Por que a pregação é a voz de Deus na terra - Estudo Bíblico sobre Pregação


II Timóteo 4.1-5

Desde os tempos bíblicos, sabe-se que a pregação é uma forma de se transmitir a vontade de Deus revelada nas Escrituras Sagradas. O pregador da Palavra é a "boca" de Deus.

Ele transmite o que está contido na Bíblia Sagrada, com o objetivo de fazer com que aqueles que ouvem essa palavra compreendam quais são os propósitos de Deus para suas vidas.

No entanto, o que se percebe hoje é que esta prática está sendo negligenciada e substituída por atividades que atendam as exigências dos "consumidores", a fim de que os templos e locais de cultos fiquem superlotados. Em função disso, algumas igrejas estão abolindo literalmente o púlpito: não há mais pregação, mas apenas louvor e testemunhos.

O Dr. Martyn Lloyd-Jones, em seu livro Pregação e Pregadores (publicado pela Editora Vida), enfatiza que a pregação é a tarefa primordial da igreja e do pastor". Ele declara que há uma “tendência, hoje, de depreciar a pregação em prol de várias outras formas de atividade".

O objetivo do presente estudo é enfatizar a importância da pregação no culto cristão, tendo em vista que muitos são aqueles que estão indispostos com tal prática.

1 - COMPREENDENDO O CONCEITO DE PREGAÇÃO

Quando a pregação na igreja é feita por pregadores legitimamente chamados, e realizada com toda fidelidade às Escrituras Sagradas, a própria Palavra de Deus está sendo proclamada.

Por isso, entende-se por pregação bíblica aquela que é transmitida na autoridade das Escrituras e a elas subordinada.

Nós cremos na inerrância da Palavra de Deus. Cremos que os autores bíblicos foram inspirados por Deus. Porém, sabemos que os pregadores dessa Palavra estão sujeitos a erros e falhas.

Paulo, apóstolo, afirma em II Coríntios 5.19,20, que Deus confiou aos pregadores, que são embaixadores, a palavra da reconciliação e que é por intermédio deles que Deus exorta os homens a se reconciliarem com ele por meio de Cristo Jesus

Na condição de embaixador, o pregador da Palavra de Deus não inventa uma mensagem, mas a transmite como porta-voz, na autoridade daquele que o comissionou.

O Rev. Paulo R. B. Anglada, em seu artigo "A Teologia Reformada da Pregação" (Revista Fides Reformata, vol. IV, p. 148), citando Robert L. Dabney, afirma "que o uso do termo arauto para descrever o ofício do pregador encerra duas implicações. Primeira, que não lhe compete inventar sua mensagem, mas transmiti-la e explicá-la. Segunda, que o arauto ...não transmite a mensagem como mero instrumento sonoro, como uma trombeta ou tambor; ele é um meio inteligente de comunicação... ele tem um cérebro, além de uma língua; e espera-se que ele entregue e explique de tal maneira a mente do seu senhor, que os ouvintes recebam, não apenas os sons mecânicos, mas o verdadeiro significado da mensagem".

Para que se tenha uma compreensão mais nítida da pregação vale a pena lembrar as palavras de Paulo em Romanos 10.17: "E, assim, a fé vem pela pregação, e a pregação, pela palavra de Cristo".

Portanto, o pregador é instrumento para transmitir a vontade de Deus. Quando a pregação não está fundamentada na revelação escrita, a Bíblia, então não se pode dizer que seja pregação bíblica.

Lamentavelmente, observa-se que os púlpitos têm sido transformados em verdadeiros palcos, onde os pregadores utilizam técnicas e fórmulas meramente humanas para impressionar e mexer com a emoção das pessoas. 

A autenticidade e a validade da pregação estão na autoridade da Palavra de Deus e na fidelidade do pregador a essa Palavra.

2 - A EXCELÊNCIA DA PREGAÇÃO

A igreja de Jerusalém compreendia a importância da pregação. Para aqueles primeiros cristãos, a pregação da Palavra ocupava um lugar central no serviço a Deus. Quando Pedro e João foram libertos da prisão (At 4.23-31), a igreja se colocou em oração pedindo a Deus que concedesse a eles intrepidez para pregarem a Palavra.

Eles não pediram livramento nem pediram para Deus fazer cessar as perseguições, mas para que o Senhor revestisse os pregadores de coragem e ousadia para o ministério da pregação. Em Atos 6 foram eleitos diáconos para que os apóstolos se dedicassem exclusivamente à oração e à pregação.

Embora a pregação não seja a única forma de a igreja compartilhar a vontade de Deus, ela é, no entanto, elemento central no culto e na vida da Igreja. Ela não pode ser negligenciada nem relegada a um segundo plano.

Ela é tão importante que Paulo afirma: "Porque não me enviou Cristo para batizar, mas para pregar o evangelho; não com sabedoria de palavra, para que não se anule a cruz de Cristo" (I Co 1.17).

Ela é tão relevante que, em Romanos 10.14,15, o mesmo apóstolo afirma: "Como, porém invocarão aquele em quem não creram? E como crerão, naquele de quem nada ouviram? E como ouvirão, se não há quem pregue? E como pregarão, se não forem enviados? Como está escrito: Quão formosos são os pés dos que anunciam coisas boas!"

Observam-se, hoje, muitas igrejas cheias de pessoas, mas vazias da Palavra. São cultos cheios de atrativos, que agradam aos olhos e ouvidos, mas não confrontam as pessoas com as verdades santas do evangelho. São pessoas que se identificam com cultos que são verdadeiros espetáculos, mas que não estão identificadas com a Palavra de Deus.

A fidelidade e o zelo na pregação da Palavra são características fundamentais da verdadeira igreja de Cristo Jesus. Por isso, substituirá pregação, ou negligenciá-la, é não compreender a sua importância para a vida da igreja. É falhar na missão!

3 - O PROPÓSITO DA PREGAÇÃO

É preciso entender que a finalidade da pregação é a glorificação do nome de Deus, tornando a sua Palavra conhecida dos homens. A pregação é um meio de graça, através do qual os corações são alcançados e transformados, para que possam desfrutar da comunhão com Deus.

Quando a graça de Deus alcança o coração humano, dotando-o de fé, a imagem de Deus, através de Cristo Jesus, é restaurada nesse coração.

O Rev. Paulo R. B. Anglada, em seu artigo já citado, afirmou: "Em alguns círculos evangélicos em nossos dias, a pregação parece ter como propósito o entretenimento do auditório, a exacerbação das emoções, o bem-estar material e emocional dos ouvintes e a promoção do próprio pregador ou da sua denominação.

Ricardo Gondim, pastor da Assembléia de Deus, reconhece que os púlpitos brasileiros "estão cada vez mais empobrecidos. Pastores animam seus auditórios com frases de efeito, contentam suas igrejas com mensagens superficiais..."

Ele admite que necessitamos de uma nova Reforma no cristianismo, a qual deve começar pelo púlpito. Em outro artigo, o mesmo autor comenta que "pastores e padres abandonaram sua vocação de portadores de boas novas. Assumiram novos papéis: animadores de auditório e levantadores de fundos. O púlpito transformou-se em mero palco. A igreja, simples platéia... Sermões podem ser facilmente confundidos com palestras de neurolingüística".

Os propósitos da pregação nunca são alcançados apenas com a habilidade do pregador. O Espírito Santo é quem aplica essa Palavra ao coração, e ele mesmo é quem ilumina o pregador na preparação e entrega da mensagem (I Co 2.4,5; II Co 3.5,6).

Nunca se pode pensar que a pregação verdadeira deixou de alcançar o seu objetivo, pois a Palavra de Deus nunca volta vazia (Is 55.11).

DISCUSSÃO

  • Quais são as principais razões para o declínio da pregação em nossos dias?
  • Quais são as características da ver-dadeira pregação?

Autor: REV. SÉRGIO PEREIRA TAVARES


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5. Por que a pregação é a voz de Deus na terra – Estudo Bíblico sobre Pregação

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