Mateus 6.16-18
Uma vida de adoração e louvor passa pela prática do jejum. O que é jejum? Basicamente é abster-se de alimentos.
Essa abstinência constitui uma expressão contínua de oração e de piedade individual ou coletiva. É um momento de uma intimidade mais profunda com Deus. O jejum, na Bíblia, está sempre associado à oração (Sl 35.13; Mt 6.5-18 e 1 Co 7.5).
Segundo o Vocabulário Bíblico de J.J. von Allmen (ASTE), "jejuar nunca é método ascético para libertar a alma da escravidão da carne. Pelo contrário, é mostrar a Deus que humildemente se espera por ele.
O termo técnico que designa jejum, frequentemente é substituído pela expressão 'afligir a alma' (Lv 16.29-31; Nm 29.7 e 30.14). Jejum é, pois, a expressão de profundo arrependimento (I Rs 21.27; I Sm 7.6 e Jn 3.5)".
O jejum pode ser típico, completo ou parcial.
O típico é o semelhante ao que praticou Jesus no deserto (sem alimento sólido e com apenas líquidos); o completo ou absoluto (abstinência de alimentos sólidos e líquidos) e o parcial (abstinência de alguns alimentos, especialmente daqueles mais comuns e desejados).
Cada crente deve escolher a sua forma e o tempo de jejuar, pois não há uma regra normativa para estas questões. Porém, é preciso jejuar.
Jesus, ao ensinar sobre o jejum, em Mateus 6.16-18, de forma alguma estava coibindo jejuar, muito pelo contrário, mostra a sua importância e ao mesmo tempo condena aqueles que alardeavam o seu jejum.
Para Jesus esta pratica é algo muito pessoal, discreto, repleto de sinceridade e demonstração de humildade.
Sabemos, ainda, que Deus atende as orações, mas há alguns assuntos que carecem de uma maior busca da intervenção divina.
Certa vez Jesus afirmou que o problema que os discípulos enfrentavam só seria resolvido com oração e jejum (Mt 17.21).
As principais ideias que apresentaremos adiante estão baseadas no livro de Jerry Falwell, intitulado: O Jejum Bíblico - Por quê? Quando? Como?, publicado pela Editora Betânia.
1 - MOMENTOS ESPECIAIS EM QUE A PRÁTICA DO JEJUM É INDISPENSÁVEL
Crise Nacional
Quando Israel enfrentava crises sérias, era convocado um jejum nacional. Ester convocou um jejum nacional quando havia perigo de sua extinção e do povo de Deus (Et 3.1-15; 4.16).
Josafá conclamou o povo a um jejum nacional quando se viu ameaçado por Edom (II Cr 20.3). Esdras e Joel também convocaram um jejum nacional (Ed 8.21 e Jl 1.14).
Problemas espirituais
Há muitas pessoas que se sentem derrotadas espiritualmente, ou seja, fracas na fé. Os discípulos não puderam expelir o demônio do rapaz que sofria de convulsões; não conseguiram por causa da fraqueza espiritual.
Mas com a oração e jejum eles seriam mais fortes e vitoriosos (Mt 17.21). Daniel diante de obstáculos espirituais jejuava e orava (Dn 10.2-3). Uma das maneiras de fortalecer a fé para enfrentar os grandes desafios é justamente o jejum.
Períodos de grande aflição
O povo israelita jejuou no momento em que se via na iminência de uma guerra civil com os benjamitas e em Mispa antes da terrível guerra contra os filisteus (Jz 20.26 e I Sm 7.6). Ana quando se sentiu angustiada jejuou e foi transformada (I Sm 1.7).
Davi enfrentou a tristeza da morte com jejum (II Sm 12). Com certeza o jejum tornará mais eficaz nossa intercessão em períodos de grande aflição.
Nas horas de grandes decisões
O maior exemplo é de Jesus que, antes de dar início ao seu ministério aqui na terra, se dedicou à oração e ao jejum (Mt 4.2).
Outro exemplo é o da igreja de Antioquia, que jejuou antes de tomar a importante decisão de escolher e enviar missionários (At 13.2). Quando temos de tomar decisões, precisamos da orientação divina e, através do jejum e da oração, podemos obter essa orientação.
Certamente, Deus quer que jejuemos e oremos, porque o mundo, hoje, está em profunda crise, especialmente quanto às questões morais e espirituais. Não podemos ficar inertes, temos que jejuar na expectativa da resposta de Deus.
2 - PERIGOS DO JEJUM
Perigos de natureza física
Há pessoas que não estão preparadas para um jejum prolongado. Assim elas podem causar danos a si mesmas. Quem possui algum tipo de enfermidade e faz uso contínuo de medicamentos, precisa ter cautela ao jejuar.
A mera privação de alimentos não tem nenhum valor se não for acompanhada por um exercício espiritual nas mesmas proporções.
Perigo da hipocrisia
Jesus adverte no Sermão da Montanha quanto à hipocrisia que pode estar associada ao Jejum. Os fariseus agiam de forma hipócrita (Mt 6.16 e Lc 18.12). Quando uma pessoa chama atenção para o fato de que jejua, está agindo completamente errada.
O jejum não pode ter por objetivo chegar aos olhos do mundo, mas aos ouvidos de Deus. É uma questão particular, entre Deus e aquele que jejua.
Perigo do legalismo
A abstinência de alimentos, às vezes, é associada à ideia de se fazer boas obras para agradar a Deus. O jejum é um ato que demonstra a sinceridade da fé e não um ato em busca de salvação (Rm 4.5; 14.17; Tt 3.5).
Perigo da espiritualidade distorcida
Ninguém deve fazer do jejum o aspecto mais importante de sua vida espiritual. Quando uma verdade bíblica é esquecida muito tempo e depois redescoberta, a maioria das pessoas começa a dar a ela uma ênfase excessiva. Isso é perigoso.
Ainda mais, ninguém deve impor a sua espiritualidade a outrem. A genuína espiritualidade é aquela que procede do coração, pois cada um tem de tomar a sua própria decisão de servir a Deus.
3 - ANTES, DURANTE E DEPOIS DE JEJUAR
Antes
Determine ou limite previamente o tempo de duração do jejum. Comece abstendo-se de alimentos sólidos, mas ingerindo líquidos. É possível que Jesus, no deserto, tenha feito abstenção somente de alimentos sólidos, ingerindo água (Mt 4.2).
Planeje passar boa parte do tempo em oração. Desfrute ao máximo da comunhão com o Senhor. O pré-jejum é de suma importância para se alcançar os objetivos propostos através desta prática.
Durante
Comece demonstrando atitude de arrependimento. Se não nos arrependermos, tendo no coração a atitude correta, a abstinência de alimento é totalmente inútil. Tudo deve estar acertado com Deus, sem nenhum pecado oculto (Sl 69.10; 19.12, Jr 14.12).
Peça perdão, ou seja, a purificação do pecado (I Jo 1.7-10). Ore incessantemente fazendo pedidos específicos, utilizando uma lista de assuntos.
Peça com fé, em nada duvidando (Tg 1.6; Mt 7.7). Isso significa crer que já recebemos a resposta da oração, antes mesmo que ela se concretize. Leia mais a Bíblia, até mesmo, livros da própria Bíblia, por inteiro, sempre selecionando alguns versículos-chave para memorizar. Medite e faça estudos bíblicos (Jo 15.7; Rm 10.17; IJo 3.23).
Depois
Ao encerrar o jejum, devemos fazer, antes de comer, uma oração de agradecimento a Deus pelo alimento. Devemos comer com a mesma atitude com que jejuamos. Assim como nos privamos do alimento para a glória de Deus, assim também devemos nos alimentar para a glória de Deus (I Co 10.31).
O valor de nosso jejum é medido pelo empenho que demonstramos no serviço cristão, depois que o encerramos. O jejum deve nos ajudar a ser testemunhas melhores, fazendo de nós ganhadores de almas mais eficazes (At 1.8).
Concluindo, é necessário observar que o jejum é uma prática bíblica que exige coerência e que deve ser seguida de atitudes positivas (Is 58).
Autor: REV. ANDERSON SATHLER
Lista de estudos da série
1. Por que você deve ter cuidado com o que promete a Deus – Estudo Bíblico sobre Juramentos e Votos2. O significado real por trás do batismo e da ceia – Estudo Bíblico sobre Sacramentos
3. O segredo da intimidade profunda com Deus – Estudo Bíblico sobre Jejum
4. Como administrar tudo o que Deus te deu – Estudo Bíblico sobre Mordomia
5. Por que a pregação é a voz de Deus na terra – Estudo Bíblico sobre Pregação
6. O que Deus realmente procura em um adorador – Estudo Bíblico sobre Adoração
7. Como falar com Deus e ser realmente ouvido – Estudo Bíblico sobre Oração
8. A coragem de chorar na presença do Senhor – Estudo Bíblico sobre Lamento
9. Os segredos para uma união fraternal indestrutível – Estudo Bíblico sobre Comunhão
10. Como viver um culto que não termina no amém – Estudo Bíblico sobre Vida de Culto
11. O que torna um ajuntamento cristão aceitável a Deus – Estudo Bíblico sobre Ajuntamento do Povo
12. A importância vital de declarar no que você crê – Estudo Bíblico sobre Confissão de Fé
