seu povo (Ne 9.20).
O Espírito de Deus exerceu estas e outras funções, dentro da economia divina - ou seja, segundo a maneira como as Pessoas da Trindade distribuem funções entre Si - para tornar concreta a revelação que Deus, progressivamente, ia fazendo ao Seu povo.
c) A ação mais expressiva e de maior importância, entretanto, que o Espírito de Deus exerceu na Antiga Dispensação, está ligada às atividades dos profetas de Israel.
Parece que a palavra hebraica ro'eh (= vidente) designava, primitivamente, o profeta em Israel. Mais tarde, no entanto, o profeta foi chamado nabhi (= aquele que fala em nome de Deus, ou fala a mandado de Deus).
No sentido bíblico, o profeta não é só aquele que, na sua mensagem, prevê o futuro; porém, é especialmente aquele que, aqui e agora, tomado pelo Espírito de Deus, fala em nome de Deus, transmitindo a mensagem de Deus para o povo, na situação presente.
O profeta não falava de si mesmo. Veja-se, para exemplo, o texto de 1 Rs 22.14. Em geral, os profetas começavam a sua mensagem indicando a fonte da sua autoridade: "E veio a mim a palavra do Senhor, dizendo".
O Espírito de Deus é quem agia nos profetas, inspirando-lhes a mensagem, fortalecendo-lhes o coração e encorajando-os. Vejam-se as seguintes passagens de Ezequiel: 2.2; 8.3; 11.1,24 e 13.3 (passagem esta em que Deus condena os falsos profetas).
2 - O ESPÍRITO SANTO NA ERA APOSTÓLICA
a) O texto central e os textos básicos da lição de hoje nos falam das atividades do Espírito Santo na era apostólica, em contexto histórico bem diferente e, ao mesmo tempo, bem mais definido.
Escrevendo provavelmente no século VIII A.C., Joel faz a profecia que figura no texto básico da nossa lição, dizendo que o Senhor, depois - isto é, cumprida a promessa que fez nos vs. 23-27 - derramará do Seu Espírito sobre toda a carne.
O verbo derramar, que aparece no texto, sugere manifestação abundante do Espírito, abundância como a da água que cai em forma de chuva. Além disso, sugere que a manifestação vem de cima, vem de Deus.
Os sonhos e as visões mencionados no texto são manifestações secundárias e corroborativas das profecias. Estas não seriam previsões do futuro, propriamente, porém seriam a revelação mais plena do poder e da graça de Deus.
b) Nos textos do Evangelho de João, indicados, como textos básicos desta lição, Jesus está falando do outro Paráclito que haveria de vir, quando Ele Jesus, fosse para junto do Pai.
Na ocasião em que Cristo está falando, parece que as profecias de Joel estão prestes a cumprir-se. Jesus, o primeiro Paráclito, ia deixar os Seus Apóstolos, porém, não ia permitir que eles ficassem sem outro Paráclito: "Eu rogarei ao Pai", disse-lhes Jesus, "e ele vos dará outro Consolador, a fim de que esteja convosco para sempre".
A palavra grega Paracleto aparece cinco vezes em o Novo Testamento: quatro vezes no Evangelho de João e uma vez na sua Primeira Carta. No Evangelho, designa o Espírito Santo; na Carta, porém, refere-se a Jesus Cristo.
Paracleto significa advogado, defensor e, por extensão, veio a significar intercessor. Em o Novo Testamento, o Espírito Santo, o Paracleto, defende o crente, intercedendo, aconselhando, protegendo e, agindo desta maneira, Ele consola, conforta. Daí o nome Consolador.
c) Jesus disse aos seus apóstolos: "Porque ele habita convosco e estará em vós". Segundo a promessa de Jesus, o Espírito Santo, subjetivamente, agiria nos seus apóstolos, atuando em seus corações, dando testemunho de Cristo na sua vida, confirmando e aumentando a experiência de comunhão que eles tiveram com Jesus; objetivamente, estando com os apóstolos, na companhia deles, ajudá-los-ia a dar testemunho de Cristo perante os homens, não só preparando o ambiente em que os apóstolos iriam atuar, mas, também, operando sinais e maravilhas pelos quais Deus fosse glorificado em Jesus Cristo.
Objetivamente, ainda, isto é, como personalidade divina, o Espírito Santo é o Espírito de Deus (Rm 8.14), é Deus mesmo (At 5.3,4), é o Espírito do Pai (Mt 10.20), é o Espírito de Cristo (Rm 8.9), é o Espírito do Senhor (2 Co 3.17). Enfim, é o Espírito Santo (At 2).
3 - A OBRA DO ESPÍRITO SANTO
a) No Pentecoste, segundo Pedro (At 2.16), cumpriu-se a profecia de Joel e, de fato, cumpriu-se a promessa de Cristo. Manifestando-se com grande poder, o Espírito Santo inaugurou, de fato, a era da igreja cristã no mundo. Suas atividades, desde o Pentecoste, têm sido contínuas no mundo.
Os apóstolos, vivendo e operando com poder, começando por Jerusalém, Judéia e Samaria, alargaram as fronteiras do reino de Deus. Desde aquele dia, o Espírito Santo tem agido no sentido de convencer o mundo do pecado, da justiça e do juízo.
O verbo grego elénchein, traduzido por convencer, significava, na linguagem forense dos gregos, demonstrar, refutar, convencer. Traduzia a função do advogado, refutando, demonstrando e convencendo o júri, na defesa da causa que representava. A função do Espírito Santo no mundo, como Paráclito, é a de defensor da causa da verdade revelada (Ele é o Espírito da verdade).
b) Ele defende esta causa através dos servos de Cristo, dando-lhes espírito de sabedoria e de revelação (Ef 1.17), dotando-os de poder, amor e moderação (2 Tm 1.7), tornando-se, nos redimidos, o selo e o penhor de Cristo (Ef 1.13,14).
Todos os que têm o Espírito Santo confessam que Jesus veio em carne (1 Jo 4.2) e sabem discernir as coisas que são de Deus (1 Co 2.14,15). Deste modo, o Espírito Santo dá testemunho de Cristo no coração dos remidos do Senhor (Jo 15.26) e estes, pelo mesmo Espírito, se tornam testemunhas de Cristo no Mundo, perante os homens (Jo 15.27).
Os que ouvem o apelo do Espírito Santo se veem obrigados a decidir: ou creem em Cristo e O aceitam como Salvador ou não creem nele e O rejeitam como tal.
Não há meio termo. Rejeitando a Cristo, pela rejeição do testemunho do Espírito, o homem se torna réu deste pecado de incredulidade.
O Espírito Santo o convence deste pecado, refutando todas as razões que o homem alega para não crer, para não aceitar a Cristo.
c) Convencerá da justiça, isto é, da justiça que vem da fé, daquela justiça que Deus imputa ao pecador por meio de Cristo. Convencerá os homens (= mundo), da necessidade da justificação pela fè, ainda que eles, muitas vezes, rejeitam os benefícios desta justificação que Deus, gratuitamente, lhes outorga em Cristo.
Irá convencê-los do juízo, isto é, da condenação definitiva do príncipe deste mundo. Acabada a obra da redenção, a vitória de Cristo deixou definitivamente julgada e condenada a causa do pecado.
Ficou julgado o príncipe deste mundo e, agora, aguarda ele a ocasião que Deus, na sua providência, determinou para fazê-lo cumprir a pena. Só o Espírito Santo pode, de fato, convencer os homens destas verdades relacionadas com a revelação de Deus.
CONCLUSÃO
O Espírito Santo tem realizado o Seu ministério no Mundo, desde o Pentecoste, como o Vigário (Substituto) de Cristo que é.
O progresso da igreja, a experiência dos salvos e a impenitência dos pecadores renitentes, tudo revela, de modo objetivo, a atuação do Espírito Santo de Deus.
A obra missionária no mundo, especialmente nos últimos tempos, evidencia a atividade do Espírito Santo no coração da igreja. Ele, segundo Paulo (Rm 8.26,27), intercede por nós com gemidos inexprimíveis, fortificando a nossa fé, enchendo-nos de alegria e gozo (Ef 5.18-21).
Lista de estudos da série
01. O segredo para confiar plenamente no cuidado de Deus – Estudo Bíblico sobre Deus Pai02. A verdade oculta sobre o mal que bloqueia suas orações – Estudo Bíblico sobre o Pecado
03. O único caminho infalível para alcançar a paz com Deus – Estudo Bíblico sobre Jesus Cristo
04. Como ser guiado pelo poder sobrenatural do Consolador – Estudo Bíblico sobre o Espírito Santo
05. A chave secreta para um novo recomeço com Deus – Estudo Bíblico sobre Arrependimento e Fé
06. O método simples para se tornar um cristão maduro e forte – Estudo Bíblico sobre Crescimento Espiritual
07. Encontre o seu propósito e se sinta útil em sua igreja – Estudo Bíblico sobre Serviço Cristão
08. Como descobrir e usar seu talento especial no Reino – Estudo Bíblico sobre Dons Espirituais
09. O significado profundo que poucos entendem sobre Batismo e Ceia – Estudo Bíblico sobre Batismo e Ceia
10. Por que a Bíblia ainda é o livro mais poderoso do mundo – Estudo Bíblico sobre as Santas Escrituras
11. O mistério da promessa antiga que mudou a história humana – Estudo Bíblico sobre o Natal
12. O que acontece de verdade no momento depois da morte – Estudo Bíblico sobre a Vida Futura
