2 Coríntios 5.18-20
Introdução
Graças à atuação do Espírito Santo a evangelização tem crescido dia-a-dia. Multidões são alcançadas pela instrumentalidade da igreja na área da proclamação. É pena que nem sempre estão todos tão envolvidos nesse ministério.
Convém lembrar o que disse Jesus: "A Seara é grande, mas os trabalhadores são poucos. Rogai ao Senhor da seara que mande trabalhadores para sua seara ".
Quando somos impactados pelo Evangelho ficamos altamente entusiasmados, desejando crescer, desejando divulgar nossa fé em Jesus.
Mas depois de algum tempo vemos essa motivação diminuir e acabamos vivendo a rotina de uma vida cristã fria e estéril.
Por que isto acontece? É porque deixamos que exista uma grande distância entre o conhecimento e a prática.
Nem sempre conhecer nos leva a praticar, e é aqui que está a raiz do problema, a teoria sem a prática. Evangelismo é fé posta em prática. Se queremos ter uma ação positiva na sociedade em que vivemos, precisamos diminuir a distância entre o simples conhecimento e a prática.
Mas como colocar os princípios em prática? Como evangelizar? Quais as melhores formas de abordarmos as pessoas?
É o que vamos estudar na lição de hoje. Que esta lição seja o primeiro passo para a tomada de uma decisão no sentido de atendermos à ordem de Jesus de ensinar à medida em que vamos fazendo discípulos. E ensinar a viver a vida cristã.
1 - VOCÊ E O PLANEJAMENTO DE AÇÕES
A missão primária da Igreja é proclamar o Evangelho de Cristo. A Igreja celebra comunitariamente, com alegria, a entrada daqueles a quem o Espírito Santo chama para serem edificadas na fé e se tornarem discípulos atuantes, eficazes no serviço e assim promoverem o crescimento da igreja pelo mundo inteiro.
É claro que a igreja tem outras atribuições, mas poucos objetivos serão atingidos a não ser que novos discípulos estejam sendo acrescidos às igrejas locais.
Deus deixou bem clara a missão que a igreja tem de anunciar: o reino de Deus (Mc 16.15; Rm 1.16).
Jesus comissionou a igreja para fazer discípulos (Mt 28.19,20). É uma responsabilidade pessoal que não podemos passar adiante, nem deixar em segundo plano.
Lembro-me de um cântico que diz numa de suas estrofes:
"Que estou fazendo se sou cristão.
Se Cristo deu-me o seu perdão.
Há muitos pobres sem lar, sem pão Há tantas vidas sem salvação."
É preciso parar e pensar no que estamos fazendo como cristãos. Estamos mesmo engajados na Seara? Se não, como iniciar este trabalho? Esta é a grande dúvida que perturba.
A igreja tem uma grande tarefa a cumprir e não deve fazê-la sem um planejamento de ações.
Aprendemos sobre planejamento com o próprio Deus, o maior planejador de todos! Ele planejou e executou. Antes mesmo da criação Deus já havia planejado a redenção do homem, e como seria todo o curso da história. Cristo também mostra como planejar é importante.
Ao chamar os doze deu-lhes instrução especifica, que depois também se estenderam aos "setenta". Em Atos 1.8 lemos que os discípulos não deviam sair de modo aleatório, mas deviam começar pelas circunvizinhanças. Isto é planejamento!
Todos nós planejamos nossas ações, nossas atividades, nossos orçamentos, nossas responsabilidades semanais.
Procuramos ter lares bem organizados. Por que então não planejamos nossas ações na área da evangelização? Planejar é fundamental. Como já aprendemos, vamos planejar ações e deixar o planejamento de resultados com Deus (Tg 4.13-16).
Para desenvolvermos um bom planejamento na evangelização precisamos:
1. Compreender a importância da tarefa.
2. Fazer comparação e selecionar as melhores abordagens. Isto vai depender das pessoas a quem você vai evangelizar. Por isso você precisa conhecê-las bem.
3. Estabelecer quais serão suas ações para atingir suas metas. Ao fazer isto você deverá reunir todos os recursos necessários para executar o plano.
4. Execute seu plano.
Foi isso o que Jesus fez ao enviar os "setenta". Eles reconheceram a importância da tarefa: a seara precisava de trabalhadores.
Eles selecionaram as melhores abordagens:
- Nunca ir sozinhos; trabalhar em conjunto; ter consciência das dificuldades (eu vos envio como cordeiros para o meio de lobos); mostrar interesse: "Paz seja nesta casa".
- Estabeleceram quais deveriam ser suas ações:
- Não deviam levar grandes bagagens, deviam depender exclusivamente de Deus e dos amigos.
- Não perder tempo porque a tarefa era urgente.
- Deviam mostrar sua boa vontade. Mostrar identificação com as pessoas. Comer com eles, abençoá-los, orar por eles e anunciar o reino de Deus.
Eles executaram seu plano e foram bem sucedidos (Lc 10.17). Quando olhamos para a vida de Jesus percebemos sua organização ao planejar a tarefa, mostrando claramente as ações que deveriam ser tomadas na execução do plano. Suas estratégias eram claras.
Ele falava a multidões, mas também falava do evangelho pessoalmente (Jo 4.1-30). Ele mostrava profundo amor e interesse pelas pessoas e as confrontava com a vida que levavam e com a necessidade de converter-se. Isto nos leva a reconhecer que precisamos ponderar sobre as estratégias que utilizamos.
2 - VOCÊ E A ESTRATÉGIA DE COMUNICAÇÃO DO EVANGELHO
Podemos usar diversas estratégias para anunciar às pessoas o Evangelho. Lembre-se de como a mensagem chegou a você. Que estratégia foi utilizada?
Hoje em dia muitos pregadores costumam pregar em grandes auditórios, chegam a lotar estádios de futebol. Falam a um grande número de pessoas de uma só vez.
No livro de Atos dos Apóstolos vemos muitas vezes isto acontecendo. Os apóstolos pregavam a um grande número de pessoas reunidas e estas eram alcançadas pela atuação do Espírito Santo.
A Bíblia diz que o Senhor acrescentava dia a dia os que iam sendo salvos, e vemos que eram grandes multidões. Alguns hoje se utilizam até mesmo do recurso das telecomunicações.
Podem atingir pessoas sem que elas saiam de suas casas. Mas, tudo isso são recursos. Não garantem os resultados. São apenas estratégias que usamos para anunciar. É o Espírito Santo que vai convencer as pessoas do pecado, do juízo e da justiça (Jo 16.8).
E você? Que estratégias poderá utilizar?
Todos temos um campo de atuação e influência em casa, na escola e no serviço. Existem pessoas que podem ser evangelizadas com mais facilidade por nós, pois fazem parte do nosso círculo de relacionamento.
Podemos fazer contatos individuais, como também reunir alguns amigos cristãos e visitar pessoas da vizinhança, mostrando carinho, respeito, amor, interesse por eles e fazer como Jesus: confrontá-los com a necessidade de salvação.
Outro recurso que nós cristãos podemos utilizar é fornecer nossos lares para que sejam realizadas reuniões. Pessoas que ficam constrangidas em visitar a igreja, podem se sentir mais à vontade quando convidadas a virem à nossa casa. Ofereça sua hospitalidade!
Muitas pessoas também se tornam receptivas quando demonstramos nossa preocupação por elas, sobretudo quando se encontram deprimidas, angustiadas ou sofrendo. Se souberem que estamos orando por elas, mais facilmente ficarão abertas a ouvir a mensagem do Evangelho.
Além destas sugestões, você pode reunir-se com os crentes de sua comunidade e à luz da Bíblia pensar em estratégias que atinjam as pessoas com a mensagem do Evangelho.
Mas lembre-se, não é o que você faz que convence as pessoas, no entanto você deve dar o seu melhor.
Além de utilizarmos estratégias que nos ajudam a abordar as pessoas, precisamos conhecê-las bem. Aliás, muitas vezes é este conhecimento que determinará as estratégias que vamos utilizar.
3 - O EVANGELISMO E AS SEITAS
Vivemos num país extremamente místico e crédulo e as seitas têm proliferado grandemente em nosso meio. O fato das pessoas aceitarem todas as formas de religiosidade não nos ajuda muito.
Por isso precisamos ter em mente que quando evangelizamos temos que corrigir uma série de distorções criadas pelas seitas. É preciso, portanto, conhecer bem as pessoas que você pretende evangelizar.
Precisa saber se são católicos, espíritas, seguidores das filosofias orientais, etc. O que estes grupos dizem sobre Jesus? Deus? O pecado? A vida eterna?
Você precisa saber isso para estar apto a responder questões cruciais (1 Pe 3.15), para poder dizer quem verdadeiramente é Jesus. O próprio Jesus questionou seus apóstolos acerca do que as pessoas diziam sobre ele (Mt 16.13-17).
É preciso estar preparado e ter convicção. Será mais fácil determinar as formas de abordagem. Procure seguir esta direção descrita no Quadro 1 no final.
O esquema pode ajudar bastante na abordagem de pessoas procedentes das diversas seitas.
4 - INTEGRANDO OS ALCANÇADOS
Chegamos a um ponto fundamental. Compreender a necessidade de trabalhar para o crescimento da igreja, integrando as pessoas alcançadas pelo Evangelho. Todas as pessoas que são evangelizadas e o Espírito de Deus as regenera, devem ser integradas à comunidade da fé, a Igreja.
Foi o que Jesus ensinou quando disse "Ide, portanto, fazei discípulos de todas as nações, (evangelismo), batizando-os em nome do Pai e do Filho e do Espírito Santo; (integração) ensinando-os a guardar todas as coisas que vos tenho ordenado (discipulado) (Mt 28.19,20).
Vejam que as pessoas que são evangelizadas devem ser discipuladas; devem ser ensinadas e preparadas para discipular outras.
Muitas vezes esta área tem sido muito negligenciada. Quantas vezes fazemos um trabalho de evangelização e não investimos nos frutos destes trabalhos? As pessoas creem em Jesus e depois ficam desorientadas na comunidade.
Onde será que está a falha? Estas pessoas precisam de atenção especial, precisam de acompanhamento, devem ser ajudadas pelos crentes mais experientes e devem juntos crescer na fé (2 Pe 3.18).
É preciso abrir os olhos para esta tarefa da igreja. E preciso desenvolver a cooperação (1 Co 3.9). É aqui que entram os dons espirituais que foram dados a cada um para o crescimento do corpo em amor.
Devemos reconhecer a necessidade do discipulado como algo fundamental para o crescimento e fortalecimento do novo convertido. Ele deve sentir-se útil na comunidade cristã. Sentir-se útil na obra de Deus inclui sentir-se aceito no corpo.
5 - VOCÊ E A OBRA MISSIONÁRIA
"Evangelizar" é tarefa permanente da igreja, e é através do evangelismo pessoal que serão alcançados os vizinhos, o bairro, a cidade, e através do trabalho de abrir novos pontos de pregação e estudo da Palavra estaremos alcançando os mais próximos e os mais distantes.
Somos todos também responsáveis, de modo particular, pelo sustento, apoio e incentivo através das orações à obra missionária desenvolvida pelos órgãos denominacionais (Juntas de Missões, nacional e estrangeira).
Para as igrejas locais serem verdadeiramente missionárias devem não somente treinar e enviar obreiros como também dar-lhes todo o apoio.
Devemos promover o espírito missionário em nossas igrejas, encorajando os pastores, os oficiais, os obreiros leigos a implantar novas igrejas em locais ainda não alcançados.
Nenhuma das chamadas de missionários no livro de Atos dos Apóstolos ocorreu isoladamente, por iniciativa própria. A igreja sempre teve um papel importante no comissionamento destes obreiros (At 11.32; At 13.2).
O povo de Deus trabalha orando e planejando em conjunto, de uma maneira responsável, em prol da evangelização do mundo. Esta é uma preocupação que deve ser coletiva.
Os missionários eram reconhecidos, preparados e encorajados pela igreja; é por isso que oração e missões estão intimamente relacionadas.
É preciso orar para selecionar. É preciso orar para enviar. É preciso orar para encorajar.
As orações em favor dos missionários seja no próprio país, ou no estrangeiro, fazem parte do apoio que a igreja deve dar. Agindo assim a igreja nunca vai perder de vista a importância da obra missionária e o papel que vai desempenhar nela (Rm 15.31; Ef 6.19; Cl 4.2,3).
CONCLUSÃO
Como vimos, evangelizar é mais que apenas distribuir convites para conferências. É, sim, proclamar ao pecador perdido as boas novas da salvação em Cristo Jesus. Isto é algo que eu e você podemos e devemos fazer.
Por isso, para evangelizarmos, é preciso ter um imenso amor que transborda nossas almas de vida, vida esta que desejamos comunicar aos perdidos. Evangelização deveria ser nossa forma de viver (Gl 2.20).
É por isso que devemos priorizar a evangelização através de um programa bem planejado, com estratégias que nos ajudem na comunicação e na integração e acima de tudo cultivar o espírito missionário.
APLICAÇÃO INDIVIDUAL
- Que papel representa a evangelização em sua vida?
- Você tem evangelizado alguém ultimamente?
- Qual a maior dificuldade que você encontra para evangelizar as pessoas?
- Procure fazer uma relação das pessoas que você está evangelizando. Anote ao lado de cada uma o conceito que elas tem de Deus, do homem, do pecado e de Jesus e também o que você pretende fazer para dizer o que a Bíblia diz.
- Ore por elas, visite-as e ofereça sua hospitalidade. Lembre-se de telefonar ou escrever de vez em quando, mostrar carinho e interesse por ela Deus o abençoe neste ministério.
Lista de estudos da série
1. O Segredo dos Apóstolos – Estudo Bíblico sobre O Crescimento da Igreja Primitiva2. Sobrevivendo à Perseguição – Estudo Bíblico sobre O Crescimento da Igreja Até a Reforma
3. A Volta da Verdade – Estudo Bíblico sobre O Crescimento da Igreja Pela Reforma
4. A Era dos Gigantes – Estudo Bíblico sobre O Crescimento da Igreja e Missões
5. Como o Evangelho Chegou Aqui – Estudo Bíblico sobre O Crescimento da Igreja no Brasil
6. Planejamento Humano ou Divino? – Estudo Bíblico sobre O Crescimento da Igreja Hoje
7. Cuidado com o Fogo Estranho – Estudo Bíblico sobre O Crescimento da Igreja e Métodos Modernos
8. Mitos da Batalha Espiritual – Estudo Bíblico sobre O Crescimento da Igreja e o Misticismo
9. Vencendo o Verdadeiro Inimigo – Estudo Bíblico sobre O Crescimento da Igreja e a Batalha Real
10. O Verdadeiro Poder do Espírito – Estudo Bíblico sobre O Crescimento da Igreja e os Dons
11. Santidade no Trabalho – Estudo Bíblico sobre O Crescimento da Igreja e a Sua Profissão
12. O Triunfo Final de Cristo – Estudo Bíblico sobre O Crescimento da Igreja e o Futuro
13. Sua Missão Pessoal – Estudo Bíblico sobre O Crescimento da Igreja e Você
