Tiago e os Pilares da Verdadeira Liderança Cristã - Estudo Bíblico sobre personagens do NT


Tiago 3.13

Ο Novo Testamento (NT) menciona em suas páginas sete pessoas que trazem o nome de Tiago — no hebraico Yaabo; no grego Jacobos; no latim Jacobus e Yago.

  • O primeiro é o Apóstolo Tiago, irmão de João e filho, de Zebedeu (Mt 4.21; 10.2; 17.5).
  • O segundo é Tiago, também Apóstolo, filho de Alfeu (Mt 10.3; Mc 3.18; Lc 6.15).
  • O terceiro é Tiago, apelidado o Menor, filho de Maria, esposa de Clopas (Mt 27.56; Mc 15.40; Jo 19.25).
  • O quarto é um certo Tiago, pai ou irmão do Apóstolo Judas, não o Iscariotes (Tc 6.16; At 1.13).
  • O quinto é Tiago, irmão do Senhor, mencionado com outros irmãos e irmãs de Jesus (Gl 1.19; Mt 13.55; Mc 6.3).
  • O sexto é Tiago, pastor da Igreja Cristã em Jerusalém (At 12.17; 15.13; 21.18; Gl 2.9,12).
  • O sétimo é Tiago, irmão de Judas, o autor da Epístola de Judas (Jd 1.1).

Destes, o segundo e terceiro nomes, acima, são considerados do mesmo indivíduo, tendo-se em conta que o nome Alfeu é a forma grega do nome Clopas ou Calpai, no aramaico, dialeto hebraico em uso nos dias de Cristo.

Por estudos comparados dos textos sacros e certas informações históricas existentes em vários autores do primeiro e segundo séculos da era cristã, tem-se que o quinto, o sexto e o sétimo nomes, acima, identificam a mesma pessoa, e que é esse Tiago, o "irmão do Senhor", o irmão de Judas e ilustre líder em Jerusalém, o Tiago que escreveu a Epístola desse nome e o de que trata a nossa lição de hoje. Tiago parece ter sido o irmão mais velho do casal Maria e José, depois de nascido Jesus (Mt 13.55; Mc 6.13).

Até à morte de Jesus, Tiago e seus parentes ainda não eram convertidos a Cristo (Mc 6.1-4; Jo 7.3-10; 19.26,27). É provável que Tiago tenha se convertido mediante uma revelação especial de Jesus a ele (I Co 15.7). Aparece entre os apóstolos, logo após a Ascensão (At 1.14).

Tornou-se vulto eminente na Igreja Apostólica (At 12.17; 15.13; 21.18). Paulo, o Apóstolo, por volta do ano 40 A.D., visitando Jerusalém, foi vê-lo, e assim faziam outros crentes (At 12.17; 21.18; Gl 1.19; 2.9). 

Era tido como "coluna" da Igreja, com João e Pedro (Gl 2.9). Presidiu ao concílio em Jerusalém, e fez o resumo de seus trabalhos (At 15). Era de influência, a ponto de predominar até nas idéias de um Apóstolo (Gl 2.12). Era casado e costumava fazer viagens missionárias com a esposa (1 Co 9.5).

Tão fiel era à pregação da doutrina e da vida íntegra, que foi apelidado "o Justo", segundo afirma o historiador Eusébio. Ainda em 58 A.D., era ele o pastor da Igreja em Jerusalém, pois nessa data Paulo aí o encontrou (At 21.18). Diz-se que morreu mártir num motim provocado pelos judeus, entre os anos 62-63 A.D.

1 - O PRIMEIRO ESCRITOR DO NOVO TESTAMENTO

Sua Epístola foi a que abriu este sagrado volume, provavelmente no ano 45 A.D. Tiago escreveu sua Carta a todos os crentes hebreus que residiam fora da Palestina, dispersos por todas as partes do mundo então conhecido (Tg 1.1).

O objetivo da Carta foi corrigir erros de doutrina e de conduta dos judeus convertidos ao Cristianismo, bem como consolá-los nas perseguições que sofriam pelo Evangelho (Tg 1.2-4).

Os versículos-chaves da Carta de Tiago são: 2.27 e 4.17. O tema geral da Carta é: "A religião verdadeira é aquela que transforma o caráter e pratica a doutrina do Senhor." Isto é: "A fé se expressa e se aperfeiçoa através das obras boas oriundas da piedade cristã." Paulo, João e Tiago são uma tríade inseparável.

Paulo fixou a doutrina da justificação pela fé. Tiago, a da fé que realiza atos de amor. João, a do amor que nasce de Deus e que nos leva à vida de atos de misericórdia. Alguém disse que a Carta de Tiago deveria ser lida pelos crentes modernos no mínimo uma vez cada semana.

2 - UM LÍDER ENÉRGICO

  • Tiago protestou contra a falsa religião, feita só de ouvir a Palavra e não de praticá-la (1.19-25).
  • Protestou contra o orgulho de classes e de posições na igreja (1.9-11; 2.1-13).
  • Protestou contra o fatalismo prático dos crentes, querendo lançar contra Deus os males de que só eles eram os culpados (1.13-18).
  • Protestou contra a religião só de teorias, a religião que conhece o bem e não o faz (2.14-26).
  • Protestou contra as contendas dentro das igrejas e na vida particular dos crentes (3.13-4; 1.12).
  • Protestou contra os juízos apressados e temerários (4.13-5; 1.6).

3 - UM LÍDER CONSTRUTIVO

Como ilustre guia da Igreja de Jerusalém e do povo de Deus na sua época, Tiago não era apenas um destruidor revolucionário, derribando energicamente os terríveis ídolos espirituais dos crentes de então.

Se protestou com vivo empenho contra a falsa profissão de fé, também foi um construtor. Tiago deu à Igreja excelentes conselhos de paz, de conforto e de coragem. Vejamos essa obra abençoada do "irmão do Senhor".

  • Ensinou aos crentes que é privilégio e bênção sofrer, como cristão, as várias provas da vida (1.2-4).
  • Mostrou que o crente tem pelo menos três riquíssimos poderes ao seu alcance, e que o podem tornar vitorioso nas provas:
    • Fé inabalável (1.5-8)
    • Oração perseverante (5.13-18).
    • Paciência cristã (5.7-11).
  • Ensinou que a alegria espiritual e o espírito de solidariedade cristã são privilégios que santificam (5.13,16,19, 20).
  • Ensinou que há ao redor do crente um braço forte que governa tudo e muito bem (1.17,18; 4.15).

4 - UM LÍDER EXEMPLAR

Há na Igreja de Deus lugar para todos os crentes. Em Cristo todos são um só povo. Mas, o Espírito Santo dá a cada um dons e capacidades variadas, para a edificação do corpo de Cristo e sua propagação no mundo (I Co 12).

Há lugares na Igreja para líderes, o que Paulo denomina "colunas" na casa de Deus (Gl 2.9). Os líderes não se fazem por imposição ou por trâmites políticos. Não arrogam para si poderes papais ou de "chefes supremos". São obreiros capazes, dotados de certas qualidades que Deus mesmo lhes dá para a obra do ministério.

O líder é o obreiro preparado para a tarefa que a graça lhe designou, e que sabe fazê-la com energia, com dignidade, com satisfação, com fé e com entusiasmo. O líder se impõe pelas obras, pelo caráter íntegro, pela energia, pelas iniciativas, por uma personalidade que atrai o amor e a confiança dos seus liderados.

Tiago, o ilustre líder cristão, não exigia honrarias por ser "irmão do Senhor". Pelo contrário, dá-se apenas o título de "servo do Senhor" (Tg 1.1). 

Em Jerusalém, no grande concílio, ele não impõe sua opinião. Presidindo-o, portou-se como paciente moderador e companheiro de seus irmãos (At 15). O verdadeiro líder crente é despido dessas vaidades de honrarias humanas. É o seu primeiro sinal.

Tiago, como líder, não era ditador. Não usurpava as funções administrativas da Igreja. Pelo contrário, era cooperador com a Igreja e com os mais irmãos. Era "coluna" suporte! (Gl 2.9). Fazia as mesmas tarefas que os outros de sua posição (I Co 9.5). 

Tiago, como líder, era acatado conselheiro dos companheiros, não só pela posição que ocupava de pastor da Primeira Igreja da Capital, como por sua experiência e relação com o povo judeu (Gl 1.19; At 12.17; 15.13; 21.18). O verdadeiro líder é aquele que sabe aconselhar bem aos que lhe confiam os seus problemas.

Tiago, como líder, era enérgico, fiel na palavra e na doutrina. Não tinha medo de cair no desagrado deste ou daquele. Não colocava sua invejável posição de influência acima da verdade. Doesse a quem doesse, Tiago dizia sem rodeios o que era preciso dizer. 

Ele protestava, como já vimos acima, fielmente, contra os males que havia nas colônias crentes dos judeus dispersos, e os admoestava com franqueza a que mudassem de rumo. O verdadeiro líder é o que conserva fidelidade à fé, à doutrina e à causa de Deus, e não teme até mesmo cair no desagrado dos que erram.

5 - NÓS E NOSSOS LÍDERES

As Igrejas do Brasil, como as de outras terras, têm tido no passado e têm no presente — louvado seja Deus! — alguns líderes, obreiros amados pelo povo do Senhor, homens de capacidade mental e moral, que dedicaram e dedicam o seu tempo, dons e recursos à causa divina.

A estes, a Igreja deve consagrar respeito, consideração e sustento condigno. Especialmente nesta última parte, é preciso que as Igrejas compreendam a sua responsabilidade imediata.

Como pode um líder capaz de realizar sua tarefa, projetar sua ação benéfica a grandes distâncias e sacudir o Brasil indiferente à fé, se tem que ser profissional de qualquer sorte para manter a si e aos seus? Se tem as mãos atadas num emprego? 

Se não lhe fica tempo, senão escasso, para o serviço cristão? Imagine-se se Tiago poderia ser o que foi se a Igreja o não sustentasse condignamente, e tivesse ele de fazer tendas, ou ser alfaiate, ou advogado, ou médico, ou professor público para se manter?

É necessário que as Igrejas saibam apreciar os seus melhores guias, dando-lhes o tempo e as oportunidades amplas de que precisam para o seu trabalho. 

Há Igreja que se queixam daquilo que gastam com os seus pastores e guias. Outras, daquilo que gastam com as causas gerais da Igreja. Não deve ser assim. Aos líderes e aos obreiros do Reino de Deus urge dar todo apoio, toda amizade e todos os recursos necessários.

6 - ESCOLHA DE LÍDERES

Nosso Senhor precisa de líderes e obreiros no Brasil e em todo o mundo. Mas, que espécie de líderes?

  • Líderes que sejam crentes a toda prova.
  • Líderes que possam dedicar-se integralmente à obra do Reino de Deus.
  • Líderes especializados nos seus dons. Precisamos de pastores, missionários, apologistas, evangelistas, mestres, escritores, jornalistas, pregadores, tribunos, sociólogos, educadores, controversistas, filósofos, cientistas, conselheiros, teólogos e doutrinadores. Não é possível mais exigir que um pobre líder ou obreiro seja tudo isso de uma vez. É querer o mundo dentro de um copo d'água. A Igreja deve orar pedindo a Jesus líderes especializados; deve escolhê-los, apoiá-los, mantê-los e levá-los ao seu campo de ação.
  • Líderes que preguem a sã doutrina, enérgica, vital e certa, que não temam declarar todo o ensino cristão, inclusive o combate ao mundo, ao diabo e à carne.
  • Líderes para as tarefas específicas, das grandes capitais, das cidades, das vilas e das zonas rurais. Não é possível também que as Igrejas nos dias modernos exijam obreiros que ao mesmo tempo sirvam para os campos, para o interior do país e para as capitais. Só raras capacidades podem alcançar uma aptidão assim. Cada meio exige o seu líder apropriado.
  • Líderes ordenados e leigos. Há lugar para uns e outros na igreja do Brasil. Há tarefas que competem ora a um, ora a outro, e não podem ser executadas com eficiência, a não ser assim.
  • Líderes humildes, cheios do amor de Deus, apaixonados pela causa santa, "irmãos do Senhor" pela fé e pela consagração.

É possível obter guias desse tipo. O recurso é orar, descobrir as vocações e dirigi-las bem até que cheguem ao seu lugar. O resto o Senhor fará com certeza.

Você tem orado ao Senhor pedindo-lhe obreiros assim para a sua Igreja?

Autor: REV. GALDINO MOREIRA


Lista de estudos da série

1. A Família de Jesus e o Segredo do Lar Perfeito
2. Marta e Maria e o Segredo do Equilíbrio Espiritual
3. Tomé e o Caminho para uma Fé Inabalável
4. Apolo e a Humildade Essencial dos Grandes Líderes
5. João e a Incrível Transformação pelo Amor Divino
6. Tiago e os Pilares da Verdadeira Liderança Cristã
7. Judas e a Coragem de Batalhar pela Fé Genuína
8. Tito e o Manual Prático para Obreiros Fiéis
9. Timóteo e Como Superar o Medo para Servir a Deus
10. Maria Madalena e o Poder Transformador da Gratidão
11. O Cego de Nascença e a Visão que Salva a Alma
12. Áquila e Priscila e o Segredo do Casal Vitorioso
13. Heróis Anônimos e a Grandeza de Servir nos Bastidores

Semeando Vida

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