Tito 2.7,8
O Dicionário de Davis assim resume a biografia curta, mas edificante, do jovem ministro evangélico, Tito:
...nome do grande companheiro de Paulo. Este nome não aparece no livro de Atos, mas encontra-se repetidas vezes nas Epístolas do grande Apóstolo. Era filho de pais gentios (Gl 2.3). Tomou parte na comissão da igreja de Antioquia (At 15.2), juntamente com Paulo e Barnabé, quando foram a Jerusalém assistir ao primeiro concílio da igreja (Gl 2.3). É possível que fosse natural de Antioquia, uma vez que Paulo o chama "amado filho na fé que nos é comum" (Tt 1.4), e que fosse convertido por ele. Evidentemente era mais jovem que Paulo.
A Epístola de Paulo a Tito foi escrita depois que o Apóstolo saiu da prisão em Roma, e reassumiu a sua obra missionária. Deve datar do ano 65 ou 66 A.D. Tito ficou superintendendo a igreja de Creta. A Epístola que Paulo lhe enviou, à maneira da Primeira Epístola a Timóteo, tinha por fim dirigi-lo no modo de resolver as dificuldades que ia encontrar.
1 - TITO, O CRISTÃO
Todas as referências que há no N.T. a respeito de Tito não deixam a menor dúvida sobre a realidade profunda de sua conversão, de sua convicção sobre Jesus e de sua doutrina.
Foi convertido numa das viagens missionárias do Apóstolo Paulo, talvez em Antioquia; e tão sincera foi a sua profissão de fé, que Paulo o colocou no mesmo nível com ele na fidelidade ao santo Evangelho: " A Tito, meu verdadeiro filho segundo a fé que nos é comum" (Tt 1.4).
Outro elemento que torna brilhante a carreira cristã desse jovem exemplar é que, no Evangelho e pelo Evangelho, estava pronto a se movimentar sempre.
Merecia confiança absoluta da igreja e dos Apóstolos, especialmente de Paulo, tanto que foi um dos escolhidos pela Igreja de Antioquia como delegado ao concílio de Jerusalém.
Em Atos, 15.2, se diz que "Paulo, Barnabé e alguns outros irmãos" subiram a Jerusalém. Ora, em Gálatas, 2.3, Tito é mencionado por Paulo como um desses "irmãos".
Tito se convertera em plena mocidade, e Paulo exorta-o a manter conduta exemplar como moço entre moços (Tt 2.6,7). Só este fato bastaria para mostrar que a profissão de fé de Tito era real e autêntica, pois, nos dias apostólicos, a religião cristã era perseguida e mesmo odiada.
Ora, se um jovem deixava o mundo, como fez Tito, para entregar-se às aventuras e peripécias do "Novo Caminho", isto era mesmo conversão e consagração.
Além disso, Tito aparece executando missões delicadas, difíceis e de muita responsabilidade. Por três vezes teve de ir a Corinto para resolver aí, em nome de Paulo, questões sem dúvida muito sérias (2 Co 2.13; 7.16; 8.6,16,17,23; 12.17, 18).
Para pastorear a Igreja na Ilha de Creta, com graves problemas, foi ainda Tito o escolhido. Parece que ele, como ajudante de Paulo, não parava.
Vivia viajando e trabalhando, em nome e em lugar de Paulo. Vemo-lo em Jerusalém (Gl 2.3); em Éfeso, donde partiu levando a Primeira Carta aos Coríntios; em Corinto; em Macedônia (2 Co 7.6,13,14); em Creta (Tt 1.5); em Nicópolis, cidade no Epiro, a 7 km de Atium (Tt 3.12); em Roma e Dalmácia, região na praia oriental no Adriático, com várias ilhotas.
Tito, portanto, deve servir de modelo útil a quantos se denominam cristãos professos. A conversão se evidencia através de obras públicas, de frutos benéficos na vida da Igreja e do Estado.
O crente fiel é "luz" e é "sal", de modo que não pode cair na estagnação e no marasmo. Crente frio, quieto, inativo... alguma coisa deve estar errada. Ou se movimenta, ou não é crente.
2 - TITO, O PASTOR
O aspecto mais saliente da carreira de Tito é a sua obra pastoral. E o Apóstolo Paulo, experimentado conhecedor da personalidade humana, achou nele decidida e santa vocação ao ministério.
Tito era um pastor ativo, enérgico, trabalhador. Como já vimos acima, era evangelista itinerante, zeloso e pronto, fosse no inverno, fosse na primavera.
Tem-se a impressão de que Tito tinha o tato e habilidade para administrar, para estabelecer método e ordem nas comunidades cristãs.
Se havia aqui ou ali alguma anarquia, nas igrejas, era Tito o homem que Paulo enviava a cuidar de as "pôr em ordem". A Igreja de Creta não era fácil e precisava de organização. Lá se foi Tito para "regular" as coisas (1.10-12; 1.5).
Havia na Igreja cretense males muito sérios: falsos irmãos, perturbadores da ordem e maldizentes (1.10-12); facções ou partidos (1.14; 3.9); costumes mundanos e pagãos (1.15; 3.1,8); revolucionários contra a ordem social (3.1).
Tito recebeu de Paulo autoridade para exercer a tríplice função pastoral de doutrinador, de disciplinador e de edificador da família da fé.
Em todo o segundo capítulo da Epístola que lhe dirigiu, Paulo dá a Tito sábios conselhos neste sentido. Competia-lhe não só administrar bem, mas pregar a sã doutrina, exortar o povo, guiar a Igreja às suas altas finalidades.
Aos velhos, às senhoras, às jovens, aos moços, aos casados, aos domésticos e empregados, a todos tinha o jovem ministro de prestar eficaz e enérgica assistência espiritual.
Parece que Tito, por sua vocação, temperamento e dons, possuía tino especial como cura de almas, orientando com sabedoria, com diligência, com bondade e com mansidão os negócios cristãos.
Por isso Paulo o deixou em Creta, como de quando em quando dele se utilizava em outros cargos pastorais de delicada diplomacia.
Tito, como pastor, evidenciava estas qualidades: capacidade administrativa, energia, prontidão, amor às ovelhas, caráter reto e exemplar, pregador e conselheiro fiel na seara. Roguemos a Deus que nos dê, no Brasil, obreiros assim!
3 - TITO, O AMIGO
Esta feição do caráter do jovem ministro se faz ver, claramente, nos poucos traços que ficaram dele no N.T. Amigo de Paulo, disso não se pode ter a menor dúvida. O Apóstolo o trata de "filho na fé", como já havia dito de Timóteo, outro jovem pastor (I Tm 1.1,2).
E quando o venerando Apóstolo faz referências a Tito, é em termos de íntima camaradagem, em linguagem familiar, sem adjetivos, apelidos ou títulos pomposos, mas simplesmente como "Tito, o meu irmão" (2 Co 2.13; 7.6); como "homem de verdade" (2 Co 7.13,14); como um ministro cheio de afeto para com os crentes (2 Co 7.15); como "companheiro e cooperador" (2 Co 8.23); como "zeloso" (2 Co 8.16,17); como integro no procedimento (2 Co 12.17,18).
Tinha Paulo em Tito tal certeza de amizade, que lhe recomendava outros amigos, e por eles lhe pedia cuidados e carinhos (Tt 3.12,13).
Comparado com Timóteo, a quem Paulo escreveu também duas Epístolas Pastorais, tem-se a impressão de que Tito era mais velho, mais enérgico, mais eficiente na sua ação e de personalidade mais destacada do que aquele.
Há nas cartas a Timóteo conselhos pessoais e certos detalhes íntimos de que Tito não precisava, talvez por ser mais experimentado do que o seu jovem colega, que seria mais tímido e menos traquejado na labuta pastoral.
Que lindo caráter é o de um genuíno cristão! Como professo, como obreiro e como amigo é sempre piedoso, reto e verdadeiro, digno de confiança e amado do povo do Senhor... O leitor é um crente assim?
4 - SEGREDOS DA VIDA VITORIOSA
- Era realmente convertido.
- Possuía a vocação para o ministério, vinda do céu e de Deus. Tito não se impôs por força nem por fraudes, à consciência da Igreja, mas pelas obras boas de um vocacionado por Cristo.
- Era trabalhador zeloso. Tito não conhecia estas frases tão comuns hoje nos lábios de certos crentes frios: "Não posso..." "Não sei..." "Não vale a pena... Estou muito sobrecarregado de serviços..." "Agora não... Depois eu farei isso para a Igreja..."
- Era fiel à causa do Reino de Deus. Tito conheceu obstáculos, e não poucos, diante de sua carreira. Logo depois de convertido, sofreu a pressão dos judaizantes, que queriam obrigá-lo a circuncidar-se (Gl 2.1-3). Obstáculos defrontou ele em Corinto, em Roma, em Creta, em todos os lugares. Mas Tito não recuou do caminho. Não desanimou no serviço. Não pediu aposentadoria ao Presbitério ou aos concílios superiores da Igreja, quando as coisas ficaram tormentosas. Não se pôs em disponibilidade. Não fugiu às suas obrigações. Fiel sempre, até ao fim.
- Era de profunda probidade profissional. Tito, pela influência que chegou a alcançar nas Igrejas, podia ter sido tentado a tornar-se "chefe" e "mandão" no campo cristão. Podia ter feito "política", para anular o prestígio de outros colegas, talvez de menos projeção, no setor da fé nascente, e ser "líder" e senhor de boas posições eclesiásticas... Podia ter tratado de seu futuro, pondo no banco umas economias arrancadas "jeitosamente" às Igrejas... Não.
- Tito não era homem para estas misérias e baixezas que, infelizmente e às vezes, acontecem no seio do próprio apostolado. Tito tinha compostura e dignidade. Era humilde. Era honesto. Era reto. Era transparente. Era leal amigo. Que belo exemplo para os pastores e para nós todos hoje!
CONCLUSÕES
- Deus precisa de cooperadores na obra santa de seu reino no mundo.
- Só podem ser de fato cooperadores de Deus, na terra, os que Ele mesmo vocaciona e envia.
- A verdadeira vocação cristã se afirma pelos dons específicos do vocacionado e pelas boas obras que faz, aprovadas pela consciência cristã.
- A função máxima do obreiro crente não é a da administração eclesiástica: é a de ter a mensagem divina sempre proclamada com fidelidade.
- A disciplina, os bons métodos, a técnica inteligente e a organização útil são necessários ao bom andamento das comunidades cristãs na terra.
Autor: REV. GALDINO MOREIRA
Lista de estudos da série
1. A Família de Jesus e o Segredo do Lar Perfeito2. Marta e Maria e o Segredo do Equilíbrio Espiritual
3. Tomé e o Caminho para uma Fé Inabalável
4. Apolo e a Humildade Essencial dos Grandes Líderes
5. João e a Incrível Transformação pelo Amor Divino
6. Tiago e os Pilares da Verdadeira Liderança Cristã
7. Judas e a Coragem de Batalhar pela Fé Genuína
8. Tito e o Manual Prático para Obreiros Fiéis
9. Timóteo e Como Superar o Medo para Servir a Deus
10. Maria Madalena e o Poder Transformador da Gratidão
11. O Cego de Nascença e a Visão que Salva a Alma
12. Áquila e Priscila e o Segredo do Casal Vitorioso
13. Heróis Anônimos e a Grandeza de Servir nos Bastidores
