A chave secreta para um novo recomeço com Deus - Estudo Bíblico sobre Arrependimento e Fé


Marcos 1.15

Este estudo bíblico focaliza os efeitos da graça de Deus no coração do homem. Operando no homem, a graça de Deus faz ressurgir nele não só a sensibilidade para o pecado como, também, o horror que a consciência sensível manifesta em relação ao pecado.

No entanto se o homem tivesse, apenas, a sua consciência despertada para sentir os efeitos do pecado, mas, em contrapartida, não recebesse de Deus o auxílio que o habilita a lutar contra o pecado e a vencê-lo, ele atingiria as raias do desespero.

O homem se encontraria nas condições deprimentes de quem conhece o seu mal, mas não conhece remédio para debelá-lo. A fé, porém, vem em seu socorro, Ela é o auxílio de Deus que dá origem e sentido ao arrependimento para a salvação.

1 - QUE É ARREPENDIMENTO?

a) O arrependimento não se confunde nem com o remorso nem com a penitência. Cremos que não erraríamos se disséssemos que o remorso é o arrependimento sem fé e, em geral, leva ao desespero. 

Veja-se o exemplo de Judas Iscariotes, o traidor do Senhor. Depois de ter reconhecido que pecara, traindo sangue inocente (Mt 27.4), Judas enforcou-se.

O verbo grego empregado para expressar o arrependimento de Judas é metamélomai, o mesmo que aparece, por exemplo, em Mt 21.30,32 e em 2 Co 7.8. 

Este verbo expressa o arrependimento que nasce do próprio homem, nasce quando ele mesmo, levado por seus próprios sentimentos, reconhece que cometeu um erro ou uma falta grave contra alguém.

Neste tipo de arrependimento, muito frequente entre os homens, nada há que se pareça com o arrependimento de que nos fala este estudo bíblico. O arrependimento de Judas, estando dissociado, separado da fé, conduziu-o ao desespero e, consequentemente, ao suicídio.

b) Segundo alguns sistemas teológicos, a penitência é um sacramento. É forma de arrependimento e requer a confissão, ao padre, dos pecados cometidos. Depois da confissão, o padre prescreve o que o penitente deve fazer para expiar os seus pecados. 

Associada à penitência, pois, está a necessidade de o penitente - isto é, o que se reconhece e confessa pecador - fazer alguma coisa para expiar os pecados reconhecidos e confessados.

Nas Escrituras, porém, tanto no Antigo como em o Novo Testamento, nada há que justifique tal doutrina. 

Quando o jovem rico perguntou a Jesus que é que devia fazer de bom para herdar a vida eterna, a resposta do Senhor, em última análise, implica que ele, primeiro, devia ser alguma coisa nova. O arrependimento de que nos fala este estudo bíblico, é aquele por meio do qual o homem nasce de novo se torna nova criatura.

c) O verbo grego metanoéo ( = voltar atrás, retratar-se, reconsiderar, arrepender-se) aparece em Mc 1.15 e em At 2.38, além de aparecer em outras passagens. Os dois textos acima indicados são, respectivamente, o texto central e um dos textos básicos da nossa lição.

O arrependimento que ele expressa, não é o que se opera no homem de dentro para fora, por vontade do próprio homem, mas é aquele que, pela graça de Deus, se opera no homem de fora para dentro. 

O verbo metanoéo se compõe de duas palavras gregas: metá (que, em alguns compostos, indica mudança de meio ou de condição) e nous (= mente, entendimento).

Assim, o arrepender-se, no sentido do Novo Testamento, consiste em mudar o estado da mente ou do entendimento, dando-lhe nova condição de vida. Esta operação é realizada pelo Espírito de Deus na mente do homem.

Quando Deus opera, o homem se reconhece pecador, sente profunda tristeza em relação ao pecado, volta as costas para as paixões que antes o atraíam e dominavam, e, olhando para Deus, inicia a marcha da nova vida em Cristo, progredindo sempre no caminho ascensional da santificação.

2 - A FÉ SALVADORA

a) Durante a Idade Média, entre os escolásticos, desenvolveu-se uma noção de fé muito peculiar. A fé, que muitos conheciam era nascida de convicções que a razão produzia na mente do teólogo. Era fé explicável.

A este tipo de fé, Lutero chamou frigida opinio ( = opinião fria), porque não produzia efeitos, não dava frutos. 

Entretanto, a fé de que nos fala a Bíblia - e que Lutero descobriu através de sua experiência pessoal com Jesus Cristo - não se explica racionalmente, é inexplicável, mas os frutos que ela produz na vida do homem que a recebe e desenvolve, atestam a sua eficiência.

Por meio desta fé recebemos a graça salvadora que Deus nos dá em Jesus Cristo. É a fé que vem pela pregação e a pregação pela palavra de Cristo (Rm 10.17). 

Aos que gozam dos benefícios desta fé - e é o Espírito de Deus que testifica, em nosso coração, que somos filhos de Deus (Rm 8.16) - compete pregar a tempo e fora de tempo a salvação que Deus, em Cristo, providenciou para os homens.

b) Embora o arrependimento e a fé para a salvação sejam, ao que parece, experiências praticamente simultâneas, isto é, experiências que ocorrem ao mesmo tempo, somos levados a pensar, logicamente, que a fé precede o arrependimento, que a fé nasce antes de o homem arrepender-se. A grande maioria dos textos bíblicos, pelo menos, nos leva a esta conclusão: Mc 5.36; 16.16; Lc 8.50; Jo 1.7; 3.16

O mesmo se vê no Livro de Atos dos Apóstolos, nas Cartas de Paulo, de Pedro e de João. O nosso texto central no entanto, diz: "Arrependei-vos e crede no evangelho" (Mc 1.15). Não obstante a ordem ser inversa nesta passagem, estamos convencidos de que a ênfase dada por Jesus ao arrependimento não altera a ordem lógica do fato, como ele se processa segundo a providência de Deus e de acordo com a experiência humana.

Se o homem só se arrepende e se reconhece pecador depois que a graça de Deus lhe toca o coração, segue-se que o arrependimento já é, em si mesmo, efeito da ação divina na vida do homem.

c) O que caracteriza a fé salvadora, segundo o Novo Testamento, são alguns atos que lhe são próprios. Por ela o pecador aceita e recebe a Jesus Cristo; por ela o homem se firma em Cristo e nele se sente justificado; por ela o pecador se sente impulsionado a buscar a santificação e tem a certeza da vida eterna.

Neste ponto se pode distinguir entre a fé racional, a fé-adesão-intelectual que, facilmente, se transforma em frigida opinio (= opinião fria) e a fé-vida-espiritual que se manifesta através do fruto do Espírito, segundo Paulo em Gl 5.22, ou através das obras, segundo Tg 1.22,27 e 2.14-26.

Só a fé salvadora - que vem de Deus, como expressão do Seu amor e misericórdia - pode produzir o novo homem, a nova criatura. Vejam-se as seguintes passagens: 1 Jo 5.10; At 24.14; Rm 16.25,26; Gl 2.19-21

3 - SEM FÉ É IMPOSSÍVEL AGRADAR A DEUS

a) Este estudo bíblico nos dá oportunidade para apurar a razão pela qual os cristãos verdadeiros são tão poucos no mundo, não obstante parecerem muito numerosos. Segundo Tiago, a fé produz obras, manifesta-se, exterioriza-se.

A sua primeira manifestação verifica-se no profundo arrependimento do pecador. Veja-se o ensino claro da Parábola do Filho Pródigo, em Lucas, 15. Caindo em si o jovem pródigo sentiu toda a extensão da sua miséria e disse: "Levantar-me-ei e irei ter com meu pai... e levantando-se foi para o seu pai".

A convicção do seu erro não foi apenas teórica, mas foi produzida pela real necessidade de socorro que, desesperado, ele estava sentindo longe do pai, em cuja casa, outrora, gozara do amor e da segurança que agora lhe faltavam. O pródigo tomou uma atitude: levantou-se e foi! Deu prova de sua confiança no pai!

b) A fé que Deus nos dá, produzindo em nós profunda convicção de pecado; nos leva, também, a sentir total dependência de Deus. Quando esta fé nos domina, vivemos como se tudo dependesse de Deus, e agimos como se tudo dependesse de nós. 

Em outras palavras, cremos e não cruzamos os braços, cremos e trabalhamos, cremos e a nossa fé se manifesta em obras que atestam não só a sua existência, mas, também, a sua eficiência.

É deste tipo de fé - da fé genuinamente cristã - que o mundo precisa. Possuir esta fé é viver perigosamente, pois ela nos leva a pregar a justiça de Deus a uma sociedade que, pela sua iniquidade, proscreveu a Deus. É a fé que nos leva a uma continua inconformação com o mundo (Rm 12.2), e, também, a vivermos irrepreensível e sinceramente, como filhos de Deus inculpáveis, no meio de uma geração pervertida e corrupta, na qual havemos de brilhar como luzeiros no mundo (Fp 2.15).

c) A fé, como certeza das coisas que esperamos e como convicção de fatos que não vemos (Hb 11.1), é algo que o mundo precisa conhecer pelo nosso testemunho. Por que terá dito o autor da Carta aos Hebreus que, sem fé, é impossível agradar a Deus?

Primeiro porque, sem fé, não há arrependimento e sem arrependimento não há reconciliação; se não há reconciliação, não há comunhão com Deus e sem comunhão com Deus o homem não realiza o seu destino, o objetivo da sua vida, porque permanece alienado de Deus. Segundo porque, sem fé, o homem está impossibilitado de realizar a obra de Deus.

Fazer a obra de Deus é evangelizar, é promover a justiça de Deus entre os homens, é revelar coração largo e generoso, é demonstrar espírito de renúncia e sacrifício, é dar forma concreta à experiência de comunhão com Deus: é, em suma, viver neste mundo sem pertencer a ele!

CONCLUSÃO

Como servos de Cristo, os cristãos têm oportunidade de arrepender-se muitas vezes dos pecados que cometem. Quanto mais intenso é o desejo de santificação, tanto mais profunda é a nossa consciência de culpa.

Chamado à realidade pelas palavras de Natã, o profeta, Davi se arrependeu do seu grave pecado e orou a Deus dizendo: "Torna a dar-me a alegria da tua salvação" (Sl 51.12). Sim, cada vez que pecamos - e o fazemos tantas vezes! - ofendemos a Deus e perdemos a alegria da salvação.

Cada vez que nos arrependemos, recobramos a alegria da salvação, não a salvação, mas a alegria que a acompanha.


Lista de estudos da série

01. O segredo para confiar plenamente no cuidado de Deus – Estudo Bíblico sobre Deus Pai
02. A verdade oculta sobre o mal que bloqueia suas orações – Estudo Bíblico sobre o Pecado
03. O único caminho infalível para alcançar a paz com Deus – Estudo Bíblico sobre Jesus Cristo
04. Como ser guiado pelo poder sobrenatural do Consolador – Estudo Bíblico sobre o Espírito Santo
05. A chave secreta para um novo recomeço com Deus – Estudo Bíblico sobre Arrependimento e Fé
06. O método simples para se tornar um cristão maduro e forte – Estudo Bíblico sobre Crescimento Espiritual
07. Encontre o seu propósito e se sinta útil em sua igreja – Estudo Bíblico sobre Serviço Cristão
08Como descobrir e usar seu talento especial no Reino – Estudo Bíblico sobre Dons Espirituais
09. O significado profundo que poucos entendem sobre Batismo e Ceia – Estudo Bíblico sobre Batismo e Ceia
10. Por que a Bíblia ainda é o livro mais poderoso do mundo – Estudo Bíblico sobre as Santas Escrituras
11. O mistério da promessa antiga que mudou a história humana – Estudo Bíblico sobre o Natal
12. O que acontece de verdade no momento depois da morte – Estudo Bíblico sobre a Vida Futura

Semeando Vida

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