Deuteronômio 23.21-25
A vida cotidiana é marcada por juramentos e votos. A compreensão mais comum é que o juramento é sempre exigido por autoridades e outras pessoas e feito diante delas. Daí, a ideia de juramentos legais. Já os votos são prestados a Deus e são atitudes mais sagradas. Daí, a ideia de votos sagrados.
Porém, na vida cristã, os juramentos são declarações solenes que invocam a Deus como testemunha das declarações e promessas feitas.
Os votos a Deus são o equivalente devocional dos juramentos e devem ser tratados com igual seriedade. Há um relacionamento estreito entre juramentos e votos, sendo que os dois são sempre tratados juntos.
É importante verificar o que a Confissão de Fé de Westminster ensina sobre esta questão. No capítulo XXII ela trata dos Juramentos Legais e dos Votos.
a) Quanto ao JURAMENTO
"O juramento, quando lícito, é uma parte do culto religioso em que o crente, em ocasiões próprias e com toda a solenidade, chama a Deus por testemunha do que assevera ou promete; pelo juramento ele invoca a Deus a fim de ser julgado por ele, segundo a verdade ou falsidade do que jura. Quem vai prestar um juramento deve considerar refletidamente a gravidade de ato tão solene, e nada afirmar senão do que esteja plenamente persuadido ser a verdade... O juramento não pode obrigar a pecar";
b) Quanto aos VOTOS
"O voto não deve ser feito a criatura alguma, mas só a Deus; para que seja aceitável, deve ser feito voluntariamente, com fé e consciência de dever, em reconhecimento de misericórdias recebidas ou para obter o que desejamos... Ninguém deve prometer fazer coisa alguma que seja proibida na Palavra de Deus, ou que impeça o cumprimento de qualquer dever nela ordenado, nem o que não está em seu poder cumprir e para cuja execução não tenha promessa ou poder de Deus..."
O objetivo deste estudo é enfocar a questão dos juramentos e votos sagrados, como sendo atitudes que revelam amor para com Deus e disposição em assumir um compromisso de responsabilidade na vida cristã, bem como apresentar a exigência quanto ao seu cumprimento e os perigos do não cumprimento.
1 - A NATUREZA DOS JURAMENTOS E VOTOS SAGRADOS
Vejamos alguns aspectos da natureza dos juramentos e votos:
a) Espiritualidade
Os juramentos e votos sagrados são de natureza espiritual. Trata-se de compromissos assumidos com Deus e com a sua obra aqui na terra (Igreja). O texto em apreço diz que, quando se faz algum voto ao Senhor, não se deve tardar em cumpri-lo (Dt 23.21);
b) Verdade
A prática dos votos e juramentos está intimamente ligada ao exercício da verdade. A verdade nos relacionamentos, especialmente entre cristãos, é divinamente ordenada, e o falar a verdade é essencial à piedade autêntica. A mentira é do diabo (Jo 8.44). É por isso que no nono mandamento Deus proíbe o falso testemunho (Êx 20.16);
c) Solenidade
Os juramentos e votos são atitudes solenes na presença do Senhor. Eles sempre foram aprovados por Deus e apropriados para ocasiões solenes (Gn 24.1-9; Ed 10.5; Ne 5.12; Hb 6.13-17).
Assim sendo, todo e qualquer juramento e voto na vida cristã devem partir de corações sinceros, ou seja, devem ser proferidos de coração. Deus abomina aqueles que se aproximam dele de maneira falsa.
Até mesmo naqueles juramentos ou votos mais íntimos ou particulares quando assumimos um compromisso de orar mais, de ler mais a Bíblia, de frequentar mais a igreja, de ser fiel dizimista etc, necessitamos de fazê-los de forma verdadeira e sincera. Deus está à procura de crentes mais espirituais e verdadeiros, que vivam a vida cristã com seriedade.
É lamentável ver pessoas fazendo votos na igreja, até mesmo por ocasião do batismo ou profissão de fé, mas que depois acabam não cumprindo o que prometeram. Essas pessoas devem se arrepender e reassumir uma nova postura diante do Senhor.
2. MOTIVAÇÕES PARA O CUMPRIMENTO DOS JURAMENTOS E VOTOS SAGRADOS
A principal motivação para se fazer e cumprir os juramentos e os votos, precisa ser o amor ao Senhor e à sua igreja. Precisamos entender e aceitar que os juramentos e votos não são penosos e nem obrigatórios. O texto de Deuteronômio fala sobre a abstenção dos votos, bem como a opção de se votar livremente ao Senhor (Dt 23.22,23).
O sábio Salomão chega a falar em até não se votar, pois uma vez que se votou é necessário cumprir (Ec 5.4-6). Nada obriga o fiel a fazer um voto.
Infelizmente algumas pessoas não possuem as motivações corretas para fazer os votos e acabam utilizando-os de uma forma imprópria. São aqueles que proferem algum voto depois do atendimento, ou seja, depois da ação divina. Foi o que ocorreu com aqueles que lançaram Jonas ao mar (Jn 1.15-17).
Daí, o Vocabulário Bíblico de J.J. von Allmen (ASTE) afirmar: "O voto não é transação comercial, mas ato de devoção pedagógica, graças ao qual o fiel permanecerá na linha do dom recebido, exigindo receber para poder restituir, e ainda podendo se regozijar, cumprindo seu voto, de não havê-lo esquecido logo que recebeu o dom".
Assim sendo, o crente não pode ser motivado a votar em troca de um benefício divino. Ou mesmo esquecer o voto feito após ter recebido o favor. A motivação maior deve ser agradar a Deus e estar mais perto dele, a cada dia. Devemos votar de modo livre e espontâneo.
3 - A SERIEDADE DOS JURAMENTOS E VOTOS SAGRADOS
Este assunto é de grande relevância para uma vida cristã bem-sucedida, mas é acima de tudo algo de muita responsabilidade e seriedade. Os juramentos e votos uma vez proferidos são irrevogáveis e comprometem a pessoa, determinando seu futuro e o de outra pessoa.
Os votos feitos perante o Senhor devem ser cumpridos de forma integral, sem voltar atrás. Vejamos algumas orientações bíblicas neste sentido:
- "...porquanto fiz voto ao Senhor e não tornarei atrás" - Jz 11.35;
- "...cumprirei os meus votos na presença dos que o temem" - Sl 22.25;
- "...e cumpre os teus votos para com o Altíssimo" - Sl 50.14;
- "Os votos que fiz, eu os manterei, ó Deus..."- Sl 56.12;
- "Cumprirei os meus votos ao Senhor, na presença de todo o seu povo" - Sl 116.14;
- "Quando a Deus fizeres algum voto, não tardes em cumpri-lo; porque não se agrada de tolos. Cumpre o voto que fazes" - Ec 5.4.
Quando há o descumprimento dos juramentos ou dos votos Deus exerce o Seu juízo, pois ele não se agrada de pessoas infiéis. Com certeza, aquele que não cumprir o que votou irá cair no juízo divino, segundo orientação do apóstolo Tiago (Tg 5.12). No Novo Testamento, há um exemplo de um casal crente que acabou morrendo por causa da infidelidade quanto ao dever cristão: Ananias e Safira (At 4.35 a 5.11).
O oposto é realidade. Quando o juramento é feito com sinceridade e cumprido de forma fiel, Deus derrama bênçãos especiais. Foi isto o que ocorreu no período das reformas efetuadas pelo rei Asa (II Cr 15.13-15).
Deus exige dos seus filhos que, ao votarem, o façam de modo refletido e sincero, pois o que mais ele deseja é que exista um verdadeiro cumprimento daquilo que se prometeu. Precisamos relembrar sempre dos votos que fizemos na presença do Senhor e de sua igreja. Pois, quando cumprimos fielmente, Deus se alegra e aceita a nossa adoração.
DISCUSSÃO
- Você acha que firmar votos é fazer um negócio com Deus? Justifique sua resposta.
- Por que muitos não cumprem os votos feitos perante o Senhor e a sua igreja?
Autor: REV. ANDERSON SATHLER
Lista de estudos da série
1. Por que você deve ter cuidado com o que promete a Deus – Estudo Bíblico sobre Juramentos e Votos2. O significado real por trás do batismo e da ceia – Estudo Bíblico sobre Sacramentos
3. O segredo da intimidade profunda com Deus – Estudo Bíblico sobre Jejum
4. Como administrar tudo o que Deus te deu – Estudo Bíblico sobre Mordomia
5. Por que a pregação é a voz de Deus na terra – Estudo Bíblico sobre Pregação
6. O que Deus realmente procura em um adorador – Estudo Bíblico sobre Adoração
7. Como falar com Deus e ser realmente ouvido – Estudo Bíblico sobre Oração
8. A coragem de chorar na presença do Senhor – Estudo Bíblico sobre Lamento
9. Os segredos para uma união fraternal indestrutível – Estudo Bíblico sobre Comunhão
10. Como viver um culto que não termina no amém – Estudo Bíblico sobre Vida de Culto
11. O que torna um ajuntamento cristão aceitável a Deus – Estudo Bíblico sobre Ajuntamento do Povo
12. A importância vital de declarar no que você crê – Estudo Bíblico sobre Confissão de Fé
