Mateus 6.5-8; 7.7-12
Os textos que fundamentam o presente estudo são um segmento do Sermão da Montanha, que focalizam a vida de oração. O Sermão do Monte apresenta a grande diferença que existe entre os discípulos de Jesus e os religiosos de seu tempo. Em Mateus 5.17 Jesus afirma que não veio para extinguir a lei dos judeus, mas para a cumprir.
Na verdade, Jesus era o único capaz de cumprir tudo que estava na Lei. Ele não apenas cumpriu a Lei, mas imprimiu uma nova lei no coração de seus seguidores, capacitando-os a cumpri-la.
Mas, o cumprimento dessa lei é resultado de um verdadeiro relacionamento com Deus, e não um processo para se chegar a Deus.
Os ouvintes de Jesus estavam cansados de uma religião falsa e focada apenas no exterior e em regras. Jesus queria libertá-los deste jugo religioso e prover a liberdade interior que eles nem entendiam que poderiam experimentar.
Os fariseus e escribas, cumpridores da Lei de Moisés, viviam uma vida apenas externa e tinham ali mesmo a recompensa. Tinham um respeito aparente da parte do povo, mas não tinham a sua admiração.
Eles eram distantes e arrogantes. Jesus queria ensinar um modelo novo de vida. Um modelo de vida que mesmo sem ter o que ostentar era uma vida com significado e que glorificava a Deus.
Aqueles que estavam ouvindo Jesus haviam sido ensinados a orar de uma forma externa (orações prontas, longas, jejum de aparência). Aprenderam a orar baseados na repetição. Agora, Jesus quer ensinar um novo conceito. Ele quer ensinar sobre uma vida de oração, vida que pode ser vivida e que produz.
1 - ORAR É UMA EXPERIÊNCIA DE INTIMIDADE COM DEUS (6.5-8)
Há três aspectos importantes que precisam ser considerados nesse texto.
A ênfase no "secreto", que não se aplica necessariamente a um local, mas uma atitude. É a intimidade entre aquele que ora e Deus.
O outro aspecto se refere à postura na oração, que não é a repetição, nem o tempo da oração nem a postura física. É a postura do coração diante de Deus.
O terceiro aspecto tem a ver com o interior, porque o Pai vê em secreto e sabe daquilo que está em secreto.
Deus sabe de tudo que existe em nosso coração. Ele sabe o que estamos querendo dizer e o que não estamos dizendo. Por isso, quando aparecemos diante de Deus aparecemos para um momento de intimidade.
O texto mostra que há uma recompensa nessa intimidade com Deus através da oração. Existe uma promessa direta e incondicional de Jesus. Uma recompensa prometida. Qual a recompensa? Deus sabe o de que precisamos, mas se alegra conosco quando oramos.
Ele sabe antes mesmo que expressemos, mas, como Pai, se alegra quando vamos a ele. O Senhor detesta o sacrifício dos ímpios, mas a oração do justo o agrada.
Deus não é persuadido pela repetição ou formas específicas. Ele sabe tudo e não é preciso ficar repetindo ou "forçando a barra" para que ele ouça. É bom enfatizar que a parábola do juiz iníquo (Lc 18.1-8), não reforça a ideia de repetição, mas da perseverança na oração.
Deus nos promete recompensa em nossa vida de oração, quando temos a atitude correta e o coração correto. O apóstolo Paulo, em Efésios 3.20 afirma que "Ele é poderoso para fazer infinitamente mais do que tudo quanto pedimos ou pensamos..."
Portanto, quando oramos estamos oferecendo a Deus um momento de alegria, pois ele sabe do que precisamos, antes mesmo de falarmos. Tudo o que está dentro do nosso coração está claro e visto por Deus; e ele quer tratar de tudo quanto incomoda a nós e a ele.
Davi, no Salmo 25.14, afirma que "A intimidade do Senhor é para os que o temem, aos quais dará a conhecer a sua aliança".
Não pode haver intimidade sem conhecimento do que existe dentro da gente; por isso a oração é um caminho de intimidade com Deus.
2 - ORAR COLOCA-NOS EM CONTATO COM UM DEUS SENSÍVEL ÀS NECESSIDADES DE SEUS FILHOS (7.7-11)
a) Orar é uma atitude contínua de busca por Deus
Pedir, buscar e bater, são atitudes que refletem a ideia de continuidade. Os verbos estão no presente contínuo. O Salmo 62.8 diz: "Confia nele, ó povo, em todo o tempo; derramai perante ele o vosso coração; Deus é o nosso refúgio".
Isso quer dizer não uma postura física de 24 horas, mas uma mente, uma atitude de estar continuamente na presença de Deus, não para ficar repetindo orações, mas para crescer na intimidade com Deus.
Somos exortados a orar sem cessar (I Ts 5.17). Isso implica dizer que precisamos ter uma mente predisposta à oração;
b) Quando oramos interagimos com Deus
A Bíblia revela que Deus interage conosco como um pai interage com seus filhos (Sl 81.10; Hb 4.14-16). Na oração, aprendemos a experimentar o melhor de Deus para conosco. Nessa interação ele promete ouvir nossas orações (receber, achar, abrir);
c) Deus pode todas as coisas
Jesus afirma que Deus dará boas coisas a quem pedir. As coisas boas são aquelas que têm a ver com o amor dele para conosco. Aquelas coisas que glorificarão o nome dele e nos trarão satisfação.
Elas podem, ou não, incluir as coisas materiais que pedimos, mas nunca será algo que venha a nos fazer mal. Por isso, precisamos orar de acordo com a vontade de Deus.
3. ORAR TAMBÉM RESULTA NUMA VIDA QUE REFLETE DEUS (7.12)
Aqueles que estavam ouvindo a mensagem de Jesus eram pessoas que tinham as suas ansiedades, enfrentavam a pressão religiosa, tinham dificuldades financeiras, muitos eram abandonados tanto física quando emocionalmente.
Numa situação assim o normal seria desistir, retaliar ou viver sem esperança. No entanto, Jesus ensina que Deus prometeu ouvir e ele capacita para uma vida que possa refletir o que ele é.
Aquele que compreende o valor da vida de oração entenderá que orar leva a pensar no outro. É necessário sempre se perguntar: Como eu gostaria de ser tratado quando erro, quando agrido ou ajo de forma inconveniente? Como eu devo agir para refletir Deus?
Quando intensificamos a nossa comunhão e andamos com Deus mais vamos nos parecendo com ele. Porém, há certas áreas onde não refletimos Deus. Nessas áreas precisamos concentrar nossas orações. Se somos pessoas de oração, devemos ver em nossas vidas o resultado do tempo que passamos com Deus.
É preciso saber se estamos refletindo Deus e se estamos orando de modo correto, para não orarmos apenas como os fariseus.
Concluindo, propomos a seguinte aplicação para a sua vida de oração:
Se oração é intimidade com Deus, abra o seu coração para ele. Viva continuamente na presença dele;
- Experimente separar um tempo diário com Deus;
- Experimente falar do que está no seu coração com Deus.
DISCUSSÃO
- Por que, muitas vezes, oramos e não obtemos as respostas desejadas?
- Se orar é algo tão importante, por que, na maioria das igrejas, as reuniões de oração são as menos frequentadas?
Autor: REV. SÉRGIO PEREIRA TAVARES
Lista de estudos da série
1. Por que você deve ter cuidado com o que promete a Deus – Estudo Bíblico sobre Juramentos e Votos2. O significado real por trás do batismo e da ceia – Estudo Bíblico sobre Sacramentos
3. O segredo da intimidade profunda com Deus – Estudo Bíblico sobre Jejum
4. Como administrar tudo o que Deus te deu – Estudo Bíblico sobre Mordomia
5. Por que a pregação é a voz de Deus na terra – Estudo Bíblico sobre Pregação
6. O que Deus realmente procura em um adorador – Estudo Bíblico sobre Adoração
7. Como falar com Deus e ser realmente ouvido – Estudo Bíblico sobre Oração
8. A coragem de chorar na presença do Senhor – Estudo Bíblico sobre Lamento
9. Os segredos para uma união fraternal indestrutível – Estudo Bíblico sobre Comunhão
10. Como viver um culto que não termina no amém – Estudo Bíblico sobre Vida de Culto
11. O que torna um ajuntamento cristão aceitável a Deus – Estudo Bíblico sobre Ajuntamento do Povo
12. A importância vital de declarar no que você crê – Estudo Bíblico sobre Confissão de Fé
