Atos 2.42-47
Existem pessoas que se acham longe de Deus e longe umas das outras. Outras estão perto de Deus e longe das pessoas. Outras estão longe de Deus e perto das pessoas.
A ideia bíblica de comunhão pode ser sintetizada como estar perto de Deus e perto das pessoas. Eis um imenso desafio para a igreja, como comunidade, desenvolver. Isto, porque muitas práticas atuais acontecem em nome da comunhão.
Vejamos algumas destas práticas que tentam substituir a comunhão na vida do povo de Deus: a) Estar juntos no domingo à noite; b) Participar da ceia do Senhor; c) Cumprimentar o irmão à porta do templo; d) Abraçar o irmão entusiasticamente durante os cânticos espirituais; e) Lembrar a data do aniversário.
Todas estas práticas são boas e elogiáveis. Mas, isso não é sinônimo de comunhão na vida da igreja. Tais coisas precisam acontecer, mas não em substituição à ideia da comunhão do povo de Deus.
Comunhão vem da palavra grega koinonia. Seu significado literal é: a qualidade de existir em comum; participação mútua. Este conceito traz algumas ideias básicas em si:
- Relacionamento íntimo entre cristãos e Deus, e de cristãos entre si;
- Compartilhamento de bens materiais para suprir necessidades uns dos outros;
- Participação mútua no desenvolvimento do evangelho como se cada cristão fosse uma célula em um corpo. A saúde do corpo depende da boa condição da célula, de sua reprodução adequada e de sua funcionalidade sadia.
O Dr. Rick Warren, em seu livro Uma Vida com Propósito, apresenta alguns itens que fazem parte da vida de comunhão de uma comunidade:
- Convivência saudável
- Orientação bíblica
- Mutualidade
- Unidade de propósitos
- Necessidades supridas
- Humildade nos relacionamentos
- Amor
- Oração
1 - O ALICERCE DA COMUNHÃO CRISTÃ
Antes de pensarmos na comunhão em uma projeção horizontal, ou seja, entre relacionamentos humanos, é preciso entender que o alicerce, a fundação, a base desta comunhão não está no homem como agente promotor.
Antes, esta comunhão é resultado direto de uma obra da Trindade na vida de uma pessoa. A igreja é composta de gente absolutamente diferente: nos seus gostos, gestos, educação, projetos, nível sócio-econômico etc. Seria inviável a sua existência se a base de tudo não fosse a obra da Trindade no coração do homem.
O teólogo Leonardo Boff escreveu um livro onde aponta a "santíssima trindade como base da comunhão e unidade".
Nesse texto, o autor destaca que, antes de existir o cosmos, antes de serem criados os anjos e o homem, Deus já existia na solidão do nada e era um Deus Trino, que existia em amor e unidade: o Pai, o Filho e o Espírito Santo. E, desse ambiente encharcado de graça, comunhão e amor, surgiram a criação e o homem para viverem em intimidade com Deus.
No Antigo Testamento temos grandes exemplos de homens que cultivaram a comunhão com Deus: Enoque (Gn 5.24), Noé (Gn 6.9), Abraão (Gn 17.1) Moisés (Ex 33.11-23), Elias (I Rs 17.1).
O Rev. Hernandes Dias Lopes apresenta uma ideia da comunhão que temos com a pessoa de Jesus Cristo:
- Somos um só espírito com o Senhor (I Co 6.17);
- Ele habita em nossos corações (Ef 3.16-19);
- Ele ceia conosco (Ap 3.20);
- As figuras: noivo-noiva; videira-ramos; cabeça-corpo.
Temos comunhão com o Espírito Santo. Fomos batizados no Corpo pelo Espírito e bebemos do mesmo Espírito (I Co 12.13; II Co 13.13 e Fp 2.1).
Assim, podemos perceber que o alicerce da comunhão cristã está na obra da Trindade. É uma obra que regenera o ser humano, habilitando-o a um pensar diferenciado, cheio de graça e amor e promovendo o perdão e a harmonia. Não há comunhão sem esta base, sem este alicerce!
2 - A COMUNHÃO DOS SANTOS
A obra salvadora de Deus nos imerge em uma comunidade que é a igreja. Paulo, escrevendo aos efésios (2.19, NVI) diz: "Agora vocês são cidadãos que pertencem ao povo de Deus e são membros da família dele".
Você foi escolhido para fazer parte da família de Deus. E, como em toda família, hão de se encontrar problemas. Mas, o modus operandi do tratamento entre os membros desta família está evidenciado na própria Trindade.
A comunhão dos santos é o modo natural de viver daquele que teve um encontro com Jesus (At 2.42,46). É descabida a justificativa de alguns que, apontando para os problemas da igreja, afirmam viver sua fé isoladamente. Este nunca foi o modo de vida daqueles que se encontraram com Cristo.
Todavia, para que esta comunhão aconteça, é preciso andar na luz (I Jo 1.7). Exige-se também um esforço conjunto (Ef 4.15,16) e socorro material dos necessitados como manifestação da misericórdia (Rm 12.13; II Co 8.4; I Jo 3.17).
Como a própria palavra designa, comunhão vem de algo comum a duas ou mais pessoas. Comunhão é uma via de mão dupla. É algo mútuo. Esta mutualidade pode ser percebida de algumas maneiras no dia a dia dos cristãos.
Paulo, ao escrever aos romanos, destaca esta mutualidade, dizendo:
- Somos membros uns dos outros (12.5);
- Amai-vos cordialmente uns aos outros (12.10);
- Preferindo-vos em honra uns aos outros (12.10);
- Tendo o mesmo sentimento uns para com os outros (12.16 e 15.5);
- Acolhei-vos uns aos outros como também Cristo nos acolheu (15.7);
- Saudai-vos uns aos outros com ósculo santo (16.16).
3 - QUANDO A COMUNHÃO NÃO É RECOMENDADA
Parece até descabido este tópico. Será que existe uma situação onde a Bíblia ensina que a comunhão não é recomendada? Certamente, a comunhão precisa ser preservada de situações e pessoas que concorrem para estragá-la. A comunhão é como uma joia: as pessoas precisam saber apreciá-la e valorizá-la (Sl 133.1).
Assim, podemos nos referir a situações onde a comunhão não é recomendada:
- Quando as amizades são com pessoas ímpias (Sl 1.1-3);
- Quando a outra pessoa se diz crente, mas não vive como tal (I Co 5.6-11);
- Quando a outra pessoa tem uma vida comprometida com práticas de pecado (II Co 6.14; Ef 5.5-14);
- Quando a outra pessoa não tem cuidado com a língua (Pv 20.19; I Co 15.33);
- Quando a outra pessoa é semeadora de contendas e inimizades (Pv 6.16-19);
- Quando a outra pessoa é portadora de doutrinas falsas (II Jo vv.10,11).
Certamente, quando as circunstâncias concorrem para estas direções mencionadas, a comunhão do povo de Deus pode ser maculada. E isto ocorreu em algumas igrejas do Novo Testamento. Paulo fala da divisão e partidos entre os coríntios (I Co 1 e 3). Ele também menciona as inimizades dos gálatas (Gl 5.15).
Quando a igreja não cuida de sua comunhão, como legado divino para a existência comunitária, ela passa a existir de forma tormentosa e insuportável. Você e eu somos responsáveis por manter esta unidade do Espírito no vínculo da paz na igreja!
DISCUSSÃO
- É possível conviver com um mundo pagão sem manter comunhão com ele? Explique.
- Que atitudes devemos assumir para promover na igreja maior comunhão?
Autor: REV. CARLOS OLIVEIRA ORLANDI JR.
Lista de estudos da série
1. Por que você deve ter cuidado com o que promete a Deus – Estudo Bíblico sobre Juramentos e Votos
2. O significado real por trás do batismo e da ceia – Estudo Bíblico sobre Sacramentos
3. O segredo da intimidade profunda com Deus – Estudo Bíblico sobre Jejum
4. Como administrar tudo o que Deus te deu – Estudo Bíblico sobre Mordomia
5. Por que a pregação é a voz de Deus na terra – Estudo Bíblico sobre Pregação
6. O que Deus realmente procura em um adorador – Estudo Bíblico sobre Adoração
7. Como falar com Deus e ser realmente ouvido – Estudo Bíblico sobre Oração
8. A coragem de chorar na presença do Senhor – Estudo Bíblico sobre Lamento
9. Os segredos para uma união fraternal indestrutível – Estudo Bíblico sobre Comunhão
10. Como viver um culto que não termina no amém – Estudo Bíblico sobre Vida de Culto
11. O que torna um ajuntamento cristão aceitável a Deus – Estudo Bíblico sobre Ajuntamento do Povo
12. A importância vital de declarar no que você crê – Estudo Bíblico sobre Confissão de Fé
