Quem Foi Realmente Paulo? O Homem Por Trás do Maior Apóstolo - Estudo Bíblico sobre o apóstolo Paulo


Atos 22.3; Filipenses 3.1-8

Um homem, para sair pelo mundo à conquista de toda espécie de pessoas, por entre toda espécie de nações, para Cristo, só um tipo muito especial preencheria os requisitos.

Teria que ser alguém plenamente familiarizado com os eruditos, com os poderosos, com os simples, com os humildes; teria de estar acostumado às grandes mansões, às choupanas, às grandes cidades, às pequenas e aos campos; adaptado a qualquer situação - agradável ou não.

Dificilmente haveria no mundo de então um homem mais adequado que Paulo, para fazer justamente o que ele fez; para dizer o que ele diz:

1 Coríntios 9:22
Fiz-me fraco para com os fracos, com o fim de ganhar os fracos. Fiz-me tudo para com todos, com o fim de, por todos os modos, salvar a alguns.

E Deus preparou bem a esse seu escolhido.

1. HEBREU DE HEBREUS

Devemos ter sempre em mente que Paulo era judeu, e que se orgulhava disso. Quando fala de suas qualificações para o apostolado, ele escreve:

2 Coríntios 11:22
São hebreus? também eu. São israelitas? também eu. São da descendência de Abraão? também eu.

Aos Filipenses:

Filipenses 3:4-5
Bem que eu poderia confiar também na carne. Se qualquer outro pensa que pode confiar na carne, eu ainda mais: Circuncidado ao oitavo dia, da linhagem de Israel, da tribo de Benjamim, hebreu de hebreus; quanto à lei, fariseu.

Diante das ameaças, ele exclama com orgulho: "Eu sou judeu, natural de Tarso, cidade não insignificante da Cilícia..." (At 21.39). E diante do Sinédrio, ele declara: "Eu sou fariseu, filho de fariseus" (At 23.6).

2. SUA EDUCAÇÃO

Os judeus sempre tiveram um particular interesse em que seus filhos fossem bem educados. Portanto, podemos ter uma noção bem forte da educação que Saulo recebera.

Aos seis anos, ele foi à escola pela primeira vez. Uma vez lendo e escrevendo, foram-lhe dados pequenos rolos de pergaminho, com passagens da Escritura, as quais ele tinha que pôr na mente e no coração. Essas passagens eram: Dt 6.4-9; 11.13-21; Nm 15.37-40; Sl 113 a 118; Gn 1 a 5; Lv 1 a 8.

Aos doze ou treze anos, ele foi chamado de "filho da lei". Nessa idade, seu pai não mais era responsável por Saulo, e, sim, ele mesmo, ao tornar-se um observador da Lei.

No sábado mais próximo de seu 12º ou 13º aniversário, ele foi levado à Sinagoga. Uma vez ali, foi chamado a proceder à leitura de uma das lições da Escritura escolhidas para o dia.

Em seguida, eram-lhe feitas perguntas como teste de seu conhecimento. Se as respostas fossem satisfatórias, então já não seria mais um menino, e, sim, um homem.

Ele faz uma síntese desse fato ao ser preso, diante das autoridades judaicas, em língua hebraica:

Atos 22:3
...fui instruído aos pés de Gamaliel, segundo a exatidão da lei de nossos antepassados, sendo zeloso para com Deus, assim como todos vós o sois no dia de hoje.

3. RABI

A maioria dos garotos de seu tempo, provavelmente, interrompeu seus estudos, mas não Saulo. Este queria ser um Rabi, um Mestre, um Professor. E para alcançar esse propósito, ele teria que adquirir a mais alta educação, o equivalente aos cursos e especializações universitários de hoje, pois é sabido que Saulo foi um grande erudito.

Saulo conclui este estudo intensivo quando tinha cerca de 30 ou 31 anos; então ele pôde receber as qualificações de um Rabi. A nenhum Rabi era permitido receber salário para ensinar. Criam que nenhum mestre jamais pudesse receber dinheiro de seus alunos.

Disse um sábio Rabi: "Não faça de seus alunos um machado para viver deles; faça deles sua coroa para conquistar glórias para eles." Criam ainda que todo homem, mesmo o maior erudito, devia ter uma profissão e aprender a trabalhar com as próprias mãos. Eis o seu lema: "Ame o trabalho." Diziam ainda: "Quem não ensina a seu filho uma profissão, lhe ensina o latrocínio."

Em geral, os Rabis eram moleiros, sapateiros, alfaiates, padeiros, ferreiros, carpinteiros, fabricantes de tendas, etc. Esta é a razão por que Saulo, ao terminar seu curso colegial, aprendeu a fazer tendas.

Ele nasceu em Tarso, na província da Cilícia. Criavam-se aí rebanhos de um certo tipo de cabrito que produzia uma espécie muito especial de lã, a qual era usada para a fabricação de um material muito apropriado para tendas. Isto é muito esclarecedor com relação a Paulo que fazia tendas como sustento pessoal em suas viagens missionárias (vejam-se 2 Co 11.9; 1 Ts 2.9).

4. FARISEU

Este foi outro fator que aguçava o orgulho de Saulo de Tarso: "Eu sou fariseu, filho de fariseus"(At 23.6). "Quanto à lei, (sou) fariseu" (Fp 3.5). De todas as figuras religiosas, dentre os judeus, ninguém era mais respeitado do que os fariseus. Quem eram eles?

(1) Origem

"O nome farisaíoi (palavra grega) aparece pela primeira vez no contexto dos reis macabeus. O equivalente hebraico - perusim - geralmente se entende no sentido de 'separados' (vejam-se Ed 6.21; Ne 10.28ss).

Provavelmente, era um apelido imposto por seus inimigos, visto que os fariseus viviam separados do impuro, isto é, do 'povo da terra', ou seja, da plebe (Jo 7.49). Eles mesmos preferiam se chamar jeberim (=companheiros), designação que revela algo de sua organização" (Diccionario Ilustrado de la Biblia, verbete Fariseus).

O Velho Testamento nada fala dos fariseus, pois eles surgiram no período interbíblico. Ao abrirmos o Novo Testamento, ei-los aí, em plena ação. O crente que possui uma Bíblia de versão católica, para ler Macabeus, e a coleção de Flávio Josefo, História dos Hebreus, fará bem, são boas fontes históricas da seita.

(2) Doutrina

Os fariseus "se dedicavam ao ensino e promoviam o desenvolvimento da religião da sinagoga." Davam muita ênfase ao proselitismo entre os gentios (Mt 23.15).

Criam na imortalidade da alma, na ressurreição do corpo (At 26.8), na existência de anjos e espíritos. A sua concepção da soberania de Deus é distorcida, daí serem fatalistas. Criam poder alcançar-se a perfeita obediência à lei de Moisés, e criaram sua tradição oral (Mc 7.13).

(3) Relação com Jesus e os Apóstolos

Devido ao seu radicalismo extremo com relação à lei, e ao excesso de minúcias em torno da lei, tornaram-se exclusivistas, portanto ferrenhos perseguidores dos que pensavam de outro modo.

Foram denunciados por João Batista (Mt 3.7-10). Jesus esteve sempre às voltas com eles. O capítulo 23 de Mateus lança muita luz sobre o seu falso caráter.

Denominaram Jesus de Belzebu (Mt 9.34); tentaram ridicularizá-lo (Lc 16-14); tentaram apanhá-lo em alguma falha (Mt 22.15,34). Fariseu se tornou um termo pejorativo, símbolo de hipocrisia (veja-se Lc 18.9-14).

Assim vista, a questão de Saulo ter sido fariseu e perseguidor de Cristo e da Igreja se esclarece.

5. CIDADÃO ROMANO

Saulo não era apenas cidadão de Tarso e de Jerusalém, mas era também cidadão romano - título honorífico, conferido pelo Império Romano aos heróis. Ele se orgulhava de tão especial privilégio e honra.

Ao ser preso e açoitado em Filipos, agora como apóstolo, ele apela para os seus direitos diante dos magistrados: "Sem ter havido processo formal contra nós, nos açoitaram publicamente e nos recolheram ao cárcere, sendo nós cidadãos romanos... venham eles, e pessoalmente nos ponham em liberdade" (At 16.35-40).

Ao ser açoitado em Jerusalém, ele pergunta: "Ser-vos-á porventura lícito açoitar um cidadão romano, sem estar condenado?" (At 22.25). Há quem entenda que ao pedir a Timóteo: "...traze... especialmente os pergaminhos" (2 Tm 4.13), Paulo se referia ao seu certificado de cidadania romana.

A quem era conferido esse título?

(1) aos soldados veteranos ao término de sua prestação de serviço militar;
(2) um homem podia comprar esse título;
(3) alguém, ao prestar um grande serviço a Roma, poderia recebê-lo como recompensa especial;
(4) Podia-se recebê-lo por direito de nascimento, quando o pai tinha sido cidadão romano. Este foi o caso de Saulo de Tarso: "Pois eu o tenho por direito de nascimento" (At 22.28). E ele jamais o desprezou.

Quais eram os direitos conferidos ao cidadão romano?

(1) não podia ser preso sem julgamento formal;
(2) não podia jamais ser açoitado;
(3) se o cidadão romano não ficasse satisfeito com o tratamento em algum tribunal, ele podia apelar diretamente ao imperador, e este tinha que atender a seu súdito reclamante.

Deus tinha preparado um homem com as qualificações adequadas, para exercer o apostolado entre os gentios ou pagãos.

Um judeu genuíno, porém nascido numa cidade gentílica; educado com esmero; um professor qualificado; fariseu extremo, o que fez dele um perseguidor implacável da fé que seria depois sua mensagem e vida; escondido ou protegido pela cidadania romana, não podendo, portanto, ser destruído sem sérias consequências.

Autor: REV. VALTER GRACIANO MARTINS


Lista de estudos da série

1. Paulo antes de Paulo 

Semeando Vida

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