O significado profundo que poucos entendem sobre Batismo e Ceia - Estudo Bíblico sobre Batismo e Ceia


Mateus 3.13-17; 28.18-20; 1 Coríntios 11.23-29

A maior parte das igrejas evangélicas chama Sacramento ao Batismo e à Santa Ceia ou Eucaristia. Algumas, entretanto, como as igrejas batistas, por exemplo, os denominam Ordenanças.

Porém, todas as igrejas evangélicas aceitam como Sacramento ou Ordenanças somente o Batismo e a Santa Ceia.

As igrejas evangélicas diferem de outras tradições cristãs não só quanto ao número de Sacramentos, mas, também, diferem delas quanto ao modo de entender e definir o que seja Sacramento.

1 - O BATISMO E A SANTA CEIA EM ALGUMAS TRADIÇÕES ECLESIÁSTICAS

a) Algumas tradições — que sustentam serem sete os Sacramentos (Batismo, Crisma ou Confirmação, Eucaristia, Penitência, Extrema-Unção, Ordem e Matrimônio) — definem Sacramento como "sinal sensível, instituído por Nosso Senhor Jesus Cristo, para produzir a graça nas almas".

Agostinho e Crisóstomo falam em dois Sacramentos, sendo que Agostinho chama de Sacramento ao exorcismo, à dádiva de sal e, às vezes, ao matrimônio; Pedro Damiani, no séc. XI, menciona doze Sacramentos; Abelardo e Hugo de San Victor falam em cinco Sacramentos; Bernardo refere-se a dez Sacramentos, incluindo, entre eles, a sagração dos bispos e a cerimônia do lava-pés.

b) Pedro Lombardo e Tomás de Aquino (séc. XII e séc. XIII, respectivamente), acabaram com a confusão reinante quanto ao número de Sacramentos, e o Concílio de Ferrara, em 1439, adotou o ponto de vista de ambos, o qual, por sua vez, foi ratificado pelo Concílio de Trento (1545-1563).

Se foi Cristo quem instituiu os sete Sacramentos, como se explica que eles só tenham sido descobertos e definidos nos séculos XII e XIII? 

Quanto à definição do Sacramento, dada por essa visão, a experiência está a demonstrar, há séculos, que ela, em hipótese alguma, corresponde à realidade, pois o Sacramento, em si mesmo e de si mesmo, não tem e nem produz graça alguma.

c) Para essa visão teológica, e de acordo com a sua definição, o "Batismo apaga todos os pecados: pecado original, para as crianças; pecado original e pecados atuais, nos adultos".

Embora alguns teólogos citem o texto de Atos 2.38, onde parece que a remissão dos pecados é consequência do Batismo, este modo de conceber o Sacramento do Batismo não resiste, à luz das Santas Escrituras, à crítica rigorosamente evangélica.

Quanto ao Sacramento da Eucaristia ou Presença Real, não obstante a dialética que certos teólogos usam para explicá-lo e defendê-lo, verificamos que, à luz da Bíblia e da física, sua posição é insustentável. Substância, Acidente e Espécies são palavras que se usam para explicar a doutrina da transubstanciação, fruto da idolatria e da superstição.

2 - O BATISMO E A SANTA CEIA PARA OS EVANGÉLICOS

a) Sacramento, para nós evangélicos, não significa mistério, como quis Jerônimo, ao traduzir os textos de Ef 1.9; 1 Tm 3.16; Ap 1.20.

Mesmo porque, a palavra Sacramentum, do Latim, não comporta a ideia de mistério e, portanto, não corresponde àquela palavra grega que Jerônimo traduziu. Para nós, segundo o sentido latino do termo, Sacramento significa pacto, aliança, concerto.

Assim, aos sinais com que Deus selou ou documentou os Seus pactos, alianças ou concertos com os Seus servos, poder-se-ia chamar Sacramentos. Para nós, portanto, Sacramento é sinal, é pacto, é concerto.

No Antigo Testamento, encontramos exemplos de sinais naturais e sinais milagrosos. A árvore da vida (Gn 2.9 e 3.22), é exemplo do primeiro, não porque tivesse vida em si mesma, mas porque lembrava a vida eterna que o homem recém-criado poderia gozar, se obedecesse a Deus. O velo de lã (Jz 6.37-40) é exemplo do segundo.

b) O velo de lã, referido no caso de Gideão, é sinal milagroso de que Deus cumpriria sua promessa feita ao Seu servo Gideão, é sinal de que Deus não falharia no pacto que fizera com ele. 

No Antigo Testamento, pois, Deus fazia pactos, alianças ou concertos e os selava com sinais, como nos dois casos já citados e no caso de Noé (Gn 9.13) e de Ezequias (2 Rs 20.9 e Isaías 38.7,8). 

Com estes sinais, Deus alimentava a fé, aprofundava a esperança dos Seus servos. Não que os sinais tivessem qualquer virtude em si ou de si mesmos, mas, pelo fato de eles serem demonstração do poder e da fidelidade de Deus, no cumprimento de Suas promessas.

c) O Batismo - As palavras gregas que aparecem em o Novo Testamento, para designar o Batismo, são: baptizo, báptisma e baptismos. São empregadas com o sentido de purificação cerimonial (Mc 7.4 e Lc 11.38); são empregadas para significar, simbolicamente, os sofrimentos de Cristo (Mc 10.38,39 e Lc 12.50), e, também, para referir o Sacramento do Batismo.

Este Sacramento é também chamado a água (At 10.47), a lavagem da água (Ef 5.26). Em Atos 22.16 e 1 Coríntios 6.11, aparece o verbo grego apoloúmai (= lavar). 

Na passagem de Atos, atrás referida, lemos: "... levanta-te sê batizado (= baptísai) lava (= apólousai) os teus pecados..." Admitir, nestas e em outras passagens, que a água do Batismo tem, em si mesma, o poder para lavar os pecados, é confundir o símbolo com a coisa simbolizada.

3 - SIGNIFICADO DO BATISMO E DA SANTA CEIA

a) Os Sacramentos são sinais que representam benefícios espirituais (1 Pe 3.20,21) e são símbolos que confirmam, para nós, as solenes promessas que Deus nos fez desses benefícios.

Por esta razão, os Sacramentos se compõem de duas partes: uma externa e sensível - a água, no caso do Batismo; o pão e o vinho, no caso da Santa Ceia - e outra, a graça espiritual significada pela água, pelo pão e pelo vinho.

Ao Batismo, por exemplo, estão associados os seguintes benefícios: remissão de pecados (At 22.16 e Hb 10.22); a regeneração ou o novo nascimento (Tt 3.5,6 e Jo 3.5); o viver segundo Cristo (Gl 3.27); a união com Cristo, na Sua morte, sepultamento e ressurreição (Rm 6.3-6); o dom do Espírito Santo (1 Co 12.13); a filiação à igreja (At 2.41) e o dom da salvação (Mc 16.16 e Jo 3.5). Segundo as Escrituras, portanto, o Batismo se constitui sinal e símbolo de todos estes benefícios espirituais.

b) A água é a matéria do Sacramento do Batismo e as palavras - "Eu te batizo em nome do Pai e do Filho e do Espírito Santo", ditas pelo ministro no ato de batizar - são a forma dele. 

O Batismo pode ser ministrado por imersão, aspersão e afusão, mas a aspersão é a forma bíblica das abluções com sentido de purificação espiritual (Êx 24.6-8; Hb 9.19,20; Sl 51.7; Ez 36.25).

A quantidade de água, na administração do Batismo, não tem a mínima importância. O que importa, de fato, segundo Paulo, é ser o batizando nova criatura, verdadeiramente gerado em Cristo (2 Co 5.17 e Gl 6.15). A SANTA CEIA - Santa Ceia ou Ceia do Senhor são os nomes mais comuns deste Sacramento, usado pelos evangélicos. 

O nome Eucaristia vem do grego eucharistéo (= dar graças), e, portanto, significa Ação de Graças (Mt 26.27). A origem deste Sacramento nos é dada por Mateus 26, Marcos 14, Lucas 22 e 1 Co 11.23-25.

Depois de celebrar a Páscoa, que era festa de Ação de Graças dos judeus, pelo livramento da escravidão do Egito, Jesus instituiu o Sacramento da Santa Ceia, o qual passou a ser, para os cristãos, o símbolo da redenção que Deus nos concedeu em Cristo e, ao mesmo tempo, passou a ser a festa de amor (agápe), na qual, reunidos em torno da Mesa do Senhor, damos graças a Deus por ter Ele cumprido a Sua promessa, o Seu pacto, a Sua aliança com o homem, em Cristo.

c) Depois de consagrados, o pão e o vinho continuam a ser pão e vinho. A eles, porém, na Santa Ceia, estão associadas bênçãos espirituais das quais participamos pela fé. 

Pela fé no Cristo representado nos elementos da Comunhão, alimentamo-nos espiritualmente, e, lembrando-nos do Seu sacrifício feito por nós no Calvário, somos levados a reconhecer as nossas misérias, os nossos pecados, as nossas culpas.

Arrependidos, confessamo-nos ao Senhor, pedimos-lhe perdão e fazemos novos votos de vida fiel e dedicada à Sua Causa, à Sua Pessoa. Assim, saímos da Comunhão confortados, alimentando novos propósitos e aguardando a Segunda vinda do nosso Senhor e Redentor. 

A consagração dos elementos, portanto, dá ao uso do pão e do vinho na Ceia do Senhor, o sentido espiritual que lhe é devido, mas não altera a natureza do pão nem a do vinho.

CONCLUSÃO

O Batismo, segundo o Novo Testamento, é símbolo externo da regeneração interna. Não adianta, pois, a pessoa ser batizada, receber a água do Batismo, se o seu coração não foi transformado pela graça de Deus.

Nos dias de Paulo, alguns faziam muita questão da circuncisão e litigavam por causa dela, como se esta prática, em si mesma, tivesse algum sentido misterioso, ou alguma propriedade miraculosa.

O Batismo tem sentido real e aproveita de fato aos que são realmente regenerados pelo Espírito de Deus, e só estes auferem, também, as bênçãos espirituais que a Santa Ceia ou Ceia do Senhor pode proporcionar aos que dela participam.


Lista de estudos da série

01. O segredo para confiar plenamente no cuidado de Deus – Estudo Bíblico sobre Deus Pai
02. A verdade oculta sobre o mal que bloqueia suas orações – Estudo Bíblico sobre o Pecado
03. O único caminho infalível para alcançar a paz com Deus – Estudo Bíblico sobre Jesus Cristo
04. Como ser guiado pelo poder sobrenatural do Consolador – Estudo Bíblico sobre o Espírito Santo
05. A chave secreta para um novo recomeço com Deus – Estudo Bíblico sobre Arrependimento e Fé
06. O método simples para se tornar um cristão maduro e forte – Estudo Bíblico sobre Crescimento Espiritual
07. Encontre o seu propósito e se sinta útil em sua igreja – Estudo Bíblico sobre Serviço Cristão
08Como descobrir e usar seu talento especial no Reino – Estudo Bíblico sobre Dons Espirituais
09. O significado profundo que poucos entendem sobre Batismo e Ceia – Estudo Bíblico sobre Batismo e Ceia
10. Por que a Bíblia ainda é o livro mais poderoso do mundo – Estudo Bíblico sobre as Santas Escrituras
11. O mistério da promessa antiga que mudou a história humana – Estudo Bíblico sobre o Natal
12. O que acontece de verdade no momento depois da morte – Estudo Bíblico sobre a Vida Futura

Semeando Vida

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