Pedro e o milagre na porta do templo - Estudo Bíblico sobre o apóstolo Pedro


Atos 3.1-8; 4.8-12

Introdução

"Um homem coxo de nascença... dando pulos..." (At 3.2,7). Que contraste e que paradoxo, sem dúvida, são essas duas frases reunidas! Um entrevado não pode andar.

Um homem que pula e que anda não pode ser entrevado. Que mistério, pois, explicará esse paradoxo do texto da lição? Humanamente, é um problema insolúvel. Mas, à luz da graça divina, o impossível torna-se alegre realidade.

Intervêm aí apenas três fatores: dois homens bons, compadecidos do doente; dois homens dotados de fé vitoriosa pelo Nome soberano, o Nome de Jesus, por cuja autoridade os dois crentes agiram curando o enfermo.

Eis tudo explicado! Esta cena do texto foi um milagre real. E esse milagre suave e consolador se fez como início de uma série infindável de milagres maiores, os de almas incapazes e entorpecidas, frias ao bem, mortas em pecados, curadas pela fé "no Nome que é sobre todos os nomes", readmitidas à luz, restauradas ao poder da ação espiritual e trazidas ao templo divino do louvor.

Como adquiriram Pedro e João o poder maravilhoso com que espantaram os circunstantes ali junto à igreja em Jerusalém com a cura do pobre e aflito entrevado da "Porta Formosa"?

Pela fé e concessão especial de Deus. Foram curados primeiro pelo Senhor e, pelo seu Espírito, se tornaram medianeiros da graça, do poder e do bem (At 2.1-4). Ninguém pode dar o que não possui.

Pedro ofereceu ao coxo da cidade, infeliz mendigo desde nascença, a maravilha de sua restauração, porque possuía o recurso capaz de tanto. Pedro tinha Jesus na sua vida, em sua alma, ao seu lado: "Seja-vos notório que em Nome do Senhor Jesus este homem está curado..." (At 4.10).

Seja este exemplo magnânimo de boa vontade de Pedro, e de fé, e de carinho aos que padecem e de sincero amor ao próximo o apelo de Cristo a todos nós. Imitemos o bem que os bons executaram em Nome de Jesus!

1 - LUZ SOBRE O TEXTO

"Pedro e João..." (3.1). Eram dois dos apóstolos mais conhecidos e influentes entre os 12 chamados por Jesus, e os mais adiantados no conhecimento do Mestre. É interessante notar como estes dois homens de tão diferente índole, eram os mais chegados amigos e os melhores colaboradores.

Eram, provavelmente, o mais velho e o mais moço dos doze apóstolos, inspirados, porém, pelo mesmo supremo motivo.

Estavam no exercício do culto público, pois era costume dos cristãos primitivos combinar as formas antigas do culto com as novas que lhes foram ensinadas pelo Espírito.

"Era Levado... Porta Formosa..." (3.2). Tudo o que sabemos deste homem resume-se assim:

  • Era coxo desde o nascimento.
  • Tinha defeitos ou fraqueza nas bases dos pés.
  • Era incapacitado para andar.
  • Era pobre e tinha 40 anos.
  • Tinha amigos que o ajudavam.
  • Parecia ser religioso.

"Este... dessem esmola..." (3.3). Talvez o doente já conhecesse a Pedro e a João, ou, no mínimo, já os devia ter visto no Templo. Seria esta a primeira vez que pedia esmola aos dois apóstolos?

Parece que sim, porque, ao contrário, já estes dois o teriam curado, como aconteceu nesta ocasião. Pediu esmola e recebeu um dom inefável — a salvação, com a cura do corpo! Bem certo falara Jesus: "Quem pede, recebe..."

"E Pedro, fitando os olhos nele..." (3.4). Este gesto do apóstolo visava, de certo, a despertar esperança e fé no pedinte, bem como verificar se era ele receptivo da graça da cura. Há doentes que, curados, são mais infelizes do que antes, por desperdiçarem o bem recebido. Pedro, Jesus e Paulo usaram o mesmo método (Mc 1.10; At 14.8-9).

"Juntamente com João." João era companheiro de Pedro, e é provável que ele contasse a história a Lucas.

O homem olhava com atenção, esperando receber deles alguma coisa. Mas Pedro, sem demora, o desenganou sobre isto, dizendo-lhe: "Não tenho prata nem ouro." Os apóstolos não se enriqueceram pelas dádivas dos novos conversos. "Mas o que tenho, isso te dou." Que tinha Pedro? Tinha o poder de curar as doenças em nome de Jesus.

Tinha o Evangelho com todas as suas ricas bênçãos. Tinha o conhecimento do caminho da salvação e a assistência do Espírito Santo. "O que tenho, isso te dou." Só o que temos podemos dar a outrem; e isto, somente na medida em que nós mesmos o usamos.

A figura do fogo a ninguém aquece, tampouco. a imagem da virtude pode comunicar virtude. Se um homem tem dinheiro, isso pode dar.

Se tem coragem, caridade, bondade, virtude, poderá infundir em outros corações estas mesmas graças. Se, porém, está cheio de dúvidas, de ódio, de mau gênio, de malquerenças, de paixões malévolas, isto é o que há de comunicar aos que estão ao seu redor.

"E disse Pedro ao homem: Em nome de Jesus Cristo, o Nazareno, levanta-te e anda." O nome é a expressão do ser todo, de Jesus — seu poder, seu caráter e sua graça.

Para não haver dúvida sobre quem lhe dera o poder, Pedro disse: "Em nome de Jesus Cristo, o Nazareno" — Jesus, o crucificado, mas ressurgido e sentado à direita de Deus no céu, a trabalhar por seu povo na terra.

"E (Pedro), tomando-o pela mão direita, o levantou." Pedro, sem dúvida, fez isto a fim de despertar mais fé no homem e animá-lo a obedecer à ordem. "E no mesmo ponto foram consolidadas as bases de seus pés."

Com o esforço veio o poder de obediência à voz de Pedro. "E dando um salto se pôs em pé e andava; e entrou com eles no Templo, andando e saltando e louvando a Deus." O louvor é tão natural ao filho de Deus como o cântico da manhã ao pássaro sadio.

"E todo o povo o viu andando e louvando a Deus." O milagre foi feito publicamente, e uma multidão o presenciou. Conheciam o homem. Não havia engano algum. Todos viram que o homem coxo fora curado e andava louvando a Deus.

"Então Pedro, cheio do Espírito Santo, lhes respondeu." (4.8). Em cumprimento à promessa de Jesus (Mt 10.19-20), o Espírito Santo deu a Pedro coragem de falar a verdade e, ao mesmo tempo, lhe ensinou o que devia dizer e o melhor modo de dizê-lo.

Foi esta a primeira vez em que Pedro teve de falar na presença da assembleia augusta; e ele, um humilde pescador da Galiléia, sem letras, bem podia ter recuado perante um tribunal que tinha tanto poder sobre sua nação e até sobre sua vida.

Mas, Pedro, cheio do Espírito Santo, valia agora mil Pedros. Sozinho seria uma palha levada pelo vento, mas Pedro, cheio do Espírito Santo, foi um valente guerreiro, um poderoso capitão, um soldado revestido de toda a armadura do céu, eloquente da eloquência celestial, cheio do amor divino.

Começando o seu discurso, dirigiu-se com cortesia e respeito aos seus juízes: "Príncipes do povo e anciãos, ouvi-me". O benefício feito ao homem enfermo. A própria expressão refutava a acusação.

Os homens não são processados nem castigados por fazerem benefícios a outros. "Tomai conhecimento vós todos e todo o povo de Israel de que, em nome de Jesus Cristo, o Nazareno, a quem vós crucificastes, e a quem Deus ressuscitou dentre os mortos, sim, em seu nome é que este está curado perante vós. Este Jesus é pedra rejeitada por vós, os construtores, a qual se tornou a pedra angular."

Os rabis judaicos conservam a tradição de que uma das pedras lavradas em uma pedraria distante foi trazida a Jerusalém para o templo de Salomão. 

Era de forma estranha, e embora ornada de relevos e esculturas de beleza extraordinária, não se achou lugar para essa pedra no edifício, sendo posta à parte, no decurso dos anos, ficando coberta de musgo e pó, e os edificadores, ao passarem, faziam escárnio dela.

Quando, porém, o Templo estava quase acabado e as multidões se achavam reunidas para presenciar a dedicação, faltava a pedra principal do ângulo. 

Então descobriram que a pedra rejeitada e coberta de pó supria a falta. Foi limpada, então, e colocada no lugar, no meio das aclamações do povo, para tornar-se a glória do edifício. Assim foi com Jesus, a quem os judeus rejeitaram.

Pedro, daí, proferiu aquela grande verdade que devia ser escrita em letras de ouro (em letras tão grandes que se podem ler das estrelas) e em todas as línguas sobre a face da terra: "E não há salvação em nenhum outro; porque abaixo do céu não existe nenhum outro nome, dado entre os homens, pelo qual importa que sejamos salvos."

Não havia outro poder capaz de salvar a nação e a cidade da destruição, o que lhes sobreveio quarenta anos mais tarde. Não há outro nome que tão claramente revele o nosso Pai Celestial. 

Não há outro que possa fazer expiação pelo pecado e fornecer ou inspirar os motivos e ideais puros. Quem confia em outro nome qualquer está se apoiando num cana quebrada.

2 - CORAÇÃO DA LIÇÃO

O Cristianismo é a religião completa. Ele cuida da alma, que é joia de valor imperecível no Universo, mas também cuida do corpo. Foi ele que levou ao povo pagão a doutrina da caridade e do altruísmo. O gentilismo viveu séculos, até surgir o Cristo "Nazareno".

O povão não valia nada. A criança não valia nada. A mulher não valia nada. Cuidava-se da guerra, do estômago e do luxo. O mais periclitava.

Foi a Igreja Cristã, desde os dias de Pedro e João, a grande edificadora do Bem Público. Foi ela que levantou os asilos, os hospitais, os socorros populares, as casas de saúde, toda a nossa maravilhosa civilização.

Não importa o tempo de invalidez em que viva uma pobre vida. "Quarenta anos" vivera entrevado o mendigo à porta do Templo. Mas, Jesus o curou completamente. Não importa a natureza dos males humanos, que agrilhoem as criaturas.

Não importa o que o Diabo tente fazer para lançar o pavor no meio da humanidade. O povo de Jesus não teme isso.

Pelo contrário, faz do ódio e da perseguição maligna meios de glorificar a Deus. Pedro fez assim. O nome que salvou o entrevado da Porta Formosa "é o mesmo ontem, hoje e para sempre".

É o único que redime e alegra as almas. Imitar a Pedro na prática do bem, na coragem da fé e no valor das convicções é o dever de cada cristão, hoje e amanhã, como sempre!

3 - PRÁTICA

A piedade abre ao crente caminhos felizes, que beneficiam aos que sofrem. Se Pedro e João não fossem piedosos... o entrevado nunca teria sido curado!

O Cristianismo é um credo, um exemplo e um poder prático e eficiente. A igreja não dá "esmolas". Dá o que tem: o poder da graça divina, que faz bem ao corpo e à alma.

O ouro e a prata valem como metais de valor humano só. Não podem realizar o "melhor". Isto só é possível à fé. Crer é ser milionário!

A caridade deve ser pronta, desinteressada, inteligente, paciente, ajudadora e feita para a glória de Deus.

Pedro soube socorrer: "Olha para nós!" "Dá-me a tua mão!" "Levantou o coxo..." A obra boa não fala, faz; não manda, vai.

Autor: REV. GALDINO MOREIRA


Lista de estudos da série

1. Pedro e o dia do seu chamado 

Semeando Vida

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