A igreja (1)


A palavra “igreja” integra a vida cotidiana do cristão. Afinal de contas, é na igreja que os crentes se encontram periodicamente e nela exercem uma ou mais funções. Por conta disso, iniciaremos uma série cujo propósito é refletir sobre a igreja, a fim de mostrar que não se trata apenas de um organismo religioso – ao contrário, ela engloba profundos significados. Comecemos nossa jornada:


1. Quanto a sua natureza

De acordo com Wayne Grudem, “a igreja é a comunidade de todos os cristãos de todos os tempos”, quer dizer, é formada por todos aqueles que foram verdadeiramente salvos. Paulo escreve que “Cristo amou a igreja e a si mesmo se entregou por ela” (Ef 5.25). 

O termo “igreja”, aqui, é usado como uma referência a todos aqueles por quem Jesus morreu. Isso inclui tanto os salvos do Novo quanto do Antigo Testamento. Portanto, a igreja não é uma criação do homem – antes, é produto da livre graça e iniciativa de Deus, que se manifesta desde o Antigo Testamento.


2. Quanto a sua visibilidade

Na época da Reforma, a Igreja Católica afirmava que somente na organização visível da igreja é que seria possível encontrar a verdadeira igreja. Entretanto, aprendemos na Bíblia que nem sempre aqueles que estão numa organização pertencem de fato à igreja de Cristo. 

Isso porque nem todos os que estão na igreja são genuinamente crentes em Cristo Jesus (Mt 7.21; Mt 15.8). Nesse sentido, a verdadeira igreja é invisível. Podemos ver esse princípio quando o autor de Hebreus se refere à igreja como a “igreja dos primogênitos arrolados nos céus” (Hb 12.23).


3. Quanto a sua localização

O termo “igreja” pode ser aplicado a grupo de cristãos, independente de seu tamanho. No NT encontramos a igreja numa casa (Rm 16.5), numa cidade (1 Cor 1.2), numa região (At 9.31). Esses textos nos ensinam que não se pode cometer o erro de acreditar que a igreja pode ser encontrada apenas em um grupo específico (ou casa, ou comunidade local). Pelo contrário, a igreja de Deus pode ser (e certamente é) encontrada em qualquer nível, tamanho ou local.


Conclusão

É necessário que haja uma compreensão correta a respeito de um termo com o qual estamos tão familiarizados – igreja. Hoje aprendemos um pouco sobre sua natureza, a saber: que ela é resultado do sacrifício de Jesus. 

Compreendemos também que a igreja verdadeira é invisível e que está em toda parte, independentemente do número de membros. Que o Senhor em sua graça nos ajude a compreender um pouco mais a respeito do organismo vivo ao qual pertencemos.

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Carlos Eduardo Pereira de Souza  é pastor da Igreja Presbiteriana do Brasil. Formou-se em Teologia pelo Seminário Presbiteriano do Sul em 2003 e pela Universidade Presbiteriana Mackenzie em 2012. Mestrado em Novo Testamento pelo Centro de Pós Graduação Andrew Jumper em 2013. Pós-graduando em docência do ensino superior, pela Universidade Paulista.

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