O segredo para confiar plenamente no cuidado de Deus - Estudo Bíblico sobre Deus Pai


Mateus 6.24-34

Embora algumas divindades do mundo pagão tenham recebido, também, o nome de Pai — como Zeus Pater, por exemplo — a plenitude desta relação da divindade com o mundo e com os homens só é encontrada, de fato, no Evangelho de Jesus Cristo.

Nenhuma religião ou sistema religioso chegou a compreender e a expressar, plenamente, o caráter essencial da paternidade de Deus, especialmente no que concerne às relações de Deus com o homem como indivíduo. 

Tratando de Deus como nosso Pai Celestial, este estudo a seguir nos coloca diante de uma das mais encantadoras e consoladoras doutrinas do cristianismo.

1 - COMO PAI, DEUS É CRIADOR

1. A paternidade de Deus, em relação ao universo, se manifestou através da obra da criação. Segundo as Escrituras Sagradas, o universo procede das mãos onipotentes de Deus. 

Deixando de lado qualquer preocupação no sentido de demonstrar a existência de Deus, o autor sagrado — aceitando a existência de Deus como axioma, isto é, como verdade que dispensa prova ou verificação — começa afirmando que Deus, no princípio, "criou os céus e a terra" (Gn 1.1).

Assim, como Pai, Deus é Criador. A nossa fé cristã nos leva a aceitar naturalmente a declaração simples, porém firme e categórica de Gênesis: "No princípio criou Deus os céus e a terra". 

O dia em que a Ciência desse explicação satisfatória, harmônica e definitiva a respeito da origem do universo — e esta explicação contradissesse substancialmente as Santas Escrituras — nesse dia, por uma questão de honestidade, seríamos obrigados a reconhecer e a acatar a explicação científica.

Entretanto, a fidedignidade que as Escrituras Sagradas nos merecem, nos autoriza a crer que a verdadeira ciência jamais poderá prescindir de Deus, simplesmente porque ela não tem o poder criador do Deus que se revela na Bíblia. E não há cientista que possa provar como eram as coisas quando tudo começou.

2. O autor da Epístola aos Hebreus, 11.3, referindo-se à origem do universo, declara: "Pela fé entendemos que foi o universo formado pela palavra de Deus, de maneira que o visível veio a existir das cousas que não aparecem".

Se temos de crer nas explicações variadas e, muitas vezes, contraditórias que a Ciência, até agora, tem dado a respeito da origem do universo, creiamos, então na Bíblia, porque — crer por crer — é muito mais conveniente, seguro e sensato crer em Deus do que nos homens.

Mesmo porque, a Ciência, revendo e modificando suas conclusões periodicamente, rejeita hoje o que afirmou ontem e recusará amanhã aquilo que hoje sustenta como verdade. A Bíblia, no entanto, que nos fala do Deus Criador, tem permanecido a mesma através dos séculos.

3. As Escrituras nos dizem que Deus lançou os fundamentos da terra, marcou os limites dos mares, conhece, só Ele, os caminhos da morada da luz, sabe onde é o lugar das trevas, controla os caminhos dos relâmpagos e dos trovões e estabelece as influências dos céus sobre a terra.

Vejam-se as seguintes passagens: Jó 38 e 39; Pv 8.22-29 e 30.4; Is 45.1-12. O Criador que se revela na Bíblia não deu origem apenas ao universo, e, dentro deste, ao mundo em que vivemos, mas também, estabeleceu as leis que governam a vida, tanto as que regem o mundo físico e biológico, como as que condicionam o mundo moral e espiritual.

Tais leis — exatas como são — fazem pressupor, atrás de si, como sua causa primeira, a existência de poderosa personalidade, infinitamente sábia e eminentemente soberana em sua vontade. Leia-se o Salmo 19.7-10, onde a lei de Deus — apresentada sob vários nomes — nos revela o caráter absolutamente perfeito e santo do Deus Criador.

2 - COMO PAI, DEUS É SUSTENTADOR

1. No texto fundamental da lição de hoje, Deus nos é apresentado por Jesus Cristo como o Pai solícito que, no Seu amor e sabedoria, providencia não só o alimento das aves e a roupagem bela e multivariada das flores, mas, também, e especialmente, os recursos e meios de subsistência para os Seus filhos, em tudo superiores às aves e às flores. 

Normalmente, Deus age através dos meios naturais, beneficiando os homens através dos frutos da terra e das próprias obras que eles mesmos produzem.

Em circunstâncias especiais, no entanto — como aconteceu com o povo de Israel — Ele age de maneira também especial, valendo-se de recursos que, em grande abundância e variedade, estão à Sua disposição e sujeitos ao Seu poder.

Deus, hoje, está agindo no mundo através dos recursos quase infinitos que os homens estão multiplicando por meio da Ciência e da Técnica. Dentro da sua economia, Deus dá aos homens a oportunidade e o privilégio de O ajudarem a sustentar o mundo, privilégio que os ímpios têm usado mal.

2. Muitos crentes hoje esperam que Deus se manifeste miraculosamente, esquecendo-se de que o nosso Pai Celestial conta com a fidelidade deles para operar maravilhas no mundo dos nossos dias. A ansiedade pelo dia de amanhã — tão comum nos gentios que vivem sem esperança — martiriza a muitos chamados filhos de Deus.

É que, teoricamente, esperam em Deus, mas, praticamente, agem como se Deus não existisse, como se nunca O tivessem conhecido. Na teoria, servem a Deus, na prática, porém, servem às riquezas, isto é, servem ao presente século, com todo o imenso cortejo de insegurança que ele nos proporciona.

Os verdadeiros filhos de Deus, os que confiam de fato na ação providencial do Pai Celestial, gozam de tranquilidade interior e de plena segurança, pondo o seu coração naqueles bens que não perecem, que a traça e a ferrugem não consomem e que os ladrões não podem roubar.

3. Falando sobre este assunto, Jerônimo disse: "O Senhor não condenou aquele que tem riquezas, mas aquele que serve às riquezas; o que é servo das riquezas, guarda-as como servo; o que, porém, é senhor delas as distribui como senhor". Desgraçadamente, a maioria em nossos dias concorre ativa ou passivamente para a perpetração de injustiças que clamam aos céus.

A ordem econômica hoje dá as cartas na sociedade moderna, ressente-se profundamente da falta de orientação e influência cristã e, por isto, o que deveria ser fonte de bênçãos, tornou-se fonte de amarguras e de cruéis conflitos para o mundo e para os homens. É tempo — aliás já estamos muito atrasados! — de, como filhos de Deus, nos levantarmos para protestar contra toda forma de materialismo e utilitarismo. Os homens estão agindo como administradores que malbaratam os recursos que Deus lhes deu para sustentar o mundo.

3 - COMO PAI, DEUS É AMOR

1. A natureza essencial da paternidade de Deus se revela na Sua relação com o Filho eterno: nosso Senhor Jesus Cristo. "Este é o meu Filho amado, em quem me comprazo" (Mt 3.17). Estas mesmas palavras se repetem na cena da transfiguração (Mt 17.5).

Este amor de Deus, o Pai, pelo Filho eterno, se estendeu ao homem, e, como o homem não pode ter com o Pai Celestial o mesmo tipo de relação que há entre Ele e o Filho, o homem obtém a sua filiação por meio da adoção, isto é, "Deus em Cristo, o adota como filho. Assim, pela redenção que a graça de Deus lhe oferece em Cristo, o homem passa a ser co-herdeiro de Deus (Rm 8.17), com parte na herança da vida eterna.

No Evangelho Segundo João, 1.12,13, somos informados de que àqueles que recebem o Filho, isto é, que creem em Seu nome e O aceitam como Salvador, Deus dá a graça de serem feitos Seus filhos, pois nestas condições terão eles nascido — não do sangue, nem da vontade da carne, nem da vontade do homem — mas de Deus.

2. O texto central nos diz que o fato de sermos chamados filhos de Deus é grande demonstração de amor da parte do Pai para conosco. Como filho de Deus por adoção em Jesus Cristo, o homem passará a ser guiado pelo Espírito de Deus (Rm 8.14), e, nestas condições, é ele libertado do império das trevas e transportado para o reino do Filho do amor de Deus (Cl 1.13), passando a fazer parte da família de Deus (Mt 12.50). Portanto, a relação do filho adotivo com o Pai Celestial não é relação de natureza, mas de graça.

Este filho adotivo, que goza os benefícios da redenção, não pode servir a dois senhores e, também, não pode viver em função daqueles bens materiais que lhe são conferidos para administrar. Sua preocupação primordial, em razão de sua filiação divina, é buscar primeiro o reino de Deus e a sua justiça, pois ele sabe que todas as outras coisas lhe serão acrescentadas pelo Pai Celestial, que é o Originador, o Preservador e o Sustentador da vida.

3. Como filhos eleitos de Deus, adotados por Ele em consequência de Sua graça e misericórdia, não devemos colocar o nosso coração nos bens da terra, porque estes — não obstante úteis e necessários para esta vida — são perecíveis, têm valor muito relativo e duração efêmera, e, por isso, só valem dentro de uma ordem transitória.

Os males do mundo — que resultam fundamentalmente do egoísmo humano — são consequência do desespero do homem, dominado pela ideia de reunir, acumular e guardar riquezas, visando à segurança do dia de amanhã.

Aos que agem desta maneira, Jesus diz: "Louco, esta noite te pedirão a tua alma; e o que tens preparado, para quem será?" (Lc 12.20). Sim, os bens acumulados, tirados criminosamente da circulação lícita, deixam de beneficiar a sociedade, transformando-se em causa real de desespero para muitas e muitas famílias.

Os que, dizendo-se cristãos, agem como o avarento da parábola, estão negando a sua filiação divina e não estão, em hipótese alguma, correspondendo ao amor do Pai Celestial, que lhes confiou bens para serem administrados.

CONCLUSÃO

Se somos filhos de Deus, de fato, nossa vida, neste mundo, deve revelar, de modo objetivo e concreto, a nossa filiação divina.


Lista de estudos da série

01. O segredo para confiar plenamente no cuidado de Deus – Estudo Bíblico sobre Deus Pai
02. A verdade oculta sobre o mal que bloqueia suas orações – Estudo Bíblico sobre o Pecado
03. O único caminho infalível para alcançar a paz com Deus – Estudo Bíblico sobre Jesus Cristo
04. Como ser guiado pelo poder sobrenatural do Consolador – Estudo Bíblico sobre o Espírito Santo
05. A chave secreta para um novo recomeço com Deus – Estudo Bíblico sobre Arrependimento e Fé
06. O método simples para se tornar um cristão maduro e forte – Estudo Bíblico sobre Crescimento Espiritual
07. Encontre o seu propósito e se sinta útil em sua igreja – Estudo Bíblico sobre Serviço Cristão
08Como descobrir e usar seu talento especial no Reino – Estudo Bíblico sobre Dons Espirituais
09. O significado profundo que poucos entendem sobre Batismo e Ceia – Estudo Bíblico sobre Batismo e Ceia
10. Por que a Bíblia ainda é o livro mais poderoso do mundo – Estudo Bíblico sobre as Santas Escrituras
11. O mistério da promessa antiga que mudou a história humana – Estudo Bíblico sobre o Natal
12. O que acontece de verdade no momento depois da morte – Estudo Bíblico sobre a Vida Futura

Semeando Vida

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