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A pessoa de Cristo (1)


Um dos aspectos fundamentais do cristianismo é a afirmação de que Jesus Cristo é plenamente homem e Deus. Sua encarnação teve início por meio de sua concepção no ventre de Maria. Ele foi gerado pelo Espírito Santo (Mt 1.18; Lc 1.35). 

O modo desta concepção e nascimento comunica três importantes elementos doutrinários. São eles:

1. A salvação vem somente do Senhor. 
O nascimento de Cristo é o exato cumprimento da promessa de que a “semente da mulher esmagaria a cabeça da serpente” (Gn 3.15). Isso quer dizer que a salvação não é produto da intervenção humana, antes é resultado da obra sobrenatural de Deus. O apóstolo Paulo escreveu:“Deus enviou seu Filho, nascido de mulher, nascido sob a lei, para resgatar os que estavam sob a lei, a fim de que recebêssemos a adoção de filhos” (Gl 4.4-5).

2. União plena entre o divino e o humano. 
Alguém poderia pensar em outros modos para a vinda de Cristo. Deus poderia tê-lo feito homem no céu e, depois, tê-lo enviado à terra. Se assim fosse, seria difícil enxergar Cristo como um homem à nossa semelhança. Ainda poderia ser sugerido que Cristo pudesse nascer através de um pai e uma mãe. 

Nesse caso, seria muito difícil ver Jesus como plenamente divino, pois ele seria exatamente como nós. O nascimento virginal fez com que a união entre divino e humano pudesse ser uma realidade em Cristo. Wayne Grudem mostra que a humanidade de Cristo é evidente “pelo seu nascimento humano comum por meio do nascimento de uma mulher, e sua plena divindade [...] por sua concepção [...] pela obra poderosa do Espírito Santo”.

3. Humanidade de Cristo sem herança do pecado. 
Sabemos que toda a humanidade se tornou transgressora por causa do pecado de Adão (Rm 5. 12). O nascimento virginal fez com que a descendência de Adão fosse parcialmente interrompida em Cristo. Sendo assim, Jesus não descendeu de Adão, mas sim de Deus (Rm 8.32). Portanto, Ele não herdou o pecado de Adão. Da mesma forma, Jesus não herdou o pecado de Maria. 

Nesse caso, conforme demonstra Grudem, a obra do Espírito Santo em Maria evitou, de forma miraculosa, a transmissão do pecado de Maria. É por isso que o anjo declarou a Maria: “O ente santo que há de nascer será chamado Filho de Deus” (Lc 1.35).

Conclusão. 
Jesus, de fato, nasceu de uma virgem. Esse fato histórico mostrou que a salvação somente vem de Deus e que o divino e o humano se fizeram presentes em Jesus, Enfim, o nascimento virginal mostrou que Jesus não herdou a contaminação vinda de Adão. 

Que tais ensinos produzam em nós a consciência de que nossa salvação sempre foi produto da fidelidade de Deus, bem como promovam adoração Àquele que é Santo desde toda a eternidade.

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Carlos Eduardo Pereira de Souza  é pastor da Igreja Presbiteriana do Brasil. Formou-se em Teologia pelo Seminário Presbiteriano do Sul em 2003 e pela Universidade Presbiteriana Mackenzie em 2012. Possui Mestrado em Divindade com concentração no Novo Testamento pelo Centro de Pós Graduação Andrew Jumper em 2013.

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