2 Tessalonicenses 2.3
Introdução
A Igreja, esta que você está acostumado a ver e participar, pode parecer algumas vezes desinteressante. Em outros momentos pode ter sido difícil ver qualquer semelhança dela com Cristo.
Não vamos entrar por esta porta, pois ela é muito larga! Esse tipo de sentimento ou até de atitude — o desinteresse, o abandono e o desprezo —, é uma tentação a ser vencida.
Afinal, Deus providenciou a Igreja e a tem equipado para que cheguemos à medida da estatura de Cristo (Ef 4.13), ou seja, para que sejamos perfeitos. Indiferença, desprezo, raiva, indignação... ou comunhão, consideração, amor, proximidade?
Não podemos nos esquecer de que embora haja fraqueza, a Igreja está sendo aperfeiçoada por Deus. Nela, juntos como corpo de Cristo, celebramos o nome de Deus, por sua grandiosa misericórdia e graça.
É preciso enxergar além das realidades objetivas. E é possível essa correção oftalmológica! Para tanto a caminhada deve ser na certeza de que essa Igreja que hoje vemos será gloriosa e sem mancha, aperfeiçoada por Deus.
Essa, na verdade, é a grande motivação para trabalharmos anos a fio juntos no corpo de Cristo, por causa da majestosa glória que nos aguarda na presença de Jesus, em sua vinda.
1 - A NATUREZA DA SEGUNDA VINDA DE CRISTO
É impossível descrever exatamente como será a volta de Jesus. Neste evento, Cristo glorificado se manifestará de um modo totalmente inesperado.
Sua volta será sem precedentes, será diferente de todos os acontecimentos até então vistos. Assim, qualquer descrição que afirme contar toda a história em seus mínimos detalhes será uma ilusão desde o início.
O próprio Jesus comparou sua vinda a um relâmpago (Mt 24.27). Tentar produzir simbolismos é estar fornecendo um atestado de incompetência, uma vez que a afirmação de Jesus já transmitiu o caráter misterioso de como se processará.
Os símbolos bíblicos, porém, são concedidos por Deus, e podemos então interpretá-los com a confiança de que, embora não possam esclarecer tudo, podem revelar o que precisamos saber.
A. Será uma vinda gloriosa
Em "poder e muita glória" (Mt 24.30); "todo olho o verá" (Ap 1.7). O primeiro advento do Senhor teve lugar na obscuridade e na fraqueza, encarnado como um de nós. Seu segundo advento, em contraste, será conhecido universalmente.
Ele virá "com as nuvens do céu" (Dn 7.13; Mt 24.30; At 1.9,11; Ap 1.7). As nuvens representam a glória de Deus e sua presença manifesta entre o seu povo (Ex 24.15-18; 2 Cr 5.13). A volta do Senhor será o ato final do desvendar da presença divina, a revelação maior da majestade e glória transcendentes do Deus trino.
B. Será uma vinda decisiva
"Então virá o fim " (1 Co 15.24). A história chegará ao seu término. Será um evento para todos os povos, não ficará restrito à Igreja ou aos cristãos que estiverem vivos na terra quando isso acontecer. Quer saibam ou não, a vida de cada um está caminhando em direção ao advento de Cristo.
C. Será uma vinda súbita
Apesar das referências aos sinais dos tempos, a Bíblia fala claramente sobre a volta inesperada do Senhor (Mt 24.37-44; 1 Ts 5.1-6). Como Jesus declarou: "à hora em que não cuidais, o Filho do homem virá" (Mt 24.44). O papel do cristão é "vigiar" (Mc 13.37).
Qualquer interpretação do cristianismo em que esta esperança futura esteja ausente, não se harmoniza com o testemunho bíblico. É um erro interpretar essas referências em termos da primeira vinda, quando o reino de Deus foi estabelecido. O Senhor Jesus fez declarações claramente com respeito ao futuro (Mt 13.24; 19.28; Mc 14.25).
3 – O PROPÓSITO DA SEGUNDA VINDA DE JESUS
A. Completar a obra redentora
Na sua vinda, Cristo irá completar os propósitos redentores de Deus através dos séculos. Todos os inimigos de Deus, o pecado, a morte e o diabo, serão removidos do mundo de Deus (I Co 15.22-28; Ap 12.7-11; 20.1-10) e uma nova ordem será estabelecida, na qual os propósitos originais de Deus para a humanidade e a criação vão ser finalmente concretizados (2 Pe 3.1-13; Ap 22.1-15).
É importante manter os elos essenciais entre o segundo e o primeiro advento. Não se trata do primeiro ter sido inadequado e exigir um segundo para cumprir definitivamente a tarefa. Em lugar disso, a obra de Cristo em sua segunda vinda é completar a conquista e vitória obtidas decisivamente na primeira (Jo 14.3; Ap 5.5-14).
Esta ligação entre a realização da missão de Jesus no passado e seu clímax futuro ajuda muito a explicar porque a expectativa de uma volta iminente de Cristo permeia os escritos do Novo Testamento.
O fim já chegou e "está próximo ". Em princípio, nada resta a ser realizado para promover seu pleno triunfo. Nenhum acontecimento intermediário pode afetar a vitória pascal de Cristo, e podemos viver na constante antecipação de sua vinda.
B. Ressuscitar os mortos
"Todos os que se acham nos túmulos ouvirão a sua voz e sairão os que tiverem feito o bem, para a ressurreição da vida; e os que tiverem praticado o mal, para a ressurreição do juízo " (Jo 5.28). Pelo poder de Deus operando através de Cristo em sua volta, todos os que já viveram serão chamados de volta a uma forma de vida corporal. Esta ressurreição terá como propósito o julgamento.
C. Julgar todos os povos
Cristo "há de julgar vivos e mortos " (2 Tm 4.1; At 17.31). Seu juízo vindouro é ensinado tanto no Antigo Testamento (Sl 2.9; 110.5; Is 61.2; Ml 3.1-3) quanto no Novo Testamento (Mt 16.27; At 10.42; Rm 2.3-16; 1 Co 4.5; Jd 14). Todos se apresentarão diante dele na sua volta.
3 - A DATA DO SEGUNDO ADVENTO
A indagação dos discípulos: "Dize-nos quando sucederão estas coisas, e que sinal haverá da tua vinda e da consumação do século" (Mt 24.3) é respondida por Jesus em detalhe.
Paulo dá indicações semelhantes da época desta grande crise de todos os tempos (2 Ts 2.1-12), e Apocalipse, desenvolvendo as imagens do Antigo Testamento, especialmente as de Daniel, desdobra os acontecimentos que levam à volta do Senhor.
Jesus responde à pergunta dos discípulos falando de um período de tempo precedente à sua volta, caracterizado por quatro condições gerais: apostasia religiosa (Mc 13.5), perseguição e testemunho mundial da igreja (Mc 13.9-11, 13, 19), guerras e conflitos entre as nações (Mc 13.7) e distúrbios da ordem natural (Mc 13.8.24).
Paulo parece falar em termos similares em 2 Timóteo 3. "Nos últimos dias sobrevirão tempos difíceis" (v. 1), provocados por extremo egoísmo, com todas as manifestações antissociais que o acompanham na família e na sociedade (vv. 2-4). Na vida religiosa haverá a forma externa, mas não a realidade interior (v.5).
4 – O MILÊNIO
O que dizer desse ensino bíblico? Não podemos deixar de notar que a frase ocorre em um único capítulo da Bíblia, num livro repleto de interpretações simbólicas. As teorias milenistas foram quase que universalmente rejeitadas pelos principais reformadores.
Ao que aparenta pelos escritos da época, este não era um problema digno de muita atenção. Além do mais, tudo que se tem são teorias escatológicas, embora alguns tratem como se fosse doutrina claramente ensinada.
A. Pós-milenismo
Este ponto de vista vê o milênio como um reino terreno de mil anos; a parousia tem lugar depois (pós) do milênio. O período de mil anos é uma época de grande progresso na pregação do evangelho, que se espalha pelo mundo, alcançando a aceitação universal de Cristo, antes da sua gloriosa aparição e do estabelecimento da ordem eterna.
Alguns veem em Romanos 11 uma promessa a esse respeito. Esta posição tem hoje um número bem menor de defensores do que há um século atrás, quando irrompeu o movimento missionário mundial (parcialmente gerado pelo pós-milenismo) e o otimismo marcava a sociedade ocidental.
A sensação geral de crise na cultura humana parece exigir mais fé (na capacidade do evangelho em alcançar o mundo), principalmente quando este ponto de vista assistiu atônito duas guerras mundiais.
A evidência bíblica citada inclui Mateus 28.18-20, visto como uma promessa da evangelização das nações, e a declaração que Jesus fez sobre o triunfo da Igreja (Mt 16.18). Outras passagens são citadas (Mt 13.31-35,47; 24.14;Rm 11.11-16; 1 Co 15.25) incluindo referências ao reino universal do Messias (Nm 14.21; Sl 2.8; Is 11.9; Zc9.10).
B. Pré-milenismo
Esta é a teoria de que a volta de Cristo terá lugar antes (pré) do reino milenar de Cristo na terra. A vinda de Cristo será o final decisivo da história humana sob a maldição da queda; depois de sua volta, o anticristo será morto e o diabo e todas as forças malignas serão removidas da terra.
Após este acontecimento, haverá um período de aproximadamente mil anos de paz e felicidade no mundo, sob o governo de Cristo, que reinará sobre o seu povo, inclusive sobre muitos judeus convertidos por causa de sua volta.
Embora ainda presente, o mal será em grande parte refreado. Até mesmo a natureza partilhará das bênçãos desta era.
Próximo ao fim, Satanás será liberto e reunirá forças para um conflito final contra os santos. Ele será derrotado pelo fogo do céu e haverá então a ressurreição geral dos mortos, o julgamento universal e a inauguração da era eterna, com novos céus e nova terra.
A evidência bíblica citada para esta teoria baseia-se em passagens que descrevem o reino do Messias em termos de uma ordem terrena ideal (Is 2.2-5; Mq 4.1-3; Zc 14.9,16). A teoria também se vale de referências que apresentam a era vindoura de maneira material (Mt 19.28; At 1.6) ou admitem um espaço de tempo entre a volta de Cristo e a era eterna (1 Co 15.23-25; 1 Ts 4.13). O principal ponto de referência, porém, é Apocalipse 20.
C. Amilenismo
Este ponto de vista afirma que o milênio é simbólico, que não há um milênio no sentido literal (do grego, a, sem). Esta posição segue o princípio de interpretação que faz com que o sentido obscuro e simbólico seja interpretado pelo claro e didático. Entendem que o Novo Testamento considera o segundo advento como um ato único de Deus, com muitos cumprimentos.
A teoria amilenista rejeita a noção de um intervalo de mil anos em que Cristo reinará visivelmente. A referência ao milênio em Apocalipse 20 é tomada como um símbolo do governo de Cristo, enfatizando sua perfeição e plenitude.
Muitos amilenistas consideram a "prisão" de Satanás como o fato de Cristo "amarrá-lo", mediante a sua obra redentora (Mt 12.29). O reino de mil anos não será na terra mas no céu com Cristo, e refere-se à era evangélica entre as duas vindas de Cristo. Desta forma, já se estaria vivendo o milênio. O poder de Satanás é restringido pela obra de Cristo, que reina nas esferas celestiais.
5 - VIVENDO PARA O DIA FINAL
Qual foi a última vez que você ouviu um sermão sobre o inferno? O céu é um assunto bem mais popular, mas mesmo ele tem sido ignorado nesses dias. A tendência nas mensagens contemporâneas não é focalizar a vida futura eterna, mas as nossas "necessidades". Ao mesmo tempo em que essas mensagens atraem multidões, elas falham em desenvolver maturidade e em construir a Igreja.
A falta de embasamento no eterno pode ser o grande elemento motivador para que venham tantas multidões. O objetivo da pregação, além de cuidar das questões do aqui e agora, é preparar o individuo para estar na presença de Jesus.
Se houve alguém baseado e motivado pelo eterno, este foi o apóstolo Paulo. Sem se esquecer das necessidades práticas daqueles a quem servia, ele constantemente apontava-lhes para a vida do porvir. Em 2 Coríntios 5.10, o apóstolo, depois de ter tratado das necessidades locais (e ainda continuaria a fazê-lo), dá a perspectiva correta pela qual o cristão deve viver — o futuro, lá onde está o nosso tesouro e recompensa, a nossa avaliação do correto viver. É um bom motivo para pensar.
Conclusão
Vamos lembrar o que ocorria com os cristãos da época de Apocalipse: As autoridades romanas estavam começando a impor o culto ao imperador. Os cristãos, que afirmavam que Jesus é Senhor, e não César, enfrentavam grande hostilidade. Esse assunto já estava valendo o exílio de João em Patmos (provavelmente uma colônia penal romana) por causa de suas atividades como missionário cristão (Ap 1.9).
O propósito de João ao escrever o livro é encorajar os fiéis a resistirem às demandas do culto ao imperador. Ele informa seus leitores que o confronto decisivo entre Deus e Satanás está às portas.
O confronto não será como alguns poetas e a filosofia maniqueísta supõe: a luta entre o bem e o mal; duas forças poderosas. Não! O confronto é o estabelecimento de uma sentença, uma conquista de Cristo que já expôs os principados e potestades ao "desprezo, triunfando deles na cruz" (Cl 2.15)
A perseguição de Satanás aumentará, mas os cristãos resistirão até à morte. Os cristãos foram selados contra qualquer dano espiritual, e Cristo, ao voltar, os conduzirá à eternidade da glória, quando então os ímpios seguidores do Diabo e o próprio Diabo e seus anjos serão para sempre lançados no lago de fogo.
Aplicação individual
O que tem sido para você, hoje, um desafio similar ao dos nossos irmãos do primeiro século? Qual tem sido a imposição contemporânea, disfarçada de cultura, que tem feito muitos dobrarem seus joelhos "aos imperadores"? Aliás, você está tendo algum problema com os "joelhos"?
Lista de estudos da série
1. O Segredo dos Apóstolos – Estudo Bíblico sobre O Crescimento da Igreja Primitiva2. Sobrevivendo à Perseguição – Estudo Bíblico sobre O Crescimento da Igreja Até a Reforma
3. A Volta da Verdade – Estudo Bíblico sobre O Crescimento da Igreja Pela Reforma
4. A Era dos Gigantes – Estudo Bíblico sobre O Crescimento da Igreja e Missões
5. Como o Evangelho Chegou Aqui – Estudo Bíblico sobre O Crescimento da Igreja no Brasil
6. Planejamento Humano ou Divino? – Estudo Bíblico sobre O Crescimento da Igreja Hoje
7. Cuidado com o Fogo Estranho – Estudo Bíblico sobre O Crescimento da Igreja e Métodos Modernos
8. Mitos da Batalha Espiritual – Estudo Bíblico sobre O Crescimento da Igreja e o Misticismo
9. Vencendo o Verdadeiro Inimigo – Estudo Bíblico sobre O Crescimento da Igreja e a Batalha Real
10. O Verdadeiro Poder do Espírito – Estudo Bíblico sobre O Crescimento da Igreja e os Dons
11. Santidade no Trabalho – Estudo Bíblico sobre O Crescimento da Igreja e a Sua Profissão
12. O Triunfo Final de Cristo – Estudo Bíblico sobre O Crescimento da Igreja e o Futuro
13. Sua Missão Pessoal – Estudo Bíblico sobre O Crescimento da Igreja e Você
