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A pessoa de Cristo (5)


Por que Jesus deveria se encarnar? Temos respondido a essa pergunta nas últimas reflexões. Conforme vimos na anterior, Jesus precisou ser 100% homem para cumprir o objetivo de dominar a Criação, para ser nosso exemplo de vida e para ser nosso padrão de corpo redimido. Hoje continuaremos a responder a questão a respeito da encarnação de Cristo.


1. Para ter compaixão como sumo sacerdote. 
O autor de Hebreus fornece precioso ensino a esse respeito. Em Hb 2.18 ele escreve:

“Pois, naquilo que ele mesmo sofreu, tendo sido tentado, é poderoso para socorrer os que são tentados”. Mais à frente, em Hb 4.15, ele acrescenta: “Porque não temos sumo sacerdote que não possa compadecer-se das nossas fraquezas; antes, foi ele tentado em todas as coisas, à nossa semelhança, mas sem pecado”.

À luz desses textos, podemos afirmar que se Cristo não se encarnasse, não estaria habilitado para conhecer os sofrimentos, as lutas e as tentações pelas quais os homens passam. Sendo assim, por conta de sua encarnação, ele é capaz de ter compaixão dos homens, por conta de sua própria experiência .

2. Para mostrar sua continuidade humana. 
Após a crucificação, morte e ressurreição, Cristo não abandonou sua humanidade. Ele apareceu aos seus discípulos em figura humana, com as cicatrizes, e comeu com eles (cf. Jo 20.25-27; Lc 24.39-42).

Quando subiu aos céus, o anjo disse que do mesmo modo como ele subiu, assim também voltará (At 1.11). No livro do Apocalipse, João descreve Jesus como um “semelhante a filho de homem” (Ap 1.13).

Esses textos, portanto, mostram que Cristo não se tornou homem por um tempo determinado; pelo contrário, “Jesus permanecerá para sempre plenamente Deus e plenamente homem, e ainda uma só pessoa” (Wayne Grudem). Esse modo de existência de Cristo, segundo o que já vimos anteriormente, indica como seremos no reino de Deus, isto é, revestidos de um corpo (1Co 15.52,53).

Conclusão.
Jesus teve objetivos específicos ao se encarnar. Conforme acabamos de ver, ele se tornou homem para ter compaixão como um sumo sacerdote e para continuar em sua forma humana e, ao mesmo tempo, mostrar como seremos após a sua volta. Que nos alimentemos dessa verdade e rejeitemos qualquer ensino que vá contra o testemunho das Escrituras.

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Carlos Eduardo Pereira de Souza  é pastor da Igreja Presbiteriana do Brasil. Formou-se em Teologia pelo Seminário Presbiteriano do Sul em 2003 e pela Universidade Presbiteriana Mackenzie em 2012. Possui Mestrado em Divindade com concentração no Novo Testamento pelo Centro de Pós Graduação Andrew Jumper em 2013.

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